Jardim desafia Estado português a realizar referendo na Madeira sobre a autonomia
Todos os artigos de Valupi
Em Março de 2011 isto estava muita mal, mas para alguns podia e devia ficar muito pior
Nas três reuniões que já tivemos com a troika, ficou evidente que os seus funcionários nada querem saber do que sofre este país e os seus trabalhadores, espoliados em salários, pensões e impostos para enriquecer o privilégio. A crise é mesmo a sua política. O nosso povo sabe por isso que a esquerda só conduzirá o país quando rejeitar o Memorando da troika, impuser o cancelamento da dívida abusiva e recuperar uma política esforçada de emprego. Temos por isso uma responsabilidade imensa, constituir uma alternativa de governo contra a bancarrota.
Coisas que têm o seu preço
Cavalos cansados
O inacreditável engano de Marcelo, ao atribuir ao Governo PS a decisão de cortar metade do subsídio de Natal em 2011, é espectacular por se tratar de assunto tão recente e tão glosado. Foi Sócrates quem avisou que uma vitória do PSD nas legislativas levaria a saques desse calibre, foi Passos quem jurou que tal alerta não passava de um disparate, foi o Governo PSD quem invocou um colossal buraco nas contas que nunca ninguém chegou a perceber para o justificar, foi Gaspar quem reconheceu que o corte foi uma tonteira face à obtenção de receitas com a transferência do fundo de pensões da banca em 2011, foi qualquer um que o quisesse ver que viu a dimensão das mentiras da campanha eleitoral do PSD e a incompetência do Executivo numa altura especialmente crítica para o País.
Para agravar, e mesmo alarmar, o discurso de Marcelo não foi de improviso. Ele preparou com alguma antecedência a sua rábula, fosse apenas na hora anterior a ter entrado no estúdio ou ao longo da semana. Foi assim que chegou ao sound bite da “fórmula Sócrates” que lhe serviu para um exercício de pura desonestidade intelectual. Temos de agradecer à Judite e ao seu entorpecimento cognitivo ou deontológico não o ter interrompido mais cedo pois assim pudemos ser testemunhas de uma involuntária experiência laboratorial: Marcelo expôs o modus faciendi que rege as suas intervenções públicas, neste caso antecipando que Passos vai mesmo escolher o corte de um subsídio em 2013 que atingirá todos por igual e começando já a espalhar que o culpado é Sócrates, o qual pelo seu delirado precedente validado pelo Tribunal Constitucional obrigaria o pobre Passos a abdicar de alternativas muito mais justas e menos penosas.
Marcelo não estava a mentir quanto aos factos, atente-se; estava genuinamente convencido da história que contava e onde pela enésima vez gozava com o pagode, por isso ficou completamente perdido quando a Judite lhe sugeriu que ele podia estar a sonhar acordado. A sua expressão facial foi tão patética que desperta a comiseração. Eis alguém a precisar de ajuda. Talvez essa seja a explicação para o completo apagamento do sucedido na imprensa, a qual enigmaticamente não relata o episódio. Mas Marcelo não teve na sua paixão socrática o único momento de fragilidade intelectual. Também ao referir-se a Louçã como futuro candidato presidencial foi crua a manipulação: para Marcelo, ter Louçã numa corrida presidencial é óptimo pois fragmenta a esquerda e favorece o candidato da direita – quiçá, o próprio. Ora, ninguém dá um chavo para a presença do Anacleto numa corrida presidencial, onde estaria condenado a uma derrota humilhante para a sua megalomania. Já a ida para o Parlamento Europeu é o que parece beneficiar o BE em todas as frentes, com o bónus de permitir a Louçã afastar-se o suficiente para dizer que não estorva a nova liderança, e, ao mesmo tempo, ter espaço de manobra para intervir na política nacional sempre que lhe apeteça, coisa de que ele precisa para conviver em paz com os seus cada vez mais notórios traços paranóicos.
Em suma, estamos a assistir em directo à decadência de figuras que têm condicionado o espaço público e o regime ao longo de décadas. Elas agarram-se firmemente aos privilégios adquiridos e não querem abandonar o poder nem sequer quando o mero bom senso a tal aconselharia na forma de uma evidência. A continuada presença de Marcelo como artista de vaudeville político pode dizer muito a seu respeito, sejam as capacidades enquanto comunicador ou analista, mas diz muito mais de nós. Comemos o que nos põem na mesa e aplaudimos famintos ou apáticos a chegada da sopa dos cavalos cansados.
