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Contar a história através da História

Durante a travessia de Seguro até chegar a Secretário-Geral, nunca lhe ouvimos uma crítica às políticas de Sócrates que permitisse descobrir qual seria o seu programa alternativo perante as mesmas, ou até outras, circunstâncias – nisso imitando com exactidão o PSD que só tinha os programas eleitorais prontos a poucos dias da votação. Em vez disso, vimos Seguro a fazer pandã com Alegre e a engrossar o boicote da ala esquerdíssima do PS, ao mesmo tempo que validava e alimentava a estratégia de assassinato de carácter a que Belém e a S. Caetano reduziram as eleições de 2009 e 2011. Seguro é o dirigente e militante socialista que aplaudiu o comício de Cavaco na tomada de posse e que ficou em silêncio ao lado de Relvas a ouvir desta boca suja que Sócrates não era uma pessoa de palavra; e ainda que ele, Relvas, já tinha feito uma listinha dos nomes que lhe dava jeito ver à frente do PS. Seguro é o sonso que espalhou veneno com a regularidade e alvoroço de um relógio de cucos suíço, como neste exemplo:

Estou aqui como apoiante de Manuel Alegre e estou aqui como socialista para lhe expressar uma enorme solidariedade, um profundo apoio daquele PS solidário quando um de nós, com os nossos princípios, com a nossa ética, se envolve num desafio tão exigente como são as próximas eleições presidenciais.

Seguro envia a Alegre apoio «daquele PS solidário»

Eis o que pretendia: dizer que no PS havia dois grupos, aquele onde existiam uns socialistas puros com princípios e ética, e aquele onde estavam os outros, os do Governo e do poder, os socráticos que nem se davam ao trabalho de aparecer para apoiar Alegre. Que um tipo destes tenha sido escolhido pelos militantes para suceder a Sócrates é só mais uma manifestação da natureza tribal dos partidos e seu cortejo de disfunções lógicas e dissonâncias cognitivas.

Quando finalmente Seguro chegou ao poleiro ansiado, o País pedia uma liderança da oposição que se preparasse para fazer pagar à direita o colossal logro que tinha obrigado Portugal a pedir um empréstimo de emergência nas piores condições possíveis. A direita trabalhou entusiástica e incansavelmente para esse desfecho, precisamente porque ele não só garantiria uma fatal derrota do PS numas eleições legislativas antecipadas, como conduziria ao afastamento de Sócrates da política nacional, como levaria a usar o Memorando para impor políticas radicais de ataque ao Estado Social, como – supremo gozo – permitiria a continuada diabolização de Sócrates e a chantagem sobre o PS até ao próximo acto eleitoral, pelo menos.

Que fez Seguro? Apagou o passado, criou um curto-circuito político que rebentou com os fusíveis da coerência para o milhão e meio que tinha votado PS em Junho de 2011. Todas as bandeiras e feitos da governação socialista eram deixados por terra para serem espezinhados por uma direita decadente, mentirosa e fanática. Mas a troco de nada, isso é que é surpreendentemente espantoso. Seguro não tem qualquer estratégia que não seja a navegação à vista e a certeza da rotatividade do poder. Por isso a sua oposição está preenchida de momentos pífios, silêncios aviltantes, simulacros de força ridículos. Trata-se, mais uma vez, de ir aguentando. Deixar correr o marfim. Ele sabe que a fórmula resulta, ele é o exemplo vivo da sua eficácia.

Por tudo isto, dependemos para a nossa sanidade cívica de quem, do alto da sua autoridade política, nos venha contar a história através da História:

Balanço dos últimos seis meses

PS de Seguro queixa-se a Portas de ser maltratado pelos meninos maus do PSD

Paulo Portas e António José Seguro almoçaram juntos, na quinta-feira, 2 de agosto, por iniciativa do ministro dos Negócios Estrangeiros. Um encontro rodeado da maior discrição e que nenhuma das partes confirma ou desmente.

