Duas perguntas

Fanatismo, sectarismo, distorções morais, dissonâncias cognitivas e um sem-número de outros fenómenos mentais congéneres são características antropológicas inevitáveis na política, correspondendo à matriz tribal de onde só há pouquíssimo tempo histórico começámos a sair – e só nalgumas partes do Planeta. Observam-se por todo o lado, em todos os quadrantes ideológicos e partidários, seja cá na terrinha ou nesse mundão afora. Mas há uma imensa minoria que pede mais à política. Pede, por exemplo, que os políticos tratem os cidadãos como se acreditassem que os tais cidadãos são inteligentes.

Tomando a inteligência como critério supremo, e assim limitando ou até idealmente anulando o tribalismo, podemos olhar para a situação política nacional e fazer estas duas mui inteligentes perguntas:

– Chumbar o PEC 4 foi a melhor decisão para os interesses da maior parte dos portugueses?

– Este Governo está a executar o Memorando da melhor forma?

Quanto à primeira pergunta, comecemos por lembrar que a “maior parte dos portugueses” é aquela parte que inclui os portugueses miseráveis, os portugueses pobres e os portugueses remediados. Ou seja, 90% dos portugueses. Ora, sabemos bem o que levou o PSD e o CDS a chumbarem o PEC 4: el pote. Mas qual foi a lógica do BE e do PCP? Estes partidos reclamam o monopólio da protecção do povo e dos trabalhadores, dos excluídos e dos vitimizados; logo, o que os terá feito alinhar num plano que levaria ao agravamento das condições dos seus militantes, votantes e respectivas famílias? Há várias respostas para estas interrogações, e são todas sórdidas e lastimosas. Precisamos é de continuar aplicando a receita da inteligência, e isso passa por fazermos mais perguntas, estas:

– Como é que PCP e BE tentariam resolver a crise da dívida soberana caso fossem Governo?
– Caso não conseguissem convencer a Europa e o FMI das suas razões, que fariam a seguir?
– Caso resolvessem que Portugal iria sair do Euro, quais a consequências que antecipavam para a economia e sociedade portuguesas?
– Caso não tivessem países amigos que começassem a enviar dinheiro, petróleo e sacas de farinha, como é que PCP e BE sendo Governo de um país afastado da Europa e do Ocidente, sem recursos económicos, sem capital bancário e visto como uma comunidade de suicidas, imaginariam o nosso presente e o nosso futuro? Passaríamos todos a vestir uniforme, a andar de bicicleta e a matar pássaros nas matas e jardins para conseguir comer?

A nossa esquerda pura e verdadeira passa a vida num berreiro infrene contra as injustiças que estão sempre a aumentar aos seus olhos, mas nunca partilham com os leigos as projecções do que aconteceria em Portugal caso os seus programas fossem aplicados. Bastaria que conseguissem antecipar qual o calendário para a redução da pobreza se lhes fosse dada a possibilidade de irem buscar o dinheiro à má-fila aos mais ricos para mostrarem um mínimo de responsabilidade intelectual. Chegava-me ver esse exercício, desde que regido pelo princípio da razão suficiente, mas tenho a certeza absoluta de que nunca o farão, pois isso implicaria que aceitassem discutir uma qualquer questão política tendo como referência a realidade e não a dogmática religiosa a que chamam ideologia.

Quanto à segunda pergunta, as evidências acumulam-se e acabaram por esmagar o próprio Governo. A intenção de aproveitar as crises mundial e europeia para levar Portugal a um empréstimo de emergência nas piores condições possíveis era instrumental para a direita. O Memorando foi influenciado de modo a permitir todo o tipo de ataque ao Estado Social e continuou a ser modificado depois do Governo ter tomado posse, então já sem a participação, sequer conhecimento, do PS. Passos Coelho foi explícito ao dizer que o Memorando correspondia à sua visão para Portugal e que faria o que fosse possível para ir ainda mais longe no seu alcance modificador da sociedade. O afã com que se fez o assalto ao bolso dos mais pobres e da classe média, contradizendo sem um remorso o que se tinha prometido, afundou a economia, aumentou desvairadamente os sacrifícios e levou-nos para o presente estado de incumprimento das metas do défice acordadas com os credores. Pior era impossível.

