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Tenho 180 euros para dar ao Pedro Santos Guerreiro

Poucos políticos têm posto os interesses do país à frente dos seus. Desde 2008 que tem sido uma demência. Teixeira dos Santos aumentou então os funcionários públicos para ganhar as eleições em 2009. Cavaco Silva devia ter obrigado a um Governo de coligação depois dessas eleições. José Sócrates jamais deveria ter negociado o PEC IV sem incluir o PSD. O PSD não devia ter tombado o Governo. E assim se sucedem os erros em que sacrificam o país para não perderem a face, as eleições ou a briga de ocasião.

Pedro Santos Guerreiro

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Eis uma apresentação desta conhecida e cada vez mais popular figura do comentário político:

Jornalista, 39 anos, é director do Jornal de Negócios, de que foi um dos fundadores em 1997. MBA pela Universidade Nova e licenciado em Gestão pelo Instituto Superior de Gestão, publica diariamente artigos noticiosos e de opinião no Jornal de Negócios, é colunista da revista “Sábado” e dos jornais “Correio da Manhã” e “Record”. Comentador da RTP e da Antena 1, participando regularmente em programas e comentário de TV e rádio. Publicou em dezenas de títulos de imprensa, em Portugal, Espanha e Inglaterra, bem como em livros de gestão, economia e política.

Como se lê, é um cromo. Um cromo do universo da gestão, das empresas, da economia, das finanças. Um cromo do jornalismo, da produção intelectual, do comentarismo ubíquo. Ou seja, faz parte da elite portuguesa. Faz parte daqueles raros felizardos que estão munidos das capacidades cognitivas e disciplinares para entenderem o que se passa em Portugal e no Mundo, e em Portugal por causa do Mundo, e no Mundo apesar de Portugal. É muita informação junta, muito saber acumulado. Eis, pois, alguém a quem devemos dar atenção. Ou não?

A citação acima vem de um texto escrito a quente, na ressaca do nosso fatídico 11 de Setembro, dia em que o Governo caiu pelo monocórdico e delico-doce paleio de Vítor Gaspar. PSG conseguiu nessa peça sintonizar-se com a revolta que irrompeu desvairada por toda a sociedade ao darmos conta de que não havia ninguém no Governo que agisse em nossa defesa. O fartar vilanagem a coberto da Troika tinha conhecido o seu mais obsceno momento e o caldo estava finalmente entornado depois de um ano de consecutivas violações do contrato eleitoral. No meio do espancamento do seu homónimo, com soqueira, o preclaro autor passou um atestado de demência a quatro responsáveis políticos, dois do PS e dois do PSD: Teixeira dos Santos, Cavaco Silva, Sócrates e Passos Coelho. Distribuiu o mal pelas aldeias, assim contribuindo para reforçar o coro que berra “eles são todos iguais”. Mas será que são?

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Gaia e Massamá, a mesma luta

Não é possível fazer uma melhor descrição do Pedro do que esta que o indescritível Luís Filipe Menezes nos ofereceu para ilustração do povo:

Em entrevista ao Jornal de Notícias, o presidente da câmara de Gaia entende que Passos Coelho é uma pessoa de «enormíssima seriedade» e garantiu que Portugal «nunca teve um primeiro-ministro com esta seriedade intelectual e com esta postura».

«É um primeiro-ministro que anda num carro velho, que passa férias em Manta Rota, que continua a viver na sua casa em Massamá e que anda na rua sem medo. É uma força do ponto de vista de caráter fundamental», acrescentou.

Fonte

Passos, um génio na teoria da relatividade

Passos no Governo:

Vítor Gonçalves – Mas houve alguma tentativa de negociação com o Partido Socialista destas medidas ou o senhor limitou-se a telefonar-lhe e a comunicar-lhe o que o Governo ia anunciar; isto é, tentou envolver o Partido Socialista, ou não, nas decisões?

