Espionagem política – VIII

Vieira da Silva saiu-se com a expressão espionagem política depois da factual existência de um caso de espionagem política: a imprensa e os partidos utilizaram, e utilizam, boatos de origem judicial para atacar politicamente o Governo e Sócrates – tendo a sua exploração chegado à Assembleia. Provavelmente, a expressão não terá sido planeada, ou filtrada, antes a que melhor serviu como descrição no espontâneo da entrevista. Contudo, as implicações do conceito eram pesadas, e já não se podia voltar atrás. Santos Silva, coreáceo, avançou e ficou ao seu lado. O resto do PS demarcou-se ou calou-se. Este foi o primeiro momento, aquele em que muitos consideraram absurda a suspeita. Depois, as cabeças começaram a funcionar: sim, alguém se estava a aproveitar de fugas ao segredo de Justiça, ou de boatos, ou de pura espionagem a um Primeiro-Ministro que de nada era acusado, nem mesmo depois de ter sido escutado em conversas privadas. Pelo que o passo seguinte foi dizer-se que a expressão espionagem política até era admissível para catalogar este caso, no campo das hipóteses legítimas, mas não podia ser utilizada por um Ministro. Ele deveria ter censurado o seu pensamento, em nome da hipocrisia institucional. Muito bem. Mas agora, após Ferreira Leite – portanto, o PSD – ter desautorizado as decisões do Procurador-Geral e do Presidente do Supremo, mantendo que as certidões valem como acusações formais a carecer de exposição e justificação, como avaliar a famigerada expressão que toca no problema mais grave em Portugal, o da captação da Justiça pelo poder político?

Qualquer mija na escada diz que Portugal está infestado de corruptos, embora nunca se apresentem números e, muito menos, provas. Este ambiente cobre todos os políticos, funcionários do Estado e empresários com uma suspeita que oferece 50% de certeza. Lançar um boato, dado o balanço inicial, chega e sobra para ultrapassar os 100% de cínica ou furibunda certeza. Se estivermos a falar de um qualquer primeiro-ministro, o qual tem inevitáveis relações pessoais, políticas e institucionais com centenas ou milhares destes semi-corruptos, as oportunidades para relacionar as suas conversas e acções com suspeitas de corrupção serão tantas quantas se quiserem. Pensemos em quantos Godinhos se podem encontrar de Norte a Sul do País, e cruzemos com o número de comarcas onde o DIAP pode começar a investigar o tal primeiro-ministro. Se em cada uma se repetisse o modus faciendi de Aveiro, durante meses e meses estariam a ser gravadas conversas privadas do primeiro-ministro com diferentes alvos sem que tal chegasse ao conhecimento do Supremo. O mais escabroso neste cenário é que tal se pode passar sem que o próprio venha a saber: bastaria que o segredo de Justiça fosse respeitado. Espera, respeitado? Como, se todos aceitam que ele seja violado, a começar pelos jornalistas que moldam a opinião pública? O que leva para o confrangedor corolário: neste momento, Sócrates pode continuar a ser escutado a falar sabe-se lá com quem e as suas conversas estarem a chegar sabe-se lá a quem. Basta que num qualquer DIAP haja suspeitas de corrupção sobre um empresário que almoce e ofereça prendas a um amigo do Primeiro-Ministro.

Aqueles que enchem a bocarra com indignações de jacaré, censurando Vieira da Silva e pervertendo a sua declaração, são inimigos da justiça na Justiça. A Justiça, fundamento do regime democrático, não se respeita através do tabu que impeça a sua responsabilização – é exactamente ao contrário. Os cidadãos devem acordar do sono letárgico, herança salazarista, em que não ousavam sequer levantar a cabeça quando passava um magistrado. Tal atrofio é perpetuador das disfunções que se vão acumulando. Temos de exigir mais, muito mais, à Justiça e aos partidos que detêm o poder de a melhorar, corrigir e defender.

