Todos os artigos de Valupi
Revolution through evolution
Living on the streets, but at home on Twitter
.
A Little Music Training Goes a Long Way: Practicing Music for Only Few Years in Childhood Helps Improve Adult Brain
.
Spirituality Correlates to Better Mental Health Regardless of Religion, Say Researchers
.
Dont Get Mad, Get Creative: Social Rejection Can Fuel Imaginative Thinking, Study Shows
.
Politics and Prejudice Explored
.
Working Class Prefers Comedy and the Intellectual Class Goes for Drama
.
Study Reveals Human Drive for Fair Play
.
Spending Time With Parents Has Benefits For A Teenager’s Well-Being
.
The Innocence Project: Science Helping Innocent People Proven Guilty
.
God as a Drug: The Rise of American Megachurches
.
In Your Future: More Healthful Foods to Nourish the Non-Human You
.
Self-Awareness in Humans Is More Complex, Diffuse Than Previously Thought
Está quase
Já falta pouco tempo para vermos e ouvirmos Marcelo a deitar abaixo o plano de Sócrates para entregar uma RTP sem gorduras de serviço público ao Correio da Manhã ou a uns amigos angolanos, mas continuando a ser paga pelo contribuinte. Está quase, ele até esgalhou um nome todo nice para a operação: “A tele-fórmula Sócrates”
Já agora, vale a pena pensar nisto
O conhecimento da desgraça humana é difícil para o rico, o poderoso, porque o mesmo é quase invencivelmente levado a crer que é alguma coisa. É igualmente difícil para o desgraçado porque o mesmo é quase invencivelmente levado a crer que o rico, o poderoso, é alguma coisa.
in A GRAVIDADE E A GRAÇA, Simone Weil
Mr. T
Ahmad Kavousian nasceu no Irão em 1948. Tem-se notabilizado pelas suas fotografias de pessoas que vivem na rua, na miséria. Desde 2010 reside em Lisboa, casado com uma portuguesa. Para o conhecer melhor: website e facebook
Esta foto que escolhi não teria merecido o meu interesse não fora o seu título: “Mr. T”. Quem será? Onde estará? Que histórias tem para contar? E será o único Mr. T que existe, ou o único que se deixa fotografar? What’s in a name?
Inutilidade, sim; inútil, não
José Sócrates afirmou que o acordo não prevê despedimentos nem cortes nos salários da função pública.
“O acordo que o Governo conseguiu não mexe no 13º mês, nem no 14º mês, nem os substitui por nenhum título de poupança. Não mexe no 13º mês, nem no 14º mês dos reformados”, assegurou.
O chefe do Governo anunciou ainda que não haverá mais cortes nos salários da função pública, nem redução do salário mínimo nacional. E garantiu que o acordo alcançado com a “troika” europeia prevê expressamente o aumento das pensões mínimas, sendo apenas previsíveis alterações nas pensões que têm um valor superior a 1500 euros.
“Depois de tantas notícias especulativas publicadas pela imprensa, o meu primeiro dever é tranquilizar os portugueses”, disse, antes de se referir à evolução das pensões nos próximos anos.
*
O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais “medidas penalizadoras para os portugueses” do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objetivos.
Eduardo Catroga afirmou ainda que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal “foi essencialmente influenciada” pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV. Eduardo Catroga considerou que a revisão da trajetória do défice foi uma “grande vitória” dos sociais-democratas.
__
Isto não custa a entender. A partir do momento em que o PS aceitava formar um Governo minoritário, o PSD ficava dono do calendário para o seu derrube, sabendo-se que BE e PCP seriam cúmplices entusiasmados dessa futura golpada. Existiam dois eventos principais a condicionar a decisão: as eleições no PSD e as eleições presidenciais. Contudo, ganhasse quem ganhasse o PSD, o Governo socialista estaria fadado para cair a seguir à previsível reeleição de Cavaco. Até lá havia só que continuar a repetir que os problemas de Portugal não tinham qualquer relação com a crise mundial nem com a crise europeia, antes resultavam do carácter maligno de um homem e da irresponsabilidade e loucura de um partido. Esta estratégia, começada inorganicamente em meados de 2007 e assumida em pleno assim que a Manela ganha em 2008, foi uma batalha de vida ou de morte para a oligarquia. Nunca se tinha assistido, nos últimos 35 anos, a tanto ódio e a tanta violência institucional ao serviço de agendas políticas.
