O racismo é sempre burro, e alguns burros são racistas

Que maleita ignominiosa e anacrónica está a unir reaças e comunas nas críticas a Obama, um preto que mandou mais guerreiros para a batalha do Afeganistão? Tendo em conta que Obama está a fazer, e em rigor, o que prometeu na campanha – sair o mais rapidamente possível do Iraque e vencer o mais rapidamente possível no Afeganistão – só há uma explicação para tanta má-vontade, má-fé, má-língua e má-criação: racismo.

18 thoughts on “O racismo é sempre burro, e alguns burros são racistas”

  1. Por acaso, tenho mais a noção de que tem sobretudo a ver com a profunda estupidez que se encontra sempre nos extremos do que racismo. A direita, sobretudo aquela mais “reaça”, detesta pessoas integras (pelo menos vivas) e anseia derrubá-las para poderem justificar o imenso cinísmo e hipócrisia que os caracteriza, e sem a qual ficam reduzidos à sua mediocridade.
    Já a esquerda não o suporta, porque lhes roubou o alvo fácil da América de Bush, e porque a América de Obama (e de Clinton, e de Bush Sr. etc) é o antídoto às fantasias totalitárias em que vivem, por isso quanto mais depressa o conseguirem demonizar melhor, não vá o povo começar a admirar o modo de vida Americano.
    Neste caso, o racismo não me parece um factor, e acho que com Hillary seria a mesma coisa, mas talvez estivesses aqui a acusá-los de machismo…

  2. Vega9000, concordo muito contigo. Só uma nota, e para confirmar o teu último parágrafo: estou em registo irónico quando remeto para o racismo.

  3. Val,
    Essa tua generalização tem tanto de verdadeira como as daqueles que atacam Obama pela sua cor, pela sua origem de classe e pelo seu dinheiro.
    Quer dizer, não é justa, nem acredito que realmente penses assim.
    O racismo existe na América em doses cavalares e o que me espanta ainda hoje não é o sufrágio do programa eleitoral do Obama. O que é absolutamente inexplicável naquela sociedade é o facto de se terem reunido condições objectivas e subjectivas que conduziram ao resultado eleitoral.
    O argumento de que se alguém discordar do Obama, em especial em matéria tão controversa como a da guerra – tão conotada com o pior da política da direita fundamentalista americana – dá prova de racismo…bom, este argumento, tem laivos de um forte desvio totalitário e fundamentalista, inimigo da discussão e do contraditório. Tudo aquilo que de bom o Obama trouxe à América.
    I’m sure you can change yr opinion!

  4. Aliás até acrescento que quem é que lhe garante Val, que os que hoje criticam Bush, perdão criticam Obama, pelo agravamento da guerra, pela insuportável aliança com o sionismo, com a recusa da adesão ao tratado contra as minas anti-pessoal e pela manutenção da política versus Cuba, são brancos?
    Ou que são todos da mesma cor?
    Think again. Yes, you can!

  5. Sim. Mas não há vitória possível no Afeganistão, a não ser a retirada deixando o assunto entregue ao povo afegão, o melhor possível, daqui a um ano. Há aí um equívoco terrível que tem consequências incalculáveis. Digo eu que não me apetece calculá-las.

  6. MFerrer, tens toda a razão, mas não leste o meu comentário dirigido ao Vega9000 onde explicava a intenção do texto. A temática do racismo está a ser usada como remoque irónico, posto que a questão é apenas ideológica. Foi um exagero sarcástico, o qual, pela sua completa falta de nexo, esperava que fosse óbvio. Ora, como as palavras escritas não trazem o tom de voz e a expressão facial, reagiste com justiça porque te ficaste pela leitura literal do texto escrito.
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    &, por vitória no Afeganistão entenda-se a reconciliação do seu povo com o Estado através de um Governo que seja visto como aliado do Afeganistão, e não, como até agora, mais um dos seus algozes. A corrupção do Governo afegão leva a que as populações se sujeitem, ou se aliem, aos talibãs.

