Vamos com os cães

Um casal de bifes começou a fazer contas à carne necessária para alimentar um cão. Resultado: dois Pastores Alemães consomem mais durante um ano do que a média de um habitante no Bangladesh. Não contentes, continuaram a irritar os amigos dos animais, agora fazendo contas à pegada ecológica. Resultado: ter um rafeiro qualquer gasta mais recursos do que ter um carro de alta cilindrada. Os que prefiram gatos não têm motivos para ronronar, bem pelo contrário. Até possuir um cágado é razão para nos borrarmos de medo com os cálculos deste casalinho que não começou hoje a pensar na saúde do Planeta.

A população humana duplicou nos últimos 50 anos, mas a exploração de recursos naturais quadruplicou. E a China só há pouquíssimos anos começou a ter classe média, hoje é o maior mercado automóvel do Mundo. A Índia também acelera os seus níveis de consumo, assim como todos os países em desenvolvimento. A meta são os padrões de consumo dos EUA e Europa. Mas a menos que se comece a plantar trigo na Lua, algo de completamente errado está a passar-se neste pintelho da galáxia. O animal em nós está a devorar o seu próprio corpo.

18 thoughts on “Vamos com os cães”

  1. Há uma solução, descer o nível de vida dos EUA, assim o dos chineses crescerá menos e não será necessário semear trigo na lua ;)

  2. Bem verdade caro Val, a insustentabilidade deste “sistema de coisas” do sec. XXI não nos pode levar longe… Até porque a selecção natural já foi pervertida pela espécie humana, aumentando a nossa longevidade o crescimento é exponencial é inevitável, a civilização incorre no risco de autofagia…
    Mas não se preocupe, isto também contece permanentemente com as bactérias, afinal não seremos assim tão inteligentes nem tão importantes no Universo como gostaríamos de ser…

  3. Posso corroborar o que diz o João Pedro. Eu quando apanho uma cadela reduzo significativamente a minha pegada e com o passar da idade devido à desaceleração do meu metabolismo celular fico mais tempo off, o que é bom para não aumentar o nivel de carbono na atmosfera.

  4. No entanto como privilegio o método cientifico no próximo ano irei à Oktoberfest para verificar o que acontece com as cadelas alemãs.

  5. Valupi,

    Lamento bastante ter de informar-te, por escrito, que nao estou de acordo contigo. Mas como nao estar de acordo contigo e, ao fim e ao cabo, nao estar de acordo com quem te meteu essas enzonas na cabeca, sei que nao te vais ofender so pelo efeito de carambola. De facto, a intencao obvia desses propagadores do medo e da inevitabilidade do desastre, que existe mas sob outras capas, e a de mandar os pastores alemaes, e especialmente os cagados, numa ‘guilty trip’ sem destino e sem cura mesmo com a ajuda dos melhores farmacos.

    E nao e que todos estes terrores e alarmes nao acabam sempre com o medo supremo da explosao demografica?

    Gente a mais? Acho que nao. O que temos e gente com doencas a mais, que tanto pode ser devido tanto ao facto de comermos pouco, como ao de comermos muito e estragado (a minha explicacao favorita). Falta de espaco? Acho que nao. Pega no lapis.

    Num quadrado de cem metros com quatro edificios de 15 andares e quatro apartamentos por andar, um a cada canto para nao encobrirem o sol, podiam viver a vontade 1200 pessoas e ainda sobrariam 3/4 de terreno para jardinagem, horticultura, etc. Num quilometro quadrado seriam entao 12000 e na area do distrito de Setubal acabariamos com a bonita figura de 60 milhoes de mecos, todos inscritos no registo eleitoral, que e mais ou menos a populacao de Franca em cujo territorio caberia nestas circunstancias de conforto a populacao do globo. Se precisares de estradas e arruamentos para andares as voltinhas entre A e B e so pegares numa fatia dum pais qualquer a tua escolha e fica o problema resolvido.

