Curiosidades do reino da estupidez

Na segunda-feira, numa conferência dedicada ao Orçamento, Sócrates disse uma banalidade:

Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias.

À noite, na porqueira do Crespo, ensaiava-se a indignação deturpando à má-fila o sentido da declaração. Dizia-se que Sócrates estava a desautorizar Teixeira dos Santos, o qual tinha recentemente explicado a diferença entre as previsões durante 2009 e o resultado apurado em 2010 recorrendo à mais humilde das confissões: enganei-me mas não engano. Pelo resto da noite, e ainda nesta terça, várias catatuas repetiram a manha de transformarem uma declaração política genérica e indiscutível numa farsa onde o que estaria em causa já não era a decisão de acudir aos necessitados mas o processo de apuramento final do défice. Para estas alimárias, Sócrates teria estado a defender o valor 9,3 por cento como meta específica a alcançar.

Claro que alguns estarão apenas a mangar com o pessoal, mas a maior parte destes camurços há muito tempo que não regista actividade sináptica.

7 thoughts on “Curiosidades do reino da estupidez”

  1. A questão é se há muito tempo não regista, ou nunca registou?

    Por acaso Val, tu, ou algum dos nossos amigos, sabem o que quer dizer “nharro”? Desde a infância que me lembro de ouvir esse termo sem nunca ter percebido concretamente o significado.

    Parece-me que, graças ao teu blogue, breve chegarei à essência do termo.

  2. O problema é que esta “gente” não percebe patavina do que Sócrates diz. Tal é o tamanho das asfixia ou probreza intelectual.

    Para ajudar à festa, temos esta brilhante Comunicação Social. Ontém, no telejornal da RTP1, perdi a conta às vezes que Paulo Portas apareceu a dizer, básicamente, nada. Até parecia que o editor de noticias se tinha demitido das suas funções.

  3. Ó Val, na minha terra diz-se camurros, corruptela de casmurros! Mas talvez tenhas querido referir-te a uma cambada de camelos e ursos. Olha que eu não sei como classificar a gentalha que produz aquelas encrespadelas! Escumalha da nossa sociedade…é curto. E não estou a ver puta lusa capaz de tão reles partos!

  4. Conheço nharro, sim senhor, tra.quinas. Creio que é um daqueles casos em que o significado é livre, depende do orador e da ocasião. Para mim, é o mesmo que bronco.
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    Sinhã, grande verdade.
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    Carmen Maria, bem visto. O Portas é um psitacista.
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    Mário, “camurros” não conhecia. Mas gosto!

  5. Costumo utilizar o termo naqueles casos em que alguém transborda felicidade por se fazer passar por ignorante. Ou por nos fazer passar a nós. Em política é muito comum.

  6. Val, se gostaste podes usar, que é o mesmo que casmurro. Mas para classificar aquela gente é leve, levezinho. Camurços é que não encontrei.

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