O povo vai reconhecendo que o BE tem razão, mais mil anos e tomam conta disto
Porque tem essa coerência, o Bloco está hoje mais forte na opinião pública. Notaste que todas as sondagens do último ano nos vão indicando subidas do apoio popular e que em duas delas já ultrapassamos mesmo o CDS. O povo vai reconhecendo, na vida angustiante que a austeridade impõe, que temos razão ao rejeitar a devastação da troika, a ganância financeira e a estratégia do empobrecimento e do desemprego. Estamos por isso mais capazes de responder aos agiotas e ao governo das direitas.
A fórmula Sócrates
Pode ser que o homem não esteja bem – e, se for o caso, votos de rápidas e completas melhoras. Mas também pode ser a monumental calinada de um soberbo fanático. A distorção mnésica de uma pulsão persecutória que saliva de gozo nas campanhas de assassinato de carácter em que é exímio artista. Recorde-se alguns exemplos do que ele já foi capaz de bolçar:
Para o professor, a atitude do primeiro-ministro em avançar para um PEC4 sem «um telefonema» ao Presidente da República ou aos partidos da oposição foi uma «forma infantil» de Sócrates reagir aos recados do discurso da tomada de posse.
O comentador político diz que José Sócrates tem “mentido sistematicamente”, ora socorrendo-se de mentiras “piedosas”, ora pelo impulso de “falsas convicções”.
Sócrates é o que se chama o “chico esperto” Fez um curso mais facilmente que o comum dos mortais e na casa comprou a mesma casa que os outros compraram mais cara, mais barata.
Sócrates é daqueles cães que filam as canelas.
Que diriam os direitolas raivosos se existisse um político do PS que tivesse este protagonismo exclusivo de Marcelo? Provavelmente, iriam viver para tendas de campismo à porta da Assembleia da República tamanha a asfixia que sentiriam, coitaditos. Pois esta super-vedeta da política-espectáculo está desde os anos 70 ao serviço da oligarquia e tem um tempo de antena permanente para trabalhar na defesa dos interesses do PSD e CDS sem qualquer contraditório. Para além disso, é um chungoso de Cascais, daqueles que passam o tempo na calhandrice, tendo insultado e ofendido Sócrates de todas as formas que a legalidade lho permitiu. Ao longo dos últimos anos, contribuiu feérico para empestar o espaço público com ataques difamatórios e caluniosos.
Repare-se no modo como reconhece ter-se enganado. Continua a malhar em Sócrates. E, de repente, o corte do subsídio de Natal para todos, que meia hora antes era um gamanço injusto, passa a ser uma medida que já não considera errada. O que nos leva para a fórmula Sócrates, de facto. Só que vamos ter de esperar. Esperar que alguém estude o efeito de Sócrates na sociedade portuguesa, investigando as paixões com que foi e é atacado por tantos e a timidez, ou até receio, com que foi defendido por tão poucos. Os ataques unem direita e esquerda, classe alta e pobretanas, cromos da academia e imprensa aos alienados e analfabrutos. Em comum, o frenesim moralista, a alergia à inteligência, o ódio como alimento e destino.
Sim, a fórmula Sócrates tem sido a nossa desgraça.
Revolution through evolution
Acceptance of Body Type Empowers Women, Study Finds
.
Work Has More Benefits Than Just a Paycheck for Moms: Working Moms Are Healthier Than Stay-At-Home Moms
.
Reclaiming the sacred gift: A postscript on humanities and science
.
Organisms Cope With Environmental Uncertainty by Guessing the Future
.
Secrets of ‘SuperAger’ Brains: Elderly Super-Agers Have Brains That Look and Act Decades Younger Than Their Age
.
Feedback Can Have a Negative Impact On Performance
.
Overconfidence Helps People Climb Social Ladder
.
Why People Believe Conspiracy Theories
.
Coffee good for you, but it’s OK to hold back
.
Meditation Reduces Loneliness
.
Interest in Arts Predicts Social Responsibility
A esquerda sou eu, diz ele
Discuti com cinco primeiros-ministros e disse-lhes do que é esta esquerda moderna e socialista. Discuti com candidatos a presidente e com adversários, como falei com amigos e aliados com quem temos tanto em comum. Gosto do confronto claro da esquerda contra a direita.
