Web 10.0

Hoje fui ao cafezito de bairro, igual a tantos outros na sua modéstia e banalidade, onde sempre lancho nos dias úteis. Minutos depois, entra uma jovem senhora, trabalhadora numa empresa da zona, e começa a conversar com a patroa. A conversa diz respeito às escutas ao Pinto da Costa. A patroa, enquanto aviava o resto da clientela, queixava-se de ainda não ter conseguido ver o material no seu iPhone, e repetia os toques no ecrã à procura do dragão, mas informava que quando chegasse a casa iria à Internet. Seguiram-se comentários genéricos acerca das conversas captadas e outras exaltantes temáticas de café.

Já éramos uns supercromos no à-vontade com terminais de Multibanco, telemóveis e computadores portáteis. Agora, temos iPhones nas bancadas dos tascos onde o povoléu vai engolir a bucha. É a Web 10.0, a fusão da Internet com o croquete e a bica pingada.

11 thoughts on “Web 10.0”

  1. Mas se tivesses chegado ao cafezito de bairro e a conversa fosse sobre as escutas ao Sócrates que entretanto os pulhas tivessem publicado no youtube, aposto que este teu post não seria tão desportivo.

  2. E se o Sistema Educativo tivesse pedalada para acompanhar, rapidamente teríamos efeitos na economia. Isto, claro, se fosse dito por uma personalidade credível.
    Como é um marmelo qualquer, quando muito aparece uma gosma de individualidades a questionar o que é um sistema educativo, pedalada q.b. e o acompanhar rapidamente está bem obrigado. E economia, concretamente, isso significa o quê?

    A maior parte dos professores odeiam abordar novas tecnologias na educação. A justificação é sempre óbvia: a tecnologia do livrinho é óptima, com provas dadas e as crianças nunca vieram para a escola para outra coisa. Temos uma chusma de incompetentes na educação que até mete dó.

    Há muito quem fale do horário lectivo e nunca menciona as reduções horário.
    Quando a Maria de Lurdes Rodrigues entrou no Ministério havia dez mil professores com horário zero. Como é que isso está? Deve estar bem obrigado, pois claro! Há décadas que os sindicatos de professores trabalham muito. E eles não brincam em serviço.

  3. Eu sei bem que o pulha (“tripulha”, como pelo visto se intitula e gosta de ser…) quer com semelhante desmando é que o “povinho” faça mais uma das suas incursões na vida dos outros – não é em vão que há “Big Brothers” e outras fantochadas do género. O que os mandantes desse joguete, os chamados “cães grandes”, pretendem é que se discutam essas coisas, em vez de outras mais importantes (eu sei bem, também, quais as implicações que a nível desportivo essas coisas pretendem atingir…), desviando a atenção das miseráveis atitudes que têm tido na dita justiça.
    Por outro lado, pode não haver dinheiro para comprar um livro (ou até ir ver um bom jogo de futebol, porque não?…), mas para estar “au point” na alta tecnologia da “fofoquice” que esses instrumentos permitem, não há crise p’ra ninguém!!!
    Espero que o Sr.Procurador da Justiça tenha para com mais esta fuga de informação a mesma atitude que tem tido, isto é, não faça nada. É só esperar mais um pouco e não tardarão aí as tão badaladas conversas que encheram de alegria os frustrados políticos deste país.

  4. Caro Volupi

    Essa sua oportuna analise só comprova uma coisa:

    O Magalhães afinal não consegue sair da escola, tirando os que são vendidos na Feira da Ladra para equilibrar os magros orçamentos familiares, e o cidadão comum já está muito mais avançado chegando ao ponto de usar iPhones como quem antes usava um telefone portátil.

    Sinal dos tempos…, e tal como diria alguém que me antecedeu; a pontaria anda de tal modo afinada, que não vai demorar muito para que as escutas ao senhor Sousa, e a malta dos robalos surjam divulgadas para toda a web, e ai sim o café vai ficar amargo para alguns simpatizantes da criatura, de tal forma que o croquete vai ficar engasgado…

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