A inteligência, ah pois, convida-nos com infinita paciência a concluir que nem este Governo defende os interesses nacionais, nem o chumbo do PEC 4 foi no interesse nacional – sendo o interesse nacional qualquer coisa melhor do que este resultado a que chegámos exclusivamente por causa da recusa do plano acordado com a Europa para evitar a tirania da troika. Na verdade, basta estar dotado de inteligência módica para constatar que o PSD repete em 2011 a traição a Portugal que cometeu em 2004 com a fuga de Barroso e no cavaquismo com o seu cortejo de abusos e indignidades. O CDS não passa de uma agência de recursos humanos para o exercício do poder. E PCP e BE são organizações que dependem do tribalismo para se organizarem e subsistirem, não há nada a esperar deles porque são eles os primeiros a recusarem partilhar a cidade com a alteridade.

É ao centro, seja mais à esquerda ou mais à direita, que a inteligência se pode aplicar com maior alcance e profundidade, não surpreendendo que o centro seja o espaço de maior erosão, pois é atacado pelos variados extremismos, sejam estratégicos ou tácticos. Foi assim que vimos, por exemplo, a radicalização de Ferreira Leite, que, de declarada apoiante de Lurdes Rodrigues antes de estar à frente do PSD, passou a alinhar com o bigodes da Fenprof nas manifestações que reuniram dois ou três milhões de professores contra a ministra-sinistra. Infelizmente para os melhores interesses da população, o PSD não escolheu para a sua liderança alguém que estivesse interessado em contribuir para a resolução dos nossos problemas. E valeu tudo, especialmente tirar olhos.

A política do século XXI é a da inteligência. A complexidade dos novos problemas pede mais inteligência nos discursos e nas condutas caso a ideia seja evitarmos catástrofes várias. Pelo que a escolha é simples: os cidadãos inteligentes vão escolher políticos inteligentes para os representarem. Caso não apareçam, os cidadãos inteligentes irão chegar-se à frente sob pena de morrerem estúpidos.

16 thoughts on “Duas perguntas”

  1. “A complexidade dos novos problemas pede mais inteligência nos discursos e nas condutas caso o plano passe por evitarmos catástrofes várias”
    Valupi, já era assim em Junho de 2011, dia em que a votação teve tendência maioritária para a burrice. A atenuante é que o povo estava cheio de ouvir dizer mal de Sócrates e do seu governo, ele era o p da republica, o medina, o crespo, a guedes, a leite, o moniz, o CM, a TVI, o CDS, o PSD, o BE, os Verdes, o PCP, o MRPP e sei lá quem mais. Todos contra um. Mesmo assim as sondagens davam um empate a uma semana das eleições e durante essa semana, mesmo os inteligentes, acabaram por aceitar o produto do vigarista das gorduras. E a catástrofe já aí está.
    Quanto à inteligência, dá para tudo. Um extremista politico pode ser inteligente, estou a lembrar-me do Salazar, do Marcelo Caetano e do Gaspar. A inteligência dá para gerir carreiras sem um pingo de solidariedade politica baseadas no cinismo, paciência e silêncios, como a de Seguro. Já a escassez de inteligência pode produzir PM’s, como o actual. Muito complicado! O que falta é respeito pelo cidadão, não fazer campanhas eleitorais, prometendo o impossível. O que temos não é falta de inteligência, é falta de decência e humildade democrática. Não sei o que raio andam a ensinar nas lojas da irmandade dominadora.

  2. Infelizmente o chumbo do pec 4 não foi bom para portugal.O que veio a seguir nem vale a pena comentar! pois é visivel a olho nú para uma maioria esmagadora de portugueses .Nunca como em 2011 uma minoria mesmo de 28% nas urnas, teve tanta razão no seu voto.Este foi o unico voto de protesto.os outros, foram pelo o assalto ao poder,e os “dignissimos representantes da classe trabalhadora” pela justeza das suas politicas! para continuarem ” a fazer aquilo que se viu.. Adeus tristeza até mais ver….”

