Todos os artigos de Valupi

Curiosidades do reino da estupidez

Na segunda-feira, numa conferência dedicada ao Orçamento, Sócrates disse uma banalidade:

Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias.

À noite, na porqueira do Crespo, ensaiava-se a indignação deturpando à má-fila o sentido da declaração. Dizia-se que Sócrates estava a desautorizar Teixeira dos Santos, o qual tinha recentemente explicado a diferença entre as previsões durante 2009 e o resultado apurado em 2010 recorrendo à mais humilde das confissões: enganei-me mas não engano. Pelo resto da noite, e ainda nesta terça, várias catatuas repetiram a manha de transformarem uma declaração política genérica e indiscutível numa farsa onde o que estaria em causa já não era a decisão de acudir aos necessitados mas o processo de apuramento final do défice. Para estas alimárias, Sócrates teria estado a defender o valor 9,3 por cento como meta específica a alcançar.

Claro que alguns estarão apenas a mangar com o pessoal, mas a maior parte destes camurços há muito tempo que não regista actividade sináptica.

Génio de Carvalhal

Tareia das antigas. Baile. Recordações do futebol dos anos 80. Gozação suprema para o Pinto da Costa e suas contratações de jogadores do Sporting. E este maravilhoso espectáculo só possível pelo génio de Carvalhal.

Manter o Veloso a médio, para depois mandar embora o Adrien, não está ao alcance de qualquer. Tal como preferir o Saleiro, que talvez ficasse no banco se jogasse no Belenenses. Mas é na colocação de Matías e Pereirinha fora da equipa inicial, ao mesmo tempo que mantém uma actual fraude chamada Moutinho a espalhar mediocridade pelo relvado, que o génio de Carvalhal consegue vergar as evidências para lá do seu ponto de resistência. E dá nisto: uma equipa que não merece o Izmailov.

As derrotas são belas quando dão que pensar.

Mercado da decadência

Já sabíamos que Portugal estava cheio de quem queira que se publiquem escutas sob segredo de Justiça, ainda por cima ilegais e sem relevo criminal. Agora, sabemos que há quem se ofereça para captar, divulgar e explorar pedaços de conversas privadas, usando-as em benefício próprio e com a intenção de causar prejuízo a terceiros. Salazar ri à gargalhada.

Tirando o processo Charrua, que as abéculas bolçam por não terem outro – e o qual acabou com a desautorização ministerial de quem iniciou o processo e ainda com a elevação a celebridade do protagonista -, gostava de conhecer o caso de alguém que tenha sido prejudicado em matérias de liberdade de expressão pelo Governo de Sócrates. Um caso. Basta um.

Entretanto, os jornalistas tentam prejudicar o Governo por razões onde se misturam corporativismo endémico e deboche, não por amor à Cidade. Crespo é um caso de deboche, venha ele do calculismo ou da paranóia. Os textos do JN revelam um autor de género: catastrofismo. Daí a sua aliança com o Medina, outro catastrofista que já conseguiu ter um show na TV.

Estes são os tempos em que os decadentes ocupam os lugares vagos, são usados para entreter. Há uma geração que apodrece frente às câmaras, na tribuna, pendurados na coluna de opinião sem nada que valha a pena conhecer, muito menos lembrar. Servem-se do espaço público para nos massacrarem com a sua derrelicção. E pagam-lhes bem.

Depois do Zé Manel, convidem o Crespo

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

*

O Blasfémias vai ter um novo autor, o celebérrimo Zé Manel. Contudo, não é crível que esta vedeta escreva prosa tão interessante como a que cito. E o universo há-de arrefecer, e esfarelar-se, antes que a Helena Matos sequer ouse sonhar com negociatas onde o palhaço abarbata 147,5 por cento. Assim, apertem-se um bocadinho e acolham o Crespo. É que a sua carreira está ameaçada, ele praticamente já só aparece na televisão e publica livros.

Resolver o problema

Nesta direcção do JN, sou um problema resolvido, Moura Guedes, é um problema resolvido na direcção da TVI, José Eduardo Moniz é um problema resolvido na direcção da Media Capital, José Manuel Fernandes é um problema resolvido no PÚBLICO

Um louco à solta

*

Como é que se poderá resolver o problema do Crespo? A fazer fé nas suas declarações, a solução passa por:

Demitir-se da SIC – exemplo JN
Meter baixa médica na SIC – exemplo Moura Guedes
Ser contratado para vice-presidente de um poderoso grupo de comunicação interessado em comprar a SIC – exemplo José Eduardo Moniz
Ser demitido pelo Balsemão por manifesta incompetência profissional – exemplo José Manuel Fernandes

Se alguma destas opções não for do seu agrado, também pode pegar no Medina, no Pacheco, na Moura Guedes, no Cintra Torres, na Helena Matos, no Carlos Vidal, no João Gonçalves e montar um espectáculo: Freeport Circus A face oculta dos palhaços

Ego-trip

Não gostavas de ter o Primeiro-Ministro, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares, em dia de apresentação do famigerado Orçamento, tão assustados com o teu poder que chegassem ao ponto de perder as estribeiras durante o almoço num local público?

