Nos 25 anos da sua morte, na eternidade da nossa vida

MIMOSA BOCA ERRANTE

Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.

Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados,
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?

Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.

Já sei a eternidade: é puro orgasmo.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

6 thoughts on “Nos 25 anos da sua morte, na eternidade da nossa vida”

  1. nostalgia sugus, para a geração suchards

    Sugar e ser sugado pelo amor

    Sugar e ser sugado pelo amor
    no mesmo instante boca milvalente
    o corpo dois em um o gozo pleno
    Que não pertence a mim nem te pertence
    um gozo de fusão difusa transfusão
    o lamber o chupar o ser chupado
    no mesmo espasmo
    é tudo boca boca boca boca
    sessenta e nove vezes boquilíngua.

  2. assim sim , belo tributo , nada de walls a quererem passar msg que peruca é igual a cabeleira , lá por as haver loiras , ruivas , fartas , ralas e etc etc e tal-:)

  3. ignatz…adinho. Lá vem a tua originalidade bacoca. Já agora inova e experimenta o 120: Parker 51 no olho e arredondas a conta, pascácio.

  4. a ideia era reforçar o tributo com outro poema do andrade, mas se achas bacoco, posso substituir por um poema do da benedita. peço desculpa pelo inconveniente de fazeres figura de urso por não ter identificado o autor, mas pareceu-me desnecessário devido ao contexto.

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