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Os filmes da oposição

A oposição exigiu conhecer as conversas privadas de Sócrates, mesmo depois de a Justiça ter considerado as gravações ilegais e destituídas de conteúdo criminal. O PSD chegou a solicitar ao Procurador-Geral o conhecimento das certidões no propósito de as explorar politicamente. Era muito importante averiguar se o Primeiro-Ministro mentira a respeito de um negócio inexistente, alegavam, por isso toca de devassar o cidadão. Nesta semana, conheceremos mais um episódio nessa novela.

Agora, Lopes da Mota, que o PSD atacou durante a campanha por continuar no Eurojust, foi castigado. Se foi castigado, e independentemente do desfecho de um eventual recurso, já há matéria que chegue, e que sobre, para uma qualquer tomada de posição na oposição. É que a Justiça validou a denúncia dos Procuradores do processo Freeport – logo, considerou que Lopes da Mota tentou indevidamente influenciar o desfecho do caso. O que implica ter validado o nexo entre Lopes da Mota e os alegados mandantes no Governo à época. A bomba acaba de atingir o paiol.

Alguém ouviu a explosão? Nada, apenas uns poucos de cães a ladrar. Onde está a oposição, porque não abriu já um inquérito parlamentar, porque não aproveita a soberana ocasião e varre Sócrates e PS de cena? É estranho, não é? Quase tão estranho como conviver com um Presidente da República que patrocina inventonas e não é chamado à pedra por ninguém.

Há uma pista para este anticlímax. É que Lopes da Mota, faz tempo, tem reclamado que se conheçam os factos publicamente. Podemos concluir, então, que a matéria em causa rende mais à oposição se ficar desconhecida, tela branca onde se podem projectar todas as suspeições e calúnias.

Esta oposição tem as características do pior cinema português: é tosca, velhaca e soporífera.

Pacheco e Vidal, homens da luta

O Pacheco pode ser um estratega desastrado e não mais do que um bufão no grande tabuleiro das forças que moldam a política nacional, mas na blogosfera, este reino de irresponsabilidade e irrelevância, ele é um dos nossos maiores e mais queridos companheiros.

Leia-se esta maravilha, e constate-se como é verdadeiro o ditado: Politics makes strange bedfellows. Na sua obsessão iracunda, qualquer aliado serve desde que permita alimentar a paranóia. Por exemplo, o 5 Dias, um blogue onde escrevem esquerdistas, comunistas, revolucionários e taralhoucos, embora não necessariamente por esta ordem. Do actual elenco, o taralhouco-mor, Carlos Vidal, tem fascinado as boquiabertas audiências com a sua receita que mistura megalomania com megalitismo. Pelo meio, vai celebrando os ditadores onde encontra a segurança de um cosmo sem democratas a empatar. Ora, é deste caldo fascista que se faz o culto da violência que o Pacheco quer aproveitar – ah, como seria delicioso que um comuna qualquer agredisse Sócrates em nome dos espoliados pelo capitalismo… Que gozo, que satisfação…

O seu tour de force, o sinal da sua imparável demência, está aqui:

Não é que este estilo governamental corporativo-jugular não tenha também implícita uma incitação à violência, resultado do insulto sistemático contra as pessoas, mas os seus autores, uns anónimos empregados dos ministérios e outros da esquerda bon chic bon genre que gravita à volta da figura de Sócrates, abjurariam de imediato qualquer alusão à violência e ficam muito incomodados com o que lhes lembra o 5 Dias.

Estilo governamental corporativo-jugular?! Foda-se, senhores ouvintes. Este homem priva com a fina-flor dos políticos, jornalistas e poderes fácticos em Portugal. No entanto, vem para a rua de tocha na mão perseguir as sombras de dois blogues que têm como marca distintiva serem exemplos de liberdade de expressão e frontal combate político. A sua incapacidade para lidar com a inteligência e cultura cívica deles está a dar cabo do seu prestígio intelectual; o que resta, depois de um ciclo onde se perdeu um pensador e não se ganhou um cidadão. E é essa a maior violência a lamentar, entre todas as que o Pacheco assinou ou promoveu.
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Rogério analisa com perspicácia

Delenda Cavaco

Dois dias antes do lançamento da inventona de Belém, escrevi O sonso. Para além do escândalo, ou indignação, ou repulsa, por ver o Presidente da República envolvido na campanha eleitoral e na degradação do prestígio das mais altas instituições do Estado, estava interessado na descodificação de Cavaco, nos modos verbais e não verbais da sua comunicação em público. Em 16 de Agosto, pois, a violência reprimida que deixava transparecer no discurso equívoco, entaramelado, anunciava o pior. E o pior veio 48 horas depois, para vergonha nacional.
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Fascinante Carvalhal

Qualquer treinador que prefira jogar com o Veloso em vez do Matías Fernández, Pereirinha ou Postiga – até do Tiago, que daria um médio 10 vezes melhor do que ele – está num caminho de inovação que é capaz de ser caso único em todo o Mundo.