Quando ficou claro que a Alemanha não iria resolver o problema das dívidas soberanas na Zona Euro através dos mecanismos europeus, antes aproveitando a ocasião para forçar uma reestruturação económica nos países sob pressão dos mercados, algumas vozes alertaram para o tremendo erro que seria imitar a Grécia e a Irlanda. Especialmente no caso da Grécia, nos princípios de 2011 já era claro que a troika não era parte da solução, antes parte de um novo e maior problema. Contudo, para a direita portuguesa a ocasião era imperdível: ver o FMI a aterrar na Portela seria o cenário ideal para uma vitória eleitoral, para um ataque radical ao Estado Social a coberto da situação de emergência e ainda para uma vingança sobre um adversário que sentiram e trataram como inimigo figadal. Uma das vozes que deixou preto no branco o que estava em causa foi precisamente a de Sócrates, o tal super-mentiroso, o tal que estava ao serviço dos interesses do grande capital.
Como as citações acima recordam, os portugueses foram votar em 5 de Junho de 2011 depois de ouvirem durante meses promessas inequívocas a respeito das intenções do PSD. Eram elas as de evitar mais sacrifícios, pedido solene de Sua Excelência o Presidente da República aquando do comício da tomada de posse. A economia seria finalmente libertada, a credibilidade do País recuperada, as gorduras abatidas. Passos comandaria a revolução com a sua sobre-humana apetência para dizer a verdade aos indígenas. Os alertas dos mentirosos dos socialistas não passavam de disparates. Até os mercados bateriam palmas de felicidade quando fossem à janela e vissem um imenso laranjal neste jardim à beira-mar abandalhado e em breve nos estariam a pedir para receber o seu dinheiro praticamente a custo zero.
À luz do que revelam as sondagens e o estado da oposição, contar e recontar esta história – onde aqueles que reduziam a política à acusação de os outros estarem a mentir foram os que mais nos enganaram e traíram – pode ser uma inutilidade. Todavia, mais vale ocupar o nosso tempo com inutilidades do que ocuparmos o nosso espaço como inúteis.
Sincronicidade
O desaparecimento de Relvas só é igualado pelo silenciamento de Seguro. O Governo falha a política económica e financeira ao ponto de já não ir atingir o acordado com os credores, o Governo falha as políticas de emprego ao ponto de não ter qualquer solução para apresentar, o Governo mostra-se desgovernado na gestão da sua comunicação política ao ponto de transparecer um ambiente caótico na coligação – e nem Relvas dá explicações nem Seguro as pede.
Estarão de férias juntos?
Sondemos
O regabofe da identidade
É de uma imaculada justiça que seja o PSD a destruir a RTP; e, particularmente, que tal incivilidade fique com a assinatura de Passos e Relvas. Passos é o fulano que por ter feito carreira num partido e num grupo de empresas de um poderoso militante desse mesmo partido se acha no direito de castigar os piegas que lhe estragam a paisagem nacional agora que está no topo da cadeia alimentar. Relvas é o exemplo maior do que a asneira e o ridículo permitem alcançar na vida política portuguesa. Não podia haver mais representativa dupla da decadência da direita partidária para este acto de lesa-pátria.
A RTP, em especial o Canal 2, tem prestado um inestimável serviço à cultura, memória e identidade da comunidade onde somos. Com o desaparecimento desta fonte produtora e agregadora de histórias, reais e fictícias, é a História de Portugal que perde um dos seus mais valiosos cronistas. Os mesmos que tudo fizeram para afundar o País na ganância de irem ao pote só descansarão quando lhe partirem a forma.
Cineterapia

Rio Grande_John Ford
Cinéfilos há que dizem ser este o filme mais débil da “Trilogia da Cavalaria” – o último depois de Fort Apache e She Wore a Yellow Ribbon – por ter sido concebido a mando do big boss do estúdio e como moeda de troca para Ford conseguir ir à Irlanda produzir The Quiet Man. Herbert Yates, presidente da Republic Pictures, queria primeiro lançar uma coboiada que lhe garantisse os cobres suficientes para colmatar o buraco financeiro antecipado no lirismo telúrico que Ford insistia em mostrar ao mundo. Nesse espírito, este western teria sido feito a despachar, de facto tendo demorado pouco mais de um mês a filmar e havendo testemunhos que dão conta de um ambiente de grande à-vontade entre as equipas de produção e os actores. Seria como um projecto de férias, enquanto não chegava o trabalho a sério. Também criticam a opção pelo preto-e-branco, que consideram ter empobrecido a obra, e chegam ao ponto de explicar a inabitual quantidade de momentos musicais como um recurso dos argumentistas face à obrigação de encher o chouriço e já não haver mais nada para contar nem cabeça para o inventar.