Passos Coelho – O senhor acha que era praticável que eu estivesse a negociar previamente com os parceiros sociais, ou com o Partido Socialista, uma matéria que eu tenho de negociar com a própria Troika?!…

Passos na oposição:

Sandra Sousa – Porque é que o Senhor omitiu que se tinha encontrado pessoalmente com o Primeiro-Ministro antes da apresentação do PEC IV?
Pedro Passos Coelho – Porque isso foi combinado com o Primeiro-Ministro e eu respeito sempre as combinações que faço, agora…
Sandra Sousa – Mas foi um pedido do Primeiro-Ministro?
Pedro Passos Coelho – Agora, deixe-me dizer-lhe também, a última coisa que eu vou fazer é uma campanha eleitoral baseada em pequeninos casos.
Sandra Sousa – Mas isto é importante esclarecer. O Doutor Pedro Passos Coelho acabou de dizer que foi combinado com…
Pedro Passos Coelho – Talvez para si, para mim não tem grande necessidade de maior esclarecimento do que aquele que já dei.
Sandra Sousa – Talvez para alguns portugueses também. O Senhor diz que foi combinado com o Primeiro-Ministro, mas foi um pedido do Primeiro-Ministro?
Pedro Passos Coelho – Foi aquilo que eu acertei com o Primeiro-Ministro. O Primeiro-Ministro quis-me transmitir que no dia seguinte ia apresentar em Bruxelas um conjunto de alterações que tinha decidido apresentar ao PEC, omitindo de resto que estivesse estado a concertar essas alterações com uma equipa que esteve cá, ao que parece clandestinamente também, durante três semanas a negociar com o Governo, mas enfim, transmitiu-me, isso é verdade, o principal das medidas que o PEC IV iria apresentar e eu agradeci a informação que ele me deu e separamo-nos dessa conversa.
Sandra Sousa – Mas isto não esvazia um dos principais argumentos do PSD para chumbar o PEC, quando se sentiu desautorizado por não ter sido informado, por não ter debatido com o Primeiro-Ministro as alterações?
Pedro Passos Coelho – Não, há aí alguma confusão. Aquilo que o Governo quis dar a entender quando, violando aquilo que tinha sido acordado, divulgou, pôs a circular que tinha havido esse encontro, aquilo que o Governo quis dar a entender é que tinha havido um processo negocial, mas não houve processo negocial nenhum. O Governo nessa própria semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, de resto, recebeu uma delegação do PSD para informar sobre o que se ia passar na Cimeira desse fim-de-semana, e informou zero sobre isto.

Passos na chungaria:

Durante o discurso de encerramento da Convenção Autárquica Distrital do PSD, em Viana do Castelo, Pedro Passos Coelho reiterou que não irá “ceder” no que concerne ao novo PEC anunciado. “O PSD não vai discutir nem negociar as medidas de um novo PEC. O Governo comprometeu-se em Bruxelas com o que não está em condições de garantir no seu país“, afirmou.

O líder do principal partido da oposição acusou ainda o Governo de se comprometer “em Bruxelas sem passar cartão a ninguém“, sobre o planeamento de um novo PEC. “A oposição, reunida na véspera a discutir uma moção de censura no parlamento, não soube de nada. Eu próprio recebi um telefonema apenas na véspera a avisar que iam ser apresentadas novas medidas de restrições. Os parceiros sociais que estiveram reunidos em concertação social com o Governo foram também surpreendidos“.

E “depois de o ter feito“, explanou, o Governo “agora diz que lamenta que o líder do PSD não esteja disponível para avalizar estas medidas porque estas medidas existem para defender Portugal“. Para Pedro Passos Coelho “não é normal em democracia o desprezo pelas instituições e pelas pessoas” que o Governo tem demonstrado neste processo.

Até o PEN anda aos papéis com o Acordo Ortográfico

Em comunicado, o PEN Clube Português afirma que, no 78.º Congresso do PEN Internacional, que terminou domingo na Coreia do Sul, “foi aprovada por unanimidade uma resolução do Comité de Tradução e Direitos Linguísticos que manifesta uma evidente preocupação pela ameaça à língua portuguesa representada pelo Acordo Ortográfico de 1990 [AO/90]”.

