Caça às metáforas

Parece que os membros do Governo não podem usar metáforas nas suas intervenções públicas. Porquê? Porque há um grupo de desempregados mentais, com muito espaço neuronal sem exercício regular, que protesta contra o esforço que uma metáfora lhe exige. As metáforas são tramadas porque obrigam a pensar. Pedem interpretação, entendimento dos contextos, ponderação dos significados, escolha do sentido.

É muita areia para as suas cachimónias, eles são mais é refrescos.

10 thoughts on “Caça às metáforas”

  1. É a crise Val. Já não chega apertarmos o cinto. Agora temos que apertar também a gargantilha e deixarmos essas coisas das sátiras, metáforas e o diabo a sete para as elites. Senão eles ficam aborrecidos e é uma gaita porque não gastam o pilim que sustenta a passarada.

  2. Coitaditos sem nenhuma pena deles. Mais tarde ou mais cedo vão ter que aprender a voar porque é indecoroso passar-se a vida a pastar.

  3. Totalmente de acordo! Metáforas como «refrescar o olhar» precisam de ser bem contextualizadas para lhes captar o sentido. E o que é que esta metáfora, depois de contextualizada, significa? Ora… se antes da contextualização uma taxa de desemprego superior a 10% significava que estariamos perante um governo falhado (Pinto de Sousa dixit), depois da contextualização (isto é, depois de enquadrada num contexto de governação sócretina) a mesma taxa (ou melhor, uma taxa superior) significa que estamos perante um governo que tudo faz para não a deixar subir ainda mais, porque tem um «olhar mais refrescado», isto é, liberto dos compromissos assumidos na oposição. Um olhar hipócrita, portanto. Melhor, um olhar autista…

  4. E isso sao as metaforas. As semaforas ainda sao piores, qualquer coizinha e logo: trave, pare, nao se mecha, prepare-se, avance, prossiga, acelere, meta logo em segunda, cuidado com essa crianca a brincar na berma, enfim, um martirio cerebral para quem quer ser motorista independente e enjoiar a trip sem interferencia dos deveres da alianca a quanto obrigas.

  5. Desemprego altíssimo, Governo falhado…deixa cá ver, será uma metáfora sobre o açambarcamento dos fundos estruturais lá nos idos anos 80?
    Será a metáfora do enriquecimento instantâneo de meia dúzia de arrivistas?
    Será a metáfora sobre uns gajos do Conselho de Estado que enriqueceram sem fazer muita força e ninguém sabe como?
    Será a metáfora das bonds e obrigações de coisas como o BPP e o BPN e que deram umas valentes mais-valias, metafóricas, claro?
    Será culpa deste Governo o facto de os industriais deste País mandarem milhões por dia para paraísos fiscais ao mesmo tempo que vão a Belém em procissão a pedir que se suspendam as obras Públicas porque o País não tem dinheiro para nada?
    Se é dessas metáforas que o ilustríssimo comentador aí acima prefere e gosta, que posso fazer eu, que de metáforas percebo pouco, quase nada?
    A propósito de governação falhada o que se poderia ainda escrever sobre paraísos como a Espanha, a Grécia, a Austria, a Hungria, a Islândia, a Irlanda, a Eslováquia, a Itália…onde escorria, há bem pouco tempo, o mel e o leite, e onde governos muito semelhantes aos que em Portugal nunca metaforaram coisa nenhuma, mas desgraçaram a economia dos Países, para várias gerações???
    Esta metáfora até eu compreendo!

  6. Claro que os governantes podem usar as metáforas que quiserem !!!!! Mas nós também temos o legítimo direito , dado não termos sido abençoados com o olhar fresco e seguro dos parasitas do erário público , de achar que vão ser precisas doses maciças de um colírio à base de LSD para vermos os negros dados do desemprego em tons de rosa ps , perdão , rosa pastel .

  7. Uma Qualquer asseguro-te que se o colirio for à base de LSD não vês bem em tom rosa pastel, nem sequer deves ver os dados do desemprego…mas tudo bem, com boa vontade percebe-se a metáfora.

  8. Fernando Pessoa, concebeu uma uma metáfora, que diz assim; “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce” . Eu tenho confiança! Mais, até tenho fé, sonhos então nem se fala, só que não consigo crear soluções, falta aqui o modus operandi, o manual de instruções mesmo em inglês técnico que seja.Será que o sr Brown é capaz de trocar isto por miúdos, passar da inspiração à transpiração, como quem diz das palavras aos actos? Vou ter de admitir que aquilo é areia demais para a minha caminheta, e para a dele? Se calhar também é!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.