  7. poder ser isso Valupi, ou outro enunciado que nem sei proferir, mas tem que ser o povo afegão a decidir. Façam um referendo se fôr o caso, não sei exactamente qual seria a pergunta, e também desde logo te digo que é sempre eticamente discutível, para não dizer censurável, exportar democracia à força.

    não se iludam sobre o essencial: a Afeganistão que eu saiba não pediu para ser invadido, não há solução para a guerra que não seja retirar, mais tarde ou mais cedo,

    espera-se de um Nobel da Paz que desagrave a guerra – ou retira-se-lhe o prémio?

  8. Tem piada, eles no Chile nem segundo mandato têm! Pelos vistos gostam de muita rotação, mas deve ter sido reacção à longa permanência do Pinochet, será?

  9. &, eles não pediram para ser invadidos, certo, mas aceitaram aqueles que atacaram a América. Foi isto, e só isto, que levou à presente situação.

  10. Mas ainda não vi, em Portugal, quem dê sinais de ter entendido a estratégia de Obama para o Afeganistão – embora não leia todos, por isso posso estar enganado. Comentam apenas que vai mandar mais tropas como se isso fosse um fim em si mesmo, e como é que é possível com um Nobel da Paz e tal, e como se Obama fosse apenas mais um presidente dos EUA a mandar tropas para bater nuns desgraçados quaisquer, para “vencer” a guerra. Mas o que significa “vencer” no Afeganistão? Isso não sabem. Quando chegar o momento da retirada, lá estarão a comentar…

  11. e daí eu ter compreendido a reacção americana, não confundir com a extensão da invasão do Iraque, essa vergonhosa.

    No entanto a situação no Afeganistão não pode eternizar-se, muito menos agora. Façamos votos de que se encontre uma boa saída para tão breve quanto possível. De resto eu não quero nada impôr a minha opinião chamo é a atenção para o que me parece evidente.

  12. Qualquer presidente americano, com maior ou menor período de “estado de graça” é sujeito a esse tipo de reacções de que falas, Val.É uma derivação de racismo chamada anti-americanismo. Será uma questão ideológica, sem dúvida, mas que une esquerdas e direitas – ou será uma questão supra-ideológica?

  13. Nem mais, Vega9000. Vencer no Afeganistão significa poder retirar. Isso também passa pelo que o Paquistão consiga fazer dentro das suas fronteiras. Agora, o que não vai ser deixado ao abandono é o arsenal nuclear do Paquistão, pelo que Ocidente, Índia, Rússia e China lá teriam de resolver o assunto no imediato.
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    &, a ideia do aumento das tropas é para isso mesmo: garantir segurança nas áreas mais infiltradas de talibãs, e recuperar a confiança do povo afegão.
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    Edie, excelente questão. O anti-americanismo pode vir da esquerda (mais frequente) ou da direita, nesse sentido sendo supra-ideológico – ou relativo a uma ideologia de cariz nacionalista.

  14. &
    mais uma vez concordo . O aumento de tropas é necessario niste momento, e como somos bem pensados, achamos serem para que os afgaõs sejam em breve os donos reais do pais, estou a referirme a os afgaõs não talibãs.
    Concordo que não tem nada que vêr con Irak e tampouco , engado eu, co Vietnam. Em pouco tempo occidente so deve apoiar com dinheiro o exercito afgaõ para oponherse realmente o talibão, que hoje ja o fai, e é o que apanha o maior numero de mortos, coisa que a opinião pública por vezes não recorda.
    Obama tera aquí uma situação dificil, mas podera demostrar assim o que é, a esperança de bons e generosos do mundo. Se ele fracasa o mundo tornará a pulhice ja conhecida.
    garantir mais segurança só para que o Governo-exército afgão seja o dono do Estado realmente. Agora mesmo e necessario.
    Esperança e sorte.

  15. Infelizmente nem sempre o pacifismo, no sentido da não intervenção, em quaisquer circunstâncias, é sinónimo de opção pela paz nem de respeito pelos direitos humanos.

    A História está pejadinha de exemplos…Aprendemos alguma coisa com eles?

  16. Acho que a força, legítima, para defender: direitos humans, pessoas oprimidas etc. é complemento necessario de quaisquer pacifismo. Em certas partes do mundo que se pode fazer ?, perguntem a pessoas que sendo pacifistas lá estiveram en situações dificeis tales que sem o apoio da força não podiam dar de comer a sua gente.

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