Neste tempo, publiquei onze livros de investigação científica ou de ensaio político ou histórico. Gosto do debate de ideias: escrevi o que pensava e fui à crítica.
[…]
Tu e eu fazemos parte de um movimento que luta para mudar a vida e o mundo. Engana-se dramaticamente quem nos confunde com um comité eleitoral: só constitui uma liderança para a esquerda e para o país quem estiver preparado para vitórias e derrotas, quem não se iludir com aquelas nem se amedrontar com estas. Um dirigente de esquerda nunca vira as costas.
O impossível é tão mais fixe!
Durante treze anos, dei tudo o que podia e sabia ao nosso movimento. Neste tempo, estive contigo nesse trabalho imenso de dar corpo a uma esquerda socialista, uma esquerda de valores e convicções. Estivemos na luta contra as guerras e na defesa da escola pública, do serviço nacional de saúde e da segurança social. Ajudámos o país a perceber a condenação que é a precariedade dos jovens. Estivemos em movimento. Fomos à luta. Gostei do que fizemos. Neste tempo, fiz mais de um milhão de quilómetros pelas estradas de tantas campanhas, comícios e reuniões. Encontrámo-nos lá. Provámos que se consegue o impossível.
Exactissimamente
Ele há conceções cá de um tamanhão, fónix
Determina-me a minha conceção pessoal do princípio republicano: na vida política, é preciso saber que o exercício de uma responsabilidade mais intensa tem sempre um tempo e que, numa luta coletiva, dar lugar aos outros é das decisões mais dignas a que somos chamados. A renovação da direção faz o Bloco mais forte.
Louçã, 55 anos, há 38 anos consecutivos na liderança de organizações políticas
Dá que pensar
Sondagem da Eurosondagem para o mês de agosto mostra que o PS está no ponto mais alto desde as eleições do ano passado, enquanto o PSD se encontra no seu valor mais baixo.
__
Não. O que a sondagem mostra é que apesar de enganados e empobrecidos, insultados e diminuídos, os eleitores continuam a preferir o PSD ao PS, o CDS ao PCP e ao BE. Parabéns à direita decadente, porque esta situação desafia a nossa capacidade de entendimento. Especialmente quando olhamos para o Governo e vemos a categoria intelectual e moral da dupla Passos-Relvas, o bluff Gaspar, o inenarrável Álvaro, o ausente Paulo, a venenosa Paula, a banalidade medíocre de Ministros sem voz e um elenco de fanáticos e chungosos no Parlamento cujo supremo representante é esse martelo pneumático de nome Carlos Abreu Amorim.
Hipóteses explicativas:
– Não há eleições no horizonte, pelo que nada há neste momento para escolher nem se sente a necessidade de expressar intenções de voto de protesto.
– A direcção do PS não faz oposição, limitando-se a esperar pelo ciclo eleitoral, e os deputados do PS que fazem oposição são vistos como personae non gratae pelos actuais dirigentes socialistas.
– PCP e BE continuam com as mesmas cassetes sectárias, preferindo promover a irracionalidade nos seus eleitorados e barricando-se na recusa ao diálogo com o PS.
– O PS não tem qualquer órgão de comunicação social que ofereça uma interpretação da situação política nacional e internacional de acordo com o seu ideário. A direita domina a comunicação social, possuindo instrumentos de constante perseguição e calúnia como o Correio da Manhã e o Sol e uma legião de jornalistas e comentadores engajados, figuras sórdidas como o Crespo ou super-vedetas como o Marcelo, permanentemente a difamarem políticos socialistas e a manterem simplismos demagógicos e populistas ao serviço dos interesses da direita partidária.
– PSD e PS, apesar de comungarem de um fundo acordo quanto ao modelo de regime que defendem, são radicalmente diferentes na sua praxis. Enquanto o actual PSD corresponde a um agregado de individualidades para quem a política é apenas um jogo de feira onde a batota é a única regra que deve ser respeitada, no PS há um sentido de dever cívico que impede a exploração dos mecanismos do medo e da calúnia como estratégia eleitoral.
