Na porqueira do Crespo

Ontem, na porqueira do Crespo, Ângelo Correia vociferou a sua indignação contra a hipótese de espionagem política levantada por Vieira da Silva numa entrevista e justificada em comissão parlamentar. Para este passarão dos lusos negócios, estávamos perante um ataque aos juízes e procuradores da Nação, algo intolerável e a pedir berraria.

Felizmente para a sua saúde, nunca terá de se indignar contra a intervenção na Assembleia da República de um líder do PS a exigir que escutas ilegais de conversas privadas sejam expostas publicamente ao arrepio das decisões do Procurador-Geral e do Presidente do Supremo.

Sim, Ângelo, mais vale ficares-te pela zombaria da honra de terceiros – mas só da dos outros, desses outros maus da fita, que não pertençam ao teu clube. Ordens do médico.

11 thoughts on “Na porqueira do Crespo”

  1. Ao que parece Armando Vara vai pedir o levantamento do segredo de justiça no que se refere às acusações de que é alvo.

    Assim sendo, se as acusações a Vara se mostrarem pífias e delirantes, como ficamos relativamente à espionagem política? Haverá ou não legitimidade para insistir na tese da espionagem? Claro que sim!

    A ser assim, quem pode arredar a hipótese de Vara só ter continuado a ser escutado, ao longo de 7 longos meses (!!!), porque do outro lado do telefone, ocasionalmente, estava o PM?

    Acrescem ainda dois factos:

    – Durante todo aquele tempo as escutas a Vara (e a Sócrates), foram ocultadas do presidente do STJ. Com receio de que as mandásse parar e destruír?

    – a “senhora” que quer suspender a democracia não negou ter tido conhecimento do teor das escutas antes destas terem vindo a público. Fugiu à pergunta e desviou a conversa, o que em política representa uma admissão, ainda que não explicita, do facto com que estava a ser confrontada.

    A tese da espionagem política não está (ainda) comprovada, mas que tem perninhas para andar, isso não pode ser negado. Salvé Vieira da Silva!

  2. A pergunta feita pelo Jumento no blog «o jumento» tem de ser respondida: na era digital, podiam ou não os senhores magistrados escutar Vara, programando o impedimento de escutas ao telefone identificado como sendo do PM? Se não o fizeram foi por ignorarem a possibilidade de tal recurso tecnológico? Ou porque queriam mesmo apanhar o PM e, de facto, tratou-se de espionagem a ser aproveitada por adversários políticos? Até quando vamos continuar a assobiar para o lado, como se não estivessem a ser minados os alicerses da democracia? E o BE e o PC a aplaudir e fazerem coro com os conspiradores, jurando que entre os magistrados não há «fedorentos! Como pergunta Marinho Pinto, gostava de saber como reagiriam se os escutados fossem Dias Loureiro e Cavaco Silva. Possivelmente já havia gente presa e julgada nos «processos sumarissimos» do Paulo Portas.
    Porca miséria, na porqueira do crespo.
    E não vejo onde está a ternura, Sinhã

  3. Quando o Ukelele acusou o Governo de escutas onde estava o Correia? E os outros?

    A SICN é um freak show, e eu não sei o que andam lá a fazer o J.Soares, a Maria de Belem e outros que acedem ao convitezinho a abanar a cauda. Não têm o minimo de vergonha? Combate politico aquilo? Fazer figura de actores secundarios numa peça coreografada pelo Crespo? Respeitem-se pá. Que falta de amor próprio. Não têm amigos?

  4. Eu acho piada é quando eles fazem aqueles programas com gajos de ar grave ao redor de uma mesa, tudo tios com cheiro a naftalina, alguns denotam mesmo os cuidados de bons taxidermistas, as luzes em tom vermelho assim pro carmim dão ao uma atmosfera de casino inicio de seculo XX mas pro decadentista. O pior é que quando um gajo julga que os tipos vão sacar do baralho e vamos começar a assistir a uma vermelhinha ou um interessante joguinho de poker, o meia leca Ferreira sai-se logo com esta “E agora? O país esta mesmo mal não está?”
    Digo logo “Fonix estes gajos não percebem nada de televisão” e não é porque não decidam jogar uma bisca, é porque se levam muito a sério, e a televisão não é um sitio para as pessoas se levarem a sério.