Não gostavas de ter um Governo que existisse apenas para te combater?

Não gostavas de adormecer imaginando que o mundo voltava a ser do tamanho do teu quarto?

Gazeta do optimista

– Temos um Parlamento que a qualquer momento manda embora o Governo e resolve logo os problemas todos.

– Temos um Presidente que a qualquer momento manda embora o Governo e obriga o Parlamento a resolver logo os problemas todos.

– Temos um Ministério Público que denuncia qualquer pressão, mesmo que venha de colegas amigos e seja feita em almoços e telefonemas.

– Temos juízes que autorizam qualquer escuta, mesmo que seja ao Primeiro-Ministro e a mesma não seja legal nem ilegal o conteúdo da mesma.

– Temos jornalistas que denunciam todas as manobras do Governo, não se deixando calar por nenhuma autoridade.

– Temos jornalistas que acusam durante anos seguidos os governantes e os partidos de serem corruptos sem que precisem de apresentar qualquer prova.

– Temos uma casta de colunistas que não gosta de ninguém, mas que continua a querer a atenção de toda a gente.

– Temos palonços famosos a berrar que há anónimos a assinarem textos privados que são publicados em meios privados.

– Temos ainda mais 11 meses do melhor 2010 de sempre.

Esquerda, direita, revolver

Esta infografia explica o fenómeno das eternas discussões que nunca convencem qualquer das partes a aderir, ou conceder, à posição adversária. É que de cada lado está um mundo vasto, origem e abrigo de identidades.

Precisamos de um território que se intrometa entre a esquerda e a direita. Precisamos de novas palavras ou de novas definições. Precisamos daquele tipo heróico de inteligência que ousa confiar no adversário.

Palmadas na Palmira

A França, mais uma vez, está a ser o farol da secularidade. A intenção de proibir os véus em edifícios e transportes públicos irrompe vantajosamente equívoca. O resultado é um debate que favorece ambas as partes, a secular e a religiosa. Os seculares dividem-se entre aqueles que realçam as vantagens da uniformidade cívica e os que protegem a cívica individualidade. Já os religiosos, de diferentes credos, unem-se contra um inimigo comum.

O Jugular lidera este debate na blogosfera, apresentando a mais difícil das posições: mulheres que abominam a violência de origem ou capa religiosa a defenderem tradições religiosas que podem violentar mulheres. Contradição? Não, a questão é que suscita mudança de ponto de vista quando aprofundada: consideram uma violência maior a coerção do Estado, a qual ignora que se pode escolher o véu livremente – e também que a sua proibição pode piorar a situação dessas mesmas mulheres ao lhes retirar poder. A posição que advoga a manutenção do statu quo é a mais inteligente, mas não acaba com o problema, pois há igualmente boas razões republicanas para exigir a interdição do véu. O conflito entre secularidade e religião não tem fim, ou só tem um fim: a derrota política da religião.
Continuar a lerPalmadas na Palmira

Viva o Sporting!

Justíssima, e bonita, vitória do Braga. Os deuses ofereceram-lhe o golo e a burrice dos leões. Mas é uma burrice com mérito, por vir do Carvalhal, um génio. Este génio insiste no Veloso, pé canhão e pólvora seca. Veloso a médio direito é o equivalente a participar no Dakkar com uma Famel Zundapp. Mas Carvalhal prefere a dificuldade, senão perde o interesse e começa a chegar atrasado aos treinos.

Uma coisinha é certa: depois deste jogo, o Sporting continua à frente e cada vez mais perto de ser campeão.

Que caralho de dicionário é este?

Não, caralho. Não queria dizer baralho, caralho. Queria era dizer caralho, por isso o disse. Mas porque caralho haveria de querer dizer baralho quando o que havia a dizer era caralho? Oh, cum caralho… Baralho, caralho?!

Este dicionário, não contente com a exclusão do vernáculo, ainda tem o topete de pôr em causa a literacia do utilizador, insinuando que há algum engano da nossa parte (já agora, faz o teste com punheta para descobrir mais uma genial associação). Desde a crise do Pato com Laranja que não via uma acção tão frontal contra a obscenidade, essa força maligna que nos reduz a seres com liberdade de expressão.

__

Como sequela, ou prequela, do acima exposto, lê um texto do caralho.

Comprem fraldas

Tudo o que Teixeira dos Santos diz das agências de rating, explicando aos distraídos que elas não devem ser confundidas com a Santa Casa da Misericórdia, seria dito pela direita mais vezes, mais alto e mais demoradamente se estivesse no Poder. Nesse caso, apareceriam inchados de nacionalismo bacoco, garantindo que a independência da Grei iria resistir aos algozes da alta finança internacional. Diriam que em Portugal mandam os portugueses, e que para governar existe o Governo.

