Espionagem política – IX

O interesse da entrevista a Vara não se fica pela reclamação inequívoca de inocência. Também nos deixa ver a fragilidade de uma Justiça feita por homens; portanto, passível de errar ou de ser instrumentalizada. Nada que não se soubesse, nada que não se fale em palácios e cabanas, mas que ganha neste caso uma densidade política como nunca antes se tinha visto em Portugal. A confirmar-se a versão de Vara, o Ministério Público em Aveiro, que pode não ter nada de louco, cometeu uma loucura: serviu-se de um inocente para culpar outro inocente.

A Judite repetiu dez mil vezes a mesma pergunta, se Vara não sabia que o Godinho era trafulha. O seu rosto mostrava incredulidade, ela não acredita que os malandros não se conheçam todos de ginjeira. Vara tentou dar-lhe noções básicas de serviço a clientes e qual a razão pela qual ele tem sido um profissional admirado na banca há décadas. A repetição maníaca da pergunta, no absurdo de esperar a resposta impossível, mostra uma jornalista que não devia ler certos jornais.

114 thoughts on “Espionagem política – IX”

  1. « Vara tentou dar-lhe noções básicas de serviço a clientes e qual a razão pela qual ele tem sido um profissional admirado na banca há décadas»

    AHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHA!

    «A repetição maníaca da pergunta, no absurdo de esperar a resposta impossível, mostra uma jornalista que não devia ler certos jornais. »

    A repetição maníaca do mesmo vómito, no absurdo de esperar o consenso impossível, mostra um blogueiro que não regula bem da pinha.

  2. O absurdo da coisa não carece das chamada redução ao absurdo, pois já o é:
    De facto quem é que acredita em seu juizo perfeito que um banqueiro que aufere um vencimento acima, muito acima de qualquer tentação, tenha por munus o de fazer circular entre os seus conhecidos e amigos um delinquente que ele apadrinha?
    É que o raciocínio é tão, tão, tão enviezado, tão próprio de vão de escada, que até confrange!
    A estória é como um saco vazio: Não se tem de pé.
    Isto tudo sabemos ao que vem.
    Também sabemos no que vai dar.
    E, se algum dia, um cidadão, lá porque é amigo de um 1º ministro mal amado da justiça, ou dos media, ou dos médicos, ou dos professores, estiver sujeito a ver atirados às malvas os básicos princípios da presunção de inocência, o direito ao contraditório, e passar à presunção de culpado, ao julgamento de carácter na praça pública e à condenação pelos media, nesse dia, o ónus da prova passa a ser uma caricatura e encontramo-nos de novo na idade média e nos autos-de-fé!
    Aliás, como se observa no comentário anterior, “o varapau” ameaça de facto substituir-se á aplicação da Justiça.
    E, que eu saiba, ainda não foram tipificados como crimes os factos de um médico recomendar uma clínica, um padre recomendar uma visita a outro confessor, uma agência de viagens indicar um destino de férias, um advogado recomendar uma procuração, um banqueiro recomendar uma aplicação de capital ou aceitar uma proposta de negócio.
    O resto é pura imagética talvez do foro da medicina legal…

  3. Começa a tornar-se obvio que isto é mais uma peça kafkiana da nossa justiça. E só pode ser surpreendente para quem nunca contactou nem que seja ao de leve com o monstro.

    A questão da jornalista é postiça. Não me parece que a Judite de Sousa que tem um marido que é Presidente de Câmara devido ao facto de comentar futebol nas televisões, lhe seja muito estranho o processo do qual mostrou uma fingida e insistente incredulidade.Não se lembre a Judite dos “mais cinco minutos” segredados à Dra. Manuela F. Leite no fim de uma entrevista?
    Ela está ali a fazer um papel.O mundo mediático vive duma representação idealizada do real.

    Qualquer pessoa que trabalhe numa área em que tenha que contactar com diversos clientes/empresas sabe que um dos aspectos chave de todo e qualquer negocio e sua manutenção assenta essencialmente no aspecto relacional. Seja aqui, na China, nos EUA ou seja onde for, isso é visto como um atributo, é o petroleo de muita gente, felizmente ou infelizmente. Achar que só o Vara faz aquilo é de uma ingenuidade maldosa.

    Espero para ver o tratamento mediático que vais ser dado ao caso CTT e as ligações existentes entre M.Ferreira Leite, à altura Ministra das Finanças e Horta e Costa.

  4. Está a martelar-me na cabeça a afirmação de Vara: « agora verifico que não basta uma pessoa ter a consciência tranquila».
    Até há pouco tempo eu pensava que se podia acreditar na nossa justiça em geral e não em alguns dos seus agentes em particular. Agora tenho a opinião inversa. Já só acredito em alguns agentes da justiça, porque a justiça no seu todo tornou-se uma fraude. Muito justamente as sondagens colocam a magistratura abaixo de um patamar inconcebivel num Estado de Direito.
    Já não se pode continuar a dizer «eu confio na justiça» sem estar a tentar-se tapar o sol com a peneira.
    Vara faz bem lutar, pedir o levantamento do segredo de justiça, contratar mais advogados, processar pessoas e jornais. Sonho ganhar o euromilhões e oferecer-lhe dinheiro para levar até ao fim a sua luta. Que ele processe os procuradores e o juiz que o atiraram para a lama com indicios de indicios de indicios e à conta destes indicios, que seriam suficientes para incriminar qualquer portugues, a qualquer momento, viu devassada a sua vida privada, com escutas durante meses a fio. Na sua ingenuidade ou confiando que vivia num Estado de Direito, nem ligou quando avisado anonimamente de que estava a ser escutado. Continuou com os seus telemóveis…
    É tempo de nos consciencializarmos que estamos à mercê de uma justiça capturada por gente indígna. Não pode ser só o Marinho Pinto a apontar o dedo acusador.
    Os dirigentes do PS, logo que saiam do sufoco em que os justiceiros capturados os meteram, deverão, sem receios, exigir uma operação «mãos limpas» à PGR, dentro das magistraturas. Não se pode eternamente repetir «confio na justiça», à espera que o País acabe por não acreditar em mais ninguém.
    Se os dirigentes do PS fecharem mais uma vez os olhos ao comportamento dos agentes da justiça e dos e seus sindicatos e associações, com tantos e graves atropelos descarados ao Estado de Direito (O sr Marcelo não se coibiu de dizer na RTP que o PGR anda aos pontapés às leis) então o País bem pode começar a pensar em escolher outra gente para nos governar.

  5. “qual a razão pela qual ele tem sido um profissional admirado na banca há décadas”

    Que bases tem Valupi para afirmar isto? Ou seja, como sabe Valupi que Vara é um tão bom profissional?

  6. Curioso foi tambem ouvir o Vara a desmentir o arquitecto Saraiva total e cabalmente.
    Claro que isso nem constitui noticia, nem interessa esclarecer, por isso o pivot da RTPN nem aproveitou a loira Felícia Cabrita para lhe fazer umas perguntas sobre isso.Peanuts o que interessa é que o arquitecto se mantenha por muitos e bons anos assim sempre há umas historias engraçadas para aumentar as audiências a expensas da reputação e vida de uns malandros. A carteira dá para tudo, impunidade total.
    A psicadélica Felícia estava com um ar de quem parece ter sido “arrancada” a uma rave no seu auge. Eu tambem quero voar contigo Felícia.:))

  7. ” Vara nasceu em Lagarelhos não acabou o curso de filosofia e começou a vida com empregado de balcão na CGD. No país dos doutores, os media não perdoam: como é que um homem destes, depois de ter sido várias vezes eleito deputado, foi duas vezes secretário de Estado e outras duas ministro…tendo chegado a administrador da CGD e do Millenium BCP, os dois colossos do sistema bancário” In daliteraura 13/01/09
    Aqui está uma das questões principais, mas apenas uma. Tivesse o Vara nascido algures entre Caxias e o Guincho, possuísse o Armando um apelido sonante ( ex: Pessegueiro, Quintal e Costa, Canteiro Gonçalves), amesendasse-se o Vara com a fina flor do entulho do eixo Cascais/Lisboa e outro galo cantaria. Aliás, Dona Judite não se esqueceu de lhe lembrar os começos como empregado de balcão na dependência da CGD de Mogadouro. Não agradeceu o Vara (oh ignomínia das ignomínias) a honra de estar perante tão excelsa jornalista. Grande Galo Vara, és, segundo parece, amigo do Sócrates, estás feito. Eh pá, faz como eu não passes para os lados de S.Bento senão ainda tens o resto da corja a ladrar-te ás canelas. D. Judite tenta fazer parte do grupo, ainda restrito, dos inquisidores que interrogam em directo em horário nobre. Tome-se como exemplo o desempenho do Pacheco, ontem,na Quadratura do Círculo quando interrogou o Lino. Foi um verdadeiro espectáculo. Força Judite que vais conseguir! Nós estamos contigo!
    Pois é, o facto de certos jornais terem publicado escutas que nunca existiram e relatado acontecimentos que nunca tiveram lugar, não interessa nada. Feche-se este caso, guarde o assunto para voltar a usar em melhor oportunidade, e passe-se ao Magalhães. Convém ir cozendo o homem, não o Vara, em lume brando.

  8. Quero pedir encarecidamente aos colaboradores da rtp que me guardem 10 garrafas da água que serviram à Felícia Cabrita. Dou alvíssaras.
    O quê?! (..natal e ano novo??!!) Desculpem 20 passa a 20, por favor!