  3. É mesmo essas perguntas que os portugueses devem fazer aos BEs e aos PCPs e aos Verdes e a todos os que se arrogam ser a “verdadeira” esquerda…! É que já estou a ver a engrenagem que eles irão “montar” aquando do chamado “Congresso Democrático das Alternativas” lá para Outubro…! …E só posso concordar com todo o seu texto, pois se escolhermos a preguiça mental em vez da inteligência, creio que até ficaremos pior do que os gregos…E o país, empobrecido, cairá de vez nas mãos da direita mais primária e saudosa, regressando a um eterno 23 de Abril!

  4. Valupi,
    A todo o momento o povo ouve o PCP proclamar que “são precisas outras políticas”. E com este slogan tenta levar o pagode a mudar por mudar, sem explicar uma linha de que constam essas “outras políticas”.
    Ora, quem conheça um pouco da História recente e ande atento ao desenrolar político, sabe que todas e a mais pequena medida proposta pelo PCP levariam ao empobrecimento extremo a mata-cavalos. E pior, levariam à miséria económica e moral extremas, num isolamento pior que o salazarismo quando estava “orgulhosamente só”, talvez apenas apoiados pela Coreia do Norte, Cuba e os chineses fariam de nós uma pedra de arremesso ao mundo como fazem com a Coreia do Norte. A pobreza seria de morrer à fome e trabalho escravo para o povo e de “patriotismo” de engorda para a elite burocrática.
    É por isso que tal partido tem um ódio de morte ao PS onde se integra com facilidade uma classe média esclarecida, capaz de aceitar mudanças de esquerda no quadro da liberdade, isto é, no quadro do civilizacionalmente possível, sem platónicas roturas utópicas.
    E, é aqui, no quadro ideológico do PCP contra a classe média que não lhe deixou-deixa fazer a sua revolução(m-l), que na actualidade esse partido faz o papel do fingidor perfeito quando, frente ao povo bate com a mão no peito e encena uma enorme palavrosa oposição a este governo, quando no fundo é pragmaticamente seu aliado observando que o governo tenta matar a tal classe média que odeia, portanto realizando parte importante do que seria o seu programa.
    Foi e é por isso que, PCP e de certo modo a liderança do BE, se aliaram à direita extremista quer nos media, na rua, no Parlamento e na acção política diária e, por fim, no derrube do governo Sócrates pela rejeição do PECIV.
    Eles, todos que rodeiam o PS sabem perfeitamente o que querem e trabalham sempre e acima de tudo para atingir o seu objectivo, só quem geralmente não sabe bem qual o seu papel no meio da sociedade portuguesa é essa tal classe média que, amante da liberdade de expressão e opinião como motor da civilização, entalada entre extremos ideológicos, vacila.
    Esta classe média que devia ler com atenção o que dizem os pensadores universais depois de muitos anos de matutar a cabeça sobre onde estava a virtude: “o meio termo” aristotélico e a “moderação” platónica.

  5. Caro Val,
    tu mesmo deste a resposta a todas elas, vi no entanto que falavas em inteligência!
    Mas onde andará essa desgraçada que é vilipidendiada um pouco por todo o lado pelos arrivistas do costume, armados da sua proverbial chico-espertice, tacanhez, idiotia que se esforçam por eleger o disparate como apanágio dos eleitos.
    Não terá sido a falta da mesma que levou a que muitos portugueses tivessem virado as costas a uma eleição recente e o ressabiamento de muitos fez o resto?

  6. Eduardo J, claro que estou a usar o termo “inteligência” apenas num certo sentido e não em todos os que a palavra acolhe. Um criminoso usa a sua inteligência para o crime; e quão maior a dificuldade de execução do crime, maior a capacidade de inteligência aplicada. Veja-se o Nazismo, estava cheio de algumas das maiores inteligências do tempo.

    O sentido que tomo como implícito é aquele que concebe a inteligência como o instrumento da boa vida, e a boa vida como a realização do potencial humano para a sobrevivência, experiência comunitária e criatividade intelectual. Estender estes princípios à escala planetária, e até cósmica, é o que permite elaborar uma Declaração Universal dos Direitos do Homem, por exemplo, ou estabelecer uma Organização das Nações Unidas, entre tantos outros casos de instituições nascidas da procura do bem como valor universal.

