A 9 de Março de 2011, Aníbal António Cavaco Silva, discursando solenemente no lugar de honra da Mesa da Assembleia da República, pediu um sobressalto cívico na sociedade e que os jovens fizessem ouvir a sua voz. Disse que a política devia ser mais sadia, mais limpa, mais digna. Exortou os portugueses a despertarem e a fazerem uma grande mobilização.
Três dias depois iria realizar-se uma manifestação que começou por ser de jovens à rasca e que cresceu desmesuradamente por impulso das agendas partidárias para se transformar num Woodstock da oposição. Milhares e milhares de pessoas declaravam a sua intenção de participar pela primeira vez numa coisa dessas, milhares e milhares de profissionais dessas coisas preparavam as máquinas para encher a Avenida da Liberdade. Eis o que declarou um dos organizadores da coisa acerca do empurrão do coiso:
Alexandre Sousa Carvalho, um dos organizadores do protesto da “Geração à Rasca” convocado para o próximo sábado, ouviu “com agrado” o discurso presidencial.
As palavras de Cavaco, diz o jovem licenciado em Relações Internacionais são “um apelo” mas que é coerente com “aquilo que o próprio Presidente da República tem vindo a fazer desde o seu primeiro mandato”. Ou seja, o apelo de Cavaco a uma participação da sociedade civil na vida política nacional não é novidade mas, dado o actual contexto, é “com agrado que vemos que as pessoas – de esquerda ou de direita – se identificam com os motivos do nosso protesto”.
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