Tempo e espaço

Há factos acerca dos professores que só os próprios podem revelar. Por exemplo, o tempo que gastam a preparar as aulas. Se lhe der na telha, um professor pode dizer que nem dormiu para preparar a aula do dia seguinte ao 7º B. Ou que já a vinha a preparar há 6 meses. Vale tudo, e tudo foi utilizado para boicotar o modelo de avaliação desenvolvido por Maria de Lurdes Rodrigues. Esse modelo tentava medir objectivamente a produtividade escolar, por isso requeria que o professor desse mostras de um conjunto suficiente de competências que ultrapassassem a sua fortaleza inexpugnável: o sacrossanto mistério pedagógico que apenas acontecia dentro de uma sala de aula, sem a presença de estranhos à família.

Acontece que o professor médio não perde tempo a preparar as aulas, esta é uma descoberta que se faz no primeiro ano da profissão. Os desafios cognitivos necessários para estar a repetir informações básicas durante 40 minutos, ou menos, para uma audiência de menores são mínimos, quase nulos. E as mulheres, sempre mais organizadas do que a desmazelada rapaziada, têm enorme vantagem. Os dossiers são trocados entre as antigas e as recentes, há uma ajuda mútua para estabelecer os materiais e as actividades que se irão seguir mecanicamente venha lá a turma que vier. Afinal, só há um programa, certo?

Mário Nogueira – que eu aconselho a mudar de sindicato porque na Educação o servicinho já está feito e há muitas outras áreas da economia para cristalizar – veio clamar contra os horários aberrantes e fala de professores que entram às 8 e saem às 23. A Ministra parece dar-lhe razão, mas ela é altamente sofisticada na pose, dominando com mestria a psicologia do adversário, temos de esperar. Eis o que podia acontecer, no entretanto: localizarmos esses professores e passarmos uns dias a observar o que fazem na escola. Porque das duas uma, ou são geniais ou são taralhoucos. Mas, seja qual for o caso, o problema não está no tempo de trabalho. Está no espaço que ocupam.

77 thoughts on “Tempo e espaço”

  1. Vá , cala-te lá com a cena. Quem dera à sociedade que a escola estivesse virada prós alunos e não para essas cenas dos profs com carreiras legisladas quando os profs eram maioria na assembleia.
    ( eu até gosto da cena de escola com poder minus , significa poder maior à família , o que nesta sociedade esquizofrénica democrática representada por burros , é bem bom . Ainda que me está a custar conformar-me com ter de ser eu a ensinar em vez de aprender com as gerações escolarizadas mais novas. fenómeno nunca visto , acho. )

  2. É evidente que a preparação de aulas é uma mistificação para fugir à avaliação. Sou professora e garanto que 90% dos professores não prepara aulas coisíssima nenhuma ou faz uma preparação mínima , “utilizada”depois todos os anos. Quanto à permanência na escola muitas horas é outra aldrabice. São raros os professores que estão na escola mais do que 3h por dia, na melhor das hipóteses.

  3. Freud explica isto! A tua fixação só pode derivar de problemas mal resolvidos com o professor de ciências do 7 ano. Na altura a homossexualidade não era lá muito bem vista

  4. 3×5=15
    o horario é de 22 horas.
    obviamente a clara martins não é muito dada à matematica, nem a tabuada sabe. Uma professora que nem a tabuada sabe, está mesmo mal o ensino em portugal.

    comentario machista, as mulheres ajudarem-se mutuamente mais que os homens? em que planeta?

    comentario cientifico-pedagogico, isto referindo-se às ciencias naturais, na maior parte dos casos o basico é o mais dificil de explicar, exige uma boa preparação, em assuntos mais complexos, o professor pode esconder-se atrás dos calculos rebuscados, do formalismo. A explicar os fundamentos isso não é possível.
    Suponho que na area do valupi, que imagino ser das letras das tretas isso até pode ser que funcione.

    Ó valupi, mas isso do colaboracionismo, amiguismo entre as professoras só funciona para as trocas de dossiers? Não funcionaria também para as 2 aulas assistidas? Ainda por cima assistida por uma colega de muitos anos, em datas previamente acordadas entre ambas?
    Isto sem contar o pequeno pormenor de a avaliadora poder ser uma professora de frances a avaliar uma colega de alemão.

    Eu não sou professor do ensino secundario, concordo que é necessario fazer uma avaliação periodica aos professores mas o modelo anteriormente proposto era uma bosta de tal modo mal amanhada que era preferivel ficar quieto a ocupar dezenas de milhares de professor com uma pseudo-avaliação burrocratizante e totalmente permeavel a vigarices.

  5. Salam ‘aleikum sidi Ibn Erriq, embora não concordando contigo, leio sempre com agrado o tom elevado da tua discordância.O post acima tresanda, esse sim, a…problemas mal resolvidos.
    Será que li mal? É capaz de ser da falta de luz. Vou mudar da mesa do fundo que é deprimente para aquela junto à janela, mais iluminada pela luz desta Lisboa que tanto amo.

  6. Incisivo e preciso, como sempre, Val.
    Quando vi o Sr. Mário Noigueira dizer, o que cita acima, sem se rir estive para escrveer sobre o Tema.
    Mas quando há alguém que o faz melhor do que eu..fiquei à espera do Aspirina B.
    Eu tive um “boss2 ( porque era americano ) que me dizia sobre as pessoas que trabalham imenso para além das horário : ” António : ou são imcompetentes ou querem dar graxa ao chefe.”.
    Como nas escolas não há chefias concluo que muitos destes senhores e senhoras são incompetentes.
    Cumprimentos

  7. Se por hipótese remota, o Mário Nogueira estivesse a falar verdade, deveria ser demitido já.

    Porque raio será, que um dirigente sindical desta envergadura, sabendo que os prof. trabalham das 8 da manhã às 23 da noite, ainda é sindicalista chefe. Só agora é que percebeu o que se passa, após anos duma exploração laboral digna da era da revolução industrial do sec. XIX ?!

    Por favor!…

    Este homem devia ter vergonha de dizer tantas patetices.

    Será que ele como sindicalista, não percebe que está a ofender pessoas, que em áreas de actividade especificas, trabalham exactamente este nº de horas, ou algo semelhante (ex. hotelaria)?!

    Também não será a despropósito que o PC está a abordar esse tema, o que me parece muito bem. Agora, o que fica mal nesta espécie de táctica politica é colocar uma moldura de mentiras em torno de assuntos importantes, porque dessa forma está criada a base de desacreditação dum problema que é real.

  8. E, se por absuro tal fosse verdade, de quem era a culpa?
    Da Maria de Lurdes Rodrigues e do Sócrates, que têm na mão as chaves de todas as escolas e os livros de ponto de todo o País. Tá-se mesmo a ver! Os malandros!
    Tenham calma que as reivindicações ainda vão no adro..
    Agora só querem discutir o número de aulas por semana.
    Falta o resto.
    Ainda os vamos ver a exigirem dar as aulas por vídeo-conferência, a partir da Bermudas!

