Que maleita ignominiosa e anacrónica está a unir reaças e comunas nas críticas a Obama, um preto que mandou mais guerreiros para a batalha do Afeganistão? Tendo em conta que Obama está a fazer, e em rigor, o que prometeu na campanha – sair o mais rapidamente possível do Iraque e vencer o mais rapidamente possível no Afeganistão – só há uma explicação para tanta má-vontade, má-fé, má-língua e má-criação: racismo.
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Magnífica derrota
O problema português também é este: não saber perder. Acontece que perder é bom e recomenda-se. É a perder que aprendemos, que crescemos, que ficamos fortes, nós que estamos destinados a tudo abandonar. Em Portugal, para nosso atraso, há vergonha na derrota. Prefere-se o pechisbeque da seriedade, esse atrofio da ousadia e cultura do medo.
O Sporting teve a sorte de perder com o Leiria e o resultado até devia ter sido mais expressivo, o segundo golo dos visitantes foi mal anulado. Que se vai seguir? Não faço ideia, eu nem sei o que se passa durante a semana com estas pessoas cheias de saúde, dinheiro e tempo que constituem a indústria do futebol. Só sei que gostava de ser treinador do Sporting neste preciso momento. E eis o que faria:
– Patrício ia para o banco, voltava Stojkovic.
– Veloso ia para o banco, passando a entrar a 15 minutos do fim para substituir Adrien.
– Adrien seria multado pelo cartão amarelo que levou neste jogo.
– Vukcevic jogaria atrás de Liedson e nunca seria substituído, não há ninguém no banco que colmate a sua ausência.
– Pereirinha jogaria de início, sendo substituído a 15 minutos do fim pelo Moutinho.
– Todos os jogadores passariam a ter explicações de matemática, com enfoque na geometria e cálculo probabilístico.
E daria resultado? Nunca se saberá. Mas as derrotas seriam cada vez melhores.
Lopes da Mota foi de carrinho
Dois magistrados alegam ter sido pressionados por um magistrado. Isto, como enredo, já era bisonho o suficiente. Mas ver que nem o Conselho Superior do Ministério Público consegue estar acima das coboiadas, sendo utilizado a bel-prazer para servir interesses políticos, eis o acabrunhante retrato do maior problema em Portugal: a ruína do poder judicial.
Curiosamente, os alvos são sempre do PS. É preciso ter pontaria.
Entre marido e mulher
Vais ler esta notícia até ao fim, e ficar ao lado dessa mulher enquanto ela se esvai em sangue e agoniza no lugar do morto. É o mínimo que agora podemos fazer por ela, pela sua memória e pelo sentido da sua vida. Uma vida cuja desgraça recebeu como prémio ser assassinada.
Esta violência psicótica não é algo lá entre eles, marido e mulher. Grotesca cumplicidade criminosa a nossa. Eles há muito que tinham perdido a capacidade de serem um casal, eram já outra coisa: duas vítimas. Mas só duas de cada vez? Mais, muitas mais. Como em Montemor, o perfeito triunfo do mal. A Manuela foi assassinada dentro de uma ambulância, em frente de um edifício onde está instalado um corpo militar cuja missão é a segurança pública. Depois, o assassino detido consegue ainda balear dois militares dentro das instalações, um deles vindo a falecer. A filha de 5 anos, que estava nos braços da mãe quando esta foi atingida a tiro de caçadeira, também ficou ferida. Não se pode antecipar quais serão as consequências psíquicas do acontecimento que lhe tirou a mãe, o pai e o futuro. As famílias, e amigos, de todos os envolvidos entram também na listagem de vítimas da besta-fera.
Há muito a fazer para evitar estas tragédias. E podemos começar por qualquer lado: por exemplo, metendo a colher onde se corre o risco de alguém usar a faca, a espingarda, o punho, o ódio, a demência.
Espionagem política – IX
O interesse da entrevista a Vara não se fica pela reclamação inequívoca de inocência. Também nos deixa ver a fragilidade de uma Justiça feita por homens; portanto, passível de errar ou de ser instrumentalizada. Nada que não se soubesse, nada que não se fale em palácios e cabanas, mas que ganha neste caso uma densidade política como nunca antes se tinha visto em Portugal. A confirmar-se a versão de Vara, o Ministério Público em Aveiro, que pode não ter nada de louco, cometeu uma loucura: serviu-se de um inocente para culpar outro inocente.