Neste contexto, que podem fazer aqueles que calhem não conseguir aderir às propostas dos partidos existentes mas, mesmo assim, não desistiram de Portugal? Podem fazer o que lhes der na gana, como sempre. E podem pensar. Pensar mais um bocadinho. Pensar noutras coisas. Pensar só faz é bem.
Exactissimamente
O Luís XV do Pontal
Passos Coelho, na sua obscena basicidade intelectual, vai-se expondo com regularidade, e regularidade crescente, como um ser de tortuosa complexidade afectiva. Na impossibilidade de consultarmos aqueles que decidiram expulsá-lo, e ao seu compagnon de route, das listas do PSD para as eleições de 2009, os quais terão de se ter sentido verdadeiramente traídos para tamanho castigo a uma das estrelinhas em ascensão no laranjal, podemos recordar vários episódios onde Passos se mostrou fraco com os fortes, como no congresso que o entronizou, e forte com os fracos, como na campanha eleitoral em contacto com populares. Agora, a utilização de expressões e léxico de calão para humilhar o povo português tomado como adversário – pulsão que começou em Fevereiro com o achincalho para não sermos “piegas” – está a revelar que temos um carroceiro à frente do Governo. Um carroceiro que se sabe protegido pela inexistência de imprensa, por um lado, e pela estupidez reinante na oposição, pelo outro. Por isso vai esticando a corda, embriagado pelo efeito que causa na sua claque o espectáculo de taberna com que se permite exercer a função de líder partidário e de Primeiro-Ministro. Com esta naturalidade, pois, descreveu como “regabofe” tudo aquilo que foi feito em Portugal antes de a sua augusta pessoa ter entrado em S. Bento.
Mas imaginemos que existia imprensa. Ou tão-só um jornalista com a oportunidade de honrar a classe. Nessa hipótese, Passos Coelho seria confrontado com estas perguntas:
1ª Qual a sua definição de regabofe?
2ª Em que período da História de Portugal ele situa o início do regabofe?
3ª No caso de esse período incluir Governos do PSD, como explica ele esse fenómeno e quem do seu partido responsabiliza por tal?
4ª Quais os factos políticos, económicos, legislativos, judiciais e cívicos que demonstram a existência de um regabofe?
5ª Que teria Passos Coelho feito de diferente se tivesse sido ele a governar durante o terrível regabofe e onde estão as suas declarações à época que comprovam a existência da sua denúncia do então em pleno vigor regabofe e a existência de propostas alternativas apresentadas in illo tempore para acabar com ele?
O seu discurso primário pode não ser artificioso, todavia. E essa é uma probabilidade que vai formando o desenho de uma certeza. Pode realmente ser o resultado do ambiente que frequenta, dessa cultura de violência e deslumbramento de que Relvas é o actual Farol de Alexandria. Passos poderá estar num processo de convencimento de que ele é mesmo um salvador, de que os problemas políticos se resolvem através de actos estouvados num processo de fuga em frente onde se concebe a comunicação política como a instauração de sucessivos maniqueísmos de acordo com os ventos e as marés. Qual Luís XV do Pontal, despreza tanto a inteligência, memória e dignidade dos seus concidadãos que não tem pudor em gritar ao povoléu as novíssimas palavras da salvação:
Antes de mim, o dilúvio.
The Great Wall of Vagina
Exactissimamente
Ah, se existisse imprensa em Portugal…
Para José Miguel Júdice, a controvérsia sobre a licenciatura do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares de Portugal não é razão bastante para Miguel Relvas abandonar o Governo.
“Nunca seria por um tema destes que ele deixaria de ser ministro. Fala-se muito no Miguel Relvas, mas faz parte da maledicência portuguesa, as pessoas criticam, eu estou de acordo, mas não é realmente suficiente”, sublinhou o antigo Bastonário da Ordem dos Advogados de Portugal.