    Idealmente, a política seria outra forma de garantir e fazer este caminho.
    __´

    Maria Rita, certíssimo.
    __

    M.G.P.MENDES, a direita primária já está no poleiro. E têm tudo: Presidente, Maioria e Governo.
    __

    O Rural, a partir de hoje não precisas de ler a conversa toda. Lê só até começares a ficar cansado e depois vai descansar que bem precisas.
    __

    jose neves, excelente comentário.
    __

    :)), vai lá buscá-los, já que sabes onde eles estão.
    __

    Teofilo M, é precisamente por isso que precisamos de mais números e de menos festas e comícios.

  7. vale, que dizes das ideias do congresso das alternativas? E que me dizes de um partido partilhado com a ala direita do be e com a ala esquerda do ps? Um partido do meio da esquerda, nem extrema nem moderada

  8. oh cRRomo! é já este fim de semana em vilar de perdizes o xxvi congresso de alternativas. o padre fontes anda nisto há 26 anos e nem com bruxaria lá vai.

  9. ignatz, como é que vão as coisas ai em castelo de vide? Deixa lá a moreirazita.Lá faz-se real oposição ao nosso desgoverno

  10. “Chegava-me ver esse exercício, desde que regido pelo princípio da razão suficiente, mas tenho a certeza absoluta de que nunca o farão, pois isso implicaria que aceitassem discutir uma qualquer questão política tendo como referência a realidade e não a dogmática religiosa a que chamam ideologia. “

    Como é que o BE tentariam resolver a crise da dívida soberana caso fossem Governo?

    1. Auditoria à dívida
    Uma saída para a situação de emergência do país baseia-se na democracia. Não há contas claras com uma dívida obscura. Para o Bloco de Esquerda, é necessário conhecer a composição das dívidas pública e privada, a sua origem, os seus prazos e os seus juros. A dívida deve ser paga por quem a cria. A parte do Estado é a mais pequena, mas inclui já hoje parcelas ilegítimas, resultantes de juros abusivos e negócios de corrupção e favorecimento. Para decidirmos sobre a dívida, é necessário separar o trigo do joio.

    Populista e despiciente, todos nós conhecemos os nossos credores (é a troika parvo) e a factura é do conhecimento público (o Estado Social, estúpido).

    2. Renegociação da dívida
    As condições leoninas impostas à Grécia, à Irlanda e a Portugal conduzem estes países a
    uma bancarrota adiada. A espiral para o abismo só pode ser evitada mediante uma renegociação rigorosa. O Bloco propõe uma renegociação que estabeleça novos prazos, novas taxas de juro e condições de cumprimento razoáveis, que acompanhem a recuperação económica, e que anule a dívida inexistente. Em vez de ser uma oportunidade de negócio para os credores dos países da periferia, as presentes dificuldades devem mobilizar uma política de cooperação europeia contra
    a especulação.

    Moralmente desprezível. A ajuda contratualizada é para ser honrada. Pagar 50% em juros do que pedimos emprestado é claramente realizável. Quem afirmar o contrário é pura e simplesmente um “caloteiro” sem escrúpulos.

    3. Ataque ao despesismo
    Além de cancelar as Parcerias Público-Privado pendentes, o Bloco propõe que se imponha um tecto aos accionistas das PPP para o nível médio da taxa de juro da dívida pública praticada nos anos anteriores.

    Irrealizável. Os contratos estão blindados e é necessário respeitar a liberdade económica que subjaz aos contratos. A parte privada não deve ser obrigada a aceitar uma taxa de juro média de 5% mas sim continuar a usufruir de taxas de dois dígitos. Em causa a “confiança” nas relações entre o Estado e o mercado, para além de uma dúzia de leis comerciais. As relações contratuais entre os trabalhadores do Estado e o Estado não são abrangidas por tais pressupostos. A confiança entre estas entidades não são necessárias, há muito que explodiram, e há uma hierarquia de valores e leis (económicas) a valorizar..

    As despesas militares absurdas devem ser verificadas na sua legalidade e devem ser rompidos os contratos manchados por corrupção ou incumprimento de contrapartidas.

    Um verdadeiro insulto ao senso de razão e justiça dos portugueses e um valente desrespeito pelas entidades governativas e judiciárias. Não há um único caso de comprovada corrupção. Populismo puro..

    Deve ser aplicado o Orçamento de Base Zero, que obriga os serviços e departamentos do Estado à justificação de cada gasto, em vez da reprodução viciada de um quadro cíclico de despesas.