  9. Lá vem o ex-«professor» defender o seu modelo de escola e ensino construídos à imagem dos modelos tecnocráticos e empresariais, e que medirá, portanto, as «produtividades» dos professores. Assim, temos que um «bom» professor será aquele que «produziu» mais papelada (se a componente burocrática for o critério de avaliação determinante); será aquele que «produziu» mais aprovações ou boas notas (se a componente resultados falsificados for o critério determinante); será aquele que «produziu» mais aulas divertidas ou originais (se a componente recursos utilizados for o critério determinante); etc, etc. Fora desta avaliação empresarial fica a capacidade do professor para ensinar, e daí que se possa ter um professor bem avaliado (por ser bastante «produtivo) ainda que não seja bom a ensinar. Mas isso pouco interessa ao ex-«professor».
    Mas, por aquilo que o tipo diz, vê-se que o ex-«professor» seria um dos tais bem avaliados segundo o modelo tecnocrático. Porquê? Porque, como ele nos diz, não é preciso preparar aulas, e isso é uma «descoberta» que se faz logo no primeiro ano de profissão, o que nos sugere que essa terá sido uma das «descobertas» que o tipo pôs em prática. «Afinal só há um programa, certo?», diz o tipo. Errado, pá! Um professor tem várias turmas, que podem ser de diversos anos, e portanto com diversos programas, programas esses que até costumam ser revistos e reactualizados. Portanto, todos os anos é preciso adaptar os procedimentos, as matérias, às turmas e aos anos que se lecionam.
    Depois, antes de escrever posts que dizem mais do seu autor enquanto ex-«professor» do que daqueles que são de facto professores, talvez o dito ex conseguisse «pensar» melhor se fizesse umas continhas básicas de matemática: as continhas sobre o horário de trabalho de um professor. Senão, vejamos: um professor tem um horário de 22 horas lectivas, a que se juntam mais umas horas de aulas de substituição, o faz um total de 25 horas semanais. Sobram 10 horas para o «resto». E o que é o resto? Para além da preparação das aulas, também é preciso corrigir testes, entre outras coisas. Ora, um professor costuma ter 5 turmas, cada uma com quase 30 alunos, o que faz um total de 150 alunos. Se fizer dois testes por período tem de corrigir 300 testes. Se o tempo a corrigir cada teste for cerca de 20 ou 30 minutos, isto dá um total de 6000 ou 9000 minutos, ou seja, entre 150 e 100 horas. 150 ou 100 horas a dividir por 8 horas são cerca de 19 dias ou 13 dias. Ou seja, por período um professor gastará em média 16 dias de trabalho a corrigir testes.
    O primeiro período de aulas são cerca de 4 meses, isto é, 120 dias ou 17 semanas. 17 semanas são cerca de 85 dias úteis. E 85 menos 16 dias a corrigir testes dá 69 dias. Ora, se um professor tem 22 horas de aulas por semana isso quer dizer que em 17 semanas dá 374 horas de aulas, o que dividido por 8 horas dá cerca de 47 dias. Os 69 dias de tempo que restavam menos estes 47 dias dá 22 dias. Se os professores tiverem apenas duas reuniões por mês, então estes 22 dias podem passar para 20 dias. Portanto sobram 20 dias para preparar as aulas de um período inteiro, o que dá mais ou menos um dia por semana. Um dia (8 horas) para preparar 5 turmas que podem ser 3 niveis diferentes, e por isso um professor terá 2 horas e meia por semana para preparar as aulas de cada nivel, ou uma hora e meia para preparar as aulas de cada turma. Será suficiente? Para o ex-«professor» pelos vistos seria, mas a verdade é que o que é normal é acontecer o contrário: uma apresentação, ou uma aula, demora sempre menos tempo do que a sua preparação. E se a estas contas acrescentarmos o tempo que os professores gastam noutras tarefas, então pouco restará para preparar aulas em condições. Mas quem é que disse que o tal modelo que avalia a «produtividade» está preocupado com as aulas ou com o ensino?

  10. Pensei que com o último acordo os professores iam finalmente dedicar-se à aprendizagem, mas não, ainda não é desta. Não adiantam acordos nem satisfazer as inúmeras reivindicações, nunca nesta profissão se reconhece que as coisas vão melhorando. Melhoraram os vencimentos, melhoraram as condições de trabalho nas escolas, já não têm de mudar de escola todos os anos, as turmas são mais pequenas (e dividem-se ao meio para leccionar determinadas disciplinas), mas a ministra pode tirar o cavalinho da chuva, não há nada que ponha termo à lamúria, o Nogueira que saiba.
    Admira-me é o facto de todos os anos haver excesso de candidatos a uma profissão que deve ser das mais desgraçadinhas que se podem escolher, porque será?

  11. guida,

    esqueceste-te de mencionar as pensões de miséria (2.500€) que são atribuídas aos professores que concluem a fulgurante carreira no seu topo (i.e. todos os que não abandonem o ensino precocemente).

    Mas eu tinha dito, não tinha? Que havia mais pontinhas para eles se entreterem em reivindicações e paralisações nos próximos tempos…

    Espero que a Isabel Alçada se lembre que o seu compromisso não é só agradar aos professores…Não são eles o objectivo do sistema de ensino.

  12. Edie, não me esqueci do acordo onde as tais pensões de miséria ficaram garantidas para todos. Mas não mencionei, nem de perto nem de longe, todas as melhorias que o sistema de ensino sofreu nos últimos anos. Estão à vista de todos, parece que só os professores é que não deram por elas…

    Tinhas dito e não te enganaste, o Nogueira não falha. Qualquer dia reclamam dos pais mandarem os filhos para a escola sem dominarem as matérias. É que, parecendo que não, ensiná-los dá uma trabalheira. :)

  13. Fiz mal as contas: considerei que o dia de trabalho de um professor eram 8 horas, quando o horário de trabalho da função pública são 7 horas diárias, o que faz um total de 35 horas semanais. Mas sendo assim as contas ainda ficam piores…

    Senão, vejamos: um professor tem um horário de 22 horas lectivas, a que se juntam mais umas horas de aulas de substituição, o faz um total de cerca de 25 horas semanais. Sobram 10 horas para o «resto». E o que é o resto? Para além da preparação das aulas, também é preciso corrigir testes, entre outras coisas. Ora, um professor costuma ter 5 turmas, cada uma com quase 30 alunos, o que faz um total de 150 alunos. Se fizer dois testes por período tem de corrigir 300 testes. Se o tempo a corrigir cada teste for cerca de 20 ou 30 minutos, isto dá um total de 6000 ou 9000 minutos, ou seja, entre 150 e 100 horas. 150 ou 100 horas a dividir por 7 horas são cerca de 21 dias ou 14 dias. Ou seja, por período um professor gastará em média 18 dias de trabalho a corrigir testes.
    O primeiro período de aulas são cerca de 4 meses, isto é, 120 dias ou 17 semanas. 17 semanas são cerca de 85 dias úteis. E 85 menos 21 dias a corrigir testes dá 64 dias. Ora, se um professor tem 22 horas de aulas por semana isso quer dizer que em 17 semanas dá 374 horas de aulas, o que dividido por 7 horas dá cerca de 53 dias. Os 64 dias de tempo que restavam menos estes 53 dias dá 11 dias. Se os professores tiverem apenas duas reuniões por mês, então estes 11 dias podem passar para 9 dias. Portanto sobram 9 dias para preparar as aulas de um período inteiro, o que dá mais ou menos meio dia por semana. Meio dia (4 horas) para preparar 5 turmas que podem ser 3 niveis diferentes, e por isso um professor terá 1 horas e 15 minutos por semana para preparar as aulas de cada nivel, ou 45 minutos para preparar as aulas de cada turma. Será suficiente? Para o ex-«professor» pelos vistos seria, mas a verdade é que o que é normal é acontecer o contrário: uma apresentação, ou uma aula, demora sempre menos tempo do que a sua preparação. E se a estas contas acrescentarmos o tempo que os professores gastam noutras tarefas, então pouco restará para preparar aulas em condições. Mas quem é que disse que o tal modelo que avalia a «produtividade» está preocupado com as aulas ou com o ensino?

  14. tenho muita pena da diabolização a que foram sujeitos os professores, sobretudo como sintoma do que vem aí: porem-nos uns contra os outros, para diluir o verdadeiro inimigo, os bancos que sugam de juros as economias do mediterrâneo. Felizmente que com a perda da maioria absoluta o PS teve de encontrar um outro ponto de equilíbrio e a ministra parece lúcida.

    Quanto ao verdadeiro inimigo – a ganância do capitalismo financeiro – há tomates para ir a ele?

  15. ds, isto é que é rigor! Deu-se ao trabalho de repetir o comentário, mas se é assim tão rigoroso devia ter dito que estas contas não se aplicam à maioria dos professores, pois, as turmas de 30 alunos, caso existam, são uma excepção e não a regra.

