O Luís XV do Pontal

Passos Coelho, na sua obscena basicidade intelectual, vai-se expondo com regularidade, e regularidade crescente, como um ser de tortuosa complexidade afectiva. Na impossibilidade de consultarmos aqueles que decidiram expulsá-lo, e ao seu compagnon de route, das listas do PSD para as eleições de 2009, os quais terão de se ter sentido verdadeiramente traídos para tamanho castigo a uma das estrelinhas em ascensão no laranjal, podemos recordar vários episódios onde Passos se mostrou fraco com os fortes, como no congresso que o entronizou, e forte com os fracos, como na campanha eleitoral em contacto com populares. Agora, a utilização de expressões e léxico de calão para humilhar o povo português tomado como adversário – pulsão que começou em Fevereiro com o achincalho para não sermos “piegas” – está a revelar que temos um carroceiro à frente do Governo. Um carroceiro que se sabe protegido pela inexistência de imprensa, por um lado, e pela estupidez reinante na oposição, pelo outro. Por isso vai esticando a corda, embriagado pelo efeito que causa na sua claque o espectáculo de taberna com que se permite exercer a função de líder partidário e de Primeiro-Ministro. Com esta naturalidade, pois, descreveu como “regabofe” tudo aquilo que foi feito em Portugal antes de a sua augusta pessoa ter entrado em S. Bento.

Mas imaginemos que existia imprensa. Ou tão-só um jornalista com a oportunidade de honrar a classe. Nessa hipótese, Passos Coelho seria confrontado com estas perguntas:

1ª Qual a sua definição de regabofe?

2ª Em que período da História de Portugal ele situa o início do regabofe?

3ª No caso de esse período incluir Governos do PSD, como explica ele esse fenómeno e quem do seu partido responsabiliza por tal?

4ª Quais os factos políticos, económicos, legislativos, judiciais e cívicos que demonstram a existência de um regabofe?

5ª Que teria Passos Coelho feito de diferente se tivesse sido ele a governar durante o terrível regabofe e onde estão as suas declarações à época que comprovam a existência da sua denúncia do então em pleno vigor regabofe e a existência de propostas alternativas apresentadas in illo tempore para acabar com ele?

O seu discurso primário pode não ser artificioso, todavia. E essa é uma probabilidade que vai formando o desenho de uma certeza. Pode realmente ser o resultado do ambiente que frequenta, dessa cultura de violência e deslumbramento de que Relvas é o actual Farol de Alexandria. Passos poderá estar num processo de convencimento de que ele é mesmo um salvador, de que os problemas políticos se resolvem através de actos estouvados num processo de fuga em frente onde se concebe a comunicação política como a instauração de sucessivos maniqueísmos de acordo com os ventos e as marés. Qual Luís XV do Pontal, despreza tanto a inteligência, memória e dignidade dos seus concidadãos que não tem pudor em gritar ao povoléu as novíssimas palavras da salvação:

Antes de mim, o dilúvio.

2 thoughts on “O Luís XV do Pontal”

  1. Com efeito, P.Coelho é tão básico que, revela enorme dificuldade em ajustar a sua
    expressão facial ao que vai dizendo nas “composições” que lhe dão para recitar aos
    portugueses, deixando perceber que não compreende certas coisas que diz!
    Dizem que em tempos, o Lá Féria o recusou num “casting” para cantor soprano de
    uma das suas mega produções. Como poderiam dirigentes do PSD com nível polí-
    tico inclui-lo nas listas para deputados? Por outro lado, tem sido notório o desen-
    canto ou descontentamento dos barões mais politizados do PSD ( P.Pereira, A.Ca-
    pucho, M.F.Leite, etc.) com as trapalhadas do des-governo mas, estão a beber o
    “veneno” que criaram, não esquecer o “laboratório” da Marmeleira produzindo a in-
    triga e desenvolvendo a teoria da claustrofobia democrática tão bem interpretada
    pelo P.Rangel e que, a dupla Passos/Relvas tão bem surfaram!
    O próprio Pilatos de Belém já deve estar mais do que arrependido porque, ao dar
    sem condições posse aos estarolas, acabou por pôr em evidência as suas grandes
    debilidades como “consagrado” estadista… hoje o seu lugar na História será muito
    diminuto e pequenino!!!

  2. Que a Imaculada Virgem Maria Mãe de Deus feito homem no seu seio, Sede e Mãe da Sabedoria, Ela, a Esposa do Espírito Santo o qual é a Imaculada Conceição Incriada, que Se quis espelhar na Imaculada Conceição Criada, feita, por Deus Medianeira de todas as Graças, nos alcance uma Fé viva e firme, uma Esperança certa, uma Caridade perfeita e a Graça da perseverança final.

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