O almoço aconteceu no Palácio das Necessidades, sede do ministério. Na ementa da conversa estiveram os temas incontornáveis da agenda nacional e internacional: a crise europeia, o programa de austeridade português, a execução das contas públicas deste ano e a preparação do Orçamento do Estado para 2013. Apesar da tensão que tem marcado as relações entre o Governo e o PS, no encontro “não se terão fechado portas”, apurou o Expresso.

Para Portas, é fundamental manter contactos regulares com o PS e assegurar que os socialistas não se afastam do consenso nacional em torno do programa de ajustamento. Uma postura que, nota a direcção do PS, contrasta com o tom de agressividade que tem sido adoptado pelo primeiro-ministro e pelo PSD.

Portas e Seguro em almoço secreto

Marcelino pan y vino

O Marcelino é uma das figuras políticas que tenho proveito em observar porque ele representa o poder triunfante, usando o DN sem qualquer pudor como uma arma de combate eleitoral e um veículo de influência social ao serviço dos interesses do passismo. E o que é o passismo? É a decadência soberba, a vaidade venenosa, o cinismo como método e programa. O passismo é o cavaquismo sem Cavaco e sem o baronato laranja, apenas com a arraia-miúda dos quadros filiados e a mixórdia dos atrevidos com os fanáticos. Cavaquismo e passismo comungam numa retórica de ataque ao Estado, aos partidos e aos “políticos”. Trabalham com as dinâmicas psicossociológicas da iliteracia, da pobreza e do envelhecimento da população. Limitam a sua produção intelectual à redução da política ao moralismo, ao lançamento de campanhas de assassinato de carácter e à produção de ambientes de medo irracional quando estão na oposição através dos meios de comunicação social que dominam. Vejamos um exemplo desta lógica:

O Estado e os partidos

Repare-se como ele fala das PPP sem nada explicar, apenas se preocupando em confundir, difamar e sofismar. Agita o fantasma populista de haver nesses acordos roubalheiras à descarada, grotescas violações da Lei, da moral, da ética, dos interesses públicos e do mero bom senso, mas sem apresentar prova ou indício seja do que for. É como se as instituições estruturantes do regime – onde se incluem o Parlamento, o Ministério Público e os Tribunais – tivessem sido coniventes com essa dilapidação porque também receberam a sua parte ou porque as forças em acção eram tão poderosas e tenebrosas que escapavam ao controlo do Estado de direito. Qualquer militante do PCP, qualquer publicista do BE, qualquer activista de uma qualquer organização de extrema-direita, e, claro, qualquer operacional do PSD e CDS, se juntaria ao Marcelino neste deboche sórdido cantando e rindo, para depois saírem à rua todos juntos de tochas na mão, paus, facas e cordas para perseguir e apanhar essas diabólicas PPP com que os socialistas, maioritariamente os socialistas, especialmente os socialistas, espalharam a fome, as doenças e a miséria.

Mas o melhor para se conhecer a fibra do animal está neste singelo passe de mágica com que fecha a prosa:

Este caminho que desagua nas PPP, no BPN, no Freeport, e por aí adiante, só tem a ver com a forma como os partidos, essenciais ao funcionamento de democracia tal qual a entendemos, têm feito parte do problema.

Cá está o método em acção: (i) as PPP são equivalentes ao BPN, ou seja, se no BPN já sabemos que estamos perante altíssima roubalheira, então as PPP são mais do mesmo ou pior; (ii) o BPN é equivalente às PPP, ou seja, é algo que já se fez noutro lado, pelos do outro lado, logo não tem sequer carácter de excepção; (iii) as PPP e o BPN pertencem ao mesmo grupo de formidáveis crimes a que pertence o Freeport, ou seja, aquilo do Freeport, digam lá os tribunais e as evidências o que disserem, foi mesmo corrupção que encheu os bolsos a Sócrates e a outros governantes ou dirigentes socialistas.

O que aparece embrulhado num inane lamento contra um regime democrático que tem partidos cheios dos piores vícios é, visto pelo efeito pretendido no leitor, um apelo ao cidadão para se afastar da vida política dada a quantidade de monstros e sujidade à solta nessas águas. Quão melhor termos Passos e Relvas a assumir o pesado fardo da governação, enfrentando os bandidos das PPP e do Freeport com a sua imaculada bondade e o seu heróico combate em nome do povo, suspiram os espaços em branco nos textos do Marcelino.