A Judite repetiu dez mil vezes a mesma pergunta, se Vara não sabia que o Godinho era trafulha. O seu rosto mostrava incredulidade, ela não acredita que os malandros não se conheçam todos de ginjeira. Vara tentou dar-lhe noções básicas de serviço a clientes e qual a razão pela qual ele tem sido um profissional admirado na banca há décadas. A repetição maníaca da pergunta, no absurdo de esperar a resposta impossível, mostra uma jornalista que não devia ler certos jornais.
Pagliacci
Têm mesmo a certeza que deste choné virá a salvação da Pátria? Que o seu número circense provoca risos e aplausos, isso já sabíamos. Mas a gargalhada suprema solta-se quando descobrimos quem se assume como seu discípulo.
Os palhaços são a alma do circo.
Batalha naval
Uma das metáforas políticas mais celebradas, e repetida universalmente, é a da nau do Estado. Platão, devido à magistral passagem no Livro VI da República, é por vezes apresentado como o seu autor, mas a imagem já existia pela arte de Arquíloco, e outros. Erudições à parte, esta ideia de que o Estado – portanto, o seu governo – é um navio, o qual pode chegar ao seu destino ou perder-se, afundar-se ou nem sequer levantar âncora, é perfeita para simplificar o que é intrínseca e inevitavelmente complexo: a organização do Poder.
Sócrates é alguém que não planeou os conflitos que desperta, ou que sobre ele se abatem, mas que se vê transformado no bode expiatório de uma sociedade que vive uma crise de crescimento – onde há forças caducas que se recusam a abandonar os antigos privilégios, e onde há forças regeneradoras e criativas que permanecem atrofiadas. Aqui entre nós que ninguém nos lê, quando se diz que uma só pessoa quer fazer mal tanto aos trabalhadores como aos empresários, e se garante que o principal problema político nacional está na sua presença à frente do Governo, como se o sistema fosse o resultado de uma moção voluntarista individual, podemos ter a certeza certezinha de que a história está muito mal contada. Que é uma história para borregos. A sucessão de casos onde aparecem suspeitas que envolvem o nome de Sócrates não têm deixado uma névoa impenetrável ou um breu assustador, é ao contrário: nunca houve um político tão investigado e tão devassado. Não é crível que a enorme maioria da classe política resistisse ao levantamento assassíno dos seus percursos escolares, profissionais e pessoais, ainda antes de irmos à actividade exclusivamente política. E é um espectáculo que une o asco à compaixão, que revolta e enfada, ver ataques a Sócrates por causa da sua licenciatura, ou das casas, ou do título de engenheiro, ou do caralho que os foda a todos, hipócritas debochados. A magnitude e amplitude dos ataques, unindo reaccionários da direita e da esquerda, desvela a profundidade do conflito, lá onde estão as raízes do nosso atraso secular.
Voltemos à nau. Alguém tem de a comandar, ser o capitão, o homem do leme. Então, que sentido faz que se tente dificultar, mesmo boicotar, essa navegação? Diríamos que nenhum, que é um absurdo. Contudo, a oposição defende precisamente o direito ao prejuízo máximo. Qualquer dano que se inflija no Governo é festejado como ganho por esta oposição que foi quem diabolizou a relação com a governação e com Sócrates. Repare-se nos discursos do PCP e BE, desde que existem, e constate-se como o problema não se chama Sócrates mas cassete. Qualquer dirigente do PS que tivesse estado à frente de um Governo maioritário seria tratado da mesmíssima forma, com a mesmíssima agressividade e violência – especialmente se tentasse reformar certas áreas cristalizadas pelo poder sindical e corporativo. Invariável lógica para o cinismo do PSD e CDS; menos fanáticos, mas igualmente oportunistas.
Será impossível virmos a ter uma oposição que respeite o bem comum, que sirva a comunidade? Não se sabe, claro, mas é possível tentar. Cada um de nós tem muito mais poder do que imagina, pois nós somos o eleitorado, a Cidade. E a Cidade será o que os cidadãos fizerem dela. Nem mais, nem menos.
Recado
[11/Março/76]
Telles Grilo (PS) protesta contra um aparte de Pedro Roseta (PPD): — Há uma expressão do sr. Pedro Roseta, deputado do PPD, que diz que eu sou um irresponsável.
(Apupos)
Vozes: — Oh! Oh! Oh!
T.G.: — O sr. deputado Pedro Roseta parece que não está, e eu pedia ao leader parlamentar do PPD, que lhe transmitisse o seguinte recado: é que o sr. deputado Pedro Roseta considera-me um irresponsável e eu considero o sr. deputado Pedro Roseta um responsável. Do que tenho a certeza é de que ambos estamos enganados.