  9. só vi dois minutos. Mas então a Judite agora anda élfica?

    o facto é que só há fugas de segredo de justiça contra o PS. Onde ouviram falar de fugas contra o Paulo Portas ou o Durão Barroso ou o Santana Lopes, para não ir mais longe?

    são jogadas políticas concertadas entre o terceiro poder e a comunicação social, e como esta é privada, detida pelo capital, são jogadas políticas de sectores do capital sobre o PS, não vejo como escapar a esta conclusão, primária mas evidente. Acho que são jogadas do sector tutelado por este PSD mais Opus Dei pelo menos as correlações apontam nesse sentido, e lá voltamos ao BCP e BPN. Por outro lado estas encenações fazem parte da política.

    Por outro lado todo o Mediterraneo europeu ameaça ser chulado até ao tutano ainda não percebi bem por quem, à conta do desiquilibrio das contas e do risco acrescido, que então é agravado com uma taxa de juro maior para tornar as coisas piores à custa de uma racionalidade manca. Não sei quem são esses bancos a quem se paga dívida externa, e detidos por quem, mas já convoquei a profundidade histórica para impor a presença de taxas negativas, vamos pois brincar aos complexos senhores,

    preparar inversão de fluxo,

  10. Só acrescentar que ficou demonstrado, de forma ainda mais consistente, que o director do “Sol” é um mentiroso compulsivo, padecendo ainda de doença do foro psiquiátrico que lhe limita gravemente o discernimento deontológico inerente ao cargo que desempenha. Trata-se já de uma “epidemia” à escala nacional, cujo primeio caso confirmado foi detectado na TVI, com o nome técnico de ” o jornal da cesta”.
    Evolui para a depressão mórbida……

  11. Luís Lavoura, as bases são os factos: as suas declarações autobiográficas e o seu currículo.

    Também lembro que, no auge da suspeição, Joe Berardo lhe elogiou a competência profissional na porqueira do Crespo. Vai na volta, há muita gente com boa opinião do senhor, tanto profissional como éticamente, mas, como não interessam para o que se pretende, não são chamados a botar faladura.

  12. (que engraçado amigo V :), mas eu agora descobri que acho elegantíssimo falar por elipses, um oráculo que se reduz à presença da ausência, e devo isso a ti ou aos meandros aspirínicos tanto dá, em qualquer caso acho espantoso e deixo ficar assim)

  13. A repetição maníaca da pergunta revela uma jornalista de qualidade sofrível, que por acaso, só por acaso, é casada com o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Sintra, por acaso, do PSD.

    Sobre o que está acontecer ao Dr. Armando Vara, apetece-me dizer o seguinte. Estamos em presença dum individuo que, de caixa do banco CGD, passou a administrador dessa mesma instituição. Este facto causa engulhos a muito boa gente. Recordemos o recente episódio da Sra. Nogueira Pinto e a forma arrogante e de total sobranceria como se dirigiu ao deputado do PS. Revelou que nunca foi democrata e desconte o sentido da palavra.

    Pessoas com este perfil psicológico, dificilmente deixarão de ver, quem pelos seus méritos pessoais, atinge determinado estatuto, como serviçais.

  14. O Eduardo Pitta tem hoje um magnífico post sobre este assunto e outros similares. A propósito, seria possivel na aldeia do Pacheco, Crespo, Judite e que tais, um homem que tivesse exercido a “nojenta” profissão de motorista de táxi chegar a ministro dos Negócios Estrangeiros, sem ser acusado de um sem número de malfeitorias (ex:cuspir para o chão, urinar junto à viatura, chamar palhaço ao condutor do lado, palhaço talvez não, se até a Zézinha chamou, é capaz de não ser assim tão mau)?

  15. Assisti à entrevista na RTP de Judite de Sousa a Armando Vara. Pela simplicidade de Vara acredito na sua inocência. E para mim ele está a falar verdade.
    Também acredito que está a pagar pelo facto de ser um transmontano, filho de gente humilde, desconhecida e esta não pode aspirar a certos lugares. Esses lugares deviam de ser para os filhos do Américo Tomás, Baltazar Rebelo de Sousa, Balsemão, família Saraiva, – não lhe chega o jornal público – Salazar se tivesse filhos e para filhos que os pais tenham bombas de gasolina para os lados de Boliqueime. Estes sim é que são os verdadeiros herdeiros de tão nobres postos, agora Vara, é lá nome que se apresente.
    Quem teve de subir na vida a pulso não pode ser considerado. Já não bastava no tempo da ditadura uma grande parte de portugueses ter de emigrar para fazer face á vida. Uns para dar melhor nível de vida aos filhos, outros porque a terras lhes eram madrastas. Nesse tempo ainda compreendíamos, era a ditadura, agora hoje! Com Vara tem de se esmiuçar tudo, não pode ficar nada de fora, outros podem dar prejuízos de milhões e milhões de euros que nada interessa.
    Há juízes que não perdoam o que o governo lhe tirou e por isso alguém há-de pagar caro este desaforo, só há uma personagem e essa personagem para não variar tem de José Sócrates, via Armando Vara.
    É assim este Portugal.

  16. não tenho dúvidas de que a nomeação do vara para a caixa foi política, assim como foi a de santos ferreira e a de faria de oliveira (um ppd para equilibrar o jogo). mas também não tenho qualquer dúvida que vara é muito mais competente que a celeste cardona, que o portas colocou na caixa. e também não tenho qualquer dúvida que a administração de santos ferreira na caixa foi muito mais competente que a do seu antecessor vítor martins ou ainda do duo antónio de sousa/mira amaral (também nomeados políticamente, mas como a nomeação foi da direita ninguém fala). já para não falar que a actual administração do bcp, encabeçado pelo mesmo santos ferreira, ganha no seu todo menos que qualquer administrador da troupe jardim, que colocou o banco no fundo do poço.

    quanto à entrevista, gostava que a judite tivesse a tido a mesma postura com o dias loureiro. mas não teve. ou melhor não tem. e essa assimetria é reveladora do estado de alma da judite.

  17. Isto continua entregue aos padrecas clericalistas salazarentos – veja-se o artigo de opinião da Fernanda Câncio do DN d’hoje – e aos trauliteiros pidescos, que por aí abundam. O ser político hoje, e sério, aqui nesta terra, é uma utopia, daí o nunca se poder fazer nada de jeito sem ser logo excomungado ou sem levar uma “paulada” na tola! Dasssss

  18. O Pacheco no seu respeitável blogue dá conta da troca de epítetos entre “…Maria José Nogueira Pinto e um deputado que eu nem sabia que existia do PS,…”. Agora não basta ser deputado, é preciso exibir o atestado de existência que o Pacheco lá da última fila, devidamente acolitado,emitirá. Já o estou a ver, rodeado de almofadas azuis e vermelhas e carimbos de batata, carimbando à esquerda e à direita: EXISTE, INEXISTENTE. Senhores deputados façam o favor de pedir o vosso atestado de existência ao Pachecão.Promova-se o Pacheco a amanuense.

  19. Vi os 20 ou 30 segundos até à parte em que a jornalista pergunta se é verdade que coisa e tal, e o entrevistado diz “sobre isto não posso falar”.

    Reparei que, a seguir a esta parte, ha ainda uns 30 minutos de programa, ou mais. Calculo que nesses 30 minutos ou mais, que não vi, nem vou ver, os protagonistas dancem nus à volta da mesa, distribuam prémios em dinheiro aos telespectadores que acertem em determinadas perguntas, etc.

    Digo apenas o seguinte : um pais onde é possivel haver audiência para um programa desses, ou seja em que existe um numero significativo de pessoas que continuam a ver o programa apos a troca que referi ha pouco, não merece ter direitos, nem tribunais.

    Ou melhor, merece. Merece que existam muitos juizes, advogados e oficiais de justiça a entretê-los com historias da carochinha e, sobretudo, que suguem os papalvos até ao tutano para lhes ensinar que o circo tem um preço.

    Eu não exerço em Portugal. Espero que os meus colegas que por la andam façam bom proveito e fico à espera do proximo animal que me aparecer à frente a queixar-se que a justiça não funciona.

    O que não funciona neste pais, não é a justiça…

  20. joão viegas, santa ingenuidade. Estás então a defender que a verdade é um bem público. Ou seja, se eu te perguntar se algo a teu respeito é verdade, tu terás de me responder. E vindo outro com outra pergunta, lá estarás tu a contar o que sabes e o que não sabes. É que tu, como advogado, não podes começar por ignorar o factor principal nas escutas a Sócrates: nunca deveriam ter acontecido, quanto mais saber-se do seu conteúdo. A menos que o Direito a que te refiras seja estranho à República.

  21. Valupi,

    A julgar pelo meu grau de incompreensão do teu comentario, não deves ter entendido bem o que eu quis dizer. Eu não defendo que devia ser levantado o segredo de justiça, muito menos violado. Digo, apenas, que um pais onde existe um programa de informação acerca de factos em investigação judicial (sob sigilo), com uma entrevista que versa sobre provas acerca das quais é vedado aos interessados pronunciarem-se, é um pais que mostra ter da informação uma noção peculiar.

    Uma noção tão peculiar alias, que nem vale a pena sequer procurar saber que noção tera da justiça e do direito…

    Quem pede circo, seja aos tribunais, seja aos orgãos de informação, não esta em posição de exigir rigor, nem informação, nem direitos…

    Esta apenas em condição de pagar bilhete. E quanto mais pede, mais caro vão cobrar.

    Querem uma medida de bom senso que possa causar um avanço significativo em todos os indices de desenvolvimento ? Acabem de vez com a televisão !

    E não estarmos a falar a mesma lingua apenas reforça a minha convicção de que a situação é preocupante…

  22. João Viegas,

    ele falou sobre muitos coisos e tais, só o coiso e tal que penso que referes é que lhe é proibido mencionar, pela justiça. O que o prejudica, como diz Vara, porque o próprio facto de não poder falar aumenta a suspeição, que nos media passa automaticamente a condenação pública.