    Isto e apenas no campo das suposicoes e das teorias quimericas deitadas abaixo por arquitectos. Mas proponho este modelo real para nao dizeres que nao vais daqui. O pais de jeito no Mundo inteiro, esquecer os Monacos e as Andorras, com a mais alta densidade demografica e Malta, no Med., com 300 e tantos habitantes por Km2. Mesmo assim, essa ilha cheia de calhaus consegue produzir 30 por cento daquilo que come, e nao se consta que os seus habitantes durmam uns sobre os outros. Ha vilas e chalets com piscinas, apartamentos de luxo e bons hoteis, como em qualquer lado, excepto no Dubai. Com esta densidade por Km2, de acordo com os meus numeros, a populacao mundial caberia em pouco mais de metade da Australia.

    Do your work before scaring me again. My poor heart cannot take it. Could it be something in the fucking bread, potatoes, tomatoes, et, etc, etc,?

  6. Dois pontos que rebatem os profetas da desgraça:
    – Green Revolution (não, não é a do Irão)
    – Africa

    Era na altura muito pequeno para prestar atenção, mas esses argumentos já foram feitos histericamente nos anos 60 e 70, se bem me lembro, num livro chamado “The population bomb”, onde se previa fomes maciças para os anos 70/80 devido à escassez de recursos. Não só não ocorreram, como as populações que se previam estar mais em risco, na Ásia e Continente Indiano, progrediram no seu standard de vida extraordinariamente.

  7. Não se trata apenas da capacidade de produzir mais alimentos, mas de um estilo de vida consumista que leva ao desaparecimento de recursos não recicláveis, como combustíveis fósseis, minerais, habitats naturais e espécies vegetais e animais. Estamos a falar de factos, não de cenários futuros.

  8. Não sou nem nunca fui um “yes man”, mas sou obrigado a concordar contigo, Val. Estamos a gastar recursos com uma velocidade, que nos está a arrastar para um futuro muito, mas mesmo muito incerto. Sinceramente, não quero imaginar o que se irá passar daqui a uns anos, quando os meus filhos tiverem a minha idade e os meus netos forem adultos. Não tenho geito nem tendencia para profeta da desgraça, mas que isto vai dar para o torto, lá isso vai.

  9. Val,

    Fazes-me lembrar o nosso comum amigo, JCF. Os alimentos la produzir-se, produz-se, mas muitas vezes levam o fim que levaram os leitinhos derramados em rios por agricultores por essa Europa farta. Lembrem-nos do que se passou aqui ha meses. Tambem nao se perdeu nada.

    Os combustiveis fosseis sao uma arma politica e um instrumento estrategico imperialista. Ha outras formas de captar e distribuir energia. Depois a recente saga haitiana, com todo o ouro negro e amarelo escondidos no subsolo, e a entrada em cena da tropa anti-terramotica de ocupacao.

    Mas que minerais, especies vegetais e animais estao a desaparecer? A alterar-se, talvez, mas nao a desaparecer. Pensando bem nisso, quem sabe, teras razao: ja ha muito tempo que nao vejo pardais nos jardins. Sera esse habito perene que eles tem de comerem o grao do nosso pao?

  10. Antonio Manso,

    E isso mesmo. Mas voce tambem pode contribuir para que nao gastemos recursos a tal velocidade. Por exemplo, no sabado, em vez de ir ao supermercado de carro, vai de bicicleta ou a pe. Se todos nos unirmos e tomarmos atitudes deste tipo, as tantas somos um, um inspirado pelo Santo Protector do Recurso.

  11. Obviamente que existe um problema. Mas a Humanidade é como a Selecção Nacional, sofre-se muito mas no ultimo jogo lá nos apuramos.

  12. Val,

    So largo o vinho quando fores tu a pagar. Por ora, firmo os dedos de ferro a volta do gargalo da garrafa deste argentino de 14 graus, cheio de antocianos e polifenois milagrosos. E ve se ganhas maneiras, senao mando-te ires tirar um curso relampago ao IPRI. Ora nao querem la ver!

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