No congresso, que reuniu 87 centros de todo o mundo, a maioria dos escritores presentes manifestou “incredulidade” e interrogou-se “como se teria chegado a tal situação”, afirma o PEN Português.

“Evidente preocupação pela ameaça à Língua Portuguesa”

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Bom, através do Fernando Venâncio, ajudemos o PEN a perceber como chegámos a tal situação:

Visita guiada ao reino da falácia

Revolution through evolution

When Battered Women Fight Back Stereotyping Can Kick In
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Women Are Starting Families Later in Life Because They Are Spending Longer in Education
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The Sky Is the Limit for Wind Power
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Watching reruns? You’re replenishing mental resources!
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Eye Contact Quells Online Hostility
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Facebook and Twitter: the art of unfriending or unfollowing people
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Physician’s Empathy Directly Associated With Positive Clinical Outcomes, Confirms Large Study
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Lights Out? The Dangers of Exposure to Light at Night
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Women Are People, Too
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Math Anxiety Causes Trouble for Students as Early as First Grade

Má sorte seres tão pantomineiro, Portas

O CDS deve assumir sempre uma ordem de prioridades que eu, simplificando, traduzo da seguinte forma: primeiro, está o interesse de Portugal; segundo, estão as ideias em que acreditamos; só em terceiro está o partido e seu legítimo interesse; e, em último lugar, está a circunstância pessoal de cada político – e este último lugar não precede em nenhuma circunstância das outras prioridades anteriores.

O sentido do esforço que os portugueses estão a fazer – porque qualquer esforço tem de fazer sentido – é um e um só: recuperar a independência financeira do nosso país o mais cedo que pudermos para recuperar a nossa liberdade enquanto nação.

Paulo Portas, justificando o injustificável

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Não é nada fácil começar a falar deste número de Portas. Porque são muitos os alvos. Mas talvez o que haja de mais relevante seja que estas palavras mostram como este dirigente partidário e governante conta com a endógena inexistência da imprensa, a que se junta a actual inexistência da oposição, para assinar um discurso que depende todo ele da violação do princípio da não-contradição.

Tirei duas citações, poderia ter tirado vinte. E poderíamos ter ficado pela última: se o sentido do esforço é um e só um, resgatar a liberdade da Nação, por que quis Portas que Portugal perdesse a sua liberdade? Ou será que Portas não sabia o que aconteceria se chumbasse um plano de um Governo minoritário cujo propósito era esse mesmo de impedir que a Nação alienasse a soberania? Porque deixou Portas, esse grande patriota, que o País ficasse à mercê dos credores internacionais nas piores condições possíveis para o interesse dos portugueses?

É por não existir imprensa que Portas está protegido. Porque ele sabe que nunca terá de explicar como é que a sua noção de “interesse nacional” pode levar a duas intenções absolutamente contrárias: num caso, tudo fazer para afundar o País numa crise política cujo desfecho inevitável seria a perda da autonomia nacional; noutro, justificar as medidas mais ignominiosas alegando que são imprescindíveis para libertar Portugal da tortura o mais rapidamente possível. Nos dois casos, Portas sai sempre a ganhar, afastando adversários e não assumindo responsabilidades pelo saque. Nos dois casos, Portugal saiu e sai sempre a perder, tendo sido portugueses da linhagem de Miguel de Vasconcelos quem construiu dentro das muralhas o Cavalo da Troika.

Este é um Governo de chungosos e de chantagistas. Não sabem falar, não sabem escrever, já ouviram dizer que é possível pensar embora não acreditem e são uns craques a chantagear. Chantagear jornalistas ou 10 milhões de indivíduos, para eles é apenas uma questão de escala, não de escola. Entraram na fase do terror, ameaçam-nos com o apocalipse, como antes de terem chegado ao pote nos ameaçaram com o abismo. Sempre a mentir, sempre a chamar mentirosos aos outros, sempre a mentir. Portas está a representar o seu papel nesta cegada, cúmplice e aproveitador do que se fez em Portugal em Março de 2011. Eis o homem e a sua circunstância: ser um dos maiores pantomineiros na história da política portuguesa.