    Já os jornais podem divulgar todos os pormenores reais e inventados do processo, porque a justiça não tem visto mal nisso. Ao que parece, interessa a certos agentes da mesma que assim seja…

  23. Estão preocupados com os trocos da sucata, com tanta carninha do lombo disponível, desde os banqueiros gatunos (e suas ligações perigosas) aos Correios laranja, do projecto da Falagueira (do amiguinho do Barroso) ao urbanismo na Câmara de Leiria!

    Se um dia a justissa virar mesmo Justiça e se começar a dar ao respeito, não vai haver blogues que cheguem…

  24. Edie,

    Quando disse “coisa e tal” era para simplificar. O que da para entender nos primeiros 30 segundos do programa é que se vai falar de factos sob investigação, sobre os quais as provas que existem não podem ser comentadas.

    A ideia de que possa haver um programa de “informação” com semelhante base escapa-me completamente. Não devemos ter o mesmo conceito de “informação”.

    Que um ou outro dos interessados se prestem a isso, é la com eles. Não percebo porquê, mas também não tenho que perceber. Mas, ja agora, falho em compreender as pessoas que choram sobre as “suspeitas” inevitaveis e as bocas do mundo. A presunção de inocência não é so para ficar bem na constituição. E’ um principio fundamental que devemos aceitar no nosso dia a dia, sob pena de não merecermos ter direito algum, nem tribunais que nos valham. Ou isto é so para inglês ver ?

    Mas o meu comentario não é sobre isso. E’ sobre o publico. Porque o publico é que deve ter o sentido critico minimo para dizer : bom, então meus amigos, o programa não me vai informar sobre nada. Deixa ca ver, eu não tinha por ai um Camilo ainda por ler ?

    Que sentido podem ter palavras como “justiça”, “direitos” ou “tribunais” num pais onde não existe este sentido critico ?

  25. joão, mas a entrevista não era exclusivamente para sacar nabos da púcara, há muito mais – e público – à volta do material em segredo de Justiça. Neste caso, a entrevista favorece o arguido, pois permite combater os boatos e difamações que o atacam. Não te entendo – a não ser que estejas em registo irónico – nessa demissão do papel da comunicação social.

  26. e a carta de pedido de suspensão , já agora , para juntar à autobiografia. escreve pior que estrangeiros…
    ( mas ouvi que é um profissional reputado na consecução de financiamentos para o seu partido)

  27. Estou a ver o teu ponto de vista, joão.

    Mas também é certo que houve espaço para repôr na opinião pública a presunção de inocência do Vara que estava pelas ruas da amargura… Deu, pelo menos, para revelar o que não havia no processo e que a comunicação social diz que havia!

    A partir do momento que os julgamentos se fazem na praça pública, i.e., nos media, com o conluio dos agentes da justiça, porque raio o “presumido culpado” não se pode defender na mesma sede? Defendeu-se bem, com o que pôde e desmascarou muita falcatrua jornalística que para aí anda.

  28. Aos ressabiados do costume,

    agora que se afigura a enorme cabala montada para entalar vara, e sócrates através dele, viram-se para a questão da competência do homem. Ó desespero, a que cegueira levas.

    A CGD obteve dos melhores resultados de sempre sob a gestão de AV.
    De fontes da própria CGD ouvi que como gestor (não só de dinheiros mas de pessoas) foi do melhor que por lá passou.

    Se acusam, devem ter o ónus da prova. Se acusam de incompetência, devem prová-la.

  29. Valupi e Edie,

    Tenho pena mas não se responde à vossa preocupação com um programa de “informação” sobre os factos sob inquérito. Responde-se a esta preocupação, quanto muito, com um programa de informação (no verdadeiro e unico sentido do termo) sobre o artigo 32 da Constituição da Republica.

    Não podemos transigir com esse principio… Não é uma questão “tecnico-juridica” mas de cidadania. Lembram-se porque se fez o 25 de Abril ?

    E é grave vocês não compreenderem isso, precisamente pela razão que vocês apontam, porque os tribunais somos nos.

    Isto também esta na Constituição (artigo 202).

    Gostaria de estar a fazer ironia. Mas não estou.

  30. joão, estás com um discurso evasivo. A problemática a que talvez aludas (pois não sei neste momento da conversa a que te referes exactamente) não impede o interesse jornalístico, social e político da entrevista a Vara nesta fase do processo.

  31. Valupi,

    Custa-me mesmo ter de explicar isto, sobretudo a pessoas inteligentes. Mas parece que tem de ser.

    Vamos colocar as coisas o mais simplesmente possivel : se acreditas que as pessoas podem realmente ficar esclarecidas acerca do assunto em causa, assistindo a uma entrevista em que um interessado no processo é questionado sobre os factos quando esta ainda a decorrer o inquérito e quando se sabe que nem ele, nem ninguém com conhecimento das provas, pode revelar o que sabe a este respeito, então porque carga de agua criticas as pessoas que se vão informar nos pasquins populistas ou no jornal do incrivel ?

    Isto põe-me completamente fora de mim. Explica-me so para que é que servem os tribunais, no teu critério ?

  32. Ah, joão, finalmente podemos chegar a algum lado. É que tu partes do pressuposto que a entrevista permite esclarecer um assunto actualmente em investigação pela Justiça – e a tua indignação é legítima nessa lógica. Acontece que tal reacção não tem nada a ver com o que escrevi. Não encontras no texto, que tiveste a simpatia de comentar, essa referência, nem sequer implícita.

    O valor da entrevista, neste momento, está em permitir equilibrar o dano causado pelos que envenenam a opinião pública, que descredibilizam o jornalismo e que ameaçam a operacionalidade da Justiça. Por mim, não estou esclarecido em relação a nada que esteja em investigação, e espero pelos tribunais para tal. Fiquei foi esclarecido quanto à pulhice que nos quer reduzir as liberdades e os direitos. Isso sim.

    Ou tu achas aceitável que a Justiça não consiga manter os segredos processuais, nem sequer saber quem prevarica nessa prática? Uma vez que há quem ataque cidadãos arguidos, ou nem isso, com material alegadamente – ou factualmente – judicial, é dever da comunidade responder em sua defesa; e, idealmente, também em contra-ataque.

  33. “pelos que envenenam a opinião pública, que descredibilizam o jornalismo ”

    O Director do sol mente?? E Vara não ? A lei de Salomão? Esta prespectiva siplex é gira

  34. OK Valupi,

    O meu comentario não era propriamente sobre o teu texto, mas sobre o programa que linkaste, ou mais concretamente sobre os 20 ou 30 segundos que vi, que me bastaram. Como não vi o resto – e recuso-me completamente a fazê-lo pelas razões que expus – não posso saber se o que dizes esta certo. Posso admitir que sim.

    Mas vejo que te preocupas com a instrumentalização da justiça, e fazes muito bem pois não existe maior perigo para a democracia (bom, tirando talvez a falta de uma educação decente).

    Ora bem, o que eu vejo de mais eficaz para nos precaver contra esse flagelo, ainda é apagar a televisão ao segundo 30 de um programa como o que tu linkaste.

    Eu sei que tu não realizas bem até que ponto isto é importante. Ja to disse ai acima e torno a dizê-lo, porque é um ponto fundamental : em democracia, a justiça (os tribunais) somos nos.

  35. joão, o teu argumento é reversível: se os tribunais nos representam, então temos de velar por eles. Apagar o televisor não contribui para nenhuma causa, apenas te deixa num estado de ignorância. Nós precisamos de conhecer o inimigo, não de fugir dele.

  36. bem , eu acho que só equilibrava a coisa se ele tivesse sido interrogado em directo por um judite e não pela judite jornalista. mas pronto.

  37. Val,

    Vês que tenho razão quando digo que não estas a perceber.

    O meu argumento não é “reversivel” o meu argumento é precisamente este que estas a dizer : os tribunais somos nos e nos somos os tribunais. Os tribunais são o instrumento e a forma, legalmente estabelecidos, com que apuramos os factos que podem ter relevância penal. “Os tribunais são orgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome do povo” (artigo 202 da Constituição).

    Devemos pois respeitar e fazer respeitar os tribunais, nomeadamente respeitando os principios fundamentais (legais) pelos quais eles se regem, entre os quais a presunção de inocência e o segredo de justiça. E devemos também respeitar e fazer respeitar a autoridade dos tribunais.

    Logo, quando aparece um jornalista qualquer a pretender fazer informação sobre matéria que esta a ser investigada, quando o proprio jornalista e o entrevistado começam por dizer que não podem dizer nada sobre as provas reunidas pelo inquérito, ha que apagar a televisão.

    Trata-se de uma medida de higiene democratica.

    Eu sei que te custa entender isto. Não que te falte inteligência, mas porque reina por ai uma confusão total a este respeito.

    Segue o meu conselho : descança, volta ca amanha, lê o que eu escrevi e pensa um pouco. Aposto que vais acabar por compreender que é contraproducente dar publicidade a esse tipo de “informação”.

    O 25 de Abril não cai do céu. Tem de ser conquistado todos os dias.

  38. Estás refém desse “apagar a televisão” que não tem defesa, joão. Se a entrevista não violou o segredo de Justiça, qual a sua ilegitimidade? Em que é que a Justiça ficou diminuída com as declarações de Vara? Claro que não podes responder, posto que não conheces o que foi dito. É esse o problema de ouvirmos as histórias pela metade, o resto é pura imaginação.

    A vida não se esgota nas provas que constam do processo, há muitas outras questões que não são judicias, que são políticas, sociais, culturais, o que forem. E qualquer arguido continua a ser um cidadão que tem direitos. Um deles é o da liberdade de expressão. A tua lendária casmurrice é que não quer dar o bracinho a torcer.