Assim, caso se conclua que Vara não cometeu qualquer ilegalidade, os responsáveis pela invasão da privacidade do cidadão José Sócrates, do Secretário-Geral do PS e do Primeiro-Ministro – ocorrida no ano e nos meses da disputa de três actos eleitorais, e da qual foram extraídas certidões ilegais e erradas que chegaram ao Procurador-Geral no auge da disputa eleitoral para as Legislativas e Autárquicas – devem ser investigados. As consequências das suas acções têm um dano político que transcende a racionalidade jurídica com que validaram as suas suspeitas. Precisamos de conhecer os seus critérios e reflectir na qualidade técnica de uma Justiça que se permite atingir o topo da hierarquia do Estado com tamanha leviandade ou insídia.

32 thoughts on “Espionagem política – VIII”

  1. Boa Val.O teu caminho já admite que Vara seja inocente.Pois não só te digo que ele está inocente como provavelmente os crimes do Godinho não têem nada a ver com qualquer rede tentacular. Se é que cometeu crimes ou se é que a gravidade desses crimes não passem das pequenas infracções que decorrem do funcionamento do meio.
    O que isto foi é o que isto parece, a maior tentativa de derrube de um governo por meios inconstitucionais de que há memória. Isto está tudo armadilhado há muito tempo.
    Os PMs governavam mas nunca mandavam nada, as corporações foram mantidas e alimentadas enquanto que à superficie havia uma cosmética de poder. O nosso voto nunca serviu para nada a não ser nestes ultimos anos, tudo estava controlado para continuar na eterna mediocridade que se alimentava da cumplicidade cobarde da maior parte do sistema politico e mediático. Uma sociedade mais que salazarenta, medíocre, que acusa qualquer tipo corajoso que não afine pelo coro e não partilhe o sonho de meia duzia de senhoritos, bmw, vivenda, ferias no estrangeiro.Isto é todo o programa politico desses crápulas que em qualquer país decente estariam higienicamente proibidos de qualquer mister a não ser varrer o lixo.
    O pior é que eles são um reflexo de grande parte de nos, povo acritico filho da puta e cona de sabão, que é capaz de se humilhar por mais uns eurozitos ao fim do mês.

  2. “Os cidadãos devem acordar do sono letárgico, herança salazarista, em que não ousavam sequer levantar a cabeça quando passava um magistrado. Tal atrofio é perpetuador das disfunções que se vão acumulando. Temos de exigir mais, muito mais, à Justiça e aos partidos que detêm o poder de a melhorar, corrigir e defender”.
    Fui testemunha e a minha audição era através de vídeo-conferência. Depois de várias vezes adiado o julgamento e de convocado para prestar declarações, passei umas tardes no tribunal sem prestar as tais declarações e à última hora é que era informado. A minha sorte é que estava aposentado e daí não vinha nenhum prejuízo, monetário, o temporal esse foi bastante. Estar horas e horas à espera e ninguém dizer nada queria ver se fosse o inverso, de certeza tinha que apresentar um atestado médico a justificar o meu atraso ou a minha ausência. Sou dos que acreditam que as pessoas ou instituições se vêem pela sua pontualidade.
    Chegou o dia em que ia ter a tal vídeo-conferência. A funcionária do tribunal que está responsável pelo aparelho que serve para a vídeo-conferência, (não sei o nome) veio-me explicar como se procedia e aí verifiquei que estava numa secção (arrecadação) com várias máquinas a fazer barulho o que me dificultada a audição.
    Mas antes da dita vídeo-conferência tive de fazer o juramento de (só a verdade e sempre a verdade) qual é o meu espanto de quando me é apresentado o delegado do Ministério Público. Antes tinha me cruzado por várias vezes com ele e num certo momento me retirado dele, porque julgava que era um qualquer delinquente que ali estava para prestar declarações, tal era o seu porte, tanto da fisionomia como indumentária.
    Como se usa dizer que a cara condiz com a careta, coitados de quem tem de receber acusações de juízes assim, eu sei que depois vestem a toga. Mas, diz-me com quem andas que dir-te-ei quem és.

  3. Excelente o post, mas o Val não precisa de elogios. Excelentes os comentários. Pelo andar da carruagem o K tem razão. Destino idêntico ao Apito Doirado.

  4. Até o presidente da cáritas veio dizer que o país atingiu níveis de corrupção escandalosos e exigiu um regresso (?) da ética ao sistema político. suspeito (eh, eh, eh) que, ao dizer isto, não estivesse a pensar no maior roubo da história portuguesa recente, o bpn.