Ninguém sabe

As pessoas que saíram à rua neste sábado sabem que Portugal está sujeito a condições de austeridade impostas pelas entidades que nos estão a fazer um empréstimo de emergência. As pessoas que neste sábado expressaram a sua indignação com superior civismo sabem que esse acordo tem sido alterado por este Executivo e que vários dos seus artigos são apenas metas, não se definindo no texto o modo como lá chegar. As pessoas que neste sábado aliviaram juntas a ofensa que este Governo ameaça fazer-lhes sabem que os actuais governantes, quando na oposição, e o Presidente da República, enquanto oposição ao PS, deturparam, esconderam e mentiram a respeito da origem dos problemas de financiamento de Portugal após a Grécia e a Irlanda terem sido obrigadas ao resgate. As pessoas que fizeram deste sábado uma data que recordarão com orgulho sabem que o PSD e o CDS não foram a eleições prometendo ir além da Troika, o que eles prometeram foi exactamente o oposto: ficar aquém da Troika no que à austeridade sobre os trabalhadores, empresários e pensionistas dizia respeito.

O que as pessoas não sabem depois de um sábado que exibiu a força dos eleitores do centro é o que fazer a seguir. Nem elas nem ninguém.

Já agora, vale a pena pensar nisto

Pomos de lado, sem o saber; aí reside precisamente o perigo. Ou, o que é ainda pior, pomos de lado por um acto de vontade, mas por um acto de vontade furtivo em relação a nós mesmos. E, de seguida, já não sabemos o que pusemos de lado. Não o queremos saber e, à força de não o querermos saber, chagamos ao ponto de não o poder saber.

Esta faculdade de pôr de lado permite todos os crimes. Para tudo o que está fora do âmbito dentro do qual a educação, o ensino criou ligações sólidas, ela constitui a chave da licença absoluta. É o que autoriza, entre os homens, comportamentos tão incoerentes, especialmente todas as vezes que o social, os sentimentos colectivos (guerra, raiva entre nações e classes, patriotismo de um partido, de uma Igreja, etc.) intervêm. Tudo o que está coberto pelo prestígio da coisa social é colocado num sítio diferente de tudo o mais e subtraído a certas relações.

[…]

Um proprietário de uma fábrica. Tenho estes e aqueles prazeres dispendiosos e os meus operários são miseráveis. Pode ter muito sinceramente piedade dos seus operários e não estabelecer nenhuma relação.

Porque nenhuma relação se estabelece se o pensamento não a produzir. Dois e dois continuam indefinidamente a ser dois e dois se o pensamento não os junta para fazer deles quatro.

Detestamos as pessoas que pretendem levar-nos a estabelecer relações que não queremos estabelecer.

in A GRAVIDADE E A GRAÇA, Simone Weil

Pedro e os advisers

A Itália de Maquiavel era uma manta de retalhos devastada pelas incessantes disputas de poder entre as grandes famílias e também pelos conflitos causados pela Igreja Católica. Na ausência de forças militares próprias para vencerem os opositores, um dos recursos mais frequentes era o da contratação de exércitos mercenários, tropa estrangeira que, breve e invariavelmente, se transformava em tropa-fandanga ávida por espoliar as populações e territórios em nome de quem tinham combatido. Maquiavel explicou os males do tempo, embrulhados em desesperança e fatalismo, denunciando a cobardia da elite italiana. Em vez de serem patriotas e se rodearem daqueles que queriam defender as suas comunidades, os senhores entregavam-se nas mãos armadas dos bárbaros só pela ganância de irem ao pote.