Caso da licenciatura não chega para demitir Relvas
__
Júdice está carregadinho de razão. Que importa a licenciatura de Relvas para além do despautério pícaro que a personagem oferece para consumo popular? Isso das equivalências é lá entre ele e a Lusófona, tudo gente séria. Mas qual seria a opinião de Júdice a respeito dos casos imediatamente anteriores? Num deles, o primeiro, Relvas foi para uma comissão parlamentar mentir a respeito da sua relação com um super-espião que andava realmente a espiar meio mundo ao serviço de interesses empresariais e sabe-se lá que mais. No outro, o segundo, o Ministro com a tutela da comunicação social é acusado por um jornal em peso, Redacção e Direcção, de ter ameaçado fazer um boicote do Governo a esse órgão e de ter ameaçado divulgar informação do foro pessoal relativa a uma jornalista e a uma terceira pessoa que teria uma eventual relação íntima com essa mesma jornalista. Perante estas acusações, que ainda implicam que Relvas mentiu nas declarações que prestou à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, o exemplar Ministro nem sequer procurou defender o seu nome em tribunal, antes tendo deixado chapada a veracidade da acusação ao confirmar parte dos acontecimentos relatados pelo jornal. Também achará Júdice que esta procissão de misérias não justifica um higiénico apontar da porta ao magnífico governante? Era, como dizer, útil, ou, vá lá, giro, saber o que pensa a esse respeito – só que ninguém lho perguntou, seguramente por falta de tempo.
Júdice não é quem está em causa, óbvio, tão-só a ocasião de constatarmos o nível de hipocrisia e decadência que se abateu como calamidade na política nacional. E tudo seria tão fácil de alterar, tudo seria tão difícil de manter. Bastaria que existisse imprensa em Portugal.
César das Neves ataca ferozmente aqueles que chumbaram o PEC IV
Portugal é um país espantoso, com um povo capaz de feitos únicos e maravilhosos. Em compensação, o País está há séculos dotado de uma elite pedante, mesquinha e medíocre. Esse grupinho de iluminados tem sempre no bolso a salvação nacional e, atingindo o poder, tudo faz para arruinar o País. Os desastres de 1834, 1890, 1910, 1916, 1926, 1961, 1978, 1983 e 2011 não são azares externos, mas efeito directo das soluções milagrosas da elite, que depois compõe uma magna falsificação histórica para se desculpar e acusar os adversários. Vemos isso hoje, com a crise.
Exactissimamente
Passos traduzido
Ainda há quem pense que, depois deste ínterim, o regabofe pode voltar. E que podemos, como era dantes, saciar as elites com dinheiro e o povo com promessas, mesmo aquelas que depois sabem a fel na nossa boca. Muitos pensam que é por aqui que passa o futuro. Enganam-se!
O futuro agora passa por saciar as elites com o desmantelamento do Estado e o povo com a austeridade necessária até esse mesmo povo aprender a lição e deixar de consumir, exigir e mandriar. Regabofe nunca mais, isso só na Madeira e para inglês ver.
O tempo dos privilégios acabou. É tempo de quem tem mérito mostrar o que vale.
Sem privilégios – entenda-se: sem qualquer apoio social, sem garantias, sem direitos – não há mesmo outro remédio senão cada um mostrar o que vale na selva social e tentar safar-se como puder, de preferência no estrangeiro.
Temos a ambição de poder vir a renovar o mandato, porque Portugal precisa de mudar, continuamente, para não voltar à cultura da facilidade e do endividamento.
Portugal é um doente crónico que sofre da cultura da facilidade e do endividamento. A terapêutica passa pela cultura da dificuldade e do empobrecimento, sendo para tal preciso mudar continuamente, mudar sem parar, mudar forever, ou a doença voltará se a diálise feita com estas laranjas podres for interrompida.
Não perco a esperança de que Portugal possa ter uma Constituição melhor.
A Constituição actual, como recentemente o Tribunal Constitucional teve ocasião de voltar a mostrar, é um empecilho para a visão de Passos e Relvas. Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar o génio de Passos e Relvas só para manter uns direitos foleiros que impedem os saques à má-fila que tanto jeito dão às contas do laranjal.
Supúnhamos que a recessão de 2011 fosse mais forte do que foi. Esperávamos que a recessão em 2012 não fosse tão grave quanto está a ser.
Mentimos sem qualquer vergonha na cara a respeito de 2011 e voltámos a fazer o mesmo a respeito de 2012.
No que era importante não falhámos.
Reparem: retirámos malta fixe dos blogues e demos-lhe remunerações condignas com o seu esforço recente, fomos ao bolso da classe média e dos pobres e apanhámos o que havia e o que não havia, e temos feito magníficos negócios com as jóias do Estado. Falhámos? Talvez aqui ou ali, mas no que era realmente importante o sucesso não podia ser maior.