Revolution through evolution

As Women’s Status Rises, So Do Literary ‘Shes’
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Growing Up Grateful Gives Teens Multiple Mental Health Benefits
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Race May Play Significant Role in Presidential Election, Survey Finds
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Scientists Discover the Truth Behind Colbert’s ‘Truthiness’
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The Economic Cost of Increased Temperatures: Warming Episodes Hurt Poor Countries and Limit Long-Term Growth
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Pupil Dilation Reveals Sexual Orientation in New Study
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Lying Less Linked to Better Health
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Why Bronze Medalists Are Happier Than Silver Winners
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Dating: Why it Really Is a Numbers Game
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Weight Training Linked to Reduced Risk of Type 2 Diabetes
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The Psychology of Heroism: Why Some People Leap in Front of Bullets
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Daily Aspirin Usage Linked to Lower Cancer Mortality
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Making People Happy Can Be Better Motivator Than Higher Pay for Workers
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Student Scores Improve if Teachers Given Incentives Upfront

Se bem me lembro

Se bem me lembro, PSD e CDS andaram de 2008 a 2011 a dizer que o Governo de Sócrates falsificava contas e relatórios para esconder buracos gigantescos, por um lado, e tomava decisões catastróficas que deixariam as futuras gerações penhoradas para além da sua capacidade de pagamento dessas despesas.

Se bem me lembro, PSD e CDS garantiram que os problemas de Portugal até às 20 horas do dia 5 de Junho do ano passado não tinham origem em qualquer abalozinho na economia mundial, muito menos numa crise da Zona Euro, antes as nossas dificuldades de financiamento resultavam exclusivamente da apreciação moral que os mercados faziam sobre a biografia e personalidade desse português de nome José Sócrates.

Se bem me lembro, PSD e CDS declararam ser urgente que esse Governo de facínoras e dementes fosse substituído pela gente séria, pois só a gente séria poderia salvar Portugal do abismo com as suas continhas já todas bem feitinhas e com a sua seriedade exemplar, a tal seriedade que os mercados em poucos meses estariam inevitavelmente a premiar e aplaudir.

As coisas de que um gajo se lembra quando se lembra de pulhas.

Já agora, vale a pena pensar nisto

A religião, enquanto fonte de consolo, constitui um obstáculo à verdadeira fé: neste sentido, o ateísmo constitui uma purificação. Devo ser ateia com a parte de mim mesma que não é feita para Deus. Entre os homens cuja parte sobrenatural não está desperta, os ateus têm razão e os crentes não.

in A GRAVIDADE E A GRAÇA, Simone Weil

Capucho diz que os talibãs tomaram conta disto

O social-democrata António Capucho comparou a intenção do Governo em extinguir a Fundação Paula Rego com os tiros dos talibã contra os budas de Bamyan, no Afeganistão, há uma década atrás.

Em declarações à TSF, este ex-presidente da câmara de Cascais entende que esta proposta do Governo é uma «selvajaria tão grave como os talibã a deitarem abaixo com tiros de morteiro as estátuas do buda».

O ponto a que isto chegou: até Capucho está chocado com o populismo deste Governo

Lembra-te

ASAP is poison

“Funny how everything is high priority until you actually have to prioritize things.”

ASAP is essentially implied when requesting anything of anybody. Adding ASAP to everything puts every request at the same level, which means nothing is actually at a high priority. Then everything that hasn’t been ASAP’ed eventually becomes unimportant, and ASAP becomes a prerequisite for getting anything done. Reserve your ASAP’s for actual emergencies and avoid a “boy who cried wolf” situation.

Fonte

Todo o orgulho será medalhado

Aquando do Euro 2012, Cavaco Silva disse oficialmente o seguinte a propósito do resultado de um jogo de futebol disputado por profissionais:

Por ocasião do apuramento para as meias-finais do Campeonato Europeu de Futebol, quero felicitar a Seleção Nacional pelo resultado alcançado, que é motivo de regozijo e orgulho para Portugal e os Portugueses.