Desde meados de 2010 que uma parte da elite portuguesa fez campanha pela entrada em território nacional de uma força estrangeira. Diziam que ela trazia a solução para os nossos males e que só ela estaria em condições de governar um povo ingovernável. Era o FMI e seu receituário de empobrecimento forçado e desprezo impávido pelo sofrimento causado na classe média e na parte da sociedade mais financeira e socialmente carente. Este seria em tudo como o exército romano, essa implacável e letal máquina de engenheiros e engenharias. Há dezenas, há centenas de declarações públicas onde personalidades políticas e económicas destacadas fazem esse apelo abertamente, onde se assumia que a única forma para o derrube do poder eleito num país que insistia em votar Sócrates contra os interesses da oligarquia era fazer com que se suspendesse a democracia e se entregasse a cidade aos tecnocratas alienígenas que iriam aterrar na Portela para fazer contas de subtrair.

Concluído o processo de reeleição de Cavaco, sabendo que Sócrates, contra tudo e contra todos, ia conseguindo resistir aos mercados e conseguindo a aliança de Merkel no fio da navalha, que as contas se começavam a ajustar no sensato equilíbrio da austeridade com a sobrevivência da economia, e sabendo que estávamos na iminência de um passo decisivo com o chamado PEC IV, a elite portuguesa decidiu que não haveria melhor momento do que os idos de Março para abrir as portas aos guerreiros mercenários. Se não fosse nessa altura, teriam de esperar pela discussão do Orçamento para 2012 e corriam o risco de verem Portugal cada vez mais capaz de se financiar e a não se afundar na tempestade internacional.

Uma vez instalado o corpo expedicionário Troika por obra e graça da santa aliança, temos sem surpresa parte desses senhores a fazerem-nos constantes ameaças: ou nos portamos bem ou os estrangeiros fazem-nos mal, ainda mais mal, pois eles é que têm as armas. É uma conversa de trastes e de chantagistas. Para além de nos quererem oprimir, têm o topete de nos dizer que é para nossa salvação, que foi por nossa causa que tiveram de chamar os mauzões dos estrangeiros. Aliás, que nem sequer foram eles que trouxeram esta gente pérfida, foram os outros, os outros que não os queriam cá é que os foram buscar, é que são os culpados. Tudo o que de negativo a Troika provoque é da responsabilidade dos outros, tudo o que de positivo a Troika alcance é mérito deles, escarram-nos em cima minuto a minuto. Agora, é comer e calar para que isto não fique cada vez pior, trágico, catastrófico.

E quanto ao que o Governo faz ou não faz, pensa fazer ou desfazer, tal como o Primeiro-Ministro candidamente revelou na entrevista desta noite, isso é algo que ele vai discutindo com os advisers. É também essa a razão que explica o assustador facto de darmos por nós a olhar para um governante que literalmente não sabe do que fala nem se esforça por o esconder – pois se os advisers é que mandam, não faz parte da natureza transparente do Pedro estar a fingir aquilo que ele não é nem pode ser.

No tempo em que os animais falavam – 0

A 4 de Maio de 2011, a um mês das eleições, Passos Coelho despejava estas verdades para cima do povo:

Vítor Gonçalves – Paulo Portas disse, esta noite, que isto era um acordo mediano. Qual é a sua opinião? Este é um bom acordo, é um mau acordo ou um médio acordo? Como é que classifica este acordo?
Pedro Passos Coelho – Em primeiro lugar, é um acordo necessário e é um acordo difícil e duro. Acho espantoso que o Primeiro-Ministro, ontem, tivesse comunicado aos portugueses os termos que não estavam no acordo e não o acordo que ele próprio firmou nas negociações.
Vítor Gonçalves – Havia muitas dúvidas nas pessoas sobre se vai haver ou não 13º mês e, portanto, o Primeiro-Ministro acabou por resolver essas dúvidas.
Pedro Passos Coelho – É verdade. Mas sabe que quem lançou essas dúvidas na opinião pública foi o Primeiro-Ministro. Foi o Primeiro-Ministro que veio ameaçar, publicamente, que podia estar em causa o 13º e o 14º mês, caso o PEC fosse chumbado e tivesse de se recorrer à ajuda externa. Não se disse por aí, foi o Primeiro-Ministro que ameaçou.