(Gargalhadas. Aplausos)
É cada vez mais difícil e desagradável dirigirmo-nos ao PPD.
Presidente: — O sr. deputado fará o favor de cingir as suas considerações ao protesto, para o qual pediu a palavra.
T.G.: — É exactamente nessa condição que pretendo dirigir o meu protesto e pedir explicações, possivelmente.
Uma voz: — Você não as deu.
T.G.: — Porque o PPD continua cada vez mais desarticulado e desafinado, também não admira: saíram os tenores e só ficaram os baixos.
(Gargalhadas. Aplausos)
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Cf. VICTOR SILVA LOPES, CENAS PARLAMENTARES – Humor, agitação e ataques na Constituinte, EDITUS, 1976, p.371
Tenham juizinho…
O Hubble tem uma nova lente, e em Agosto obteve esta imagem. O que nos surge à frente dos olhos é um salto temporal até às origens, levando-nos 13 mil milhões de anos para trás (mais milhão, menos milhão) nos pontos vermelhos. Nunca se tinha viajado tanto no tempo, nunca se tinha visto o universo tão moço. Cada um destes pontos de luz é uma galáxia, cada galáxia tem em média 100 a 200 mil milhões de estrelas, e cada vez se descobrem mais planetas, sendo estatisticamente aceitável a sua ubiquidade estelar.
Para se apreender a enormidade do que nos cerca, dizer que se fotografou apenas um pintelho do céu visível, e que a mensagem é: se desaparecermos do mapa, ninguém vai reparar.
Da elite e do escol
Nesta entrevista a Fernando Lemos, vemos um ser humano de 83 anos que não tem qualquer peso da senectude. Até a sua cabeleira se exibe como metáfora capital da hercúlea vitalidade. Extraordinário. Só tinha visto caso igual na pessoa do Agostinho da Silva – com quem teve percurso de vida paralelo e partilhado, naquilo que talvez não seja uma coincidência. E quanto ao que diz, e como o diz, estamos perante um sábio que transporta a memória viva de grande parte do século XX e de alguns dos melhores portugueses de sempre. Portugueses que amaram profundamente Portugal, pagando com o exílio a realização da sua liberdade indomável.
A entrevista é agridoce, porque a riqueza do que diz, seja pelo testemunho, reflexão ou ilustração, estava constantemente a ser limitada pela lógica de um questionário programado e serventuário do tempo disponível. Duração escandalosamente curta tantos os tesouros históricos, culturais e sapienciais que os 83 anos da sua existência admirável guardam lúcidos e generosos. Se nenhuma televisão portuguesa, a começar pela RTP, fizer programas com este homem, gravando umas boas dezenas de horas só com ele a falar, isso será um crime de lesa-Pátria.
O Estado Novo é um exemplo paradigmático da diferença entre a elite e o escol. Por causa de uma elite provinciana, inculta, mesquinha e tirânica, os melhores portugueses foram perseguidos, atacados, amordaçados, diminuídos. Uns ficaram, outros partiram, mas todos os que se cumpriram fazem parte do escol que nenhuma elite consegue dominar. Fernando Lemos é um elo da tradição viva da liberdade portuguesa. Um orgulho, uma inspiração.
Absoluta irresponsabilidade
Aguiar-Branco, uma das jovens esperanças do actual PSD, e celebrado especialista em discursos de 10 minutos no Pontal, não se cala desde 27 de Setembro com a desvairada novidade: há uma maioria absoluta no Parlamento! Este visionário não está sozinho, pois toda a oposição festeja a carta branca que o eleitorado lhe deu. Assim, para quê ter um Governo? Qualquer Governo fica dispensável, visto nada poder contra os desígnios da reaccionária maioria absoluta que Aguiar-Branco invoca. Aprovar Programas e Orçamentos pode continuar a ser feito, mas apenas como ritual folclórico. A maioria absoluta é imune a compromissos e planeamentos, ela prefere a absoluta espontaneidade destrutiva. Ao destruírem os convencionalismos da gestão governamental, instauram a magistério da sua representação ecléctica, a expressão do voto que esse colectivo – constituído pelos interesses e valores do PCP, CDS, BE e PSD – representa.
Portugal, afinal, não tem um problema de governabilidade. Isso era dantes, quando ainda tínhamos de estar sujeitos aos ditames de um Governo. Agora, a união nacional dos ranhosos com os imbecis reina absoluta.
O PSD e a fénix
Há muito que não lia um epitáfio tão longo.