  39. Há aqui alguma coisa que me escapa, ou Armando Vara ainda não está acusado de nada, logo os tribunais não têm, por enquanto, nada a ver com o assunto?

    E era bom que se citassem, também, outros artigos da Constituição, fundamentalmente aqueles referentes aos direitos, liberdades e garantias.

    É que, desde logo, se o Estado de Direito estivesse a ser respeitado, Armando Vara não teria nada a explicar.

    Portanto, não percebo os argumentos dos comentários de João Viegas quando apenas se refere a esta entrevista em particular, esquecendo completamente a violação sistemática do segredo de justiça que esteve na sua genese.

  40. “A Judite repetiu dez mil vezes a mesma pergunta”

    Isso só demonstra a incompetência da entrevistadora (nada mais do que uma ” figura institucional da televisão pública ” e uma ” pretensa vedeta “) e a sua falta de preparação para a entrevista.
    Quem lá deveria ter estado na condução da entrevista era uma pessoa competente, com um mínimo de conhecimentos básicos, nomeadamente na área da política, economia, da psicologia forense e do modo como se conduz um interrogatório – tendo em vista apanhar o entrevistado em contradição, etc.
    Não é o caso da Judite.
    Mas na hipótese de o entrevistado se ter visto na eventualidade de ter de ir defrontar um entrevistador realmente capaz, duvido que Vara se tivesse prestado a lá ir.

    ” Vara tentou dar-lhe noções básicas de serviço a clientes e qual a razão pela qual ele tem sido um profissional admirado na banca há décadas ”

    Discordo.
    Não faz parte do conteúdo funcional de um administrador e vice-presidente de um banco, prestar-se àquilo que, Vara diz ser “serviço a clientes”.
    E sinceramente, muitíssimo mais discordo quando V. diz “tem sido um profissional admirado na banca há décadas”.
    Porquê? Que fez ele de notável na área?
    Sinceramente, nada consta.

    ” Também nos deixa ver a fragilidade de uma Justiça feita por homens; portanto, passível de errar ou de ser instrumentalizada ”

    Quanto à possibilidade de erro na justiça, isso que você disse é uma Palissade.

    Quanto à possibilidade de erro na justiça (falando em sentido lacto) claro que ela existe sempre.
    Por isso mesmo, é que existem tribunais de recurso, de hierarquia superior, – aliás, estes mesmos também passíveis de errarem :) – para os quais se podem interpor recursos.

    Mas como vocês já decretaram que Vara está inocente e é vítima de perseguição política, pelo sim pelo não, o melhor mesmo é decretar o encerramento dos tribunais, e a expulsão da magistratura dos dois juízes de Aveiro. :)

    ” passível de ser instrumentalizada ”

    Isso depende: quando a Justiça toma decisões que agradam a alguém, ela é isenta e justa; quando toma decisões que não agradam, para esse alguém, ela é imparcial e instrumentalizada.

    Por último, e quanto à “fragilidade da Justiça feita por homens”,

    Sabemos todos bem quem faz as leis, e até sabemos de gingeira que o sistema legal pode ser intencionalmente “fabricado” no sentido de ser frágil, designadamente, quanto à criação de “medidas legais” de obstaculização à prossecução dos fins da Justiça, v.g. dificultação dos meios de investigação, e excesso de “garantismo”.

    Quanto a este aspecto, na minha óptica, o PS não está isento de culpas no cartório, por exemplo, ao alinhar com o PPD (veja-se o Pacto de Justiça no anterior governo). Isto para já nem falar de medidas isoladas em governos anteriores (Guterres) que vieram no sentido de “proteccção ao faltoso”. Refiro apenas uma medida de Guterres: redução do prazo de caducidade para liquidação de impostos, de 5 para 4 anos.
    E no tempo de Fernando Nogueira (PPD, governo de Cavaco) por exemplo, fez-se uma reforma legal qualquer que, propositadamente, deixou uma lacuna na lei (relativa a prazos de prescrição). Isso permitiu a prescrição de inúmeros crimes, (especialmente por descaminho de Fundos Comunitários) e, por conseguinte, um favorecimento à bandidagem.

    É o Bloco Central.
    Nessa matéria, (protecção ao faltoso) PPD e PS são os dois lados da mesma moeda.

  41. Valupi,

    Aceito, e agradeço, a homenagem prestada à minha casmurrice.

    O meu ponto é mesmo esse. Não ha “varias” verdades, uma judicial, outra politica, outra moral, outra ludica, etc. Ha uma so e, em matéria penal, cabe aos tribunais averiguarem-na. Por razões que so são juridicas porque começam por ser politicas, morais, etc.

    O que eu vi nos primeiros 30 segundos da entrevista a que assisti foi uma jornalista, num programa de informação, que começa por questionar uma pessoa sobre factos (com relevância penal) que estão a ser investigados num processo que se encontra sob sigilo e em que, por isso mesmo, como alias é referido de inicio pelo entrevistado, não se podem hoje discutir as provas publicamente.

    Isto é quanto basta para apagar imediatamente a televisão (se a tivesse). Porque continuar a ver o programa é pactuar com aqueles que, em contravenção dos principios que referi, procuram trazer a questão do apuramento dos factos para outro lugar, que não o foro onde deve ser discutido, e isto numa altura em que (estando a decorrer a investigação) é duplamente ilegitimo fazê-lo. Duplamente porque, ao mesmo tempo que é um atentado ao segredo de justiça e à autoridade dos tribunais, é também um atentado aos principios que devem reger os jornalistas, uma vez que é claro e assumido que a conversa não vai conseguir esclarecer ninguém sobre os factos.

    O que eu possa vir a aprender vendo o resto do programa, mesmo admitindo que não é igual a zero, não pode trazer beneficios superiores aos inconvenientes que decorrem de transigir com o principio.

    No dia em que reagirmos assim, de forma sã e democratica, deixara de se colocar o problema das violações repetidas do segredo de justiça com vista à instrumentalização dos tribunais, que tanto preocupam o comentador jrcc, e bem…

    O Armando Vara tem plena liberdade de expressão. Diz que é inocente. Disse-o logo nos 30 segundos iniciais. Que outra informação relevante pode ser transmitida no resto do programa acerca da questão ?

  42. João Viegas,

    É preciso alguma ponderação no que é dito. Os tribunais não somos todos nós….

    Os tribunais são os tribunais, com competências especificas para fazer aplicar a lei. Mas que raio de apelo está a fazer?????

    Poder à rua. Justiça por mão própria…

    Estás a fazer um apelo ao caos ????

    Uma coisa é o cidadão comum criticar a justiça por via da demonstração da sua inoperância. Outra coisa, grave, muito grave, é dizeres que que os tribunais somos nós e nós somos os tribunais. Isto, dito mesmo num num blogue, cujo acesso é restrito, por um intitulado jurista, é muito grave.

    Só para terminar, o Val está certo em todos os comentários que fez. Até porque, caso não saibas, este é mais um processo que a justiça portuguesa decidiu instruir o processo na Comunicação Social, algo profundamente lamentável e que provoca a aridez da justiça portuguesa a breve prazo.

  43. Carmim,

    Convido-te a leres com mais atenção o que eu escrevi, que diz exactamente O CONTRARIO daquilo que leste de forma apressada.

    E’ precisamente porque sou contra o caos e o populismo idiota que criticas (e bem) que lembro que a justiça, e os tribunais, somo todos nos.

    E pode acontecer – embora seja excepcional num estado de direito – ser necessario lembrar isso aos proprios magistrados, quando saem dos trilhos da lei. Por isso alias, as regras, e as proprias regras penais, prevêm uma responsabilidade especifica, e com penas exemplares, para os magistrados que abusam dos poderes que lhe são conferidos pela lei, em nome da democracia.

    Acho significativo, e preocupante, que a minha afirmação seja mal interpretada. E’ que ela sublinha que os tribunais não são apenas orgãos de soberania por julgarem “em nome” do povo. A frase significa também que os tribunais tiram a sua autoridade da lei do povo e que esta autoridade so existe na medida em que o povo se reconhece nas suas decisões.

    Por isso mesmo acho grave pactuar com quem põe em causa esta autoridade de forma leviana, por exemplo por que da maiores audiências…

  44. Carmim, és o máximo, simples, natural, espontânea, és cá dos/das meus/minhas – isto serve para todos os teus comentários que tenho visto neste blog. O resto é puro show-off de malta que quer mostrar erudição ou conhecimentos técnicos!!!

  45. “actos em investigação judicial (sob sigilo)”

    O segredo de justiça respeita à investigação e não aos factos. Se fosse aos
    factos não poderíamos falar de nada porque eventualmente podíamos estar
    a falar de factos em investigação.

    Topas?

  46. bom , eu não sei , mas acho que não há um único arguido no mundo que ao ser entrevistado na TV ( quantos poderão usufruir de entrevistas OMO ? ) diga que é culpado (a não ser que já tenha sido sentenciado culpado e vá falar das mil e umas atenuantes que teve para o crime ) . “mas pronto.”

  47. Aristes,

    Estamos a falar de factos com relevância penal. O segredo de justiça, que é provisorio e instrumental, existe porque cabe à autoridade judicial apurar a verdade desses factos, o que deriva do principio da presunçao de inocência.

    Eu estava-me a referir apenas ao programa linkado pelo post.