No tempo em que os animais falavam – 1

A 4 de Maio de 2011, a um mês das eleições, Passos Coelho despejava estas verdades para cima do povo:

Sandra Sousa – Isto que dizer, Doutor Pedro Passos Coelho, que não há grande margem de manobra para alterar algumas políticas? Ontem à noite, por exemplo, o negociador do PSD, Eduardo Catroga…
Pedro Passos Coelho – Não foi isso que eu disse.
Sandra Sousa – … disse que abriu a porta a um mix de políticas, caso se viesse a revelar necessário.
Pedro Passos Coelho – Exactamente, nós não temos é espaço para falhar os objectivos. Mas julgo que é importante…
Sandra Sousa – Mas têm espaço para alterar as políticas? O que é que quer dizer, exactamente, com este mix de políticas?
Pedro Passos Coelho – Julgo que é importante que, uma vez fixados os objectivos, por exemplo de atingir um determinado volume de despesa pública, encontrar um determinado mix para a área fiscal, quer dizer, uma combinação dos impostos sem aumentar a carga fiscal, para que se possa ajudar a economia a crescer.
Sandra Sousa – Deixe-me ver se eu percebi o seu ponto…
Pedro Passos Coelho – Se isto acontecer, não há uma única combinação de políticas que pode dar o mesmo resultado. Ora, do nosso ponto de vista, e dissemo-lo desde o inicio, era muito importante que houvesse espaço para esta flexibilidade a seguir às eleições.
Sandra Sousa – E há esse espaço?
Pedro Passos Coelho – Eu julgo que haverá esse espaço, não há dúvida disso.

No tempo em que os animais falavam – 2

A 4 de Maio de 2011, a um mês das eleições, Passos Coelho despejava estas verdades para cima do povo:

Vítor Gonçalves – Deixe-me colocar-lhe a seguinte questão, o PSD chumbou o PEC IV e algumas das …
Pedro Passos Coelho – E ainda bem.
Vítor Gonçalves – … e algumas das propostas que estão agora neste acordo são muito semelhantes às que se encontravam no PEC IV. Portanto, eu cálculo que alguns portugueses nesta altura perguntem, “Mas como é que o PSD foi chumbar o PEC IV e agora aceita um acordo que é, numa grande área, semelhante ao PEC IV”.
Pedro Passos Coelho – Em primeiro lugar o PEC IV já não existiria se tivesse sido aprovado, essa é a primeira coisa. Partia de uma base irrealista. Olhe, partia de uma base de que nós não precisávamos de dinheiro e o País precisa, desesperadamente, de dinheiro. Partia da base de que o défice em 2010 era de 6,8%, é de 9,1 não atendendo a receitas extraordinárias que se não tivessem ocorrido deixaria o nosso défice em 10,2%. O PEC IV não deixava margem para o crescimento da economia, nós dissemos isso na altura. O PEC IV não resolve nenhum problema em Portugal e ainda bem, portanto, que foi chumbado, porque se não tivesse sido chumbado todo aquilo que neste memorando de entendimento funciona a favor do crescimento de economia, envolvendo…
Vítor Gonçalves – Mas as medidas de consolidação orçamental são as mesmas, basicamente.
Pedro Passos Coelho – Deixe-me dizer… incluindo racionalização do Estado, transferência da austeridade dos cidadãos para a despesa pública e para o próprio Estado, a começar nas fundações, nos institutos, na administração paralela, isto que nós denunciámos na altura e que o Governo não quis atender. Isso está no memorando de entendimento mas não estava no PEC IV, portanto, ainda bem que o PEC IV foi chumbado.

