Não, não têm

A saída de José Manuel Fernandes foi lida como cedência da Sonae ao Governo…

Errado. Não houve cedência, mas sim uma guerra entre jornalistas, com culpas para as partes. Um director pode sentir-se cansado. Terá sido uma das razões, pois José Manuel Fernandes deixou de lutar para liderar. Ele era acusado – e bem acusado – de não criar climas de consenso no jornal. Deixou-se desautorizar.

– As razões de saída foram então internas e não propriamente políticas?

Cansaço, se quiser. Provavelmente, concluiu, com o andar do tempo – e ele reconhece – que podia ter feito melhor. Perdeu poder. E quando um director, seja de que empresa for, deixa de mandar com alguma firmeza, cada dia que passa é pior. Ele concluiu que se tinha esgotado o seu tempo. Continua a colaborar, agora na qualidade de comentador. Escreve mais ou menos da mesma maneira, mas já não tem responsabilidade na linha editorial.

Via Câmara Corporativa

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Durante meses e meses, passarões de muito alimento político e mediático garantiram-nos que a saída do Zé Manel era uma prova da asfixia democrática e da existência de um projecto de poder pessoal qualquer; o qual levaria à entronização de Sócrates e subsequente fecho do Parlamento, e das fronteiras, para mais 48 anos de orgulho solitário. Foram os mesmos que também usaram o João Miguel Tavares como prova da fúria persecutória contra a imprensa livre, mas só até ao dia em que o coitadinho viu o mercado recompensar a estratégia de ocultamento seguida. Então, e também para reposicionar a sua marca após as eleições legislativas, contou uma versão dos acontecimentos que os cães de fila da Política de Verdade comeram e calaram. Os mesmos, sempre os mesmos, que berraram histéricos contra uma empresa privada por esta ter acabado com um peculiar jornalismo fundado na esperança de que uma potência estrangeira aterrasse na Portela com um mandado de captura para o Primeiro-Ministro.

Não têm vergonha?

11 thoughts on “Não, não têm”

  1. O interessante foi saber que o Manuel Fernandes (não o do Setubal, atenção) afinal tinha metade da redacção contra si e a saída do email cá para fora foi um putsch interno para desalapar o ex-maoista/leninista e simultâneamente (mas talvez secundariamente) repôr um pouco a noção de vergonha nos escaparates nacionais.

  2. Ola Valupi,

    Ja que insistes, la fui ler a prosa do tal de Tavares. Exactamente o que eu esperava : um jovem acéfalo (na minha modesta opinião) que demonstra ter vivido até hoje, e ter como plano de carreira continuar a viver muitos anos, da nossa propensão nacional para preferir a telenovela à realidade. Propensão ou tara, conforme as opiniões (eu inclino-me mais para a segunda).

    Não sei se o qualificativo ainda é adaptado para um texto que se aproxima a esse ponto da excelência no vazio total de conteudo, mas se vejo algo de “positivo” no artigo que linkaste, é a confissão de que o articulista foi sempre livre de expressar as suas opiniões, liberdade que torna a sua manifesta cretinice ainda mais problematica.

    Felizmente não diz para onde vai. De qualquer forma, ha fortes probabilidades de o “jornal” que o acolher se incluir no vasto grupo daqueles que eu NAO compro, nem episodicamente.

    There are more things…

  3. Foi para o CManhã. Embora ficasse bem em qualquer outro já que independentemente do formato são todos mais ou menos tabloides. Há o tabloid-chic, o tabloid- new tech, o tabloid-hillbilly, etc…

  4. K,

    tinha muito mais do que metade da redacção contra si, é o que te digo. Além dele, a base de apoio consistia em mais meia dúzia que estão em missão de doutrinação (ainda).

  5. Acredito Edie. Mas olha que aquilo não ficou muito melhor. Atenta bem n’”A Frase” escolhida da edição digital (geralmente estas escolhas dizem mais sobre o posicionamento dos “jornais” do que as noticias plantadas e os “telexes” da Lusa):

    “Desempregados deviam fazer limpeza de matas”.
    António Saraiva, presidente da CP, “Jornal de Notícias”

    Se já existe o despudor (que é de aplaudir) de citar um critico das ultimas afirmações do patrão, reafirma por outro lado o enorme apego a teses neoliberais e passadistas que podem ter inumeras repercussões na saude dos desempregados. É que as matas são porventura o unico sítio onde temos o melhor “ataque” (já que na selecção passamos a recrutar no mercado internacional) mas é um ataque perigoso a que os desempregados não se podem sujeitar sem primeiro:

    a) terem um subsidio extra para se defenderem das atacantes enquanto limpam as matas.
    b) Terem um subsidio extra para os tratamentos medicos resultantes dos ataques.

