A fórmula Sócrates

Pode ser que o homem não esteja bem – e, se for o caso, votos de rápidas e completas melhoras. Mas também pode ser a monumental calinada de um soberbo fanático. A distorção mnésica de uma pulsão persecutória que saliva de gozo nas campanhas de assassinato de carácter em que é exímio artista. Recorde-se alguns exemplos do que ele já foi capaz de bolçar:

Para o professor, a atitude do primeiro-ministro em avançar para um PEC4 sem «um telefonema» ao Presidente da República ou aos partidos da oposição foi uma «forma infantil» de Sócrates reagir aos recados do discurso da tomada de posse.

O comentador político diz que José Sócrates tem “mentido sistematicamente”, ora socorrendo-se de mentiras “piedosas”, ora pelo impulso de “falsas convicções”.

Sócrates é o que se chama o “chico esperto” Fez um curso mais facilmente que o comum dos mortais e na casa comprou a mesma casa que os outros compraram mais cara, mais barata.

Sócrates é daqueles cães que filam as canelas.

Que diriam os direitolas raivosos se existisse um político do PS que tivesse este protagonismo exclusivo de Marcelo? Provavelmente, iriam viver para tendas de campismo à porta da Assembleia da República tamanha a asfixia que sentiriam, coitaditos. Pois esta super-vedeta da política-espectáculo está desde os anos 70 ao serviço da oligarquia e tem um tempo de antena permanente para trabalhar na defesa dos interesses do PSD e CDS sem qualquer contraditório. Para além disso, é um chungoso de Cascais, daqueles que passam o tempo na calhandrice, tendo insultado e ofendido Sócrates de todas as formas que a legalidade lho permitiu. Ao longo dos últimos anos, contribuiu feérico para empestar o espaço público com ataques difamatórios e caluniosos.

Repare-se no modo como reconhece ter-se enganado. Continua a malhar em Sócrates. E, de repente, o corte do subsídio de Natal para todos, que meia hora antes era um gamanço injusto, passa a ser uma medida que já não considera errada. O que nos leva para a fórmula Sócrates, de facto. Só que vamos ter de esperar. Esperar que alguém estude o efeito de Sócrates na sociedade portuguesa, investigando as paixões com que foi e é atacado por tantos e a timidez, ou até receio, com que foi defendido por tão poucos. Os ataques unem direita e esquerda, classe alta e pobretanas, cromos da academia e imprensa aos alienados e analfabrutos. Em comum, o frenesim moralista, a alergia à inteligência, o ódio como alimento e destino.

Sim, a fórmula Sócrates tem sido a nossa desgraça.

21 thoughts on “A fórmula Sócrates”

  1. eu vi isso. cohorror. não percebi onde o marcelo queria chegar ou fazer a inventar assim em directo. até tive pena de o ver fazer semelhante figura. morreu o hermano , nasceu o marcelo !

  2. Eu não tive pena nem nojo, confirmei o que sempre acho dele: um fala barato, inexplicavelmente simpático (o facto de nos ser familiar, por certo). Invariavelmente, acho-o-o como “canalhinha”.

  3. fala barato! uma porra, se soubesses quanto lhe pagam pelas missas não dizias isso. se canalhinha for petit nom de filho da puta estou de acordo.

  4. Ainda mais inexplicavel que a patranha que ele queria arranjar para comprometer o PS a aceitar o corte num dos subsidios de 2013, foi o facto de os jornais não escreverem uma linha sobre o que ele disse. Será que sofreram pressões inaceitáveis?

  5. Marcelo Rebelo de Sousa, atual “lebre política” do PSD na comunicação social, com o objetivo deste partido o apoiar à Presidência da República, é um cómico quando fala na TVI. Ele ainda não se apercebeu da figura ridícula que faz, às vezes, perante os portugueses na maioria das suas intervenções políticas nesta estação televisiva: Ele será mentiroso ou estará senil?

    Na sua propaganda política na TVI, em 19 de Agosto de 2012, mais um disparate: Para Marcelo, Sócrates preparou em 2010 o corte dos subsídios para 2011. Foi mentiroso intencionalmente com o objetivo de passar esta imagem para o povo português para esconder a incompetência do atual governo.

