No tempo em que os animais falavam – 2

A 4 de Maio de 2011, a um mês das eleições, Passos Coelho despejava estas verdades para cima do povo:

Vítor Gonçalves – Deixe-me colocar-lhe a seguinte questão, o PSD chumbou o PEC IV e algumas das …
Pedro Passos Coelho – E ainda bem.
Vítor Gonçalves – … e algumas das propostas que estão agora neste acordo são muito semelhantes às que se encontravam no PEC IV. Portanto, eu cálculo que alguns portugueses nesta altura perguntem, “Mas como é que o PSD foi chumbar o PEC IV e agora aceita um acordo que é, numa grande área, semelhante ao PEC IV”.
Pedro Passos Coelho – Em primeiro lugar o PEC IV já não existiria se tivesse sido aprovado, essa é a primeira coisa. Partia de uma base irrealista. Olhe, partia de uma base de que nós não precisávamos de dinheiro e o País precisa, desesperadamente, de dinheiro. Partia da base de que o défice em 2010 era de 6,8%, é de 9,1 não atendendo a receitas extraordinárias que se não tivessem ocorrido deixaria o nosso défice em 10,2%. O PEC IV não deixava margem para o crescimento da economia, nós dissemos isso na altura. O PEC IV não resolve nenhum problema em Portugal e ainda bem, portanto, que foi chumbado, porque se não tivesse sido chumbado todo aquilo que neste memorando de entendimento funciona a favor do crescimento de economia, envolvendo…
Vítor Gonçalves – Mas as medidas de consolidação orçamental são as mesmas, basicamente.
Pedro Passos Coelho – Deixe-me dizer… incluindo racionalização do Estado, transferência da austeridade dos cidadãos para a despesa pública e para o próprio Estado, a começar nas fundações, nos institutos, na administração paralela, isto que nós denunciámos na altura e que o Governo não quis atender. Isso está no memorando de entendimento mas não estava no PEC IV, portanto, ainda bem que o PEC IV foi chumbado.

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