Fernando Rosas, deputado do Bloco de Esquerda, garantiu ontem à agência Lusa que o seu partido não aceitará qualquer tipo de acordo, pré ou pós-eleitoral, com o Partido Socialista (PS) nas próximas eleições legislativas de 27 de Setembro.
O deputado do BE, que ontem à noite participou numa arruada no Barreiro, afirmou que “as bases políticas programáticas do PS são completamente contrárias às do Bloco”, assinalou Fernando Rosas”, para justificar a exclusão de qualquer hipótese de entendimento com o actual partido no poder. Ferro Rodrigues, ex-líder do PS, defendeu em entrevista ao Expresso que o PS deve desafiar PCP e BE para o Governo.
Este Governo é mais perigoso do que o de Sócrates.
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Louçã fez tudo o que pôde para desgastar, quebrar, dividir e derrotar o PS. Era este o seu único plano, sabendo que apenas receberia migalhas dos dissidentes do PCP e que era na radicalização do centro-esquerda que se jogava o seu napoleónico futuro. Em crescendo de agressividade, e definhamento de imaginação, ia revelando a megalómana ambição: liderar uma imperial “esquerda grande” sobre os escombros do socialismo democrático e a tolerância comunista.
Na primeira citação, numa altura em que se dava como certo que o PS iria perder a maioria nas eleições de 2009, vemos Ferro Rodrigues a tentar iniciar um diálogo que gere uma convergência à esquerda só para receber a maniqueísta resposta de um coronel do BE:
as bases políticas programáticas do PS são completamente contrárias às do Bloco
Isto é o mesmo que dizer-se que o PS é o principal inimigo do BE, que onde o BE é de esquerda o PS é direita, e quando o BE defende os trabalhadores o PS defende os patrões. De facto, projectando no PS a raiva ideológica máxima que se é capaz de conceber, qualquer acordo, nem que fosse a respeito de uma conta de somar, seria impossível. E impossível foi, com o BE a preferir que Portugal ficasse com um Governo minoritário de esquerda a partir de 2009, o qual estaria condenado a sofrer todas as golpadas da direita, quando e como ela quisesse.
Em 2012, depois de Louçã nos ter garantido que o chumbo do PEC 4 corresponderia à saída da crise, assoma um laivo de lucidez. Parece que o visionário já consegue vislumbrar que a solução política para a qual ele contribuiu diligente e entusiasticamente é pior do que a anterior. Este deslumbrado que continua a colar o PS à direita – esse mesmo PS que construiu e defendeu o Estado Social – já se esqueceu do que disse na noite eleitoral de 2009, a noite do maior triunfo da sua vida política, e não há ninguém que lhe tenha dado o voto que lhe peça agora responsabilidades depois da bela merda que andou a fazer com ele, mas aqui fica para se contemplar os malefícios da demagogia infrene:
Este é um novo dia para a esquerda portuguesa. Nada será como dantes. Teremos uma esquerda mais rigorosa, com mais capacidade de diálogo. Nenhum eleitor do Bloco de Esquerda terá qualquer dúvida de que todo o voto dado ao Bloco de Esquerda será gasto na defesa dos direitos fundamentais de uma resposta que possa transformar o país.