No tempo em que os animais falavam – 3

A 4 de Maio de 2011, a um mês das eleições, Passos Coelho despejava estas verdades para cima do povo:

Eu não estou agarrado ao meu lugar, não quero ser Primeiro-Ministro a qualquer preço. Mas ninguém no PSD quer ganhar mais estas eleições do que eu porque numa altura em que o País enfrenta, provavelmente, a última grande oportunidade nos próximos anos de inverter esta tendência de empobrecimento em que tem caído, Portugal tem crescido, nos últimos dez anos, em média 0,5%, o que significa que se não inverter esta situação os 700 mil desempregados que hoje tem crescerão para perto de 900 mil muito rapidamente – o que significa uma situação absolutamente desastrosa e caótica. Nós hoje só não temos 15% de desemprego em Portugal porque temos a maior taxa de emigração dos últimos 90 anos em Portugal. Portanto, ou vamos inverter esta situação rapidamente e as pessoas acham que é importante fazê-lo, e escolher um Governo que, de uma vez por todas, entregue este resultado e lute por ele, ou não temos isso e então o País terá escolhido o seu destino e eu assumirei a minha responsabilidade; é porque eu não fui suficientemente convincente. Mas estou muito determinado em entregar este resultado e não será por falta, nem de preparação, nem por não escolher as pessoas com melhor perfil, nem de levar a maior isenção e abertura para o Governo, que a estratégia não será bem sucedida.

Isto anda tudo ligado

Há regulares estudos no âmbito da psicologia social que exibem traços distintivos da direita face à esquerda quanto à tipologia mental e moral. Assim, à direita tende-se a valorizar o individual em detrimento do colectivo, algo que a literatura em ciência política já consagra desde os conflitos gregos entre urbanos e terratenentes que deram origem à democracia nos séculos VII e VI da Antiguidade. A partir desta simples diferença, podemos assistir ao encaixe perfeito de outras características: a direita tende a ser conservadora, procurando manter uma ordem onde se encontra no topo da pirâmide, e a esquerda tende a ser progressista, procurando alterar a ordem estabelecida na procura do constante nivelamento da distribuição da riqueza; a direita é mais assustadiça, reagindo com medo à incerteza que lhe pode trazer grandes prejuízos, e a esquerda é mais aventureira, esperando alcançar grandes ganhos com a alteração social; a direita está blindada face ao sofrimento de quem não pertença ao seu clã, o qual explica como falha das vítimas, e a esquerda assume as dores de terceiros como suas, as quais explica como falha da sociedade.

É um retrato básico, caricatural, mas nem por isso inexacto. É uma condição antropológica, como tal observável vezes sem conta empiricamente. Basta que nos lembremos dos casos anedóticos daqueles que mudaram de posição na hierarquia social auto-percebida (que pode passar por algo tão mínimo como ter carro e casa própria ou passar a ganhar mais uns tostões no emprego e receber um qualquer título manhoso que permita não ser confundido com a ralé) e, de imediato, passaram a defender e atacar exactamente o contrário do que atacavam e defendiam antes da mudança. Não há aqui, vendo na largura histórica, um mal moral, antes uma dinâmica de sobrevivência cuja raiz, ao limite, é biológica. Quem tem de seu, protege-o; a quem falta, não faltam razões para cobiçar o alheio.

Continuar a lerIsto anda tudo ligado

Para o caso de encontrarem o Seguro no elevador

Descartando a forte possibilidade de o encontro entre Passos e Seguro, ocorrido a 30 de Agosto, ter sido única e exclusivamente para discutirem o grave problema da falta de avançados no Sporting, então Seguro ouviu de Passos a boa nova de que daí por uma semana estaria de novo a chicotear a populaça, e que três dias depois Gaspar nos ia empalar em nome da cooperação entre empregados e seus carentes patrões.

Seguro teve uma semana para preparar a resposta a este tsunami de empobrecimento sobre o empobrecimento, a este espectáculo de descalabro político em queda-livre. E que fez? O que melhor sabe fazer, citando o Vega9000: calou-se e anda agora a fingir que vai fazer alguma coisa. Se ao menos lhe conseguissem marcar a consulta com o outro mestre da sonsice, sempre obteria umas fotos para mostrar ao País o que é um secretário-geral do PS sério, transparente e responsável. Até lá, há que esperar. Esperar violentamente.

Por favor, haja alguém que apanhe o Seguro no elevador e lhe diga que para ser responsável tem de começar por assumir as suas responsabilidades – sendo a primeira delas a de liderar a oposição.