    Acerca do programa a seguir, sobre desporto ou assim, nao tenho nada a dizer…

  48. Eça, estou a ver que um rabinho de arraia não vai chegar,terá de ser mais..venho do mar ,não apanhei nada..azar, apanho-te aqui outra vez com aperto.Atira-te ao mar e diz que te empurraram,culpa o Socrates ou o Vara que amanhã és capa do sol ou Correio da manhã como mais uma vitima dos Socialistas.O outro teu “compincha”que agora não recordo o nome (ou serás tu tambem?)por onde anda,foi remendar a rede da difamação, com o contra-mestre Pacheco Pereira?Se sim compreendo,visto a mesma(rede)estar a ficar cheia de buracos.Hoje não vou para bordo, vou sim,ficar por aqui de olho em ti,marinheiro de agua doce.

  49. Al’ Garvio, cuidado com o Queró(sene) de nome Eça (o verdadeiro deve estar a dar voltas de raiva lá na outra vida, por usarem assim o nome dele em vão), se ele te apanha dá-te um murro nos ditos, ou ainda pior, não viste a delicada resposta que te deu?

  50. Estás a ficar almariado,e ainda agora,o mar tá calmo,quando chegar o mar de levante com a sua vaga malandra é que vão ser elas..e só chamares p`lo gregório que o estomago é fraco e tonta a cabeça.Pede, ao teu contra-mestre que é perito em navegar em mar encapelado,ele te dará umas digas para ficares atinadinho e não dares mostras de fatela.capiche.

  51. De facto quanto à pobreza vocabular dos suplentes do PS, espécie de equipa F

    Basta ver o leque dos actuais Deputados e dos comentadores pseudointelectuais da blogoesfera

    Aqui fica

    Caralho – também conhecido como plataforma acima do mastro de embarcações à vela. Alguns chamam de gávea.
    Era o lugar mais alto e pior da caravela para se ficar, balançava muito, o sol queimava e era solitária. Quando os marinheiros se comportavam mal eram mandados para a “casa do caralho”.

  52. Estás a um passo do engasganço,dedo na goela e força o vomit..que alivia o estomago,quanto á cabeça ,já é mais complicado,parece que a tua é fracota,assim sendo,será melhor não saíres da cama,beberes um chá de osga e leres Vasco da Graça Moura ou o Pacheco Pereira(contra-mestre,teu),não sei se preceberás alguma coisa, mas para o caso não interessa,(eles tambem escrevem só por escrever)o que importa é que relaxes e te recomponhas.Já agora tambem existe chá preto descafeinado,mas,eu,aconcelho-te o chá de osga é forte e melhor prá tua maleita.Melhoras.Allah te ajude!

  53. Marinheiro de agua doce (eça),sofres do mesmo que a zézinha,mania de superioridade saloia.O que te deixa lixado é o povo.Já percebi que leste VGM,e tambem cospes no teu pais e no teu povo,mas, cuidado não cuspas pró ar que te cai em cima.Luta, tu não dás. Chá de osga,vai por mim que te tenho como um betinho fixe e conhecedor das letras e sua tecnica,mas fracote de cabeça e ainda almariado(esta não vem no teu dicionário).Bin té.

  54. Da entrevista fiquei a saber que Armando Vara está para os clientes do BCP mais do que as Páginas Amarela ou o 118 para os assinantes: “O sr. Godinho não dava com a EDP e telefonou-me.”
    Esta do sr Godinho ir ao gabinete do vice-presidente do BCP perguntar onde era a EDP, não lembra ao diabo!

  55. Valupi e Carmim,

    Não sei se ainda estão a ler mas quero-vos dizer que, pondo em prática o que aconselhei o Valupi a fazer, voltei cá hoje e reli. A reacção de Carmim deixa-me preocupado, não por causa da questão do Vara, ou por razões políticas corriqueiras, mas por razões muito mais graves, que passo a resumir por me parecer que merecem a consideração de todos.

    Que se possa ouvir algo de populista na frase « os tribunais somos nós e nós é que somos os tribunais », eis o que não consigo engolir. Quando digo isto, estou a dizer que os tribunais é que estão investidos, num Estado de Direito, da missão de ir ver POR NOS o que aconteceu de facto. E os tribunais estão investidos desta missão porque sabemos, e devemos sempre ter presente, que os nossos juízos sumários, com base nas bocas e nos rumores da praça pública, não valem um corno ao lado do dever sagrado de não condenar ninguém sem provas e sem o ter ouvido previamente sobre os factos.

    Ora bem, meus amigos, é verdade que eu sou advogado, mas o que está aí em cima não são minudências de jurista. Não são coisas que se aprendem na faculdade de direito ou na prática forense. São princípios fundamentais de organização política e de educação cívica que devem ser claros para todos os cidadãos minimamente instruídos, como todos os cidadãos devem sê-lo.

    O que eu disse cabe apenas em quatro linhas da nossa Constituição (artigos 32 e 122), que está aí para ser lida por todos. Compreender o que eu disse não requer a competência dum doutor em leis. A única competência que é exigida, é a de saber ler.

    No dia em que eu acreditar que o povo não tem esta competência, não deixarei apenas de advogar, deixarei também de ser democrata.

    E’ que aí é que está o mal. Meus amigos, vocês estão redondamente enganados acerca da minha competência de advogado, ou aliás acerca da competência técnica dos magistrados, como acerca da nossa função comum. A nossa competência não consiste em compreender as regras basicas que expus e mal seria de nos se tivéssemos de pedir o auxilio de juristas para as compreender !

    Eu digo mesmo, a nossa competência, o nosso ministério, a nossa função social, NAO TERIAM CONTEUDO NEM SENTIDO se o povo não fosse capaz de entender o que eu expliquei aí em cima.

    Interessam-se por assuntos de justiça ? Nada de mais legítimo. Mas então, levantem o cu do sofá e vão ver o que se passa nos tribunais. Não se fiem na virgem !!!

    Nem na Judite de Sousa…

  56. O amiguinho “manuelmgaio” certamente deve ter alguma escolaridade. Tem? Bom, assumindo que tem, vejamos o seguinte: um banqueiro, atenção, não um bancário, um banqueiro tem como principal actividade receber clientes com algum peso. Clientes esses, que sendo depositantes de alguns milhões são também devedores de outros tantos. Essa é a função do Banqueiro. Assim como o Bancário recebe o cliente pequeno, o Banqueiro recebe o cliente graúdo. Vai daí que falar com fulano ou beltrano é feito no âmbito da sua artes legis, capice? Está o amigo a ver e a perceber como mais uma vez o Ministério Público meteu água. Olhe, para que conste, note bem: o Vara já não se livra de ser apodado por aquilo que o amigo e outros da sua, digamos, “gente”, pensa. Mas, ainda, vai uma aposta que daqui não resulta nada? Basta ler a lei meu caro, e estar atento. O MP pelo que agora se sabe apenas tem uma mão cheia de nada (encontros, encontros mais encontros) e outra de coisa nenhuma (nada de transferências, depósitos, testemunhas oculares ou presenciais), e, neste país de invertebrados, o nosso MP quando se sente frustrado, faz o quê? Fala com a Felicia Cabrita.

  57. Assim se vê a força dos Penedos… e mainada

    Não interessa nada se o “irmão” e o pai estão ou não constituídos arguidos … o que interessa é que este tenha com urgência um TACHO antes que a mama se acabe! … E até fica facilitado o remédio para as escutas …

    A 12 de NOVEMBRO, mas com efeitos retroactivos!

    Comprovem no Diário da República online:

    http://dre.pt/pdf2sdip/2009/11/230000000/4838848388.pdf

  58. joão, o teu repto em prol do cumprimento da lei parece inatacável. Tal como é inquestionável que a Justiça, porque da República, serve o soberano: o Povo.

    Dito isto, tens misturado a dimensão idealista com a política, o abstracto com o concreto. O próprio Direito não é tão cego quanto a metáfora do juízo justo faz crer aos incautos. As leis são textos, estabelecidos e interpretados por sujeitos que divergem na sua interpretação. Assim, a aplicação da Justiça não é uma matemática, antes uma negociação.

    No caso de Vara, ele manteve o segredo de Justiça, e aproveitou a entrevista para defender o seu bom nome. Qual o mal disto? Não conseguiste explicar.

  59. OK Valupi, apenas três reparos breves para concluir (pela minha parte), mas gostei da conversa e penso que foi util :

    1/ Como estaras lembrado das nossas discussões sobre o aborto, entre nos os dois não sou eu que sou o idealista… Mas percebo e aceito a tua critica de “rigorismo”. Não me custa vestir esta carapuça.

    2/ O direito é uma negociação e é preciso estar de pé atras com os juizes. Acredita que é (também) isso mesmo que eu tenho estado a dizer. Tens inteiramente razão nesse ponto e, como profissional forense, posso dizer-te em confidência que tu provavelmente nem medes bem até que ponto é que tens razão. Por isso a minha dissenção não esta ai. O que eu digo é que essa vigilância não se faz na televisão e nos jornais. Ou pelo menos, não se faz dessa maneira… Admitindo, como aceito perfeitamente que seja possivel, que as violações do segredo tenham origem em magistrados que estão nitidamente a abusar, sera que os estamos a combater eficazmente ao afiarmos as laminas que eles utilizam ?

    3/ Por isso a minha critica não era dirigida a Vara, mas à jornalista e ao seu publico. Sou teimoso, como dizes, e continuo a pensar que o melhor serviço que podes fazer aos Varas presentes e futuros deste pais é apagar a televisão ao segundo 30…

  60. Jv, estou contigo mas não só, aliás se calhar fui ainda mais radical, dei a televisão quando mudei de casa e optei por não comprar nenhum lcd soundsurround et al..

    No entanto acho admirável que pessoas com a lucidez do Valupi vejam aquilo tudo e ainda por cima nos contem. Desde que o rapaz ande a dormir bem, por mim tudo bem também.

    quanto à terapia democrática: há-de haver um tal observatório digital da Justiça onde os juízes saibam que podem ser nomeados, nem que seja para botá-los para o esquecimento, o olvido,

    e também esta gigajoga da Justiça dá de comer a muitos, né? Uma tristeza aliás, numa boa democracia os casos de Justiça seriam poucos, seria um índice de salubridade desta coisa haver cada vez menos casos em tribunais, mas isso significa também menos trabalho para todos os agentes envolvidos.

