Joelho

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo


Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.

Maria Teresa Horta

4 thoughts on “Joelho”

  1. Da Teresa Horta belas poesias li, este excelente – suponho, algum seu caderno de poesias eróticas?! – poema, não conhecia. De “Horta” ela sabia e saboreava, livre de ervas daninhas a flor é agora mais que suave ostra de muito mais gosto a mar.

  2. Quem escreve poesia assim não se engasga. Que pena não ter atingido a apoteose do esguicho torrencial entre dentolas bem colgateadas! Seria tão bom, e depois poderia ter rimado com desalmado “bicho” ou “cochicho” de brincar, que falta de lembrança…

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