  5. O Crespo consegue a façanha de imitar o emplastro, e conspurcar um programa com jornalismo de excelência chamado 60 minutos, com a sua ridícula introdução aos telespectadores.
    Sim Crespo, a malta sabe que esse jornalismo da CBS é mesmo de excelência; o teu é ordinário e reles como tu..

  6. O Crespo foi o compére de uma revista de quarta categoria,na sessão a que te referes, e na qual o Joãozinho Soares fez a função de actorzinho deprimente, subserviente e obrigado respondendo ás deixas que o dito, salivando ódios, lhe deu. O Crespo é um caso perdido. Enterre-se o Crespo mais os seus muchachos. O Crespo faz-me pena com o seu ar de padreca vicioso. Já não tenho pachorra para o Crespo.
    Já agora porque é que não se comenta o depoimento do Lima de Carvalho e a promoção do Zé Manel a comentador residente do patrão Balsemão?

  7. A comunicação social privada está em campanha 24h/24h contra o governo. O efeito sobre as sondagens é nulo, até agora. O partido da velha safada desceu para 26% na última…

    Deixa-os ladrar.

  8. Forma de estar na vida e na política:
    Não tenho capacidade para escrever assim um texto mas faço dele as minhas palavras.

    “06 Dezembro 2009 – 09h00
    Impressão Digital
    Escutas???
    Há mais de um mês que a política portuguesa é dominada pelo tema das escutas que envolveram Armando Vara e José Sócrates. E debate-se tudo em torno das escutas, a legalidade ou ilegalidade, a divulgação ou não, se devem ser destruídas ou guardadas.

    É o destrambelho total, sem-vergonha e ordinário. Os deputados despertaram agora para a corrupção e vão à pressa, apressadinhos, recuperar aquilo que há muito polícias e magistraturas defendem e que ano após ano, legislatura após legislatura, varreram para debaixo do tapete. Mas ao menos que discutam estes problemas essenciais sem atirar para o território sórdido, da mesquinhez ressabiada, acusações enviesadas, coisa própria dos cobardes.

    O que a actual direcção do PSD está a fazer com a pressão e as insinuações sobre as escutas ultrapassa os níveis da decência, colocando-se dentro de uma redoma de actos em que os piores sentimentos humanos vêm à superfície. O ressabiamento pela derrota eleitoral que só os tontos não perceberam que iria acontecer. Os tontos e os clientes do embuste.

    O que estamos a assistir é a negação de tudo aquilo que gente, na qual me incluo, acredita ser o ideal social-democrata. A política acabou para este PSD. Apenas vale a vingança pessoal e ódios mesquinhos sem grandeza nem sentido de serviço ao País. O notável discurso de Francisco Pinto Balsemão produzido esta semana está cheio de razão e de esperança. E de ameaças. E com toda a razão: este caminhar pela política sem ideias, sem propostas, carregado de insinuações ao carácter das pessoas, tem como objectivo o suicídio do próprio partido. E da Oposição, que se admite ser a mais idónea para poder governar.

    Não são escutas arrancadas a ferros de um qualquer processo judicial que resolvem ou entregam esperança a um País arruinado pela crise e exausto de tanta canalhice. Aquilo que se espera de um projecto social-democrata é que nos diga como baixamos o desemprego, em vez de ser Paulo Portas a dizer. Como temos melhor educação, e não esperar que seja outro a dizê-lo. Como teremos melhor saúde. Como teremos mais dignidade e riqueza.

    Temos esse direito, de saber quais as alternativas que se colocam para que a Justiça seja mais ágil e justa, para que o tecido empresarial ganhe energia, para que a competitividade cresça. Sobre isto, ouvimos Sócrates, Portas e o populismo do BE. O PSD está entretido com as escutas, atónito e ressabiado, sem ainda ter percebido que serve, ou devia servir, um povo que tem fome e está desempregado. É este o grande erro de Sócrates. É por aqui que a batalha política se ganha ou perde. Agora, com escutas? Não me lixem”.

    Francisco Moita Flores, Professor Universitário

  9. O K tem razão: Maria de Belém, Soares, Seguro, Ramalho, etc deviam recusar-se a ir ao programa do Crespo, ao Frente a Frente, e deixá-lo a falar sozinho com os comparsas que ele convida.
    Quanto à espionagem política, é evidente que Vieira da silva tem razão, houve mesmo espionagem política e Vara foi constituido arguido para poderem escutar Sócrates, não tenho dúvida nenhuma disso.

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