Jornal Nacional de Sexta

Lopes da Mota, pessoa desprezível e conhecido meliante ao serviço do PS, pressionou dois magistrados para que o caso Freeport fosse arquivado no todo ou na parte. Disse-lhes que agia em nome do Ministro da Justiça e do Primeiro-Ministro. Acrescentou que haveria retaliações pesadas se não o fizessem e o PS perdesse a maioria. Este Lopes bandido pretendia afastar de Portugal o cenário que na Inglaterra estava cada vez mais próximo: a captura de Sócrates e seu degredo na ilha de Santa Helena. Importava agir com rapidez e audácia. Se em Portugal o caso fosse arquivado, os ingleses pensariam duas vezes antes de montarem um bloqueio marítimo para nos pintarem de cor-de-rosa à pistola, e à bombarda, até que lhes entregássemos o Primeiro-Ministro e alguns Secretários de Estado. Entretanto, os tais dois magistrados impressionados, que não lavavam as orelhas desde que o Matateu deixou de jogar no Belenenses, tinham as quotas do Sindicato em dia. Essa feliz condição dava-lhes protecção contra chantagens de Ministros e Governos. Denunciaram o seu amigo de almoçaradas sem hesitação nem remorso, pois. Isso teve como resultado que o PS foi para as eleições com o Freeport pendurado no pescoço e um Lopes rechonchudo às cavalitas. Foram-se abaixo, e foi muito bem feito. Dois meses e tal depois das eleições, os bacanos do Conselho Superior do Ministério Público lá conseguiram conciliar horários e marcaram uma reunião. O malandro do Lopes não escapou, apesar duma maluca qualquer que votou contra a suspensão, e pimba: 30 dias sem poder pressionar magistrados. Aguenta-te à bomboca, ó Lopes, não há nada para ninguém durante um mês!

A maioria parlamentar irá agora abrir um inevitável inquérito e o Presidente da República vai inevitavelmente demitir o Primeiro-Ministro, pelo menos. Também temos aqui um vídeo, gravado secretamente, onde Charles Smith tece considerandos acerca da vergonhosa actuação de Lopes da Mota, explicando com detalhe como esse senhor conseguiu corromper os seus arreigados valores britânicos e o sublime espírito da Magna Carta.

Vasco?

Carvalhal vence na Alemanha

É o nunca visto. Sporting venceu em terras alemãs pela primeira vez desde que há registos de jogos da bola. A vitória começou com o espectacular lance de meter o Veloso no banco ainda antes do apito inicial. E foi confirmada com a genial jogada de substituir o Moutinho, já perto do fim do encontro. Ou seja, foram mortos dois borregos numa só partida. Agora, é só continuar a treinar estes automatismos para que num futuro próximo se consiga ter Veloso e Moutinho sentadinhos ao lado um do outro durante a maior parte dos jogos. Essa dupla no banco, juntamente com a troca do guarda-redes, será o terror dos adversários.

Que saudades da antiga maioria

Apesar deste blogue ser financiado pelo Governo, ser escrito por maçónicos, ter a protecção do SIS e estar escondido numa toca, a 50 metros de profundidade, por baixo da sede do PS ao Rato, ficámos mais de 24 horas sem poder controlar as mentes dos portugueses. São coisas que não aconteciam no tempo da outra maioria, e que ameaçam voltar a repetir-se pela actual união da extrema-esquerda com a direita.

A asfixia blogosférica das centrais de propaganda do Engenheiro é um sonho do Pacheco que já começa a dar frutos.

Patético Alegre

O maior erro do PS, desde que Sócrates é Secretário-Geral, foi a candidatura de Soares. Esse absurdo raia a irresponsabilidade, não tem justificação legítima. Agora, está na calha uma repetição, fala-se que o PS poderá apoiar o autor desta poia:

Esse objectivo é Portugal. Esse combate vale a pena e chama por nós. Para mudar, não para que tudo continue na mesma. Basta ter esperança e acreditar no nosso poder, no poder dos cidadãos. Porque Portugal não é só de alguns, Portugal é de todos.

Temos de ajudar Alegre, com dignidade, a nem sequer começar o seu mandato. Portugal não aguenta estes discursos primários e balofos, antes voltar a ter uma silly Presidência a operar no sector Público e um Presidente que desconfia da salubridade dos seus emails. Tudo menos o patético Alegre.

Para que serve um pessimista?

O pessimista diz-nos que isto acaba mal. Se tiver razão, o pessimista não nos ajudou. Se não tiver razão, o pessimista não nos ajudou.

O pessimista tem certezas acerca do futuro. A sua certeza vem do seu absoluto, calado e soberbo optimismo.

O pessimista decide por nós. É o dono do bem e do mal.

O pessimista é um desgraçado.

