Um livro por semana 34

«O pastor das casas mortas» de Daniel de Sá

As aldeias também adoecem como as pessoas. Em politiquês corrente diz-se «desertificação» mas na verdade (e em português de lei) esta doença chama-se abandono. A Aldeia Nova da Serra tem 58 habitantes pelo censo de 1960 e Manuel Cordovão é o guardador das suas casas envelhecidas e das paixões que ficaram por viver. Sobre Graça Manuel escreve na sua agenda: «Agora pronto, acabou-se tudo, ela vai ser uma infeliz e eu também. Estranha forma a minha de felicidade! Sou feliz só por pensar que podia ter sido feliz.» Mais à frente é Olívia que afirma a Manuel: «Eu nunca vou gostar de ninguém como gosto de ti mesmo que eu saiba que tu nunca gostaste de mim como gostas da Graça.» Mas não é apenas das paixões da alma que esta novela trata; existem as paixões políticas como quando a luz eléctrica foi inaugurada na aldeia: «Se vossas excelências esperassem uns anitos nem precisavam de se incomodar com a gente, porque a gente já não estava lá.» Porque é grande o fosso entre a gente da Cidade e a gente da Serra: «Aqui na serra, aos dez ou doze anos, já sabemos tudo o que precisamos de saber. As raparigas sabem fazer queijo, os rapazes sabem guardar as ovelhas. Só isso.»

O protagonista acaba por casar com Teresa que tem um cancro e quer vir morrer à serra: Graça (que foi o primeiro amor) e o marido são as testemunhas na cerimónia da ermida. Nesta partida de sueca, metáfora do jogo da vida, entre as cartas do amor e da morte, as vazas duram mais tempo porque há um parceiro na América e a resposta demora duas semanas. E a moral da história surge límpida e incisiva na última página desta novela: «Mas a aldeia continuaria morta. Porque uma aldeia não são só as casas mas sobretudo as pessoas. E essas não queriam, ou não podiam voltar.»

(Editora: Ver Açor Lda., Grafismo: Hélder Segadães)

5 thoughts on “Um livro por semana 34”

  1. Jon Stewart – 50% dos governadores do Estado do Illinois estão encarcerados por corrupção

    CNN: O governador do Illinois, Blagojevich tentou extorquir contributos para a campanha de pessoas com contratos estaduais… Blagojevich tentou vender o lugar no Senado que o Presidente eleito, Barack Obama, deixara vago.

    Fox News: Blagojevich tentou conseguir o cargo de embaixador ou ser nomeado Secretário da Saúde e Recursos Humanos. Ele queria um emprego para a mulher. Ele queria dinheiro. …Blagojevich queria despedir a Comissão Editorial do “Chicago Tribune”.

    Jon Stewart: Sabem que mais? Deixem-me simplificar isto. Do que não está ele a ser acusado?

    Personagem de um filme antigo de cowboys: “De molestar um cavalo morto.”

    Jon Stewart: Presumo que seja um exagero. É óbvio que Blagojevich não fez nada que chegue ao nível de maldade da bestialidade necrófaga.

    Fox News: O governador Blagojevich, diz a Acusação, tentou extorquir uma contribuição de 50 mil dólares do director de um hospital pediátrico, ameaçando negar ao hospital fundos estaduais.

    Jon Stewart: Era melhor teres f… um cavalo morto. Blagojevich andava a extorquir um hospital pediátrico!

    Jon Stewart: Infelizmente, o suborno não é novidade no Estado de Illinois. O anterior governador, George Ryan, deixou o cargo quando foi acusado de corrupção e está actualmente a cumprir uma pena de seis anos. Mas não é tudo. Três dos últimos sete governadores do Illinois foram parar à prisão. Então isto totaliza 4 dos últimos 8 governadores do Illinois que são encarcerados por corrupção: 50%.

    Jon Stewart: Ouçam meninos, ser governador do Estado de Illinois pode parecer deslumbrante, mas é um beco sem saída. É um bilhete de saída para lado nenhum. 50% dos governadores do Illinois acabam presos. Por amor de Deus! Sabiam, e isto é verdade, que apenas 48% dos homicidas são presos pelo seu crime? É mais provável serem presos se se tornarem governadores do Illinois, do que se tornarem homicidas. Por isso, hoje digo-vos isto: a escolha é vossa, meninos. Façam a escolha inteligente.

    VÍDEO legendado em português

  2. Concordo com a Claudia, para quem já leu o livro, o acima exposto diz muito pouco da sua qualidade.
    Podemos gostar ou não dos conteúdos de Daniel de Sá, mas a sua qualidade de escrita é inquestionável e não é por mero acaso que a sua obra é objecto de estudo
    de várias universidades.
    Quem o conhece sabe bem da sua grandeza, quer pelo seu enorme conhecimento, pelo cidadão pleno que é, pelo seu sentido de humor e especialmente pela sua extrema simplicidade, que por vezes pode ser confudida com alguma ingenuidade.

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