  16. Guida, repeti o comentário e parece-me que é preciso repeti-lo novamente, já que a guida não percebeu o que está em causa. E o que está em causa são as falsidades a respeito do tempo de trabalho dos professores com que as cabeças dos sócretinos são inundadas. Para alguém minimamente informado e que saiba fazer contas básicas de matemática (o que não parece ser o caso do desinformador e manipulador de serviço), a mentira de que os professores trabalham pouco e que têm muito tempo livre, não passa de isso mesmo: de uma mentira. Até porque as minhas contas foram feitas por baixo: limitei-me a contabilizar o tempo das aulas, o tempo gasto a corrigir testes e o das reuniões. Agora incluam-se também nesse tempo a elaboração dos testes e de trabalhos assim como a correcção destes últimos, o trabalho das direcções de turma e dos departamentos, as tarefas relacionadas com actividades escolares, e agora também o trabalho burocrático da avaliação, e facilmente se concluirá que não há qualquer tempo disponivel para preparar aulas se se cumprir apenas com o horário das 35 horas semanais.
    Depois, quando a guida diz que as turmas foram reduzidas deve estar a fazer confusão com um outro governo ou tempo qualquer, porque o que o governo anterior fez foi o contrário: determinou, por razões orçamentais claro, que as turmas tivessem mais alunos.
    Mas eu faço-lhe a vontade e vou repetir de novo o comentário, agora com turmas de 25 alunos e com mais algumas considerações finais. Vai ver que a diferença não é muita, e que a conclusão é a mesma: qualquer professor que faça o mínimo trabalha mais de 35 horas por semana.

  17. Senão, vejamos: um professor tem um horário de 22 horas lectivas, a que se juntam mais umas horas de aulas de substituição, o faz um total de cerca de 25 horas semanais. Sobram 10 horas para o «resto». E o que é o resto? Para além da preparação das aulas, também é preciso corrigir testes, entre outras coisas. Ora, um professor costuma ter 5 turmas, cada uma com quase 25 alunos, o que faz um total de 125 alunos. Se fizer dois testes por período tem de corrigir 250 testes. Se o tempo a corrigir cada teste for cerca de 20 ou 30 minutos, isto dá um total de 5000 ou 7500 minutos, ou seja, entre 85 e 125 horas. 85 ou 125 horas a dividir por 7 horas são cerca de 18 dias ou 12 dias. Ou seja, por período um professor gastará em média 15 dias de trabalho a corrigir testes.
    O primeiro período de aulas são cerca de 4 meses, isto é, 120 dias ou 17 semanas. 17 semanas são cerca de 85 dias úteis. E 85 menos 15 dias a corrigir testes dá 70 dias. Ora, se um professor tem 22 horas de aulas por semana isso quer dizer que em 17 semanas dá 374 horas de aulas, o que dividido por 7 horas dá cerca de 53 dias. Os 70 dias de tempo que restavam menos estes 53 dias dá 17 dias. Se os professores tiverem apenas duas reuniões por mês, então estes 17 dias podem passar para 15 dias. Portanto sobram 15 dias para preparar as aulas de um período inteiro, o que dá mais ou menos um dia por semana. Um dia (7 horas) para preparar 5 turmas que podem ser 3 niveis diferentes, e por isso um professor terá 2 horas e 15 minutos por semana para preparar as aulas de cada nivel, ou 1 hora e 30 minutos para preparar as aulas de cada turma. Será suficiente? Não, não é. Porquê? Porque como a guida nos lembrou as turmas de trinta alunos são excepções, mas o trabalho dos professores também não se reduz a dar aulas e corrigir testes. Portanto, temos que subtrair aos 15 dias que sobravam o tempo gasto a corrigir trabalhos e a elaborá-los (se os testes demoram 2 semanas a corrigir, vamos supor que os trabalhos demoram uma semana), assim como o tempo dedicado a direcções de turma e tarefas similares (vamos supor que são precisos 3 dias), e também as actividades extra-curriculares (vamos supor que aqui se gastam também três dias), e finalmente as reuniões de avaliação dos alunos (dois dias) Feitas as contas o que temos? Temos que dos 15 dias que sobravam não resta nada (e as contas são sempre feitas por baixo): 15 – 7 – 3 – 3 – 2 = 0. Restam zero dias para preparar as aulas. Satisfeita, guida?

  18. ds, quem o lê fica com a sensação que isto é uma ciência exacta, mas não é. Há muitas suposições nas suas contas que são incompatíveis com o resultado rigoroso que nos pretende impingir.

    Há muitos professores que, tal como diz o Valupi, fruto da experiência de anos anteriores não têm necessidade de preparar as aulas. Mas há outros que nem com o triplo do tempo para as prepararem as conseguiriam dar de forma satisfatória. Lá vem a questão da avaliação, do facto de os professores não serem todos iguais e desta questão não se poder resolver com a sua matemática básica.

    Quanto ao número de alunos por turma, não sei quem as reduziu, mas sei que tenho dois filhos na escola, um numa turma de 21 alunos e outro numa de 17. Esta de 17 é uma turma de 7º ano em que para as disciplinas de ciências da natureza, físico/química, educação tecnológica e música, a turma é dividida ao meio. Enquanto uns têm uma disciplina os outros têm outra. Para matemática existem dois professores, não sei se é só um ou se ambos corrigem os testes. Ou seja, o que não faltam são excepções às suas rigorosas contas.

  19. Guida, quem diz que um professor só trabalha 22 horas por semana, é que tem a mania que isso é uma «certeza matemática». Se ainda não percebeu, o meu comentário pretende mostrar exactamente o contrário: que o tempo de trabalho dos professores ultrapassa não as 22 horas lectivas semanais, mas as 35 horas legais, por mais pequenos ajustamentos que se façam no número de alunos por turma. Quem diz o contrário ou é um ignorante que não sabe fazer contas, ou um desinformador e manipulador ao serviço do Pinto de Sousa.

  20. Caro DS,

    Se você quer mostrar a sua habilidade em fazer contas, ponha ai os numeros relativos ao tempo de trabalho dos professores (com a repartição tempo de aulas, tempo de preparação) em termos comparativos (salvo erro, ha estudos da OCDE e do BIT).

    Pareceu-me ler, ha uns anos atras, que os professores portugueses (que auferem um rendimento confortavel em termos comparativos) eram os que tinham mais tempo de preparação (menor proporção de horas de aulas em relação às horas de trabalho). Mas não sou especialista e posso estar enganado. Se de facto os professores portugueses têm uma carga horaria de leccionação maior do que noutros paises (especialmente em paises cujos sistemas de ensino atingem melhores resultados), isto dara que pensar…

    De contrario, você so esta a confortar o preconceito de que os professores portugueses são sobretudo mestres em ensinar que é impossivel chegar la, o que me parece ser uma das criticas que se lhes dirige !

  21. joão viegas,

    e todas as semanas têm 3 horas de aulas de substituição. Não sei é quem vão substituir, por estas contas :)

  22. Ò João Viegas, há quem tenha «habilidade» para fazer contas básicas de somar e subtrair. E há quem tenha a habilidade de não as conseguir refutar, assim como a habilidade em papaguear a propaganda sócretina, como é o caso dessa sua conversa àcerca dos supostos altos rendimentos dos professores, quando já é sabido que essa foi mais uma manipulação sócretina, que decidiu comparar apenas os escalões mais elevados (porque se a comparação envolvesse todos os professores a conclusão já seria diferente).
    Assim, meu caro, se você quer consultar os dados de que anda à procura vá ao google e procure você, que eu não tenho «habilidade» para ser criado dos outros. Mas, olhe, de qualquer forma eu até lhe dou uma ajuda: vá ler a notícia de hoje do DN relativa aos horários dos professores: o título é «Professores portugueses têm dos horários mais carregados».

  23. ds estive a ler os comentários desta caixa e a ver as suas contas mas parece-me que falta aqui um pequeno mas interessante elemento – os professores têm, por ano, pelo menos dois meses em que não dão aulas. Será que esse tempo de férias escolares não podia ser aproveitado para preparar algumas aulas? É que nas suas contas não percebi que o tivesse contabilizado.