  61. Val
    Estive a ler o comentário do senhor João Viegas e concordo com o que ele diz. É o que vou fazer a este tipo de entrevistas, com uma diferença, não desligo o televisor aos 30 segundos do seu inicio. Não o ligo.
    Antes havia entrevistadores que primavam para que a notícia fosse mesmo notícia, os convidados podiam explanar o seu ponto de vista, davam-lhe tempo para isso. Veja o que acontece nos Prós e Contras. Quando se está a falar de assuntos importantes vem logo a Fátima Campos Ferreira dizer que não pode dar mais tempo ou, que a conversa fica para a 2ª parte, porque assuntos comerciais assim o exigem se não são multados. Tudo gira à volta do vil metal e dá a entender que os entrevistadores são instrumentalizados para fazer a pergunta e se possível não obter resposta. Quantas vezes a pergunta é maior que a resposta? Isto é forma de entrevistar!
    Os entrevistadores jogam ali a ascensão à sua carreira, se o entrevistado for figura de proa ainda melhor, procuram dar-lhe a estucada final e se brotar sangue melhor. Gostava de estar presente na planificação da entrevista.
    Se um dia por qualquer motivo fosse convidado para uma entrevista respondia com um não. Não estava para contribuir para esse tipo de notícias, era o que a maioria dos nossos políticos devia fazer. Dar-lhes matéria-prima para a sua ascensão? Comigo não tinham esse prazer. Mas regra geral é o que acontece, o que as pessoas querem é um microfone.

  62. Ainda não percebi qual foi o problema da entrevista, por essa ordem de ideias também não devíamos ler jornais, nem blogues, etc. Ou é só na televisão que há filha da putice? Neste caso, como noutros que envolvem figuras do PS, correm dois processos: um nos tribunais e outro na comunicação social. O primeiro vai demorar anos (muitos) a resolver-se, no segundo já se condenou o arguido, e todos nós, com ou sem televisão, sabemos bem de que o acusam. Tem todo o direito a defender-se e acho que fez muito bem em dar a entrevista, apesar da Judite e das suas perguntas sempre tão giras…

  63. Guida:
    Não estou a dizer que o Armando Vara não deva ir-se defender. O problema é dele. Vai é dar achas para a fogueira – que é a comunicação social. Julga que a comunicação social faz estas entrevistas para limpar o nome do Armando Vara. Fá-lo no intuito de aumentar a sua audiência. E se poder colher dividendos ainda melhor. Julga que neste caso colher dividendos é isentar a sua figura? Não. Se poderem apanhá-lo em algum deslize é o que dá notícia. Porque massacram muitas vezes uma resposta dada? É para ver se, se contradizem.
    Às vezes comparo estas entrevistas como a ida do cordeiro para o santo sacrifício.

  64. Manuel Pacheco, quais achas para a fogueira? É ao contrário. Ele foi acusado pela comunicação social de ter recebido dinheiro de outro arguido. Existiam escutas a prová-lo, deram-se ao trabalho de nos explicar ao pormenor como a coisa se passou. A prova de que isto se passa num processo paralelo que não tem nada a ver com os tribunais é que a mesma comunicação social já declarou que, afinal, não existem tais escutas. Seja como for, agora, o trabalho de limpar o nome tem de ser dele, ninguém está à espera que seja a comunicação social a fazê-lo. Se lemos e ouvimos as notícias em que o acusaram, parece-me justo ouvi-lo quando tenta defender-se. Na entrevista, declarou-se inocente e disse que não podem existir provas de algo que nunca aconteceu. Não faço ideia se ele é inocente ou não, mas se estiver inocente, podem vir judites às pazadas que ele não se contradiz, não é?

  65. Bem, eu disse que o processo que corre na comunicação social é independente dos tribunais e não é bem assim, ou não existissem as fugas ao segredo de justiça.

  66. o mal está em que o privilégio de ir à tv defender “o seu bom nome” não é acesssível a qualquer um. e juiz em causa própria ? é fazer como o JV faz , mudar de canal.

  67. joão viegas e Manuel Pacheco, desligar a TV é estar a ser cúmplice da perversidade que afecta o cidadão Armando Vara, vocês estão enganados. E o engano nasce de se esquecerem, como lembra e explica a guida, de que ele está a responder a um ataque. Esse ataque já aconteceu, já causou o dano, pelo que se vocês desligam o televisor na altura em que o ataque pode ser debelado, ou atenuado, estão a ser cúmplices do primeiro atacante.

    O mal não está na pergunta da Judite, inquirindo um arguido acerca de matéria em segredo de Justiça. Isso é uma curiosidade legítima se for assumida às claras, e teve uma resposta igualmente legítima e, ainda por cima, pedagógica: a recusa em violar o segredo. O mal está naqueles, que se acredita serem agentes da Justiça, que passam informações e boatos aos jornalistas, ou que permitem que essas violações e difamações aconteçam e fiquem impunes. Este descalabro na protecção da privacidade dos cidadãos é que deve ser o alvo preferencial das indignações cívicas, não um programa de televisão que ajudou a entender a actual situação de Vara.

  68. Val:
    Compreendo a situação do Armando Vara e estou como disse há dias alguém aqui num comentário, que se lhe saísse o euro milhões o ajudava a repor a sua honestidade. O que acontece é que a Judite quando convida alguém para o seu programa não é para lhe lavar a imagem, é para sua promoção.
    Não leu ao outro dia o que dizia a imprensa. Que o Godinho precisou de ir ao BCP para saber onde ficava a EDP. Não foi só isto que Armando Vara disse na entrevista. Eu no lugar de Armando Vara deixava correr tudo sem revelar nada à comunicação social e depois de tudo resolvido com a justiça e se fosse declarado inocente aí é que ninguém me calava. Tivesse ou não quem me desse atenção o que fazia era o possível e o impossível para eles reporem o meu bom nome.
    Agora colaborar para a promoção de certa gente, isso é que não. Veja se eles convidam os da sua área, se os espremem quando eles ali vão. Veja o caso de Dias Loureiro, o de Manuela Ferreira Leite, que parecia uma conversa em família. O mais recente no programa do Crespo que só fala do vereador do PS em Coimbra. Dos tubarões do PSD nicles. É com esta imprensa que quer conviver? Eu não.

  69. Valupi e Guida,

    Vara e Judite, e o publico que os segue, paticiparem num programa de “informação” sobre factos que estão a ser investigados, e por conseguinte sobre os quais não é possivel hoje haver a minima informação que se preze, como os proprios protagonistas reconhecem, é o melhor serviço que podem prestar àqueles, magistrados ou não, que estão na origem da violação do segredo de justiça.

    Se tens dificuldades em compreender as razões juridicas (não devias, se reflectisses um pouco não terias certamente), então vamos às que se prendem com a qualidade da informação. Diz-me tu que raio de informação, ou seja que raio de esclarecimento sobre factos que, a serem veridicos (e ninguém esta hoje em posição de dizer que são), seriam graves, pode hoje ser prestada, para além desta : Vara diz que esta inocente.

    Isto diz-se em 15 segundos. O resto, tenho muita pena, mas é espectaculo. Do pior. Espectaculo desprestigiante para a justiça, desprestigiante para a politica, desprestigiante para a moral, desprestigiante para o jornalismo, desprestigiante para a democracia.

    Vocês não vêem que ao aceitar que a justiça seja feita nos jornais e na televisão, estão a contribuir para permitir, e mesmo para favorecer, todos os abusos que vocês justamente denunciam !

    E’ que isto no fundo é simplicissimo, e desculpem la voltar às razões juridicas, que são politicas e morais antes de serem matéria de lei : afinal, porque é que vocês acham que delegamos aos tribunais a tarefa de elucidar factos com relevância penal ? Apenas para ficar bem nos relatorios internacionais e para dar de comer à classe dos juristas ?

    Eu vou aos arames com isto…

    E o 25 de Abril, foi feito porquê ?

  70. eu não vejo televisão porque não me apetece, mas acho muito bem que haja quem veja, e nos conte. O 3º e o 4º poderes são fiscalizados no povo, que vota no 1º. A blogosfera é uma nova instância de comunicação. O princípio fundamental na Republica é o de que o povo é soberano, não?

  71. joão viegas, espectáculo é o aproveitamento político que se tem feito deste caso. E essa é que é a questão. Para melhor atingir Sócrates, a comunicação social não se tem poupado a esforços para denegrir a imagem de Vara. Não basta ser arguido, tem de parecer um bandalho da pior espécie, se possível, ainda pior que o Godinho. Creio que foi para se defender disto que deu a entrevista.

  72. Cara guida,

    Amito que sim, mas em que é que a entrevista pode contribuir para esta defesa, quando não é possivel dizer nada sobre as provas ? Espero que as pessoas com um minimo de principios morais e de sentido civico tenham apagado no segundo 30, altura em que ja estavam esclarecidas. As outras terão retido o quê ? Que Vara é inocente ? Deve estar a brincar com certeza. A esmagadora maioria das pessoas que ficam a ver este triste espectaculo esta la para ver alguém que consideram culpado e que vão continuar a considerar culpado diga ele o que disser. A unica mais valia que eles esperam de um programa desses é poder dizer que se calhar o entrevistado e a jornalista são amantes…

    Espectaculo não se combate com espectaculo. Ou melhor, mau espectaculo, combate-se, quanto muito, com bom espectaculo (ja que falam em “informação”, podiam fazer programas sobre o funcionamento da justiça, sobre a presunção de inocência, sobre o que justifica o segredo, e quais os seus limites,so que para este tipo de espectaculo, esta quieto que isso não da audiências !).