Como não presta para nada, esta direita faz cocó nas calças e queixa-se da qualidade do ar.

Não, não têm

A saída de José Manuel Fernandes foi lida como cedência da Sonae ao Governo…

Errado. Não houve cedência, mas sim uma guerra entre jornalistas, com culpas para as partes. Um director pode sentir-se cansado. Terá sido uma das razões, pois José Manuel Fernandes deixou de lutar para liderar. Ele era acusado – e bem acusado – de não criar climas de consenso no jornal. Deixou-se desautorizar.

– As razões de saída foram então internas e não propriamente políticas?

Cansaço, se quiser. Provavelmente, concluiu, com o andar do tempo – e ele reconhece – que podia ter feito melhor. Perdeu poder. E quando um director, seja de que empresa for, deixa de mandar com alguma firmeza, cada dia que passa é pior. Ele concluiu que se tinha esgotado o seu tempo. Continua a colaborar, agora na qualidade de comentador. Escreve mais ou menos da mesma maneira, mas já não tem responsabilidade na linha editorial.

Via Câmara Corporativa

*

Durante meses e meses, passarões de muito alimento político e mediático garantiram-nos que a saída do Zé Manel era uma prova da asfixia democrática e da existência de um projecto de poder pessoal qualquer; o qual levaria à entronização de Sócrates e subsequente fecho do Parlamento, e das fronteiras, para mais 48 anos de orgulho solitário. Foram os mesmos que também usaram o João Miguel Tavares como prova da fúria persecutória contra a imprensa livre, mas só até ao dia em que o coitadinho viu o mercado recompensar a estratégia de ocultamento seguida. Então, e também para reposicionar a sua marca após as eleições legislativas, contou uma versão dos acontecimentos que os cães de fila da Política de Verdade comeram e calaram. Os mesmos, sempre os mesmos, que berraram histéricos contra uma empresa privada por esta ter acabado com um peculiar jornalismo fundado na esperança de que uma potência estrangeira aterrasse na Portela com um mandado de captura para o Primeiro-Ministro.

Não têm vergonha?

Orçamentos grátis

Quando for eu a mandar nesta merda toda, obrigo os partidos da oposição a apresentarem os seus orçamentos alternativos. Adorava ver o que aquelas inteligências elaboravam no fogo da responsabilidade.

Como é que o BE e o PCP fariam a divisão dos recursos, sabendo-se que iriam aumentar e dar subsídios de desemprego a qualquer marmanjo sem vocação para o trabalho, proibiriam os despedimentos, prenderiam os patrões, fariam chegar os cuidados de saúde ao cu do mundo e transformariam as pensões de miséria em pensões de fartura? Qual seria o défice resultante das propostas eleitorais desses partidos?

E como é que o PSD e CDS diminuiriam o défice, sabendo que também pretendem baixar impostos, acabar com taxas, diminuir os pagamentos ao Estado? Como é que eles fariam o emagrecimento da Função Pública, onde e quanto cortariam? Como é que diminuiriam o desemprego se o actual desemprego é causado por factores externos?

Venham daí esses orçamentos. Não custa nada.

Much ado about nothing

PSD e CDS começaram a nova legislatura com a cassete da maioria parlamentar e de como o Governo tinha de se sujeitar às novas regras. Entretanto, o Governo preparava a elaboração e aprovação do Orçamento desde a primeira hora após ter tomado posse. Chegada a hora da verdade, PSD e CDS tiveram juizinho.

Fica como um dos maiores enigmas da política nacional isto destes dois partidos só terem juízo uma vez por ano, ou menos.

Vamos com os cães

Um casal de bifes começou a fazer contas à carne necessária para alimentar um cão. Resultado: dois Pastores Alemães consomem mais durante um ano do que a média de um habitante no Bangladesh. Não contentes, continuaram a irritar os amigos dos animais, agora fazendo contas à pegada ecológica. Resultado: ter um rafeiro qualquer gasta mais recursos do que ter um carro de alta cilindrada. Os que prefiram gatos não têm motivos para ronronar, bem pelo contrário. Até possuir um cágado é razão para nos borrarmos de medo com os cálculos deste casalinho que não começou hoje a pensar na saúde do Planeta.

A população humana duplicou nos últimos 50 anos, mas a exploração de recursos naturais quadruplicou. E a China só há pouquíssimos anos começou a ter classe média, hoje é o maior mercado automóvel do Mundo. A Índia também acelera os seus níveis de consumo, assim como todos os países em desenvolvimento. A meta são os padrões de consumo dos EUA e Europa. Mas a menos que se comece a plantar trigo na Lua, algo de completamente errado está a passar-se neste pintelho da galáxia. O animal em nós está a devorar o seu próprio corpo.