Quando voltar a existir imprensa em Portugal

Estrela Serrano fez uma reflexão sobre o apagamento na imprensa do episódio da grave falha de memória protagonizado por Marcelo no passado domingo – O silêncio nos media tradicionais quanto à gaffe de Marcelo – onde chega a dar um exemplo do contraste de critérios à volta deste caso, lembrando que o relevante DN noticiou um irrelevante erro numa transmissão do Euromilhões mas ficou calado perante o estampanço do Professor. Pois bem, há mais para dizer, continuando a usar o DN como magno barómetro da actual inexistência da imprensa em Portugal.

Foram estas as duas notícias que o jornal do Marcelino elaborou a respeito do sermão dominical na TVI:

“Passos quis elevar moral dos portugueses”
“Louçã pode voltar a ser candidato presidencial”

Os títulos correspondem a intenções valorativas da mensagem, realçando-se os pontos de vista políticos que interessam ao ponto de vista político do jornal. Mas o exercício da jornalista, Paula Sá, prolonga-se num esforço de extrema minúcia na composição, pois ela cortou qualquer referência ao diálogo entre Marcelo e Judite a respeito do erro, assim deixando imaculada a imagem da personagem. Porquê? Obviamente, porque estava em causa manter íntegra a autoridade do emissor que se amplificava, a qual seria irremediavelmente perdida caso a notícia relatasse o que aconteceu. Este tem de ser, seja qual for o âmbito da análise, um inquestionável acto de auto-censura.

Para percebermos até onde chega o grau de manipulação política na redacção do DN, veja-se o que foram capazes de noticiar hoje:

BBC anunciou calor e sol num fim-de-semana de chuva

Ora, bá lá ber: as anedotas a respeito dos erros nas previsões meteorológicas começaram mais ou menos ao mesmo tempo em que os seres humanos começaram a falar uns com os outros enquanto fatiavam calhaus, e continuam até hoje como matriz universal que une os povos no consolo de constatar que os carolas nem sequer no dia em que chove são capazes de acertar, mas o DN acha que deve informar os seus leitores quando um bife qualquer diz uns disparates a respeito da pluviosidade em terras de Sua Majestade. Nada contra, e, adaptando o Belmiro, quem quiser um DN melhorzinho que o pague. Só que tal linha editorial desperta uma brisa de curiosidade quando o mesmo jornal não noticia um episódio que atinge uma das figuras mais importantes na sociedade portuguesa, a qual manifestou uma fragilidade que poderá ser do foro clínico ou moral, ou de ambos, mas que inevitavelmente põe em causa a sua prestação nesse evento e, por inerência, o seu prestígio como influenciador.

O DN tem alguns dos mais talentosos e generosos jornalistas e colunistas da comunicação social profissional. Quando voltar a existir imprensa em Portugal, os Marcelos da nossa amnésia deixarão de ter a vidinha tão facilitada.

18 thoughts on “Quando voltar a existir imprensa em Portugal”

  1. Quando Marcelo declarou na TVI, insistindo repetidamente na asneira, que Sócrates tinha deixado em 2010 “esse presente” para os portugueses em 2011, o corte no subsídio de Natal, a sobretaxa que levou metade dos subsídios, deu-se este pequeno diálogo:

    – Sim mas a decisão foi deste governo. A… a… a concretização da decisão, o anúncio da decisão foi deste governo – disse Judite.
    – Foi? – disse Marcelo, já ciente da gaffe.
    – Julgo que sim – respondeu Judite, já cheia de peninha do Marcelo.

    A jornalista não só reagiu tarde à gaffe da “fórmula Sócrates”, como ainda ofereceu a Marcelo uma estreita tabuinha de salvação: OK, o “presente”, quiçá a preparação da sobretaxa terá sido de Sócrates, mas “a… a… a concretização da decisão, o anúncio da decisão foi deste governo”.

    Ela até aceitava que Sócrates fosse o autor moral do pérfido “presente”, com a condição de que o governo de Passos fosse o “concretizador” – melhor ainda, o “anunciador” da decisão.

  2. A. Azevedo, o DN é um Correio da Manhã com verniz (embora todo estalado).
    __

    Júlio, certíssimo. O seu embaraço, porém, parece genuíno, e ela está ali a patinar à procura de entender se o Marcelo sabe mesmo do que está a falar ou se está a cometer a calinada da década. Claro que ela também sai borrada da cena, isso nem se discute.