Não se pode acabar com a corrupção

Até Lúcifer caiu e Jesus foi traído. Acabar com a corrupção equivale a acabar com a inteligência. O instinto que leva à corrupção também leva à civilização. É a lei que faz o ladrão.

O ideal seria encontrar uma solução que tivesse o poder de reduzir ao mínimo a probabilidade da corrupção, suscitando nos indivíduos uma espontânea contenção ou respeito pelas leis, sem necessidade de mais punições, polícias, espiões e bufos, e que nos ficasse pelo menor custo possível. Existe? Na dimensão rodoviária existe, há décadas, uma tal solução para o problema da corrupção dos limites de velocidade. Corromper esse limite é tentação irresistível, havendo uma miríade de circunstâncias que favorecem tal violação. Desde a pressa, até ao gosto da velocidade, passando pelas viaturas potentes e cada vez mais seguras, há factores que nenhum radar, multa ou agente da autoridade consegue anular – a não ser as lombas na estrada.

Com lombas à frente, cada condutor acata racionalmente a necessidade de reduzir a velocidade para proteger um bem que lhe é caro, no seu duplo sentido. As lombas funcionam a qualquer hora com custo zero, não carecem de manutenção dispendiosa nem de apoio humano. É de uma solução com esta simplicidade que precisamos no combate à corrupção, já só falta descobri-la.

Agonia de um partido cada vez mais ridículo

Não estamos na Assembleia da República para, de quinze em quinze dias, batermos palmas ao senhor primeiro-ministro quando ele lá vai fazer os debates, como acontecia na anterior legislatura.

Aguiar-Branco

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Algures no começo do Verão, Elisa Ferreira e Aguiar-Branco debateram na RTP-N os temas correntes. Assim que a Elisa falou, saltou-lhe um Aguiar-Branco todo espigadote, interrompendo com bocas e um ímpeto que começou por a surpreender, e depois acabou por baralhar. E tal foi o espanto da senhora que o senhor se deixou tomar pela compaixão e acabou a dizer-lhe, entre risos, que ela tinha de se habituar àquele modo e ritmo de fazer política, se ia entrar na campanha das Autárquicas. O que o actual líder da bancada do PSD enunciava no subtexto, imaginando-se no café, era que eles estavam ali para dar espectáculo, não para pensar ou fazer pensar – ou seja, que não valia a pena discutir através do logos, que os votos apanhavam-se com pathos.

Esta é a escola do PSD dos últimos anos, e é uma perversão. O resultado está à vista em toda a sua infausta glória neste consulado de Ferreira Leite e dos seus ideólogos, Pacheco Pereira, Paulo Rangel e uma série de figuras menores. Acontece que o eleitorado não foi nessa conversa, não se deixou enganar pela campanha negra e derivados emocionais tóxicos. Que grande choque os ranhosos devem ter tido às 20 horas de 27 de Setembro, depois do insano esforço a promover a irracionalidade das massas, que até chegou a conspurcar a Presidência.
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Tem juizinho

O que é natural num primeiro-ministro que não tem maioria é que antes de o apresentar [o Orçamento de Estado] abra negociações com os partidos para ver quais são as suas propostas, qual é a margem de manobra e qual é o caminho que quer seguir.

Portas

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Portas recusou qualquer forma de parceria com o Governo antes deste apresentar o Programa para aprovação parlamentar, apesar de ter sido convidado a propor as suas condições para tal. De seguida, o CDS não rejeitou o Programa aquando da sua discussão no Parlamento, pelo que foi parte da investidura formal do Governo. Creio que estes nexos políticos e constitucionais não carecem de especial inteligência para serem entendidos. Agora, Portas diz que o Governo tem de negociar passo a passo, seja o que for que pretenda fazer. Quer-se dizer, o Programa do Governo é, na prática, aquilo que resultar das negociações com a nova maioria. O voto dos portugueses, que escolheu o Programa do PS transportado para o Programa do Governo, não vale nada. Isto porque estas luminárias da República decidiram que o eleitorado prefere ser governado pelo conjunto dos deputados que se sentam à esquerda e à direita do partido que ganhou as eleições.

Repare-se que Portas fulaniza a questão em Sócrates, referindo-do a um primeiro-ministro que não tem maioria, que não dialoga com ninguém , que é queixinhas. Portas quer é lidar com o Primeiro-Ministro, um mano-a-mano de vedetas, fatiando a Nação. O universo político de Portas transformou-se há muito nesta papa subjectivista e de chinelo. O homem que sonhava com jornalismo independente e um PP ambicioso, o homem que prometia liderar a direita reformista, não passa, afinal, de um cortesão assanhado e excitadiço.

Da monotonia

Os que festejaram o 11 de Setembro são os mesmos que festejam a agressão a Berlusconi.

Os que disseram terem sido os americanos a planear o 11 de Setembro são os mesmos que dizem ter sido Berlusconi a planear a agressão.

Os que odeiam a democracia são os mesmos que odeiam a liberdade.