MFL revelou-se plenamente no que a sua discrição lhe permitia ocultar: a mediocridade.
E medíocre, desde o começo, no plano politíco, e despudoradamente, afinal e também, no plano ético da acção política.
Desde a campanha interna que a elegeu que se observou que MFL não tinha apenas insuficiências de expressão que a tornavam uma cultora de gaffes. MFL simplesmente não pensa com o discernimento, celeridade e agilidade que a moderna intervenção política exige. E fico-me por qualidades intelectuais possíveis de melhoramento, nem sequer adentrando os dotes de criatividade e de inspiração que são estranhos a MFL.
MFL foi mais um erro de casting à la PSD. Na verdade o PSD colecciona «fenómenos». Fenómenos como o «fenómeno Marcelo Rebelo de Sousa», o «fenómeno Durão Barroso», o «fenómeno Cavaco Silva»… «Fenómenos» que usaram o partido a seu bel prazer para o descartar aquando conveniência dos seus planos pessoais, de poder ou não.
MFL foi o mais pobre destes «fenómenos». O seu «fenómeno» destaca-se do personalismo dos outros citados, alargando-se à sua direcção e clique apoiante por insuficiência de imagem de Poder da própria.
MFL deixará saudades entres os apreciadores do burlesco político travestido de luva de pelica perfumada de nafatalina.
Para os conservadores do partido, esse timoratos para quem ir buscar os óculos ao escritório é uma aventura, há a responsabilidade indelével de por questões de conforto de consciência política acomodada terem votado o partido à depauperação crescente. E agora pretendiam, em esforço final, mumificá-lo pela continuação desta patética direcção.
Felizmente existe no PSD verdadeiro sangue novo e ideias arejadas, que não se compadecem com a perspectiva partidária museológica, tão querida aos conservadores do partido que se tomam abusivamente por curadores do PSD.
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Encontrado nas cinzas do Cachimbo
Blaming the Victim
São já muitos anos a virar frangos, toda uma vida. No seu tempo de antena semanal, Marcelo disse que Sócrates tem um problema de carácter, e que esse problema é crescente. Para conferir credibilidade à porcaria com que besuntava o ecrã, acrescentou que Balsemão – agora valor de referência moral em alta, por ter feito um diagnóstico fatal para o PSD – fora o grande teorizador da ideia de que Sócrates teria um projecto pessoal de poder. De facto, Balsemão saiu-se com essa no último dia da campanha para as Legislativas, mas foi só. O que importa analisar, em mais um exercício que degrada o debate político, é a lógica de uma mentira tão debochada, a qual trata a audiência como se fosse constituída por amnésicos ou alimárias. Vejamos:
Ganda pinta de anúncio
Espionagem política – VIII
Vieira da Silva saiu-se com a expressão espionagem política depois da factual existência de um caso de espionagem política: a imprensa e os partidos utilizaram, e utilizam, boatos de origem judicial para atacar politicamente o Governo e Sócrates – tendo a sua exploração chegado à Assembleia. Provavelmente, a expressão não terá sido planeada, ou filtrada, antes a que melhor serviu como descrição no espontâneo da entrevista. Contudo, as implicações do conceito eram pesadas, e já não se podia voltar atrás. Santos Silva, coreáceo, avançou e ficou ao seu lado. O resto do PS demarcou-se ou calou-se. Este foi o primeiro momento, aquele em que muitos consideraram absurda a suspeita. Depois, as cabeças começaram a funcionar: sim, alguém se estava a aproveitar de fugas ao segredo de Justiça, ou de boatos, ou de pura espionagem a um Primeiro-Ministro que de nada era acusado, nem mesmo depois de ter sido escutado em conversas privadas. Pelo que o passo seguinte foi dizer-se que a expressão espionagem política até era admissível para catalogar este caso, no campo das hipóteses legítimas, mas não podia ser utilizada por um Ministro. Ele deveria ter censurado o seu pensamento, em nome da hipocrisia institucional. Muito bem. Mas agora, após Ferreira Leite – portanto, o PSD – ter desautorizado as decisões do Procurador-Geral e do Presidente do Supremo, mantendo que as certidões valem como acusações formais a carecer de exposição e justificação, como avaliar a famigerada expressão que toca no problema mais grave em Portugal, o da captação da Justiça pelo poder político?