  24. Ò Tereza remeto-a para a resposta que dei à guida. È que parece que está díficil perceber o que está em causa, mesmo fazendo contas que desmontam as «certezas matemáticas» da propaganda sócretina: e o que está em causa, volto a dizer, é que a grande maioria dos professores trabalha mais de 35 horas por semana. Esses «dois meses» de férias (e são dois menos o um a que todos têm direito, ou são mesmo mais dois, ou seja três?) que a Teresa «descobriu» são preenchidos com preparação de aulas, mas não só (ou seja, com tudo o resto que faz ultrapassar as tais 35 horas semanais).

  25. ds eu não descobri nada e sim, são dois meses, o terceiro são as férias. mas se quer fazer contas vamos lá a isso – os professores só dão aulas a um ciclo portanto poderão ter, no máximo, 3 anos diferentes e três programas diferentes. quanto tempo acha, em dias, ou horas, que poderão demorar a preparar as aulas? É que parece-me que ainda sobram muitos dias desses dois meses em que não leccionam. Para além disso em quase todas as escolas há professores que não têm horário, não dão aulas. Esses professores estão normamente encarregues de tarefas “administrativas” libertando os colegas que têm de leccionar.

    Não, nada me move, em abstracto, contra os professores, mas tenho duas filhas na escola, uma no 7º ano e outra no 8º e das dezenas de professores que já lhes conheci são muito poucos os que merecem esse nome. Infelizmente. Para eles, para elas e para todos nós.

  26. Ò Tereza eu já apresentei as minhas contas, e até alterei o número de alunos por turma para se perceber que o resultado final não era muito diferente. E as contas foram sempre feitas por baixo, porque se os números fossem mais rigorosos verificar-se-ia que o resultado do meu último comentário não era zero, mas sim um número negativo. Se você quer refutar os números que apresentei, não sou eu que tenho de fazer novas contas para lhe agradar, ainda por cima quando parte de premissas falsas como essa dos dois meses de férias. È você que tem fazer essas contas. Mas eu dou-lhe uma ajuda: lembre-se que esses dois meses (que descobriu) não o são de facto: comece por descontar os feriados, os fins-de-semana, e tenha em conta que cada dia são 7 horas. À partida esses 62 dias a mais já só são cerca de 45. Depois não se esqueça dos exames que se fazem nessas «férias», assim como das correcções que se fazem nessas mesmas «férias». E não esquecer também o tempo da elaboração das turmas do ano lectivo seguinte.

  27. DS,

    Realmente, gosto da sua maneira de responder ao fundo das questões.

    Fui ver o artigo do DN, que é a unica coisa objectiva no seu comentario. O artigo da duas informações aparentemente contraditorias, mas que podem de facto ser conciliaveis : mais aulas dadas, um tempo de trabalho estatutario menor. A primeira vista, isto parece de facto abonar no sentido de o tempo de preparação ser menor em Portugal, ou menos contemplado no tempo estatutario, do que noutros paises, que é o que defendem os sindicalistas citados no artigo.

    Resta saber se este factor não deriva pura e simplemente de outro dado referido no artigo : o ano escolar é menor em Portugal do que nos outros paises. O que parece à primeira vista, é que seria racional aumentar o ano lectivo, por forma a permitir uma repartição mais justa entre preparação e leccionação.

    E finalmente, ha que saber em que medida isto se reflete no rendimento dos professores (isto é : em que medida o seu rendimento, por ano, se pode comparar com o dos seus colegas dos outros paises).

    Tanto quanto me lembro (mas, mais uma vez, e contrariamente a você, posso estar enganado) esses numeros apontam para um aumento sensivel do numero de aulas dadas nos ultimos 10 anos.

    O que por sua vez torna ainda mais urgente a questão de compreender porque é que isso não se traduz por melhores resultados em termos comparativos…

  28. ds, veja lá que eu até estava a fazer contas só a 44 dias… insiste que eu “descobri” dois meses mas diga-me lá, se gosta de tudo muito explicadinho, como chama a isto – 15 dias (aprox.) de paragem de aulas no Natal, 15 dias (aprox) na Páscoa, mais uns tantos no Carnaval e dois meses (no mínimo) no Verão.
    Não sei se o ds é professor e/ou se tem filhos na escola mas se está a falar de exames deve saber que esses exames não são corrigidos nas escolas e os professores que os corrigem são pagos por isso. Já agora os anos que têm exames terminam as aulas mais cedo ou seja, antes de 25 de junho, libertando os professores das aulas.
    Não tenho tempo, agora, para rever todas as suas contas mas não percebo porque insiste em não considerar nelas estes períodos “não lectivos”

  29. Ó Tereza, agora que você explicou tudo muito bem explicadinho só posso lhe posso dizer que a sua matemática é realmente fraca e deturpadora, da qual que só podem resultar contas mal feitas. O Natal e a Páscoa são paragens de 14 dias? Cara amiga e mãe desatenta, o Natal e a Páscoa têm dois fins-de-semana e dois feriados pelo meio, isto para além das reuniões de avaliação dos alunos. Feitas as contas, e para começar, tais paragens são «paragens» de 5 ou 6 dias. Vá lá faça lá as continhas, outra vez…

  30. Parece que o ds está com má vontade, ou não será? eu disse, ali em cima, que considerei apenas 44 dias úteis sem aulas na totalidade das férias escolares. Caramba, será assim tão difícil reconhecer que nas suas contas se esqueceu destes dias?

  31. Não, a Teresa falou primeiro em dois meses de férias, e depois em dois meses (até acrescentou, «no mínimo») mais as paragens da Páscoa e Natal, o que já vai em três meses. Portanto, não sou eu que estou com má vontade: é você que está a ser intelectualmente desonesta e que deturpa os números. E assim, é impossivel fazer contas rigorosas. Portanto, antes de dizer que eu me esqueci de alguns dias nas minhas contas, convinha você mesma tratar de apresentar as suas contas e de forma rigososa, sem esquecer nada do que é o trabalho de um professor. Porque a conclusão só pode ser aquela que eu já apresentei: os professores trabalham mais do que está determinado no seu horário, e não ficam atrás do resto dos professores europeus (como a noticia do DN mostra).

  32. ds, quer mesmo que o leve a sério? leia lá bem o que eu escrevi e veja se nalgum sítio está escrito o que diz que eu disse. desculpe mas esta conversa acaba por aqui – não tenho paciência, nem tempo, para conversar com quem insiste em deturpar o que escrevo.

  33. «mas diga-me lá, se gosta de tudo muito explicadinho, como chama a isto – 15 dias (aprox.) de paragem de aulas no Natal, 15 dias (aprox) na Páscoa, mais uns tantos no Carnaval e dois meses (no mínimo) no Verão»

    Olhe, passe bem, que eu é que não tenho pachorra para explicar o que os outros me «explicaram bem explicadinho». Para além da matemática fraca e deturpadora ainda por cima é fraca e deturpadora a português…

  34. e??…. onde digo eu, nesse parágrafo, que as férias de Natal e Páscoa acrescentam aos tais dois meses? O que disse, e repito, é que serão aproximadamente 44 dias úteis sem leccionarem devido às férias escolares. Claro, e vou ter de explicar, que não estou a contar com as férias a que os professores têm direito. Mas deixe lá isso que já vi que não entendemos o discurso um do outro e assim não vale a pena conversarmos.

  35. ds, na sua opinião, que redução de horário deveria haver? Ora, retirando 2 horas por semana ganhavam 8 por mês, mas pelas suas contas isso também não dava para grande coisa, tantos são os afazeres dos professores. Portanto, para render, deviam passar das 22 por semana aí para as 18, 16? Diga lá, que eu socretina como sou, a minha aritmética…

  36. A propósito , uma ‘pIquena’ estória verídica e recente:

    O Natal de 2009 calhou numa Quinta e Sexta-Feiras.
    Dia 18/12 num jantar de aniversário, uma senhora professora, ás tantas , dizia com ar combalido : ” tenho que me ir embora porque amanhã, Sábado, tenho uma reunião na Escola, ás 08.30h “. – -“Reunião ao Sábado , a essa hora???!!” pergunta um dos presentes. Resposta : ” Pois , é que alguns dos meus colegas querem ir já de férias, este fim-de-semana”. Coitados, pensei eu!Mas não é que a função Pública só tem tolerância de ponto no dia 24 , á tarde ( se não erro )? É .