    E’ que a questão de fundo é mesmo a levantada por & ai acima. O jornalismo so pode ser quarto poder se fôr sério, não se fôr abaixo de cão. Querem informar sobre problemas de funcionamento dos tribunais ? Nada de mais legitimo, mas façam-no a sério, começando por dar mostras de perceberem minimamente os principios pelos quais os tribunais se regem, e não ao contrario, procurando fazer uma simulacro de processo diante dos telespectadores, o que é inadmissivel.

    Vocês não querem mesmo perceber quanto estas verdades são importantes.

    Vamos supor que um jornalista é gravemente difamado por outro num jornal. O jornalista ofendido vai querer encontrar um juiz para condenar o colega por julgamento, ou vai satisfazer-se de um juiz que lhe diz : “eu posso escrever um artigo no jornal a seu favor” !

    Parece que anda tudo doido…

    Quem tem interesse em confundir justiça e bandalheira não é com certeza o Armando Vara, pelo menos se ele esta inocente (como acredito que esteja) !

    E quem tem interesse em manter a confusão é… o mau magistrado que, não estando capaz de provar em juizo, vai para os jornais atirar poeira, assim o réu não se fique a rir.

    Eu não pactuo com isto e pronto.

    Os meus pais não fizeram o 25 de Abril para isso…

  73. Boa Val,

    Um texto do dia 11 que no dia 14 ainda mexe.

    Afinal, os portugueses interessam-se por outros assuntos, para além do Futebol

  74. joão viegas, para quem não viu a entrevista, tem demasiadas certezas em relação às conclusões que se podem retirar da mesma. :)

    Eu só vi um cidadão a tentar defender-se no mesmo terreno onde foi atacado. Não percebo o seu exemplo do jornalista difamado. O Armando Vara ao dar a entrevista não está a dispensar os tribunais. E embora não possa falar do que está em segredo de justiça, de alguma forma, teve a oportunidade de separar o trigo do joio em relação ao que tem sido noticiado neste caso. Para isso, não bastou dizer que estava inocente, precisou de mais tempo do que os trinta segundos de que fala. Não vejo por que motivo tem de esperar anos para esclarecer notícias ou boatos que podem ser esclarecidos, imediatamente, sem violar coisa nenhuma.

  75. Cara Guida,

    Como disse, vi os 30 primeiros segundos do programa. Chega perfeitamente para afirmar o que tenho afirmado até aqui e, nomeadamente, que dispenso perfeitamente ver o resto.

    Não são precisos anos para esclarecer coisa nenhuma e as falsas ideias que andam por ai espalhadas a este respeito é que me põem fora de mim. Senão vejamos :

    1/ Armando Vara deve ser presumido inocente até prova em contrario por sentença transitada em julgado (artigo 32 da constituição, entre tantos outros). Vara pode, e deve, reclamar ser tratado como tal, pelo tribunal, pelo ministério publico, pelos jornalistas e por qualquer cidadão. E cabe-nos a nos todos velar para que esta exigência fundamental seja cumprida.

    2/ Se ele esta à espera de uma sentença que declare a sua inocência, pode de facto esperar sentado. O tribunal apenas dira, quanto muito, que não existem provas suficientes para uma condenação. Em democracia, é quanto basta.

    3/ Mas de facto é desejavel que uma decisão do tribunal numa matéria de tamanha importância seja tomada dentro de prazos razoaveis. Todos temos interesse nisso e todos devemos fazer por isso. E também devemos exigir que os tribunais esclareçam depressa, e sancionem se fôr caso disso, as praticas que consistem em colocar na praça publica o que devia ser tratado mediante inquérito judicial secreto – segredo provisorio e instrumental, nunca sera demais repeti-lo. E’ lamentavel que os prazos sejam o que são ? E’ com certeza ! E’ lamentavel para Vara como, ja agora, para uns quantos outros que estão presos enquanto os tribunais não julgam (que também os ha) e que a Judite não recebe no seu programa (por esquecimento, com certeza).

    4/ Achar natural que as pessoas vão para a televisão fazer de contas que brincam aos tribunais vai no sentido oposto às exigências acima enunciadas. Ainda posso compreender que quem vê a sua reputação posta em causa se deixe ir a esta fraqueza. Mas nem os jornalistas devem ceder (sob pena de não estarem a fazer jornalismo), nem o publico (sob pena de mostrar que não liga pevas aos principios democraticos e liberais que se inscreveram na constituição em seu nome).

    5/ Portanto, em conclusão, mantenho que, por muito que o Vara e a Judite tenham dançado nus à volta da mesa, feito o pino, etc., durante o resto do programa (que não vi nem vou ver, have I mentioned it ?), NAO podem ter dito mais, de um ponto de vista informativo, do que durante os trinta primeiros segundos.

    6/ Também mantenho que o 25 de Abril não cai do céu. Tem de ser conquistado todos os dias. Por todos nos, ou pelo menos por todos aqueles que acreditam nos seus valores. Os jornalistas deviam estar entre os primeiros, e com eles todos os cidadãos com dois dedos de instrução civica e educação politica.

    Felicidades civicas e democraticas.

  76. joão viegas

    ” E’ lamentavel para Vara como, ja agora, para uns quantos outros que estão presos enquanto os tribunais não julgam (que também os ha) e que a Judite não recebe no seu programa (por esquecimento, com certeza).”

    Não sei se é por esquecimento, mas sei que nem todos são acusados e condenados como Vara tem sido, na comunicação social.

  77. João Viegas,

    O Vara foi acusado através dos media e tentou provar a Sua inocência através dos media. Usou as mesmas “armas”.

    Perguntas: Concordas ???

    Respondo: Não !!!!

    Mas não concordo desde o inicio, porque todos nós teríamos a ganhar se no ministério publico não houvesse juízes pestilentos que vendem os assuntos em investigação para fazer capas de jornais e alimentar um partido em vias de extinção, de seu nome PSD.

    E este é o caso. Tudo mais é pechisbeque (parafraseando o Val)

  78. Só pelo gosto de ser o centésimo!! :))

    O que o Vara teve foi uma reacção proporcional ao estímulo.Aqui só estranha a não compreensão do mais elementar sentido humano.
    De resto circunscrever este caso à entrevista de Vara e ainda por cima censurando o seu visionamento não me parece que tenha que ver com qualquer tipo de formalismo legal ou com qualquer especie de direito. tem sim a ver com a recusa da inscrição da defesa do outro. E isso, dadas as circunstâncias, é do mais totalitário que há, ainda que apresentado de uma forma branda e cordial, como é o caso.

  79. Caros,

    1/ Se o Armando Vara precisa de defesa outra do que a presunçao de inocênca que lhe é conferida por lei, entao o nosso sistema esta todo mal.

    2/ Se vos choca que a comunicaçao social o trate mal, mudem de canal, é so o que vos posso dizer. Talvez noutro canal ouçam falar doutros cidadaos que, esses sim, estando presumidos inocentes, têm queixas fundadas acerca do sistema, nao porque sao apontados com o dedo por idiotas (risco que corremos todos) mas… porque estao em preventiva…

    3/ Nao me sinto confortavel numa democracia onde isso nao é claro. E nao se pode mudar de democracia como se pode mudar de canal !

  80. 1- Existe uma morte social atraves do assassinio de caracter perpretado atraves das fugas ao segredo de justiça que não encontra conforto na presunção de inocência.Porque quem é suposto garanti-la é o primeiro a negá-la. Veja-se o que se passa vergonhosamente com o caso Casa Pia, a que hoje os advogados de CCruz fizeram referência.Uma vergonha.

    2- Foi isso que fizemos, mudamos de canal e quem se chocou foi você.

    3 Eu não me sinto bem numa democracia que tenha um sistema judicial kafkiano que é ilustrado como que por osmose nos seus comentarios, dogmáticos, autistas e por isso autoritários.

  81. Caro K,

    Você não esta a querer perceber o meu argumento. Eu estou-me nas tintas se é com o Vara ou com outro, como me estou nas tintas se é a RTP, a SIC ou outro…

    O que eu digo, apenas, é que quem acha que é necessario mais do que a presunção de inocência (legal) esta, mesmo na melhor das intenções, a pôr o pé num terreno movediço, com o risco de perder o apoio que tem no outro. No dia em que acharmos isso normal, vamos de facto exigir que as pessoas provem a sua inocência no pequeno ecrã, e como isto é impossivel, vamos estar à mercê das porteiras em que nos estamos a transformar.

    Eu, francamente, não vejo diferença significativa entre os que acham que Vara é culpado baseando-se em boatos veiculados por pasquins e os que acham que ele é inocente baseando-se na impressão que lhes causou a conversa trivial que teve com a Judite de Sousa na televisão.

    Peço desculpa se é incorrecto dizer isto. Mas é que não vejo mesmo !

