Marcelino pan y vino

O Marcelino é uma das figuras políticas que tenho proveito em observar porque ele representa o poder triunfante, usando o DN sem qualquer pudor como uma arma de combate eleitoral e um veículo de influência social ao serviço dos interesses do passismo. E o que é o passismo? É a decadência soberba, a vaidade venenosa, o cinismo como método e programa. O passismo é o cavaquismo sem Cavaco e sem o baronato laranja, apenas com a arraia-miúda dos quadros filiados e a mixórdia dos atrevidos com os fanáticos. Cavaquismo e passismo comungam numa retórica de ataque ao Estado, aos partidos e aos “políticos”. Trabalham com as dinâmicas psicossociológicas da iliteracia, da pobreza e do envelhecimento da população. Limitam a sua produção intelectual à redução da política ao moralismo, ao lançamento de campanhas de assassinato de carácter e à produção de ambientes de medo irracional quando estão na oposição através dos meios de comunicação social que dominam. Vejamos um exemplo desta lógica:

O Estado e os partidos

Repare-se como ele fala das PPP sem nada explicar, apenas se preocupando em confundir, difamar e sofismar. Agita o fantasma populista de haver nesses acordos roubalheiras à descarada, grotescas violações da Lei, da moral, da ética, dos interesses públicos e do mero bom senso, mas sem apresentar prova ou indício seja do que for. É como se as instituições estruturantes do regime – onde se incluem o Parlamento, o Ministério Público e os Tribunais – tivessem sido coniventes com essa dilapidação porque também receberam a sua parte ou porque as forças em acção eram tão poderosas e tenebrosas que escapavam ao controlo do Estado de direito. Qualquer militante do PCP, qualquer publicista do BE, qualquer activista de uma qualquer organização de extrema-direita, e, claro, qualquer operacional do PSD e CDS, se juntaria ao Marcelino neste deboche sórdido cantando e rindo, para depois saírem à rua todos juntos de tochas na mão, paus, facas e cordas para perseguir e apanhar essas diabólicas PPP com que os socialistas, maioritariamente os socialistas, especialmente os socialistas, espalharam a fome, as doenças e a miséria.

Mas o melhor para se conhecer a fibra do animal está neste singelo passe de mágica com que fecha a prosa:

Este caminho que desagua nas PPP, no BPN, no Freeport, e por aí adiante, só tem a ver com a forma como os partidos, essenciais ao funcionamento de democracia tal qual a entendemos, têm feito parte do problema.

Cá está o método em acção: (i) as PPP são equivalentes ao BPN, ou seja, se no BPN já sabemos que estamos perante altíssima roubalheira, então as PPP são mais do mesmo ou pior; (ii) o BPN é equivalente às PPP, ou seja, é algo que já se fez noutro lado, pelos do outro lado, logo não tem sequer carácter de excepção; (iii) as PPP e o BPN pertencem ao mesmo grupo de formidáveis crimes a que pertence o Freeport, ou seja, aquilo do Freeport, digam lá os tribunais e as evidências o que disserem, foi mesmo corrupção que encheu os bolsos a Sócrates e a outros governantes ou dirigentes socialistas.

O que aparece embrulhado num inane lamento contra um regime democrático que tem partidos cheios dos piores vícios é, visto pelo efeito pretendido no leitor, um apelo ao cidadão para se afastar da vida política dada a quantidade de monstros e sujidade à solta nessas águas. Quão melhor termos Passos e Relvas a assumir o pesado fardo da governação, enfrentando os bandidos das PPP e do Freeport com a sua imaculada bondade e o seu heróico combate em nome do povo, suspiram os espaços em branco nos textos do Marcelino.

11 thoughts on “Marcelino pan y vino”

  1. resta saber se foi ele que escreveu ou se recebeu do gabinete do relvas com ordem de publicação e cheque anexo em coerência com o tema.

  2. Valupi,é o desespero.já esgotou labeu acusatorio. depois disto, nada há mais para dizer…talvez à policia, a queixar-se que lhe foram ao lombo.

  3. olha que a retórica antipartidos tb / sobretudo interessa aos jovens e letrados..( que aquilo na espanha não são velhos e percebem o que leêm , os campistas) claro que vinda “dos que fazem parte” não interessa nem ao menino jesus. pensas mesmo que ser velho e analfabeto é sinónimo de burro ? diz muito de ti , isso.

  4. A reles treta antipartidos e a estafada técnica da amálgama que lhe permite manter a reles treta anti-partidos. Marcelino está a chegar ao nível do paleio mais bronco de extrema direita.

  5. Segundo A .Marinho e Pinto “em Portugal, quem tem de recorrer à justiça não fica sob a alçada da lei, mas sim nas mãos do juiz.”
    Coisas como o ridículo das perguntas a Sócrates que os magistrados nunca fizeram porque em ano e meio”não tiveram tempo”, originam a impunidade com que se acusa alguém já ilibado após prolongada e especializada investigação. Uma espécie de jurisprudência leiga.
    Houvesse justiça , pagassem eles balúrdios por difamação e decerto só escreveriam pela certa.
    Todos assistimos, por exemplo, aos ataques semanais da Moura Guedes a José Sócrates, segundo ela corrupto para além de qualquer dúvida. Ora os doutos magistrados arquivaram a queixa do ex Pm porque ” era “abstracta e não apontava nenhum facto concreto que permitisse ao Ministério Público dizer onde é que tinha havido difamação contra o primeiro ministro”.
    Aposto que foram os únicos a não ver nada de concreto naqueles famosos telejornais.

  6. Sentem-se bem a bajular, dormem com os pés quentinhos, em caminha confortável. Em tempos de crise têm os seus soldados colocados e com jorna garantida. Vivem felizes e acham que o andar que têm, curvado,com os cornos demasiado rente ao chão, é do tecto ser muito baixo.

  7. No caso cocreto do J.Marcelino, creio ser mais uma falta de cultura política e, de conhecimentos
    sobre os múltiplos aspectos inerentes que, o leva a sair-se com comentários desajustados!
    Parece estar num processo de aprendizagem, basta ler a caixa de comentários nos seus escritos e,
    algo tem aprendido nas chamadas entrevistas de fundo a “gente” que conta…embora, por vezes, não
    saibamos para quê!?!
    Há muito que, é notória a contaminação laranja por dentro do DN e, simultâneamente, uma certa
    emulação com o pasquim CM, não há um critério de equidade na opinião apresentada…todos mamam na
    teta da direita, as excepções servem para confirmar a regra!!!

  8. Valupi,
    O pulha marcelino não faz mais que imitar o pacheco vaca louca, este sim, normalmente, o autor original da insinuação que logo depois já trata como sendo um facto: bastou ser insinuado pelo seu canino faro de caluniador para estar certificado.
    Depois do certificado pachecal o jornalismo marcelinóide, quase tudo na nossa praça de jornalistas-pardais-de-esplanada à cata de migalhas caídas das mesas de banquete dos donos, repete e replica sempre a mesma versão até se tornar “frase feita” e por contágio em axiomática verdade: dispensada de prova.
    O post acerta na muche: os incompetentes, à falta de faculdades intelectuais próprias, profissionalizam-se na categoria de “talentos parasitários”; os que à falta de trabalho próprio vivem da crítica do trabalho alheio. Contudo, nos casos dos medíocres e oportunistas marcelinóides, dâmasos e tantos outros, nem talento têm para parasitar: são chulecos parasitários, somente.

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