    Pois é , alguns senhores professores são umas vítimas do sistema : têm reuniões quase de madrugada …ao Sábado. Têm reuniões Intercalares e outras até altas horas da noite , antes das férias da Páscoa, etc . Para bem dos alunos? Para melhoria do sistema educativo? Não. Para seu próprio benefício: terem mais dias de férias quando deviam estar ao serviço.
    Para terminar , apenas dizer que aprecio muito o trabalho de alguns excelentes professores que não merecem estar a ser confundidos com o ‘joio’e , consequentemente, maltratados por todos: colegas, pais e alunos e ainda… sindicalistas militantes.

  37. Li hoje num desses jornais gratuitos que a CGD já injectou mais de 4000 milhões de euros no BPN. Há um mês era metade. Nojo.

  38. quem, Tereza?

    os do BPN? Penso que o BPN foi nacionalizado para salvar os dinheiros de uma data de trutas e tubarolas que lerpariam com a falência. Penso que está aí uma coisa tramada que é fruto do embuste que foi a invasão do Iraque de 2003 e que continua a valer como retórica dominante, embora segredada.

  39. há-de haver inúmeros interesses privados em jogo, coisas que nem imaginamos e que aliás serão secretas. Como a CGD em última análise é Estado o buraco irá lá parar.

  40. mas tomara que me engane, no entanto o capitalismo financeiro está desembestado e como a Justiça não funciona em tempo útil…

    outra componente da estratégia é por-nos todos à batatada, dividir para reinar e entupir tribunais.

    amanhã escrevo-te um email, entretanto fiquei com saudades e já vi que continuas esperta que nem um raio.

  41. &,

    O caso do BPN é para mim, o caso mais mal explicado da legislatura de Socrates. Aquele banco não devia ter sido protegido pelo estado. Mais, aquele banco tinha um plano de recuperação, elaborado pelo Miguel Cadilhe, que nunca foi posto em marcha porque o governo assim o entendeu. E eu nunca consegui perceber porquê.

    A minha imaginação leva-me a supor que ao mais alto nível (internacional) a “coisa” foi travada e Socrates não teve outro remédio. Contudo não deixa de ser um situação vergonhosa para Todos.

    A CGD, pois que é uma instituição desgovernada para governo de todos os que puderem tirar partido. E não imaginas como sei do que falo.

  42. Mais alguma matemática:
    Teorema:
    Comentário Clara Martins (A) Comentário Ds (B) = mais uma semana e meia em que os professores não fazem puto (C).

    Demonstração:
    Da explicação axiomática dada por Ds depreende-se que os professores passam 15 dias a corrigir exames durante um período lectivo, isto para dois exames. Mas os dois exames não são dados no início do período. Um será a meio e outro aproximadamente no final. Portanto na primeira metade do período de aulas os professores não tem exames para corrigir. Somando A com B o resultado só pode ser C.

  43. É… está dificil fazer entender o que está em causa com tantas contas que apenas pretendem desmontar a «matemática» deturpadora que tira de um sítio mas não põe no outro…
    Aí vai mais uma tentativa: uma semana de trabalho são 35 horas. Já sabemos que 25 horas são passadas na escola e que sobram 10 para tudo o resto. Ora, se o teste final do período é dado na ante-penúltima semana isso quer dizer que o professor tem duas semanas para divulgar as notas, isto é, tem 10 dias de trabalho para dar as notas, o que corresponde a 70 horas – 50 horas, ou seja, 20 horas de trabalho (que são precisas para mais coisas do que apenas corrigir testes, mas adiante). Se são precisos cerca de 8 dias para corrigir todos os testes, isso quer dizer, que são precisas mais 7horas x 8, o que é igual a 56 horas. Ora 56 – 20 horas é igual a 36 horas para além do horário de trabalho, ou seja, mais 5 dias de trabalho. Se uma semana e meia são 5 mais 2 dias então, o tempo em que «não se faz puto» está quase compensado com aquele em que se fez de mais. Porque ainda sobram dois dias, imagine-se! Mas tenho impressão que ainda não é desta que chegam lá…

  44. Não sei se o VM está a ser irónico ou não. Se não está, está dada a minha resposta; se está, a resposta continua a servir para quem ainda não percebeu o que está em causa: e isso não é o tempo de trabalho de um professor, mas a «matemática» e as comparações absurdas que os sócretinos se habituaram a fazer.

  45. Ds, no seu exemplo (mais de 100 alunos) o número de horas para a componente individual do horário de trabalho semanal seriam 11 horas e não dez, mas adiante.
    Duas semanas para corrigir testes: supondo que o professor sabe gerir o tempo que tem à sua disposição e que vai aproveitar o tempo em que não tem testes para corrigir para preparar as aulas em que vai ter testes, seria, vamos supor, 20 horas=1320 min para correcção de testes, o que dá 5 min por teste corrigido.

    Será suficiente ? Penso que sim, afinal o professor está a corrigir o teste ou está-o a fazer?

  46. É o que digo: a «matemática» absurda continua a fazer das suas… Cinco minutos para corrigir um teste?! Isso é um daqueles testes de cruzinhas, não é? É que só pode! Ou é antes um daqueles testes com inúmeros cálculos de Matemática ou de Física, que o professor tem de analisar com atenção para ver onde o aluno falhou, ou então um daqueles testes de História ou Filosofia com mais de uma folha de ponto escrita, e que os alunos demoram hora e meia ou mais a fazer? Como eu disse, o que está em causa nas minhas contas não é o horário de trabalho de um professor; é a desmontagem da conversa que nem tem o minimo sentido da realidade…

  47. O Ds gosta muito do rigor matemático e aplica a média onde lhe interessa e os extremos onde lhe convem. Também sei fazer contas assim:

    Componente lectiva – entre 22 e 14 horas (de acordo com artigos 77.º e 79.º do ECD);
    Média do horário do professor para esta componente: 18 horas 3 horas = 21 horas (em vez de 25), e lá se foram todos os seus cálculos por água abaixo.

    Na realidade não sei quanto tempo demora a ser corrigido um exame, dependerá, como disse, do tipo de exame e disciplina, respostas dadas (há alunos que não respondem de todo, outros que respondem a metade e outros que respondem mais ou menos correctamente), mas a média, lá está, não andará muito longe do que disse acima. Gostaria de lhe deixar um exemplo real de um teste de Física que fiz enquanto estudante. Depois de ter recebido a nota (um 3, de 0 a 20) fui falar com o professor uma vez que tinha estudado para o exame e tinha quase a certeza que me tinha corrido bem. Após uma acesa discussão fiquei com uma nota final de 13, isto porque em duas das questões apesar do resultado estar certo o mesmo vinha em unidades diferentes (apresentei o resultado em micro-segundos quando o professor estava à espera de segundos) em outras duas questões, apesar do raciocínio estar correcto o resultado final tinha sido mal calculado. Conclusão: tempo para corrigir este exame feito na íntegra ? menos de um minuto seguramente, só foram comparados os resultados.

    Ds, não tenho nada contra os professores, e acredito mesmo que existam casos de professores em que o seu horário seja insuficiente para o cumprimento de todas as suas obrigações enquanto tal, por isso mesmo penso que não se pode aplicar uma matemática “linear” simplista a um tema em que existem tantas variáveis. até amanhã.

  48. Ora bem VM, pelo menos nisso estamos de acordo: é porque não se pode aplicar uma «matemática linear num tema em que existem tantas variáveis», que as comparações e as contas feitas pelos sócretinos para afirmarem que os professores trabalham pouco e que têm muito tempo livre são um absurdo. Como é o caso dessa sua insistência em afirmar que um teste demora em média 5 minutos, ou mesmo um minuto, a corrigir. A minha matemática e contas só pretenderam mostrar isso mesmo, como eu repeti por diversas vezes.