  82. João Viegas,
    Tente sair da tecnalidade do processo e da abstração da Justiça. Genericamente e culturalmente ninguem esta contra o que acima expôs, mas o contexto é que é aqui importante.Estamos em portugal ano de 2009 quase findo e com varias guerras surdas que germinam há muito entre varios poderes corporativos.Existe uma guerra entre o poder executivo e o poder judicial, fonix. Ainda não viu, ou não quer ver? A anormalidade está instalada há muitos anos e acho extraordinário que alguem que trabalhe na justiça ainda não tenha dado por isso. quantos procuradores tivemos nestes ultimos 10 anos? O que dizem sobre os poderes que têm e quem manda de facto? O que dizem sobre as escutas não só estas como o microfone que se encontrou na PGR? Hello !!Não lhe chega?!!
    Desculpe fazê-lo acordar para a realidade mas em quase todos os casos ninguem acredita na presunção da inocência, porque os tribunais fizeram-se substituir pelos ecrans de televisão, ao fornecerem a estas dados dos processos para os julgamentos publicos.
    Não vê que já está tudo para alem da sua suposta e ingénua incorrecção? Não vê que esse mundo idealizado não existe?
    Ñão consegue vislumbrar que a unica forma das centenas de anónimos injustiçados ganharem alguma justiça perante o monstro kafkiano é a descredibilização publica destas tacticas de Inquisição?
    Sabe porque é que procederam agora a alterações no processo casa Pia? provavelmente porque a maior parte daquelas pessoas acusadas no meio da fogueira mediatica estão inocentes e a mesquinha e indecente Justiça não podia aguentar de uma vez só dois completos logros. Assim faz-se a gestão politica dos processos dando cabo da vida de vitimas e acusados. O mesmo para o vara, tudo farão para que o processo se demore e atrase para que o fiasco não seja imediato.
    Perante estas monstruosidades vem falar em quê? Em presunção de inocência? Aonde?
    Acorde.

  83. Caro K,

    Eu compreendo o que esta a dizer. Mas não aceito. Encontrara algumas das respostas às perguntas que você coloca (algumas delas legitimas e certeiras, de facto não resido nem trabalho em Portugal) no meu primeiro comentario ai em cima.

    Encontrara também, nesse comentario, o que eu penso sinceramente que esta em causa.

    Acrescento que o sistema de processo penal Português, tal como esta no papel, é visto do estrangeiro como um modelo (!). Este paradoxo deve interpelar-nos, porque ja durante o fascismo, tinhamos leis que, no papel, até nem pareciam mas. Por exemplo a pena de morte estava abolida desde 1867 ; apenas sucedia que as pessoas se constipavam muito nas nossas prisões, os comunistas então, nem se fala ! Ai esta. O problema em Portugal, pelo menos na minha opinião, é termos uma enorme dificuldade em sairmos do café e passarmos para a esfera da realidade. As leis não são nada se não vigoram efectivamente e isto não cai do céu. A presunção de inocência não é uma coisa abstrata para acontecer nos Tribunais sem ninguém compreender bem o que significa. E’ um principio que devemos começar por acatar nos proprios, bolas. Os tribunais nunca nos valerão de nada sem esta atitude, porque não ha remédio que valha se não fôr administrado num corpo habitualmente são !

    Volto ao fundo das minhas intervenções, porque temo não ter sido ainda bem compreendido. Considero irresponsavel queixarmo-nos da justiça como se fosse uma entitade abstrata a que somos alheios. Em democracia a justiça somos nos. Temos que ir, não para os jornais, mas para os tribunais, e exigir a sua correcta aplicação. E isto implica, por razões de elementar coerência, que respeitemos e façamos respeitar os nossos tribunais (ou então que os mudemos, mais uma vez, em democracia, eles são o que nos queremos que eles sejam).

    Se o fizéssemos, ninguém teria interesse, nem possibilidade alias, de se virar para a imprensa apenas porque as coisas lhe correm mal no foro em que devem ser debatidas.

    E se as coisas se passassem assim, então sim, ouviriamos os jornalistas que nos falam de justiça, sabendo que não estão apenas a fazer eco, mas sim a procurar informar, com rigor e sentido critico, acerca de disfunções do sistema (que as ha, mesmo nos melhores sistemas, não tenhamos duvidas acerca disso).

    Felicidades.

  84. Jv, em abstracto tudo bem, mas na prática, para não dizer mais, os tribunais estão a atulhados e ocorre desde logo a injustiça básica do atraso morosíssimo da justiça, se não mais,

    pena de morte travestida?

    já tinha ouvido dizer que as nossas leis são vistas como modelares em vários casos, o que me deixa contente, a poética da língua portuguesa permite uma variedade semântica que outras não alcançam à primeira, embora a adjectivação à esquerda da anglofonia induz mais à acção,

    aprecio a sua retórica e o trabalho de escrita com que nos presenteia, mas é inevitável na era digital passarmos a metatribunais, a não ser que por milagre a situação descomprimisse, faça-se votos que assim aconteça,

    tempo de os juízes pensarem nisso, afinal, em última análise, em termos de direitos constitucionais somos todos iguais.

  85. o caso Casa Pia é uma vergonha tal que nem falamos dele. Numa democracia onde o quarto poder fosse decente estaria resolvido na primeira instância em três anos e mais um ano de recursos e já era muito,

    a crucificação daquelas pessoas é intolerável, culpados ou inocentes já devia estar esclarecido há muito.

  86. João Viegas,
    De facto pareceu-me que faltava à sua análise algum contexto e compreendo melhor a sua preocupação e insistência nos conceitos. Mas mesmo aí, concordando consigo em abstracto, não concordo com a extrapolação para uma realidade idealizada.

    Em democracia a justiça somos nos. Bela frase mas que não tem correspondência na realidade. A justiça é um poder totalmente independente, não eleito e autónomo que não presta contas a ninguem. De nada vale a vontade de intervenção nos tribunais a exigir a sua correcta aplicação (a não ser que defenda uma inconstitucional ingerência na esfera da Justiça) se ela não tem capacidade de se auto-reformar.
    Foi a própria justiça que ao condenar antecipadamente nos media que deu cabo da presunção de inocência que há umas décadas atrás ainda tinha acolhimento perceptivo na mente das pessoas.

  87. Caro K,

    A justiça não pode condenar nos media. Nos é que, quanto muito, podemos, ou não, deixarmo-nos impressionar por aquilo que vem nos media e que esta sujeito à nossa analise critica, sem a qual não ha nem justiça, nem democracia, nem informação que se preze.

    Os tribunais proferem sentenças, que são publicas, apos debates que também são publicos e a que podemos assistir. Das sentenças dos tribunais cabe muitas vezes recurso. Mas não so. Uma sentença, mesmo uma sentença que iliba, tem autoridade e constitui, em democracia, uma verdade que todos devemos acatar. Nomeadamente para exigir responsabilidades quando é caso disso. Os excessos cometidos por magistrados combatem-se primeiro no foro proprio, até porque os magistrados são os primeiros a perceber que ha um custo a pagar se querem que as suas decisões sejam respeitadas.

    Mesmo assumindo que magistrados abusaram dos seus poderes no caso de Armando Vara, continuo a não ver nenhum interesse em vir debater para a praça publica quando ninguém pode ainda conhecer minimamente aquilo de que se esta a falar, e quando os proprios interessados com algum conhecimento incipiente da matéria, não podem dizer nada sobre ela.

    O segredo de justiça é provisorio. Isto quer também dizer que, apos a conclusão do inquérito, sera possivel ir ver de perto, debater, e exigir responsabilidades. Antes é que não. Falar antes é apenas deitar areia para os olhos e capitular de inicio, aceitando que niguém vai nunca ficar a saber ao certo e que vai ficar tudo em aguas de bacalhau.

    Talvez seja inevitavel. Mas eu penso que não. E penso que esta nas nossas mãos (neste caso, no nosso dedo) decidir como queremos responder à pergunta…

    Francamente, não sei quem é mais “idealista” e quem é mais “realista”, se quem se vira para os jornais à espera de um atestado de inocência que eles não podem, nem nunca poderão passar (e ainda bem), se quem se vira para os tribunais e acata esta verdade fundamental que todos somos inocentes até prova em contrario transitada em julgado.

    Não sei, mas tenho ca a minha ideia…

  88. Este João Viegas, a continuar com estas teorias muito bonitas, depois de toda a porcaria que as tem envolvido e inutilizado na praça pública, sem que as autoridades competentes actuem, deve ser um bocado (para não abusar) ingénuo ou “outra coisa qualquer”…

  89. João Viegas,
    Isso é o que vem nos livros, não o que existe na realidade. E sem contextualização não vale a pena insistir neste debate já que os seus argumentos estão impermeabilizados à realidade, tornando-se uma sucessão circular de lugares comuns.
    Ainda assim acrescento que a dilação da justiça é tão grande que um inocente que seja injustamente arguido de qualquer processo nunca é ressarcido do erro. Se for vivo e aguentar a tortura, acabará sem dinheiro ou cheio de dividas, provavelmente sem emprego e com a vida social e familiar praticamente inexistente.Não compreender isto é no fundo não ter o mais elementar sentido de justiça por mais livros de direito que leia e saber juridico que tenha acumulado.

  90. Não é por idealismo, nem por saber livresco, que eu insisto. E o meu conhecimento dos tribunais não é so teorico, é também pratico (sou advogado, embora não exerça em Portugal).

    Insisto porque se vocês tiverem razão, então ha que ir até ao fim e acabar de vez com os tribunais em Portugal, fonte de despesa chocante e vã.

    E’ isso que vocês defendem ? Então estão a ser coerentes.

    Eu não cheguei ainda a esse ponto. Mas também é verdade que tenho pouca experiência dos tribunais portigueses, como comecei por frisar…

  91. João viegas,

    Espero que não venha a ter nenhuma experiência em tribunais portugueses no futuro, talvez achasse redutoras as nossas preocupações. Não sei qual é o país onde trabalha, mas porventura o poder judicial esta subjugado de alguma forma ao poder politico e a intervenção na resolução dos problemas da justiça é mais eficaz. Cá não, e existe uma impotência generalizada e transversal desde o meio empresarial até ao simples cidadão com o estado da justiça.Não se trata somente deste caso, são inumeros casos que afectam o viver colectivo e social e que contribuem cada vez mais para uma degenerescência das instituições. Imagine qualquer coisa de grave. Já está? Agora imagine dez vezes pior…é isso.

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