  5. E pegando no pensamento de assis, estou em crer que as dificuldades vividas pelo actual governo, não são politicas.

    Não tenhamos dúvidas que um homem (conselheiro de estado) envolvido em negócios com um dos maiores traficantes de armas da actualidade, ou outros, com ligações explicitas à opus dei, de tudo farão para descredebilizar a justiça portuguesa, porque eles próprios devem estar em risco junto das organizações a que pertencem. Lançar o descredito e a ruína sobre a justiça em Portugal, será um auxilio poderoso para criarem corredores paralelos, que os conduzirão à impunidade.

  6. pelos vistos é preciso muita coragem para dar o nome certo à coisa: espionagem política. Pelo andar da carruagem é-se intimidado para não dizer a verdade. Ao que chegámos, porra! Este então mete veneno com cuidado: anda com umas sensações.

  7. Grave não é ter existido espionagem política, grave é um ministro utilizar a expressão. E há que gritá-lo aos sete ventos. Como fizeram a Ferreira Leite e o Louçã no último debate quinzenal com o primeiro-ministro. A Ferreira Leite é só para isso que se mantém como líder do PSD: para continuar a atacar a credibilidade de Sócrates. Como é líder a prazo está à vontade, nada do que diz parece ter importância para os restantes membros do partido, nem para ninguém. Nem a hipótese de ter tido acesso às escutas durante a campanha, nem desautorizar a Justiça, nem coisa nenhuma dita pela ainda presidente é para ser levada a sério. Afinal, quem é que responde pelo PSD?

    Num processo com tantos arguidos, escutados durante meses, que com certeza falaram entre eles e com centenas de outras pessoas, a única fuga ao segredo de justiça são as escutas, por sinal ilegais, ao primeiro-ministro. A oposição em vez de condenar mais um crime de violação do segredo de justiça, utilizou-as imediatamente como arma de arremesso político. O resto das escutas não têm interesse para os jornais, no resto das conversas só falavam do tempo? E não querem que se chame espionagem política, chama-se o quê?

  8. Suspenda-se a democracia por seis meses, endireite-se isto e depois venha a democracia. Trocado por miúdos isto quer dizer que o próximo PM será entronzado pelo golpe judiciário em curso. Lá para Março temos «homem» à vista.

  9. Assalto à Vara – assalto de fato e gravata
    Che que à Vara – nome revolucionário de Armando Vara
    Ovário – ninho de Varas
    Vara de porcos – grupo de amigos do Vara
    Vara verde – corrupto inexperiente
    Varação – encalhar a corrupção na PGR
    Varamento – acto de bater em corruptos
    Varanda – falcatrua em marcha
    Varapau – a vara que julga o Vara
    Varapau de corrida – carapau corrupto
    Varar um barco – encher o barco de corruptos
    Vardade – mentira
    Varejeira – secretária do Vara
    Vareta – desfalque à chuva
    Variações – diversidade de golpadas
    Variante – novo esquema corruptor
    Variável – oscilação do preço da cunha
    Varicela – Vara na cela
    Varicosidade – licenciatura à Vara
    Variedades – diferentes modelos de corrupção
    Varina – mãe do Vara
    Varinha mágica – uma cunha (pequenina) do Vara
    Varíola – um Vara mariola
    Varómetro – medidor de corrupção
    Varonil – um Vara de Abril

  10. Vieira da Silva deu como soi dizer-se o nome aos bois.Tudo o que se tem passàdo até agora nada mais é que espionagem politica : e nada que a velha da assembleia, o pinguim trepador e o branquinho digam faz desaparecer essa alcunha ,pois é verdadeira e a única que se adapta ao que se está a acontecer.É , digam o que disserem, e se me quiserem prender estou às ordens.

  11. Prender ?!….

    Primeiro têm de justificar os crimes cometidos pelos Seus.