  49. DS,

    O problema é que as suas repetições, em lugar de clarificar, tornam ainda mais opaco este tema.

    Mas alguém no seu perfeito juízo conseguirá acreditar que um prof. trabalha das 8 H às 23H??

    E admitindo, como hipotese remota que tal de facto de verificava, só agora é que o sindicato do Sr. Nogueira dava por isso…

    Não lhe parece que há aquilo qualquer coisa que não encaixa.

    Você até pode ser prof. e estar a defender a sua dama. Mas eu digo-lhe que conheço prof. e bem sei como actuam.

  50. Mas porque é que embirram tanto com os profs e são tão ingenuamente invejosos? É feia esta palavra, mas, desculpem lá, é a que se aplica. Não sabem do que falam.
    Factos: Para além dos 22 tempos (de 45 minutos) semanais, temos mais 2 tempos, ou seja, 24 tempos lectivos, num horário lectivo completo. Damos 24 aulas por semana. A isto acresce horas de apoio para alunos, que, sendo trabalho lectivo, não é como tal considerado. Até aqui, parece perfeitamente exequível.
    Não vou falar do tempo de preparação geral de aulas (é o que se pode) nem de correcção de trabalhos ou testes (é sempre muito).
    Vamos a outros pormenores:
    A isto acresce mais reuniões semanais que em certas semanas podem ser 4, em tempo de aulas, sim, em tempo de aulas. A isto acresce preparar materiais didácticos diferentes para cada aluno com necessidades educativas especiais (os NEE), que os tenho sempre em várias turmas. Quanto ao número de turmas: no ano passado tive 8 turmas, num total de 203 alunos, em cinco níveis diferentes. Este ano tenho só 5 turmas, com quatro níveis. E não se repetem aulas, amigos: cada turma tem ritmos diferentes, há que adaptar a didáctica, as actividades, os exercícios. Em certas turmas faz-se isto, noutras não resulta. Sabem o trabalho burocrático que um professor actualmente tem de fazer? Para além das planificações normais por disciplina e por nível (anuais, trimestrais – e diárias, no meu diário de bordo), são propostas trimestrais de avaliação, são relatórios de avaliação geral por cada turma por período, são adequações curriculares para cada aluno com necessidades educativas especiais, são relatórios de avaliação trimestral dos alunos NEE, são relatórios sobre aulas de apoio, são actas dos vários conselhos de departamento e de grupo disciplinar, são relatórios trimestrais sobre planificações cumpridas ou não cumpridas, são objectivos que temos de definir para a nossa avaliação, são relatórios da nossa auto-avaliação, são documentos de propostas para o plano anual de actividades, são em certos anos pilhas de manuais que temos de avaliar em Abril para serem adoptados no final do ano lectivo, são estatísticas que o ministério nos pede em vários formatos e sobre diferentes tipos de informação, são peças de legislação nova que chovem, que temos de assimilar e que nos mudam constantemente a dinâmica organizativa e administrativa da docência. Querem que conte também o dia-a-dia da burocracia da direcção de turma, que descreva as papeladas, e o número e tipo de reuniões, e depois os picos de rebentar nervos em algumas alturas cíclicas, ou já se cansaram?
    Quanto às férias, uma semana no Natal e outra na Páscoa, são em avaliações. Quando se é director de turma e presidente do conselho de turma, como sou sempre, faço directa para levar os papéis em estado operacional para a reunião a que presido, apesar de contar com a ajuda de um secretário. Cada reunião dura de 2.30, às vezes não chega e vai às 3h, e os resultados burocráticos de cada reunião de avaliação levam horas a ficar prontos antes da saída das pautas, estando nós ainda presentes, a finalizá-los.
    Ah, e temos de fazer formação ministrada por centros de formação avalizados (mínimo 25 horas por ano), a isso a carreira nos exige. Quando? Aos sábados ou em pós-laboral. Olhem, nas empresas, se o funcionário está em formação, está em formação, é considerado trabalho. Para nós, não é.

    Querem mais das partes gagas em que soçobra quem está lá dentro? Deixem-me ser professora em paz, que eu gosto e muito. Não me estoirem é com merdas, porque em muitíssimos dias já entro na sala de aulas sem paciência para nada, e os meus alunos é que não têm culpa da esquizofrenia em que os seus professores estão a cair sem quererem.
    E deixem de ser ingénuos, que parece já não têm idade para isso. Informem-se. Não se armem tanto ao intelectual informado, porque informados não são; a postura obnubila-vos a capacidade de visão da realidade das escolas, que só enxergam mesmo as superfícies fáceis que são sempre demagógicas, e isso dá maledicência também fácil. Não desrespeitem quem trabalha a querer dar tempo de qualidade e cultura aos vossos filhos. Vejam mais fundo, e informem-se melhor, pode ser?
    Boa noite a todos, a insónia acabou e vou dormir.

  51. Ah, esqueci-me: nos papéis da avaliação trimestral também há os planos de recuperação e os de acompanhamento! Para os alunos com três os mais negativas…
    O meu comentário anterior ia com dois erros sintácticos. Sorry.
    Boa noite e durmam com os anjos que quiserem

  52. Carmin, se as minhas repetições tornam ainda mais opaco o tema e isso é um problema, o que eu lhe digo é que o dito problema reside apenas na sua cabeça. Não sei se me estou a fazer entender, ou se este meu comentário é também «opaco» e «problemático»… Mas se for preciso eu repito-o.
    Mas leia o comentário da Paula, que nem sequer se deu ao trabalho de quantificar o tempo de preparação de aulas e de correcção dos testes (disse apenas o óbvio: que ocupam bastante tempo) que tenho a certeza que vai ficar com uma ideia mais clara do que é o trabalho de um professor. Mas a conclusão só pode ser aquela que eu estou farto de repetir (e que parece ser de muito dificil compreensão): o trabalho da maioria dos professores ultrapassa em muito as 35 horas semanais. A «matemática» absurda dos sócretinos é que lhes cria problemas de raciocinio…

  53. Só não concordo com a Paula quando ela diz que os tipos que atacam os professores são invejosos. Não! O que está em causa é mesmo a burrice! Porque se conseguissem pensar um bocadinho não existiriam razões para qualquer sentimento de inveja…

