Uma beleza nascida do amor de pai e filho pelo Benfica. Uma beleza nascida do amor de um filho pelo pai. Uma beleza nascida do amor e do Benfica.
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Minority Report
Junto a minha indignação à do Paulo Ferreira perante esta notícia. A ser uma transcrição válida do que o Tribunal declarou para fundamentar a sua decisão, estamos perante uma aberração judicial. Estes juízes devem ser investigados, os seus processos anteriores reavaliados, porque são um perigo público.
Os pedófilos são reincidentes. Este médico, tendo a oportunidade, vai voltar a atacar. Não a tendo, vai procurá-la. E só parará quando encontrar a nova vítima. Ora, como estamos perante um médico, e de clínica geral, as oportunidades não faltarão. Os familiares das futuras vítimas talvez venham a poder processar estes juízes, pois, e mesmo que não dê em nada, a simples censura do facto e a ameaça da prisão realizarão de forma adequada e suficiente as finalidades da punição.
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Nota: a notícia remonta a Março de 2009
Estado da direita
João Pinto e Castro fez um retrato da direita portuguesa que é tão cru quanto exacto. De todas as maleitas de que sofre – tão mais inesperadas quanto dispõe dos melhores recursos educativos, financeiros e sociais – nada se compara à falta de talento. Não há talento político no PSD e CDS, o poder tem estado entregue a figuras medianas e medíocres, como Durão Barroso, Marques Mendes e Portas, nalguns casos más, como Manuel Monteiro, Filipe Menezes e Ribeiro e Castro, e até péssimas, como Santana e Ferreira Leite. Onde estão os craques?
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Obrigado, Santana
A condecoração de Santana com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo gerou silêncio na direita e escárnio na esquerda. Para cúmulo, ver a má moeda agraciada pela mão do pior Presidente da III República é por si um espectáculo trágico-cómico imperdível ou descoroçoante.
Contudo, há um outro lado neste episódio. Aquele onde Santana, de facto, merece a condecoração. Não pelo que ela valha simbolicamente, mas pelo reconhecimento que o Estado outorga a quem o serve. Independentemente da avaliação que se faça do Governo de Santana, sendo até indiferente o modo como acabou, a verdade é a de que ele se ofereceu para servir Portugal num dos cargos de maior responsabilidade para todos nós. Quantos se recusariam? Muitos mais do que aqueles que aceitariam, não é?
O discurso contra os políticos, típico dos populismos e das tiranias, e que se encontra do PNR ao BE e PCP, perverte a democracia. Passamos bem sem essa legião de egocêntricos furibundos, inúteis ou perigosos. E talvez um dia aceitemos a evidência: não há força mais poderosa do que essa que consiste em esperar o melhor do governante, dando-lhe todo o apoio para que o exercício das suas capacidades não tenha a menor desculpa. E só depois, com implacável lucidez, julgar os seus méritos.
Santana foi demitido porque não tinha legitimidade eleitoral, por um lado, e porque causava crescente perturbação no Regime, naquela que parecia uma espiral imparável de decadência. Apesar disso, que teve um justíssimo desfecho, agradeço-lhe a disponibilidade para me servir. Eis uma generosidade e coragem, essência da cidadania, que se pode enaltecer até mesmo quando se trata do desastrado e ridículo Menino Guerreiro.
Vício
Fica para mim
A publicação ilegal das escutas a Pinto da Costa, repetição sonora do que já tinha vindo a público por escrito, dá azo a uma oportunidade para distinguirmos a moral da ética – tomando aqui a primeira como o conjunto das regras objectivas de conduta admitidas numa dada época, e a segunda como a capacidade subjectiva de identificar o bem e o mal.
Aqueles que ouviram as gravações, alguns tendo de imediato utilizado esses conteúdos como material humorístico na comunicação social, validaram a publicação. A ilegalidade compensou, o culto da violação da privacidade foi exaltado. Constitui-se agora, com o exemplo de milhares e milhares, como um acto moral – ou seja, está de acordo com os costumes que uma dada sociedade institui como preferíveis. Já aqueles que se recusam a ouvir, porque não querem ser cúmplices, estão numa situação em que não podem fazer prova de uma ausência. A sua boa acção é invisível, parece inexistente, mas é real.
O provérbio As boas e más acções ficam para quem as pratica nasceu na Idade Média, um período de fulgurantes ensinamentos. Nunca deixará de ser actual, enquanto existir uma consciência ética algures no Universo.
Love story
O nosso amigo Manuel Pacheco conta a sua história. De amor.
Será do vinho?
Perigoso optimismo
You need to be optimistic in order to be creative. And confident. In fact, if you don’t have confidence that you can create solutions, you won’t create solutions. Being excited about the endless supply of challenges we need to address is the first step in bringing out your creativity.
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Sabes quem é o Tim Brown? Será mais um daqueles que são pagos para andar a enganar os papalvos com estas tangas do optimismo ser uma atitude que aumenta a inteligência e facilita a resolução de problemas? A resposta é sim, confirma-se que o senhor anda a ser muito bem pago para dizer estas coisas, e o perigo é bem real: os pessimistas que se cuidem, ou ainda acabam a atrofiar sozinhos.