Lendas do Cavaquistão
Naquele tempo, certo dia o Presidente acordou com uma moinha que o deixou encanitado toda a manhã. Perto da hora do almoço, não aguentou mais e disse aos jornalistas — Face às dúvidas fortes que neste momento estão instaladas na sociedade portuguesa, é importante que os responsáveis da empresa de telecomunicações expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a PT e a TVI. É uma questão de transparência.
A sociedade portuguesa a que ele se referia era constituída por ele próprio e pela senhora Manuela, que ainda na noite anterior tinha garantido que o Primeiro-Ministro era mentiroso. Duas pessoas chegam para constituir uma sociedade, não havia exagero na expressão. E as dúvidas eram fortes porque não eram fracas, disso também não se podia duvidar.
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Não é o Regime, sóis vós
A última crónica de Vasco Graça Moura, A porcaria, não é apenas mais um dos sinais da sua decrepitude individual. Há ali outras notas de muito maior interesse. Por um lado, assistimos à queda de uma geração, que chega ao fim da linha com o papo cheio e a alma vazia. Mas, por outro lado, o que ele diz, e o modo como o diz, é transversal a várias idades, até a jovens adultos. Há exemplos de escritos de pessoas na casa dos trintas e vintes a expressarem a mesma raiva, a mesma impotência, a mesma distorção cognitiva.
Esta maralha olha para os seus representantes de classe, carreiras, negócios e ideologia, no PSD e CDS, e assusta-se com a decadência que encontra. Então, no descalabro da auto-estima, dizem que o fim do Regime está perto, que isto bateu no fundo, que não se suporta mais tanta porcaria.
Precisam de alguém que lhes tire a porcaria que lhes desce da testa e cobre os olhinhos. O Regime, esse, não vos irá ser entregue na bandeja, seja lá qual for a porcaria que tentem fazer.
Mais uma vitória de Carvalhal
Na porqueira do Crespo
Ontem, na porqueira do Crespo, Ângelo Correia vociferou a sua indignação contra a hipótese de espionagem política levantada por Vieira da Silva numa entrevista e justificada em comissão parlamentar. Para este passarão dos lusos negócios, estávamos perante um ataque aos juízes e procuradores da Nação, algo intolerável e a pedir berraria.
Felizmente para a sua saúde, nunca terá de se indignar contra a intervenção na Assembleia da República de um líder do PS a exigir que escutas ilegais de conversas privadas sejam expostas publicamente ao arrepio das decisões do Procurador-Geral e do Presidente do Supremo.
Sim, Ângelo, mais vale ficares-te pela zombaria da honra de terceiros – mas só da dos outros, desses outros maus da fita, que não pertençam ao teu clube. Ordens do médico.
A pitonisa da cabeleira loira
No emissão do Ponto Contra Ponto de 17 de Novembro, o Pacheco profetizou ir valer muito a pena consumir os produtos da comunicação social nas semanas seguintes. Vindo de um dos mais cáusticos pseudo-críticos da oferta jornalística nacional, o conselho despertou excitante interesse. Porém, como de costume na sua praxis conspirativa, não nos foi dito porquê nem para quê, nem sequer quantas eram as semanas de alerta. Bom, e que aconteceu, nestes 17 dias, que possa corresponder ao modo sibilino com que embrulhou a mensagem? Será que se referia à surpreendente convocação de Stojkovic pelo Carvalhal? Estaria a falar da chegada ao Algarve dos machos Éon e Calabacin, assim completando o grupo de linces ibéricos que veio comer e divertir-se às nossas custas? Pensaria no tempo que vai fazer neste fim-de-semana? Ou, por exemplo, estaria a referir-se à notícia do SOL, a 27 de Novembro, que relata ter sido enviado, em Junho, um aviso para os arguidos do Face Oculta mudarem de telemóvel pois estavam a ser escutados? Ou será que já antecipava a notícia da Sábado, onde se reporta que foi descoberta uma carta anónima no escritório de Vara avisando que Sócrates estava a ser escutado? Ou teria antes em mente todo e qualquer boato que o PSD, ou as forças que representa, utiliza para tentar afastar Sócrates e provocar uma crise institucional sem paralelo no regime democrático?
Uma coisinha é certa: a comunidade que somos, e que continuaremos a ser com ou sem Sócrates, não precisa das tácticas soezes do Pacheco para nada, pois não vem delas qualquer bem. Este homem é pago para simular uma intervenção jornalística que não passa de terrorismo político. Tem todo o direito de continuar a fazê-lo, e aqueles que lhe pagam idem, óbvio, inquestionável, mas nós temos igual direito de repudiar quem nos trata mal. E o Pacheco trata-nos mal, muito mal e a todos.