  3. Os “piromaníacos” portugueses são lixados.
    Já vem de longe a sua fama.
    Já Eça de Queiroz, Albino Forjaz Sampaio, Guerra Junqueiro…eram uns incendiários.
    Estes modernos andam todos com fósforos na mão a incendiar a casa do vizinho.
    Houve um “cala a boca” de 40 anos, mas não havia alegria!

  4. Triste pais!que viveu uma ditadura de 48 anos! e já na democracia,os personagens que mais tempo entraram na casa dos portugueses foram precisamente duas figuras com uma forte relação,com o regime que abril derrubou .Tantos e bons historiadores tem portugal!e tantos analistas serios tem este pais!para não haver necessidade,de nos impingirem um fascista como hermano saraiva e um homúnculo como marcelo rebelo de sousa.Um já foi com a nossa senhora,marcelo ainda sonha ser presidente de um pais democratico.nem mortos podemos aceitar esta ofensa!

  5. val: e entretanto dei uma passadela aos blogs da direita(os do governo) e há lá quem se queixe do contrário, que o governo é que nao tem boa imprensa e que os jornais são todos de esquerda.Pelos vistos, a tua teoria do centro aplica-se aos jornais, para uns estao demasiado á esquerda, e outros,demasiado á direita
    Quanto ao dn, não digo que tenha actualmente uma determinada simpatia por uma tendencia politica, mas lembro-me bem do marcelino cantar ,loas a sócrates nos artigos de opinião.Tem lá alguns favoráveis ao ps como a fernanda cancio e o baldaia.

  6. Não há um unico jornal de esquerda,como em espanha e frança.a direita tem pessoas importantes em lugares chaves na radio jornais e tvs.A direita queixa-se por que umnumero não pode ter duas leituras ttes mil milhoes de receita a menos,só pode ter uma leitura se ma derem a ler….a direita ai tem razão,mas que se vá queixar ao governo.O caso do marcelo sobre socrates é paradigmatico.o Jn só da para ler o manuel pina. a capa do jornal não tem correspondencia nos artigos dos sabujos que lá entraram depois das eleiçoes.O jornal mais lido o correio da manha,ainda hoje persegue socrates.O dn tem como diretor um reptil como marcelino que por falta de convicçoes se adapta a qualquer terreno.chego á conclusaõ que quem poe os partidos no poder saõ os media.os anuncios da prostituiçao mesmo caros,segundo informação fidedigna,não dão para pagar salarios…

  7. o correio da manha não publica comentários – ontem coentei a noticia de 3 linhas de marcelo rebelo de sousa- que contrariem o sentido das histórias que inventam. Por demais evidente na noticia da gaffe de marcelo. 3 linhas que não dizem rigorosamente nada !! apatia total…dá para imaginar a primeira página se a noticia fosse ao contrário !!

  8. “Não há um unico jornal de esquerda,como em espanha e frança.a direita tem pessoas importantes em lugares chaves na radio jornais e tvs.”
    Oh nuno, olha que o expresso não me parece que seje de direita, teem dado muita luta a relvas

  9. “… o expresso não me parece que seje de direita…”

    o balsemão é sócio número um do partido comunista e o ricardo costa fundador da internacional socialista, serem ambos os dois d’ esquerda.

  10. esse é qu’é o teu engano técnico-táctico, tão todos engalfinhados do mesmo lado a ver quem é que lá chega, mas agora não há denúncias da blocada, escutas da pide, comichões de inquérito e intervenções do cavacóide a pedido do sindicato dos xerifes. antes eram treinos em simulador para o campeonato actual das privatizações.

  11. Rr, não me lembrei do semanario expresso. tambem não pode meter a cabeça na areia. saber gerir com inteligencia,sem perder a sua matriz,tem sido o segredo da longevidade.O expresso é um” lobi” mais decente do que o publico.

  12. Este rr é impagável, tem raciocínios em que usa um único neurónio. Penso que será recorde mundial. Se um dia usar 1/10 do cérebro, descobre a roda outra vez.

  13. “O expresso é um” lobi” mais decente do que o publico.”

    por acaso são a mesma merda, sendo produtos diferentes, o primeiro usa-se debaixo do braço para ensopar o sovaquinho e o outro lê-se de borla com a bica. os leitores são os mesmos, jantam com a família e a seguir vão às putas na boa tradição da santa igreja católica apostólica romana.

  14. oops… esqueci-me de dizer que o espesso antigamente era muita bom para acender a fogueira. agora não sei, deixei de comprar há bués.

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