    Perniciosa e extremista. Isto implicaria a uma maior burocratização (soviética) da administração do dinheiro público. Implicaria, por exemplo, a elaboração de orçamentos e à justificação de despesas. Um controlo inaceitável e que consequentemente atingiria o livre espírito mercantil que reina em muitos organismos..

    O Bloco de Esquerda propõe ainda a abolição dos governos civis, a redução drástica das consultadorias externas, a transferência para o SNS os cuidados de saúde prestados por privados mas pagos pelo Estado, a revisão dos financiamentos a fundações, a vigilância das nomeações públicas e uma limitação salarial no sector público pelo vencimento do presidente da República.

    Impensável. Uma verdadeiro abuso burocrático e um atentado à liberdade económica da relação entre os privados (entidades e prestadores de serviços) e o Estado. Para além de atingir (mortalmente) o sistema de incentivos que reina no capitalismo rendeiro nacional. Sem dúvida, uma medida irrealista.

    4. Fundo nacional de resgate
    O Bloco propõe a criação de um fundo de garantia de resgate da dívida assente na tributação das operações bolsistas, das transferências para paraísos fiscais e ainda num novo imposto sobre as mais-valias urbanísticas.

    Puro fanatismo ideológico. Todos sabemos o quão elevado está a tributação sobre a economia financeira e a aristocracia burguesa. Repare, ainda há pouco tempo, muito do dinheiro transferido para os ditos “paraísos” pagaram um imposto “especial” de 7%. 7%, que exagero. Basta ver as taxas correntes de IRC, IRS para quem produz e trabalha. Realmente, estes fanáticos, querem é sacar dinheiro a quem faz muito pela economia portuguesa para, simplesmente (a mim os seus discursos não me enganam), manter o regabofe social.

    5. Justiça fiscal
    Imposto Único sobre o Património para incluir bens financeiros e acções (ao mesmo nível do actual IMI, que não deve ser alterado). Em casos excepcionais de grandes fortunas, o Bloco de Esquerda propõe um imposto complementar apropriado, cuja receita deve ser canalizada para a Segurança Social.

    Economicamente ignorante. Os bens financeiros e acções consubstanciam-se, de facto, em bens essenciais e representam o fruto do trabalho de contemplação visual de milhares de cidadãos. Portanto, imperturbavelmente “não taxáveis”. O que eles querem é aplicar o mesmo imposto, justo, sobre quem detém habituação única e, portanto, facultativa. Por outro lado, mas “no mesmo sentido”, ainda há uns dias o fundo da Segurança Social conseguiu recuperar quase mil milhões de euros, ficando a poucas centenas de milhões de euros da recuperação total das perdas no “casino” há uns meses. Querem justiça fiscal? Deixem o mercado auto-regular-se e contratam mais e melhores “traders” para as finanças e segurança social.

    6. Mobilização da poupança e reforço da banca pública
    A pequena e média poupança popular deve ser concentrada através da emissão de títulos
    com rendimentos razoáveis e obrigações ligadas a projectos públicos dinamizados no sector empresarial do Estado.

    Irresponsáveis. Estes criacionistas económicos querem o retorno do “aforro popular” atrativo e assim desviar milhares de milhões de euros da banca privada (onde os seus clientes transformaram as suas poupanças em aplicações de alto rigor e rentabilidade) para o Estado. Primeiro, o Estado não precisa de “liquidez popular”. Há uma banca generosa à porta. Segundo, é mais uma medida estatizante e atentatória da liberdade individual. Onde já se viu , certificados de aforro com taxas atraentes e a tentativa de desviar o Estado do honrado e justo circuito de endividamento bancário.

    No mesmo sentido, o Bloco propõe a reorientação para a CGD dos 12 mil milhões de euros previstos para apoio à banca privada. Só a solidez do banco público permite uma estratégia sustentável de crédito à economia.

    Impraticável. É hayekisianamente reprovável. O banco público deve é ser privatizado. Rouba recursos preciosos ao mercado que deveriam ir para a banca privada. Além disso, usar as garantias estatais e o dinheiro dos contribuintes para suportar um banco público é deveras humilhante. Vejam o privado!