Espectadores há que dizem ser este filme uma asquerosa exibição do catolicismo, militarismo e xenofobia de um americano reaccionário. Ligam-no ao começo da guerra na Coreia, interpretando a perseguição aos índios para além do Rio Grande, assim entrando no México, como a manifestação do desejo de perseguir os norte-coreanos até à China e tratar do pêlo aos amarelos todos. Lembram que foi a partir desta altura que John Wayne se tornou num ícone da direita conservadora norte-americana, tendo alinhado militantemente em campanhas anti-comunistas. Apontam o modo caricatural e nefando como os nativos são apresentados, pintando-os criminosos sanguinários, bandidos inumanos. Chamam a atenção para a perversidade daquela cena onde as crianças brancas estão refugiadas numa igreja católica e os índios embriagados preparam-se para as ir buscar, molestar e matar. Nessa cena, ai que cena, dois bravíssimos soldados da Cavalaria matam indígenas à fartazana a partir de uma abertura em forma de cruz na porta do templo enquanto uma menina loirinha badala o sino como se não houvesse amanhã nem hora de almoço. Afirmam que estamos perante uma alegoria à prova de estúpidos: a cruz cuspindo chumbo na direcção dos infiéis.
A inteligência é a melhor vacina
Quase 10 milhões de euros no lixo
__
Esta notícia do Correio da Manhã está intencionalmente redigida para instigar um sentimento de revolta no leitor face ao custo de uma decisão tomada no âmbito da protecção médica à população. O título faz a súmula moral que se pretende espalhar, o corpo do texto demonstra a veracidade da acusação. O estilo é sensacionalista, o público a que se dirige ignorante.
O que tem interesse constatar não é a viabilidade comercial de um jornal que depende da miséria cultural e cívica da sociedade onde se vende. Não, isso terá apenas interesse académico ou trivial. O que releva antes e acima de tudo é a instrumentalização desse formato adentro de um projecto político preciso. O jornal dirigido por Octávio Ribeiro tem sido uma arma contra o PS e a favor do PSD, contra a esquerda democrática e a favor da direita oligárquica. É nesse território que o permanente alimento populista onde se exibe o sórdido, o patológico e o devasso como norma se ilumina na sua eficácia: pão e circo. Ao confirmar diariamente a insalubridade do regime, desde que tomado pelos socialistas, e a selvajaria da comunidade, o jornal pede ao leitor para se afastar da vida política e cívica, faz o apelo mudo para que se barrique nas suas esferas mais concêntricas e assuma que o medo e a raiva, o ódio e o pânico, são as respostas indicadas perante o mundo retratado pelo Correio da Manhã e multiplicado no psicodrama da rua.
Esta notícia da destruição das vacinas que não foram necessárias é apenas mais uma de um caudal que procura a permanente erosão do bom nome de certos grupos e pessoas. Que haja forças políticas que promovam e explorem estas estratégias eis algo para o qual a única vacina conhecida é a da inteligência.
Sócrates não pára
Ok, mudem o nome para Syriza e conduzam o povo à vitória final
A Grécia demonstrou exatamente a que conduz a estratégia da destruição do Estado Social e porque é necessário um governo de esquerda. Mas demonstrou ainda que, no nosso tempo, a social-democracia é uma agência financeira, que o diretório da União Europeia se está a construir contra a Europa e que é necessária uma nova resposta social contra o fanatismo liberal. Esse é caminho do Syriza, o da coerência e da vitória. Para constituir uma liderança para Portugal, a esquerda precisa de ser socialista e de conduzir a luta da democracia e do trabalho contra o capital.
Lembra-te
Start making something
What you do is what matters, not what you think or say or plan… Ideas are cheap and plentiful. The original pitch idea is such a small part of a business that it’s almost negligible. The real question in how well you execute.
