Os filmes da oposição

A oposição exigiu conhecer as conversas privadas de Sócrates, mesmo depois de a Justiça ter considerado as gravações ilegais e destituídas de conteúdo criminal. O PSD chegou a solicitar ao Procurador-Geral o conhecimento das certidões no propósito de as explorar politicamente. Era muito importante averiguar se o Primeiro-Ministro mentira a respeito de um negócio inexistente, alegavam, por isso toca de devassar o cidadão. Nesta semana, conheceremos mais um episódio nessa novela.

Agora, Lopes da Mota, que o PSD atacou durante a campanha por continuar no Eurojust, foi castigado. Se foi castigado, e independentemente do desfecho de um eventual recurso, já há matéria que chegue, e que sobre, para uma qualquer tomada de posição na oposição. É que a Justiça validou a denúncia dos Procuradores do processo Freeport – logo, considerou que Lopes da Mota tentou indevidamente influenciar o desfecho do caso. O que implica ter validado o nexo entre Lopes da Mota e os alegados mandantes no Governo à época. A bomba acaba de atingir o paiol.

Alguém ouviu a explosão? Nada, apenas uns poucos de cães a ladrar. Onde está a oposição, porque não abriu já um inquérito parlamentar, porque não aproveita a soberana ocasião e varre Sócrates e PS de cena? É estranho, não é? Quase tão estranho como conviver com um Presidente da República que patrocina inventonas e não é chamado à pedra por ninguém.

Há uma pista para este anticlímax. É que Lopes da Mota, faz tempo, tem reclamado que se conheçam os factos publicamente. Podemos concluir, então, que a matéria em causa rende mais à oposição se ficar desconhecida, tela branca onde se podem projectar todas as suspeições e calúnias.

Esta oposição tem as características do pior cinema português: é tosca, velhaca e soporífera.

20 thoughts on “Os filmes da oposição”

  1. PRESSÕES NUM PROCESSO VAZIO CÁ,
    E,
    POR FALTA DA MESMA SUBSTANCIA CRIMINAL,
    DEFINITIVAMENTE ARQUIVADO EM INGLATERRA?
    NÃO É ISTO COMPLETELY SURREAL?
    ENFIM
    LUTA CONTINUA…

  2. Lopes da Mota foi suspenso de funções por trinta dias, num caso que segundo a justiça aqui do Aspirina B já devia estar arquivado, por esse mesmo motivo por tentar manipular os procuradores que investigavam o dito caso, talvez a mando dos justiceiros do Aspirina B.
    Mas o que preocupa todos estes justiceiros,o medo da verdade ou a verdade do medo.
    jojoratazana

  3. Assim como, quando Vara decidiu pedir o levantamento do sigilo, acabou o “face oculta”…
    Acabou-se a “sucatisse” do filme e dos seus aproveitamentos.

  4. É como eu digo: O Problema não é o Governo que temos nem José Sócrates..o Problema é mesmo a Oposição que temos.

  5. Só baixaria na oposição de direita, &? Ainda bem que alguém vê alguma coisa de jeito na de esquerda, não é o meu caso. O que tenho visto é o triste espectáculo de os ver todos aliados, uns com os outros, e agora também com Cavaco. Vamos ver como se comportam no debate quinzenal de hoje. No último, foi lindo ver o Louçã a borrifar-se para o tema que estava em debate e, qual inquisidor, a fazer coro com a Ferreira Leite no caso da espionagem política. Já o caso da inventona das escutas em Belém não parece incomodá-lo. Enfim, têm todos uma curiosidade muito selectiva.

  6. para mim a diversidade do mosaico é um bem a priori, definitivo, pensei que estávamos esclarecidos sobre isso, guida. Noutro dia tinha ali uma notícia que se é verdade, e não me admira que seja, sobre o código de trabalho que permite que os funcionários possam ser puxados até às 60 horas por semana, com avisos de véspera, sem que sequer lhes sejam pagas horas extraordinárias, é uma vergonha tal aprovada por socialistas que ainda bem que me recordou.

  7. Val,

    e serôdia.

    E é por isso que considero que a aposta do Sócrates está certa. Tenta não fazer alaridos, e no fim, a oposição, entenda-se aqui PSD, acaba por se engasgar com o próprio veneno. Acho que o PS executa com muiiiiiiita paciência uma estratégia exemplar.

    A oposição ao Sócrates parte de Belém. O PSD é a face visível dessa oposição que curiosamente não pretende opor-se, mas sim destruir. A grande inovação neste cenário consiste nos restantes partidos da oposição (à esquerda)que por artes mágicas ignoram os seus próprios manifestos partidários e apoiam uma direita serôdia e de decrepitude acelerada.

    Palavra, que tenho tentado perceber a razão de ser desta atitude e não consigo chegar a qualquer conclusão que estrategicamente (para os partidos em causa, claro)faça algum sentido.

    Perturba-me a ideia da destruição pela destruição.

  8. &, pois, a diversidade é um bem, não se tem é visto grande diversidade nesta oposição. Vê-los tolos aliados, a fazerem do ódio a Sócrates a única bandeira não é propriamente o que se esperava de partidos com ideias (os que a têm) tão diferentes. Mas pronto, se não os distingo, é provável que o defeito seja meu. :)

  9. Exortar os procuradores para que acelerem o processo é uma pressão intolerável. O fripor é um caso muito complexo- precisa de pelo menos mais 3 anos para ser esclarecido.

  10. A única questão que permitiu vislumbrar um pouco de identidade ideológica dos vários grupos representados foi a do casamento homossexual. Nada mais é considerado “fracturante” dentro da “coligação negativa”. Este nome diz tudo, não? Porque não uma coligação positiva? É como diz a Carmen Maria. A causa comum é a aniquilação, sem alternativa.
    Quem diria que teríamos tanta veia anarquista no parlamento? :)

  11. A propósito, eis um empresário…

    “…. preocupado com o desemprego José Roquette deixou o desafio. Tem que haver algum e provimento algum sentido de responsabilidade histórica por parte dos empresários portugueses contam momento que atravessamos. Este não é e esta não é altura de virarmos a cara, nesta altura de responder nos positivamente aqui estamos assumimos os riscos assumimos a responsabilidade, porque isto fundamentalmente é uma tarefa de todos. Não é isoladamente uma responsabilidade nós temos muito a tendência de empurrar para lá dos responsáveis políticos como sendo responsáveis por tudo e por tudo o que tem que acontecer não é, efectivamente assim….”

  12. Correcção….
    A propósito, eis um empresário…

    “…. preocupado com o desemprego José Roquette deixou o desafio:
    Tem que haver algum envolvimento e algum sentido de responsabilidade histórica por parte dos empresários portugueses quanto ao momento que atravessamos. Este não é e esta não é altura de virarmos a cara, esta é altura de responder positivamente aqui estamos… assumirmos os riscos assumirmos a responsabilidade, porque isto, fundamentalmente, é uma tarefa de todos. Não é isoladamente uma responsabilidade…. nós temos muito a tendência de empurrar para lá dos responsáveis políticos como sendo responsáveis por tudo e por tudo o que tem que acontecer não é, efectivamente assim….”

  13. Tá gago, o homem?
    Bom, pano de fundo: todos somos responsáveis. Claro. Mas empresários são poucos, empresários competentes ainda menos. Há, sim, muitos patrões. O que não é a mesma coisa.

  14. O PM é um corrupto ditadorzeco e quem o segue uma cambada de tachistas que querem parasitar à volta deste. Bem vêm aqui branquear o povo socialistas da treta

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