    7. A União deve emitir títulos de dívida europeia, pondo em comum as dívidas soberanas em excesso.

    Risível. Partilhar o risco da dívida dos vários países é promover o alastramento da crise para além dos atuais “infectados”. Está provado e estes bloquistas continuam demagogicamente a insistir.

    8. A União deve criar uma agência europeia de notação e agir judicialmente contra as que existem.

    Estúpidos e com extrema má-fé, não conseguem adaptar a realidade aos sérios critérios de avaliação das agências internacionais e pretendem “adulterar” o jogo. Enfim, palavras para quê.

    9. A União deve colocar o investimento público fora dos cálculos do défice.

    O cúmulo do regabofe é o que aconteceria. Investimento público? Escolas, hospitais, estradas, comboios? Por favor, foi o investimento público (e o Estado Social, convém lembrar) que criou esta crise e estes querem promovê-la com estas idiotices. Truques contabilísticos é o que é.

    10. A União precisa de um Pacto para o Emprego, de um Orçamento reforçado e de um novo banco europeu de investimento, vocacionado para o crédito às PME’s.

    Demagógicos, por um lado (estão a defender os burgueses das PME) e traiçoeiros por outro (a Europa precisa é de liberalizar o emprego, não de pactos e garantias).

    11. A União deve combater os paraísos fiscais e criar uma taxa europeia sobre as
    transacções financeiras.

    Ao finalizarem os paraísos fiscais estes bloquistas querem é o inferno tributário. Está comprovadamente demonstrado que a existência destes paraísos promove a riqueza, libertando recursos para o investimento e para o combate à fome e pobreza. Estudem, seus básicos!

    12. O BCE deve financiar os Estados do mesmo modo e com as mesmas taxas que financiam a banca privada

    O cúmulo da estupidez económica. Financiar um Estado com as mesmas regras e juros que financia a banca privada seria promover uma concorrência desleal e economicamente perigosa. Imaginem o que seria Portugal pagar 1% de juro médio invés dos atuais 5%. Que descalabro. E a inflação, pás!

    Caso não conseguissem convencer a Europa e o FMI das suas razões, que fariam a seguir?

    Com certeza que não delineariam um plano tão astuto e contumaz como aquele que nos é apresentado no “memorando de desenvolvimento” e subscrito pelo PS/PSD e CDS-PP. Além do mais, porque razão precisariam estes partidos (BE e PCP) de planear e cogitar cenários políticos se tudo está garantido e subscrito pelo centro político da partidocracia portuguesa, um centro libertador e presenteado com a maior das inteligências onde se podem aplicar com maior alcance e profundidade artes várias? Estes extremistas deveriam fazer o mesmo que a mui nobre banca especuladora fez, e começar a gizar a saída do euro (que implicaria a criar moeda própria, a definir políticas financeiras, etc.). Um louco disse-me que entre estes, os do BE e do PCP, já equacionaram e até escreveram (alguns até debateram publicamente) tal cenário singular. Imaginem que até arriscaram este cenário como a medida mais sensata e economicamente viável. Eu não acredito que sejam capazes! Certamente que será mais um espasmo populista-demogógico parido das suas dogmáticas religiosas a que chamam ideologias, quiçá, socialistas.

    “(…)como é que PCP e BE sendo Governo de um país afastado da Europa e do Ocidente, sem recursos económicos, sem capital bancário e visto como uma comunidade de suicidas, imaginariam o nosso presente e o nosso futuro? “

    Mas o PSD/CDS-PP já governa um país sem recursos económicos, sem capital bancário e visto como uma comunidade de suicidas. Caso não saiba foi uma prenda do “regabofe despesista socialista”, alegremente despejado do palácio governamental pela corja extremista que chumbou o PEC IV. Sim, o PEC IV que antecipava, (quase integralmente) as medidas suicidárias do aclamado memorando. Isto é o cenário atual. Não é intelectualmente aliciante comentar ou fantasiar soluções. É apenas a realidade, e esta, como acima superiormente descreveu, não é passível de exercício nem de discussão política por este seu “extrema-esquerdista” escriba. Passe bem.

  11. oh zé! o resultado dessa treta não seria muito diferente do gerado pela política deste governo, só que a receita do bloco fechava o país mais cedo e o impacto da emigração portuguesa seria maior na europa. tens algum exemplo de sucesso, tirando o grego para o qual contribuiu o syriza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.