Vício
Caça às metáforas
Parece que os membros do Governo não podem usar metáforas nas suas intervenções públicas. Porquê? Porque há um grupo de desempregados mentais, com muito espaço neuronal sem exercício regular, que protesta contra o esforço que uma metáfora lhe exige. As metáforas são tramadas porque obrigam a pensar. Pedem interpretação, entendimento dos contextos, ponderação dos significados, escolha do sentido.
É muita areia para as suas cachimónias, eles são mais é refrescos.
Quem tem medo da deontologia?
O Miguel fez o resumo do essencial do Parecer do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas acerca da inventona de Belém, mas a leitura integral do texto oferece a melhor exposição, e análise, do caso até agora disponível. Um caso absolutamente incrível não tanto por ter acontecido, mas pelo silêncio das autoridades políticas e figuras sociais de referência. Pelos vistos, Cavaco Silva, José Manuel Fernandes e Belmiro de Azevedo podem continuar a produzir golpadas deste e doutros calibres que nem sequer a uma conferência de imprensa se sujeitam para dar explicações. Esta situação é lunática.
Que eu saiba, ranhosos e imbecis não tocaram no documento. Pudera.
Web 10.0
Hoje fui ao cafezito de bairro, igual a tantos outros na sua modéstia e banalidade, onde sempre lancho nos dias úteis. Minutos depois, entra uma jovem senhora, trabalhadora numa empresa da zona, e começa a conversar com a patroa. A conversa diz respeito às escutas ao Pinto da Costa. A patroa, enquanto aviava o resto da clientela, queixava-se de ainda não ter conseguido ver o material no seu iPhone, e repetia os toques no ecrã à procura do dragão, mas informava que quando chegasse a casa iria à Internet. Seguiram-se comentários genéricos acerca das conversas captadas e outras exaltantes temáticas de café.
Já éramos uns supercromos no à-vontade com terminais de Multibanco, telemóveis e computadores portáteis. Agora, temos iPhones nas bancadas dos tascos onde o povoléu vai engolir a bucha. É a Web 10.0, a fusão da Internet com o croquete e a bica pingada.
Obrigado, Sá Pinto
Tinha sido a sexta vitória consecutiva. No jogo anterior, depois de um mês parado e apenas com dois treinos a meio-gás, Liedson tinha resolvido e marcado dois soberbos golos. No próximo jogo, há uma ida a Braga que é decisiva para a consolidação da nova equipa, quiçá para a classificação final. No meio disto tudo, Rui Patrício, que tinha assinado mais uma das suas chinesices, era justamente apupado pelos adeptos (que têm sempre razão, escusado será dizer). Liedson também fazia um bonito, solidarizando-se com o Rui e manifestando o seu superior espírito de grupo.
Perante esta realidade, que ocorreu ao Sá Pinto? Isto: que a época estava a ficar fácil demais para o seu Sporting, e que algo teria de ser feito com urgência para repor os níveis de dificuldade adequados à grandeza do clube. Um clube raçudo, feroz, selvagem não alinha em situações onde as vitória se começam a suceder uma às outras, numa monotonia que vai domesticando os instintos. Não, nunca.
Sá Pinto, és bestial.
Tempo e espaço

Há factos acerca dos professores que só os próprios podem revelar. Por exemplo, o tempo que gastam a preparar as aulas. Se lhe der na telha, um professor pode dizer que nem dormiu para preparar a aula do dia seguinte ao 7º B. Ou que já a vinha a preparar há 6 meses. Vale tudo, e tudo foi utilizado para boicotar o modelo de avaliação desenvolvido por Maria de Lurdes Rodrigues. Esse modelo tentava medir objectivamente a produtividade escolar, por isso requeria que o professor desse mostras de um conjunto suficiente de competências que ultrapassassem a sua fortaleza inexpugnável: o sacrossanto mistério pedagógico que apenas acontecia dentro de uma sala de aula, sem a presença de estranhos à família.
Acontece que o professor médio não perde tempo a preparar as aulas, esta é uma descoberta que se faz no primeiro ano da profissão. Os desafios cognitivos necessários para estar a repetir informações básicas durante 40 minutos, ou menos, para uma audiência de menores são mínimos, quase nulos. E as mulheres, sempre mais organizadas do que a desmazelada rapaziada, têm enorme vantagem. Os dossiers são trocados entre as antigas e as recentes, há uma ajuda mútua para estabelecer os materiais e as actividades que se irão seguir mecanicamente venha lá a turma que vier. Afinal, só há um programa, certo?
Mário Nogueira – que eu aconselho a mudar de sindicato porque na Educação o servicinho já está feito e há muitas outras áreas da economia para cristalizar – veio clamar contra os horários aberrantes e fala de professores que entram às 8 e saem às 23. A Ministra parece dar-lhe razão, mas ela é altamente sofisticada na pose, dominando com mestria a psicologia do adversário, temos de esperar. Eis o que podia acontecer, no entretanto: localizarmos esses professores e passarmos uns dias a observar o que fazem na escola. Porque das duas uma, ou são geniais ou são taralhoucos. Mas, seja qual for o caso, o problema não está no tempo de trabalho. Está no espaço que ocupam.