  54. s’tora Paula,
    Por eu saber que há professores como a Paula, por ter tido alguns, por conhecer outros, por as minhas filhas terem tido a sorte de ter passado pelas mãos de outros ainda é que não consigo perceber como a vossa classe insiste em meter no mesmo saco, e defender com garras e dentes, todos os outros, e são muitos, que protegem o emprego descuidando a profissão. Quer exemplos? Eu dou-lhe. Uma das minhas filhas tem necessidades educativas especiais. Frequenta o 8º ano e este ano, pela primeira vez, tem uma professora que lhe prepara material adaptado para as aulas. O curriculum específico, que o ano passado me deram para ler de esguelha e que nunca me entregaram, ao contrário do que a lei determina, cheirava a copy/paste que tresandava. Só agora, que mudou de escola, está a ser devidamente avaliada e acompanhada de acordo com as necessidades especiais que tem. A Clara é uma menina down, tem 14 anos, lê e escreve correctamente, melhor que muitos outros sem necessidades especiais e com a mesma idade, frequenta a escola desde os 3 anos mas, muito francamente, apesar de ter sido sempre tratada com imenso carinho por toda a gente não é à escola ou aos professores que teve que eu posso agradecer o desenvolvimento dela e isso é simples de perceber quando olho para os outros dois miúdos down que a acompanham e que ainda hoje estão a aprender a escrever o nome e a desenhar as letras. Um caso excepcional? Talvez, mas posso dar-lhe um outro exemplo mais comezinho. A minha filha mais nova está no 7º ano e é boa aluna. Este ano, no princípio de Novembro, mudou de escola. Antes da transferência, que não foi possível realizar no início do ano, tive o cuidado de falar com a directora da nova escola, não me tendo limitado a despejá-la e virar costas. Foi colocada numa turma com 16 alunos, onde mais de metade são repetentes e miúdos bastante problemáticos. Desde o primeiro dia na nova escola que se queixa da falta de capacidade da maior parte dos professores para manterem a disciplina durante as aulas sendo paradigmático o caso do professor de matemática, e director de turma, já que são os próprios miúdos que lhe perguntam como é que ele não consegue controlar uma turma com 16 alunos. Todos os dias ela se queixa que o professor passou mais uma aula a falar de generalidades e a dizer-lhes como eles não querem trabalhar esquecendo-se de dar a matéria. Todos os dias ela se queixa que ele chega atrasado, que não passa trabalhos de casa, que não consegue manter a classe interessada, que não cumpre o programa nem lhes estabelece objectivos. No final do primeiro período, um mês e meio depois da transferência, o director de turma informou-a que iria ter 3 a todas as disciplinas por não lhes ser possível avaliá-la já que nem o processo dela tinham. Fui eu quem entrou em contacto com a escola antiga e fui eu quem agitou as águas para que o processo chegasse à escola nova antes das reuniões. Achei que teria resolvido o problema. Engano meu. No início do 2º período fui falar com o director de turma. Passou uma hora a despejar conversa mole, queixou-se dos pais, da falta de educação dos meninos, da impossibilidade dos professores em conseguirem bons resultados e finalmente confirmou-me que sim, o processo da Francisca já tinha chegado, “estava ali, naquelas gavetas, e ele tinha a chave e tudo” e a seguir deu-me a entender que eu era uma mãe deslumbrada que achava que a filha era muito aplicada e inteligente esquecendo-me que ela era uma aluna repetente e que por alguma razão teria chumbado. Foi nessa altura que se me fez luz e percebi finalmente o que estava a acontecer. A Francisca tem 12 anos, acabados de fazer, e 1,70m. Aquela besta, que não tem outro nome, director de turma dela, de uma turma com 16 alunos, tinha o processo na gaveta e nunca tinha olhado para ele, nem sequer para ver a idade, tendo avaliado a aluna a olho – é grande, portanto tem para aí uns 14 ou 15 anos, portanto já chumbou.
    Sabe o que me deixa frustrada? Este professor gaba-se de dar aulas há 13 anos e eu penso que durante estes 13 anos andou a passear-se pelas escolas contando a história da vida dele, que até eu já conheço, não sendo responsabilizado pela falta de aproveitamento dos miúdos que lhe passam pelas mãos e tendo, seguramente, uma avaliação de Bom.
    Querem a classe respeitada? Deixem-se de corporativismos bacocos e reconheçam que têm muitos colegas que não resistiriam dois meses se estivessem no mercado de trabalho privado.

  55. Já agora e por se falar em NEE lembrei-me das notícias relativas ao assunto que foram publicadas durante o governo anterior. A que se segue é uma notícia do DN de 2007. Só para refrescar a memória dos fãs da ex-secretária de estado das finanças…

    Especialistas acusam ministra de deixar 70 mil alunos fora do ensino especial
    por

    Elsa Costa e Silva

    Arquivo DN – 09 Abril 2007

    O Ministério da Educação está a deixar de lado mais de 70 mil alunos com necessidades educativas especiais (NEE). O alerta é do professor catedrático e investigador em Educação Especial, Luís de Miranda Correia, que, numa carta aberta a Maria de Lurdes Rodrigues, considera que as políticas ministeriais estão a deixar este sector “à beira de um ataque de nervos”. O atendimento aos alunos com NEE está, defende, num “estado calamitoso”.
    A posição crítica face à postura do ministério deste especialista é subscrita pela comunidade académica. David Rodrigues, coordenador do Fórum de Estudos de Educação Inclusiva (FEEI) – que reúne 18 instituições de ensino superior – explica que a política actual “contraria todo o conhecimento nesta matéria e documentos internacionais”.
    O problema está em “colar” as necessidades educativas especiais às deficiências. Quando há alunos que precisam de apoio especializado, mas não são deficientes, e há crianças, por exemplo, paraplégicas, que não têm dificuldades de aprendizagem. Assim, conclui David Rodrigues, “o grande erro do ministério é confundir deficiência com NEE”.

    Números

    O problema está na orientação tomada pela Direcção-Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) que, explica Luís Miranda Correia, “sem ter efectuado qualquer estudo de prevalência fidedigno”, afirma que as NEE atingem apenas 1,8% da comunidade estudantil. O que significa, para um universo de 1,5 milhão de alunos, cerca de 27 mil alunos.
    Mas, diz este investigador da Universidade do Minho, todos os estudos de prevalência efectuados em outros países apontam para um intervalo de 10% aos 12%, entre dificuldades esporádicas e permanentes. Ou seja, números que significam em Portugal mais de cem mil alunos.
    Com esta contabilidade, mais de 70 mil crianças e adolescentes – com problemas que vão da dislexia a problemas de percepção visual e auditiva – não está inseridos no apoio que o Ministério da Educação dá no âmbito da educação especial – “com as consequências negativas” que daí advêm para alunos e famílias, contesta o investigador.
    A opção do DGIDC resulta da adopção de um critério de identificação de alunos com NEE a partir da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), criada especificamente para a Saúde. Uma postura, garante a comunidade académica, que é errada. David Rodrigues adianta que a posição da FEEI foi encaminhada para o ministério e Conselho Nacional de Educação. Luís Miranda Correia pediu mesmo pareceres a dois especialistas americanos, que garantem que a utilização do CIF na educação pode ser um erro “trágico”.

  56. Bom, feitas as contas da maneira que fizerem, o resultado é o mesmo: a carga é inferior à da generalidade dos trabalhadores que trabalham a tempo inteiro.

    Onde está a exploração e humilhação inaceitável?

    (Tereza, até agora, a classificação desse professor tinha sido de muito bom: eram todos muito bons. E não podem deixar de sê-lo, de um dia para o outro)

  57. As conclusões que as Ediotas tiram (sem fazerem quaisquer contas, assinale-se, a não ser as da «matemática» absurda e sócretina, ou «matemática técnica») continuam a fazer justiça ao seu nome…

  58. ds, desculpe o reparo, mas só sabe dar uma opinião se injuriar quem não concorda consigo? É que perco logo a vontade de lhe dar razão quando acho que a pode ter e partir para o disparate, assim tipo concurso de recreio de escola para ver quem chama mais nomes feios. Tenho é de o avisar que fiz o estágio profissional no Norte, fui defensora oficiosa em dezenas de crimes de injúrias e aprendi umas coisinhas que nem lhe passam pela cabeça o que, aliado ao meu meu feitio, me daria uma vitória quase certa.
    Podemos tentar ser educadinhos ou é-lhe demasiado difícil?

  59. O que é isso Tereza?! Está a ameaçar-me? E vai acusar-em de quê? De insultar entidades abstractas como os sócretinos? Vou ser acusado por os outros enfiarem a carapuça, é?Vou ser acusado de responder na mesma moeda a quem está a pedir troco? Insultei a Tereza por a ter considerado uma fã da ex-secretária de estado das finanças, é isso? Peço desculpa, então… Mas quando avançar avise, porque como já houve por aqui umas Ediotas que me mandaram para o caralho, pode ser que eu contrate os seus serviços…

  60. Tereza, compreendo perfeitamente as suas angústias.
    Tive uma aluna que veio de Inglaterra a meio do ano lectivo. QUando saiu de Portugal estava no 3º ano; voltou para Portugal um ano e pouco depois e, pela legislação sobre equivalências aplicável, foi inserida no 7º ano. Claro que não conseguia acompanhar o currículo por motivos óbvios, e também porque descobrimos, após uma avaliação psicológica, que era aluna com necessidades educativas especiais. Procurei junto dos pais e do então conselho executivo fazer retroceder a aluna para o segundo ciclo (5.º ano), para aquisição de capacidades inerentes ao currículo do 2.º ciclo. Não imagina o imbróglio em que me meti, junto do conselho executivo. E os relatórios que tive de fazer, e os planos de recuperação que todo o conselho de turma teve de fazer, por sermos obrigados a obedecer cegamente a uma legislação estúpida e (in)questionável. Tive conflitos com os meus superiores, e apresentei inclusivamente o caso em Conselho Pedagógico, por minha iniciativa. Nada foi feito; e acredite que quase me moveram um processo disciplinar por questionar disposições superiores e querer auxiliar uma aluna no seu percurso escolar, procurando reinseri-la num nível coincidente com o seu estado de desenvolvimento/maturação. A aluna lá continua; naturalmente foi ficando retida, com um percurso escolar difícil, completamente desmotivada.