Quando voltar a existir imprensa em Portugal
Estrela Serrano fez uma reflexão sobre o apagamento na imprensa do episódio da grave falha de memória protagonizado por Marcelo no passado domingo – O silêncio nos media tradicionais quanto à gaffe de Marcelo – onde chega a dar um exemplo do contraste de critérios à volta deste caso, lembrando que o relevante DN noticiou um irrelevante erro numa transmissão do Euromilhões mas ficou calado perante o estampanço do Professor. Pois bem, há mais para dizer, continuando a usar o DN como magno barómetro da actual inexistência da imprensa em Portugal.
Foram estas as duas notícias que o jornal do Marcelino elaborou a respeito do sermão dominical na TVI:
“Passos quis elevar moral dos portugueses”
“Louçã pode voltar a ser candidato presidencial”
Os títulos correspondem a intenções valorativas da mensagem, realçando-se os pontos de vista políticos que interessam ao ponto de vista político do jornal. Mas o exercício da jornalista, Paula Sá, prolonga-se num esforço de extrema minúcia na composição, pois ela cortou qualquer referência ao diálogo entre Marcelo e Judite a respeito do erro, assim deixando imaculada a imagem da personagem. Porquê? Obviamente, porque estava em causa manter íntegra a autoridade do emissor que se amplificava, a qual seria irremediavelmente perdida caso a notícia relatasse o que aconteceu. Este tem de ser, seja qual for o âmbito da análise, um inquestionável acto de auto-censura.
Para percebermos até onde chega o grau de manipulação política na redacção do DN, veja-se o que foram capazes de noticiar hoje:
BBC anunciou calor e sol num fim-de-semana de chuva
Ora, bá lá ber: as anedotas a respeito dos erros nas previsões meteorológicas começaram mais ou menos ao mesmo tempo em que os seres humanos começaram a falar uns com os outros enquanto fatiavam calhaus, e continuam até hoje como matriz universal que une os povos no consolo de constatar que os carolas nem sequer no dia em que chove são capazes de acertar, mas o DN acha que deve informar os seus leitores quando um bife qualquer diz uns disparates a respeito da pluviosidade em terras de Sua Majestade. Nada contra, e, adaptando o Belmiro, quem quiser um DN melhorzinho que o pague. Só que tal linha editorial desperta uma brisa de curiosidade quando o mesmo jornal não noticia um episódio que atinge uma das figuras mais importantes na sociedade portuguesa, a qual manifestou uma fragilidade que poderá ser do foro clínico ou moral, ou de ambos, mas que inevitavelmente põe em causa a sua prestação nesse evento e, por inerência, o seu prestígio como influenciador.
O DN tem alguns dos mais talentosos e generosos jornalistas e colunistas da comunicação social profissional. Quando voltar a existir imprensa em Portugal, os Marcelos da nossa amnésia deixarão de ter a vidinha tão facilitada.
Good food for good thought
Most teachers would agree that it is important that students remember much of what they read. Yet one of the most common sights on high school and college campuses across the land is that of students poring over textbooks, yellow marker in hand, highlighting pertinent passages — which often end up including most of the page. Later in the semester, to prepare for their exams, students hit the textbooks again, rereading the yellow blocks of text.
Studies have shown that highlighting and rereading text is among the least effective ways for students to remember the content of what they have read. A far better technique is for students to quiz themselves. In one study, students who read a text once and then tried to recall it on three occasions scored 50 percent higher on exams than students who read the text and then reread it three times. And yet many teachers persist in encouraging — or at least not discouraging — the techniques that science has proved to fall short.
It is also important that insights provided by a clearinghouse come from basic science. Many teachers, for instance, need to be disabused of the notions children have different “learning styles” and that boys’ brains are hardwired to be better at spatial tasks than girls’. This job of bringing accurate scientific information about thinking and learning to teachers might arguably fall to schools of education, states, districts and teachers’ professional organizations, but these institutions have shown little interest in the job. A neutral national review board would be the simplest and quickest answer to a problem that is a big obstacle to broad improvement across many schools.
E se fosse só a CNN
Chorar
Nos 25 anos da sua morte, na eternidade da nossa vida
MIMOSA BOCA ERRANTE
Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.
Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados,
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?
Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.
Já sei a eternidade: é puro orgasmo.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