    Logo só com esta medida o orçamento de estado levava um rombo no PIB que poria em causa as medidas em vigor.

    Esta medida só resultaria se primeiro se aproveitasse para 1º equipar as matas com equipamentos de qualidade que assegurassem tanto às atacantes como aos atacados no geral e desempregados no particular o conforto e segurança necessarios ao exercico de ambas as funções.Isto é investimento de qualidade e de proximidade.
    2º profissionalizar e incluir numa qualquer carreira da função pub(l)ica o estatuto das atacantes, dando assim inicio a um nicho de mercado que poderia atrair imensas divisas atraves do turismo.

    Para não me alongar mais diria que “A Frase” do pub(l)ico é propria de quem numa mata só divisa a arvore e não a floresta.

  6. Há muitas coisas que me irritam profundamente na Comunicação Social. O trabalharem constantemente por encomenda, é das que me desfaz o fígado.

    Reparem bem nas perguntas que são feitas: ” foi lida como cedência da Sonae ao Governo…”; “foram então internas e não propriamente políticas”

    Se isto não é “lavagem de imagem” não sei o que será!…

  7. O mestre Ferreira Fernandes sabe malhar forte e feio.
    Esse pulha do João Miguel Tavares não merece melhor que o canalhiat inglês….
    “Uma lição em forma de pontapé
    por FERREIRA FERNANDES25 Janeiro 2010 (DN)
    Faz hoje 15 anos que um grande jogador de futebol reconheceu em mim um igual. Já escrevi muitas crónicas sobre as trivelas de Quaresma e o silêncio do estádio antes dos livres de Eusébio, mas nenhum pontapé me marcou mais do que aquele mawashi-geri, pontapé de arte marcial, que Cantona deu há 15 anos. Sim, deve ter marcado também o peito do canalhita que ao ver passar aquele atleta possante lhe lançou: “Volta para França, mais a puta da tua mãe.” Cantona acabava de ser expulso, num jogo do seu Manchester United contra o Crystal Palace. Descera a gola alta com que habitualmente jogava, símbolo da sua entrega ao jogo, e foi com gola de cidadão comum que regressava ao balneário. Foi então, a dois passos, que um rapazola o insultou, julgando-se protegido pela contenção que agarra as vedetas. Há fãs, adeptos, eleitores – gente comum – que alimentam este complexo de inferioridade: podemos dizer tudo aos famosos porque eles estão açaimados pelo medo do escândalo… Pois, apesar disso, Cantona voou para o cobardola. E com aquele pontapé soberbo ele disse que não me desprezava, tinha-me por responsável pelo que eu dizia. Nunca uma pessoa que me fascinava me deixou tão claro que tínhamos um negócio entre iguais. Ele, dono da bola, e eu, dono dos meus aplausos e apupos.”

  8. O Mundo quando foi criado teve por finalidade saber acolher toda a gente. Quando Adão e Eva não se souberam comportar no Paraíso, foram expulsos e qual foi a opção que lhes restou? Vir viver para o Mundo. Que eu saiba é pecado pôr termo à vida e nesse tempo não era voga tal atitude, mais a mais com tais inquilinos. Se não era o que restava para muitas das personagens actuais.
    Dito isto, qualquer trabalhador, ser humano, no seu dia-a-dia tem de viver e fazer-se ao caminho, para afrontar tal concorrência. Sabemos que existem os mais e menos dotados mas, no seu dia-a-dia ambos têm de sobreviver. Depois quem os atesta? São os sindicatos que tudo fazem para defenderem os seus associados tenha valor ou não. É como se costuma dizer, farinha do mesmo saco.
    Se existisse uma entidade independente a fiscalizar este tipo de gente, íamo-nos rir com a quantidade de produto contrafeito. Assim todos têm lugar neste Mundo e as prateleiras das redacções da comunicação social tanto escrita como falada faz a sua defesa. Se assim não fosse desvalorizavam o seu produto. O que interessa é o conteúdo e não o seu valor.
    Por isso digo, que diferença de escrita, de postura, entre José Manuel Fernandes e João Marcelino, entre Ferreira Fernandes e João Miguel Tavares. Só quem os não lê é que não reconhece essa diferença. Mais exemplos havia para dar mas não os quero valorizar com a publicidade que lhes faça.
    Vou acabar como comecei. O Mundo tem de estar preparado para conviver com tudo o que lhe aparece. Não pode fazer exclusões e tem-se que viver com aquilo que se tem. Quando a sementeira é fraca a colheita não pode ser melhor.

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