    Quanto aos alunos NEE: acredite que é impotência o que sinto por não ter condições nem formação para prover ensino de qualidade aos alunos NEE. Como lhes posso dar a atenção que realmente merecem, quando são inseridos em turmas com vinte alunos (por lei, podem ir até ao aos vinte e dois alunos, se tiverem alunos NEE), e estou sozinha na aula? As turmas com alunos NEE deveriam ter sempre um técnico presente na aula, que acompanharia o desenvolvimento das tarefas do aluno. Em muitos casos impõe-se mesmo um acompanhamento individual e constante durante toda aula, porque se assim não for o aluno não faz as tarefas, desliga-se. E o que faz o professor: dá a aula a esse aluno, e ignora os outros 20? Compreende a dificuldade? São aulas extremamente desgastantes, em que sentimos que a nossa prestação é medíocre – mas a verdade é que o professor não é ubíquo e tem naturais limitações na sua habitual capacidade de “multi-sintonização”, nós não somos de facto super-homens.

    Isto são mais umas pequenas amostras do nosso trabalho. Entendam por favor o trabalho de bastidores que tudo isto dá. Eu não consigo contabilizar, de facto, o meu trabalho para além das aulas. É sempre muito, e não só em actividades didácticas de preparação ou correcção de trabalhos e testes. (Corrijo testes, por vezes, até às 3 ou 4 da manhã, pois tenho sempre muitas turmas). Não faço contas. Cumpro. Procuro fazer o melhor que sei e posso. Mas as burocracias que nos impõem desde há uns anos são mesmo muitas. Isso rouba-nos imesno tempo, muita tranquilidade, boa disposição e capacidade para estarmos disponíveis para os alunos, numa profissão em que metade das condições de trabalho é justamente a capacidade para a relação humana, a disponibilidade para repararmos no outro.

  61. Ds, não lhe respondi. Acho que não vale a pena dar-se ao trabalho de quantificar o nosso tipo de trabalho. É sempre muito mais do que aquilo que se diz, e está sujeito a “picos” cíclicos de quase rebentarmos.
    Mas olhe que eu acho que são mesmo invejosos: é porque pensam que temos “regalias”. A inveja ataca facilmente os ignorantes. Como muitos dos posts e comentários que aqui vejo se devem de facto a ignorância, não vejo outra palavra para qualificar: é inveja, ingénua inveja.

    Mas não há motivo para ter inveja. Os professores não têm regalias, não têm essas férias todas, nem trabalham só 24 h por semana, não é nada como pensam.
    Por favor, vejam mais longe e em profundidade, sem serem superficiais. E dêem mais valor a quem dá instrução e educa os vossos filhos quando vocês estão a trabalhar.

  62. Bem revelador nisto tudo é o silêncio cobarde do manipulador de serviço*… O dito ex-«professor» não tem nada para dizer depois dos comentários da Paula? É que estamos todos ansiosos por ouvir a «douta» resposta daquele que escreveu um post onde determinou que os professores não preparam as aulas, e onde insinua que a sua oposição ao modelo burocrático que avaliaria «produtividades» seria apenas uma forma de esconderem a sua incompetência generalizada. Aliás, pegando no testemunho da Paula onde ela afirma que por vezes fica até às 3 da manhã a corrigir testes, só se pode concluir que ela é mesmo uma das tais incompetentes, não é verdade? Ainda por cima porque os testes só demoram 5 minutos a corrigir, como disse o outro…

    *Pronto, agora é que vou mesmo apanhar com um processo por injúrias aos outros…

  63. Ó s’tora, esse argumento da inveja está muito bem pensado. E é recente, digamos que o comecei a ver ser utilizado pelos professores desde que foi assinado o último acordo… Olhe se outras classes profissionais se lembram do mesmo, os políticos, por exemplo, que também têm as suas regalias, já viu o que era defenderem-se das críticas com o argumento da inveja?
    Também gostei do apelo que faz para que se valorize quem nos educa os filhos enquanto trabalhamos. Até parece que nos estão a fazer um favor. Além disso, nós valorizamos o trabalho dos professores, o que acontece é que, ao contrário da s’tora, não os valorizamos todos da mesma forma. É por demais evidente que não têm todos o mesmo valor, ou têm?
    Já agora, já fiz esta pergunta ao ds, mas ele não me respondeu, diga lá qual seria o horário ideal para que os professores não se sentissem em desvantagem em relação aos restantes funcionários públicos.

  64. guida, não respondi porque o que estava em causa não era o «horário ideal» de um professor, nem qualquer vantagem ou desvantagem em relação ao resto dos funcionários públicos, mas sim o horário irreal que os sócretinos dizem ser o horário de trabalho de um professor: o tal que se reduz a 22 horas lectivas. Fartei-me de repetir isto, mas parece confirmar-se que as minhas repetições são «opacas» e «problemáticas», como disse o outro…
    Mas pode ter a certeza que muitos professores andam a fazer favores aos pais: porque no dia em que os profesores exigirem cumprir o tal horário das 35 horas semanais e sempre na escola, e se limitarem a cumprir com as determinações burocráticas, quem vai saír prejudicado é o ensino em geral. Porquê? Porque os deveres éticos de um professor estão para além do que a legalidade determina (sendo que nesta – no ECD – o ensino não é nenhuma prioridade).
    E já agora, actualmente ainda há excesso de professores (ainda que já haja disciplinas com falta deles), mas não faltarão muitos anos para haver falta de professores, como acontece hoje na Inglaterra e fruto de «reformas» semelhantes às do Pinto de Sousa. Chegará então o tempo em que a guida vai valorizar qualquer professor, até porque serão os «engenheiros técnicos», formados na Independente e que não encontraram emprego, os novos professores de matemática desse futuro mais ou menos próximo. Ironias do destino…

  65. Demente Serôdio,

    mandei-o para o caralho e voltarei a mandá-lo sempre que chegar aqui ao blogue e me mandar calar.

    A mim não me desvaloriza quem quer, palhaço. desvaloriza quem eu deixo. E esses têm de ser muuuuito bons.

  66. Ò Ediota, as tuas conclusões «geniais» e a tua «matemática» absurda e sócretina já dão uma real ideia do pouco que tu vales. Não é preciso ninguém para te desvalorizar, pois tu cumpres esse papel na perfeição.

  67. ds, este post remete para uma notícia do Público em que o Nogueira fala de horários aberrantes e de semanas de trabalho de cerca de quarenta horas. Ora, os professores estão, portanto, em luta para corrigir esse excesso. Logo, é legítimo querermos saber de que forma se poderão corrigir essas aberrações. Deve ser reduzindo o actual horário, não?

    Outra coisa, serão os engenheiros técnicos, sem outro emprego, os novos professores de matemática no futuro? ds, ainda o Pinto de Sousa não sonhava em ser primeiro-ministro, já eu tinha tido vários desses engenheiros como professores de matemática. Tinham como especialidade contar anedotas, e era bom que nos ríssemos, porque, no fundo, era a forma como nos ríamos que era avaliada, não estou a brincar. Alguns ainda por lá andam, um deles é professor da minha filha. Uma excelente pessoa, mas péssimo professor, facto reconhecido por toda a gente. Temos de ter paciência é o que nos diz a directora de turma, até porque há dois professores para a disciplina e o outro é um bom professor…

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