Demonstrando desportivismo, determinação e vontade de vencer, os elementos da nossa Seleção voltaram a provar que, nos momentos mais difíceis, os Portugueses se agigantam e superam os grandes desafios que lhes são colocados.

Aos jogadores, equipa técnica e dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol, desejo a continuação, na próxima fase do EURO 2012, dos sucessos já alcançados até aqui, que dignificam o futebol português e contribuem para a projeção internacional do país.

Há neste condensado de provincianismo lastimoso duas provocações ao respeito próprio do cidadão e sua tão molestada inteligência: a de que correr atrás de uma bola em calções durante 90 minutos se pode equiparar aos grandes desafios que afligiram e afligem os habitantes de Portugal, e a de que passar uma eliminatória num torneio de futebol contribui para a projecção internacional de um qualquer país. Contudo, ninguém abriu o bico para criticar fosse o que fosse a sua excelência. A apatia é geral, Cavaco venceu-nos a todos.

Agora, dois bravos rapazes na genica da idade, gastando parte maior das suas vidas a mecanizar, sincronizar e acelerar um conjunto de movimentos com os braços, participaram numa prova internacional e perderam. O líder do maior partido da oposição é que não perdeu tempo, informou logo os nativos de que estava ali o exemplo a seguir. Um exemplo caracterizado pelo espírito de sacrifício, teve a bondade de explicar. E decretou um estado de orgulho obrigatório para todos os portugueses. Seguro, o valente que pediu transparência doesse a quem doesse a respeito das tropelias do seu amigo Relvas, e que depois quando lhe fizeram a vontade ficou sem palavras tamanha a comoção, remata o espasmo ditirâmbico com este repto:

Que esta medalha seja também um incentivo para todos os nossos atletas.

Seguro quer medalhas. Mais medalhas. Quer provas tangíveis dos sacrifícios. Quantas mais medalhas, mais sacrifícios, mais dor, mais ranger de dentes. E isto agrada-lhe. Ele compreende com todas as células do seu corpo essa lógica. Porque é essa a sua teologia, um mundo onde aqueles que sofrem acabam por receber o devido prémio. Sendo que este edifício axiológico oferece outra grande vantagem, senão mesmo a principal: permite concluir que aqueles que não triunfam igualmente não se esforçaram o suficiente ao ponto do sacrifício máximo, o tal que obriga a Nação a desfraldar as bandeiras do orgulho.

Aquela cena de os Jogos Olímpicos – senhores, pelo menos as Olimpíadas! – serem uma festa da confraternização entre os povos, e de que importa mais participar do que vencer, é tudo tanga, né? De políticos a jornalistas, passando pelos comentaristas encartados, o patrioteirismo histérico com o desporto é a prova de que os bárbaros invadiram a cidade. Não há nada mais decadente para o espírito helénico do que a luxúria idólotra.

Por favor, não envolvas o PS no teu populismo de alguidar

“Em meu nome pessoal e do Partido Socialista quero felicitar a dupla portuguesa Emanuel Silva e Fernando Pimenta pela medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos Londres 2012, na categoria de K2 1000 metros”, escreveu Seguro em dois telegramas enviados aos presidentes da Federação Portuguesa de Canoagem, Marques dos Santos, e do Comité Olímpico de Portugal, Vicente de Moura.

“O desempenho e esforço dos canoístas portugueses são naturalmente motivo de orgulho para todos os portugueses e dignificaram Portugal”, escreveu ainda o líder socialista, que pede aos dois responsáveis que transmitam as suas felicitações aos medalhados.

António José Seguro sublinhou que “pelo seu espírito de sacrifício e evolução desportiva, Emanuel Silva e Fernando Pimenta, a dupla mais jovem a competir na final de hoje, são um exemplo para os jovens e deixam uma marca histórica nestas olimpíadas”.

“Que esta medalha seja também um incentivo para todos os nossos atletas”, acrescentou.

Seguro felicita canoístas por medalha de prata que “orgulha” Portugal