Vício
Blogosfera – Posologia
Os blogues comuns, individuais ou colectivos, são espaços privados de expressão pessoal. O facto de serem também públicos, permitindo leitura e comentários, não anula o seu estatuto pessoal e, antes e acima de tudo, privado. Repetindo pela terceira vez: os blogues são privados e pessoais. Para possuir um blogue basta ter ligação à Internet, email e 5 minutos para gastar. Não é preciso pagar nem apresentar documentos. Pode ter-se tantos blogues quantos à loucura apetecer. É, tão-só, como estar à varanda a discursar para quem passa. Ninguém é obrigado a parar, muito menos a ficar. E qualquer um pode mandar bocas ao orador. Ou é como estar na tasca ou no grémio, falando com quem calhar.
A blogosfera não tem carência de oferta, nem nós temos pachorra para 99,99999% do que existe. Há de tudo para todos e ainda sobra. Mas ela não pode dar o que não existe fora dela. Talvez por isso haja tanta volatilidade, numa intensificação dos processos de ilusão e desilusão inerentes à vida social. Os gostos mudam, os conflitos nascem, as relações alteram-se, as ligações quebram-se. As pessoas cansam-se das outras, cansam-se de si próprias. E deixam de escrever, abandonam blogues colectivos, enterram blogues pessoais. Aliás, um dos grandes prazeres da blogosfera é a despedida, o funeral em vida. Ah, esse alívio de poder concluir alguma coisa, de poder acabar, desaparecer, e essa perda ser um ganho. É que os blogues não custam nada a criar, não custam nada a manter e podem deixar-se ao abandono, ou serem apagados, com a indiferença de quem larga o jornal de ontem na mesa do café.
Contudo, sem o acrescento de inteligência que resulta de ler, dialogar, debater, discutir, brincar e escrever na blogosfera, sem o convívio com a inteligência dos outros, da tua tão maior e melhor inteligência do que a minha por ser tua, ficaria privado de nutrientes essenciais para a liberdade que me rege.
Não temos de concordar uns com os outros. Basta que discordemos com inteligência.
O nosso Zé de laranja Lima
Quando Cavaco escrever as memórias do sua passagem por Belém, talvez relembre com gosto o que sentiu na manhã do dia 25 de Junho de 2009. Até lá, temos os factos vistos de fora: um Presidente da República lançou uma suspeição acerca de um negócio inexistente, deixando no ar a possibilidade de estar em curso uma conspiração governativa para levar uma empresa a comprar parte de outra com o único fim de limitar, ou anular, a liberdade de informação; em especial no que dissesse respeito aos casos danosos para a imagem do Primeiro-Ministro. O alarme social causado foi intencional, procurando diminuir a credibilidade do Governo já cercado por suspeições artificiais de enorme desgaste desde 2007. A possibilidade de manipulação da TVI, entretanto, era em si um absurdo que não teria qualquer possibilidade de acontecer, como se veio a demonstrar de imediato pelo Governo e PT. Ou seja, ao mesmo tempo que exigia ética e transparência, Cavaco agitava o espantalho do Freeport e chafurdava na campanha negra. Hoje, sabemos que tal acto não foi uma excepção, bem ao contrário: obedece a um padrão.
TOP 10 da Estupidez
Estamos em meados de Janeiro e já é possível antecipar uma das entradas do TOP 10 da Estupidez para 2010: as queixas de que a RTP quer calar Marcelo. Irra, que é preciso ser estúpido.
Primeiro, ninguém cala Marcelo. Ele fala onde quiser, quando quiser e como quiser – se não for na RTP, será na TVI ou na SIC, obviamente. Ou no Youtube. E ainda lhe pagam, muito. Depois, o último interesse da RTP é o de perder um sucesso de audiências que, ainda por cima, é já um clássico da TV em Portugal. Por fim, este caso nasce da decisão de saída de Vitorino, e respectivo contexto político-regulamentar para o duo.
Maria Filomena Mónica é a papisa deste grupo de estúpidos, ao ter explicado assim o processo em curso: Sócrates quer vingar-se de Marcelo, arranjou aliados no PSD, Vitorino é um vendilhão e a liberdade está ameaçada. Ou seja, para a Mónica, uma vingança à maneira passa pela elevação ao estatuto de mártir de um figadal inimigo, com o consequente aumento do seu valor, notoriedade e poder.
Incrível cabeça que ousa expressar tão brilhantes raciocínios? Incrível é a suspeita de que esta socióloga repete o que se diz no seu círculo de amizades e conhecimentos. Quando se trata de medir a estupidez em Portugal é preciso começar sempre pelo número de votos no PSD nas últimas legislativas. Só para começar.
Quem vê TV
Eduardo Pitta e Francisco José Viegas muito oportunos e pertinentes.



