Na segunda-feira, numa conferência dedicada ao Orçamento, Sócrates disse uma banalidade:
Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias.
À noite, na porqueira do Crespo, ensaiava-se a indignação deturpando à má-fila o sentido da declaração. Dizia-se que Sócrates estava a desautorizar Teixeira dos Santos, o qual tinha recentemente explicado a diferença entre as previsões durante 2009 e o resultado apurado em 2010 recorrendo à mais humilde das confissões: enganei-me mas não engano. Pelo resto da noite, e ainda nesta terça, várias catatuas repetiram a manha de transformarem uma declaração política genérica e indiscutível numa farsa onde o que estaria em causa já não era a decisão de acudir aos necessitados mas o processo de apuramento final do défice. Para estas alimárias, Sócrates teria estado a defender o valor 9,3 por cento como meta específica a alcançar.
Claro que alguns estarão apenas a mangar com o pessoal, mas a maior parte destes camurços há muito tempo que não regista actividade sináptica.