    Primeiro tem PR de justificar o motivo de ter inventado um caso nacional, antes de eleições com as escutas a Belém…

    Primeiro tem o manhoso do Dias Loureiro de justificar que raio de negócios de Armas ele fazia, enquanto a mulher e a filha fomentavam os Chás da Caridadesinha…

    Primeiro tem o Jardim Gonçalves e apaniguados de justificar o que fizeram com o dinheiro dos accionistas , e justificar muito bem porque motivo e com que beneficio deixaram tantos funcionários com graves problemas de saude de foro psicológico, e outros profissionalmente arrasados no mercado, simplesmente porque diziam aquilo que pensavam…

  12. querós(ene) continuas a borrar tudo de parafina, até às paredes chegou – a tua mãe como se chamará, se à do Vara chamaste não sei o quê? Não digo porque se a ti não te respeito, à tua e a todas as mães respeito-as como tal. É uma questão de formação pessoal, o que não me impede de trocar com alguém uns palavrõezitos à maneira! Mas já vi que a tua formação é o que é!!!

  13. É claro, que o Querós precisa que alguém lhe pergunte se ele leu a obra de Eça e se sabe quem é o conde de Abranhos

  14. Isto de andar a chamar filhos da puta a quem não se conhece só pode significar uma coisa é que por detrás do anonimato tudo é possível, mas aqui fica o meu contacto porque um murro nas ventas do que tiver coragem está prometido

    josesousamt@portugalmail.pt

  15. Queró(sene) continuas igual a ti próprio, ou seja rasca e mal-educado. Tu é que, assumindo uma citação chamando um nome impróprio à mãe do Vara, não foste capaz de te auto-criticar e ninguém aqui chamou esses nomes a ninguém, antes pelo contrário, só tu, que me lembre, por aqui, argumenta dessa maneira!

  16. Quem não sabe apreciar uma piada que circula na net é porque também está metido no rol????
    Assalto à Vara – assalto de fato e gravata
    Che que à Vara – nome revolucionário de Armando Vara
    Ovário – ninho de Varas
    Vara de porcos – grupo de amigos do Vara
    Vara verde – corrupto inexperiente
    Varação – encalhar a corrupção na PGR
    Varamento – acto de bater em corruptos
    Varanda – falcatrua em marcha
    Varapau – a vara que julga o Vara
    Varapau de corrida – carapau corrupto
    Varar um barco – encher o barco de corruptos
    Vardade – mentira
    Varejeira – secretária do Vara
    Vareta – desfalque à chuva
    Variações – diversidade de golpadas
    Variante – novo esquema corruptor
    Variável – oscilação do preço da cunha
    Varicela – Vara na cela
    Varicosidade – licenciatura à Vara
    Variedades – diferentes modelos de corrupção
    Varina – mãe do Vara
    Varinha mágica – uma cunha (pequenina) do Vara
    Varíola – um Vara mariola
    Varómetro – medidor de corrupção
    Varonil – um Vara de Abril

  17. O que não é o caso das duas comadres que mais parecem putas a dividir o dinheiro da noite. Mas assim vai o pobre do PS dominado por uma vil corja de maçons que não têm onde cair mortos excepto na mentira.
    O PS que até os contínuos substitui dos Ministérios também tem cãezinhos de fila para brincarem às putas virtuais, vendem-se a troco de uns míseros tustes, quiça umas migalhitas de acessores em Fundações duvidosas

  18. E não é que as putas assustaram-se…vai daí meteram-se num curral de porcos a xanfurdar na lama como banbacorinhos.

    José Vilhena o povo não te esquece

  19. Carmim

    Tadinha da menina….
    “Há entao um delírio, um entusiasmo, um bocadinho do céu. Mas depois!…” Eça o de Queirós
    O Querós é um misto de Vilhena com Guerra Junqueiro a dar para o Eça mas disso que percebe a menina…

  20. Eça,

    Pois foi, enganei-me.

    Você nem para conde de Abranhos presta.

    Já agora, Sugiro que tente saber o que significa Carmim

  21. Reparo que ser buçal é a única intelectualidade que lhe resta. É pena, Eça, o interesse destes blogues está na troca de opiniões individuais sobre assuntos que respeitam a todos nós.

    Percebo que alguns donos de blogues analisem os conteúdos dos comentários antes de os publicar.

    A sua forma de estar não lhe possibilita outra atitude que o insulto. Temos pena…

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