    Pasme-se que foi a jornalista do PSD Judite de Sousa que o desmentiu. Até ela teve que o chamar à atenção por tal calúnia. Toda a comunicação social que está ao serviço de um único partido, como no tempo da União Nacional, não fala neste assunto. Esta comunicação social de partido único também é responsável pelo descalabro do país. É bom recordar que foi este fulano, que um dia disse, que passos Coelho era uma segunda versão de Sócrates para pior.

    Esta atitude, de um homem que é professor, pela falta de verdade, torna a classe docente mais fragilizada. George Bush ouvia sempre o chefe da propaganda política de Sadam, Ali “o cómico”, por ser cómico e inconsciente. Eu não gosto de ouvir Marcelo na TVI, como chefe da propaganda política do PSD, porque não gosto de “cómicos”.

    O homem diz as mentiras políticas com tal convicção, como ficou demonstrado, que ele acredita mesmo naquilo que diz. Como dizia Ângelo Correia: “Já estou farto do Marcelo”.

  6. É mais que evidente que o comentador de “fait divers” da TVI, há muito que perdeu o
    prazo de credibilidade que, na análise deve ser colocada para não vender gato por lebre
    ao espectador mais desatento!
    Foi visível o seu incómodo com a Judite de Sousa, quando esta lhe chamou a atenção
    para a “gaffe”, esperemos que a dupla..não se desfaça! Apesar de não alimentar o “sonho”
    de vir a ser Presidente, a concorrência é muito forte e o mau desempenho do actual P.R.
    não ajudará a eleger outro conotado com a direita…não mergulhará nessa!
    Passará a assinar os seus comentários como prof. Marcelo “Salomão” de Sousa, pela for-
    ma airosa e expedita como descalçou a “gaffe”, com a sua habitual pirueta, se não foi
    ele, o mistofélico Sócrates que foi aos subsídios…outras coisas de mal fez!!!

  7. Este badameco teria feito grande carreira política no Estado Novo. Estava preparado para isso quase desde o berço. No liceu Pedro Nunes fez saber que queria ser presidente do conselho de ministros. O 25A foi um azar para ele, pois desde então tem havido sempre uma maioria numérica para chumbar o professor, nas urnas e até no partido dele. Valeu-lhe a comunicação social, onde basta a luz verde dos patrões e ter vocação histriónica. Tal e qual como o fascista Hermano Saraiva, bem lembrado. Material reciclado do Estado Novo que triunfa nos media da democracia.

  8. Porquê a obsessão dos socratistas, por vezes até de quadrantes políticos afastados, com o seu inexplicável ídolo de trazer por casa — perguntam, perplexos, aqueles que sabem ter-se tratado de um dos piores meliantes que alguma vez infestou a vida política lusitana desde Viriato e Sertório…

    A resposta está dada pela famigerada «fórmula Sócrates» do professor Martelo. É isso mesmo: a «fórmula Sócrates». Nem mais.

    Note-se o tempo que a correcção demora, até alguem assinalar a bronca ao ouvido da entrevistadora. Note-se também que nesta impagável vichyssoise não molha um único jornal a colher, e muito menos o proverbial Correio da Manha…

  9. Leia-se «infestaram» e não «infestou». Ainda não é desta que a exposição às calinadas actuais me convence a abandonar a concordãncia de predicado e sujeito…

  10. Perdoem-me os puristas a infestação, mas surge uma dúvida a requerer um prontuário gramatical que infelizmente não tenho á mão. O que me parece “on second thougths” é que a restrição «alguma vez» encolhe mesmo a figura do sujeito e justifica o «infestou» inicial. Será assim? Ignácio? Prof. Martelo? Valupi? Alguma opinião sobre isto? Obrigados antecipados.

  11. oh nhahna, para interpretações de conteúdo ligas bécula e/ou escalrracho para prontuário ortográfico. manda sempre.

  12. Há gente, que pensa que só são lideres todos os que começaram a devorar livros, mal sairam do ventre materno. isso não chega meus amigos.muitas das vezes expressam-se mal, nem um prego sabem pregar e só jogavam à bola porque a bola era dele. dizer que Socrates era um lider de trazer por casa é passar um atestado de menoridade a todos aqueles que aceitaram de bom grado a sua liderança.Os portugueses estavam era bem lixados para não dizer fodidos… se tivessem sido governados por alguns intelectuais da nossa praça .Socrates, não era um intelectual ele sabia isso.tinha era todas as caracteristicas de um lider era combativo,ganhou todos os debates eleitorais (só perdeu com passos coelho,por que Miguel sousa tavares o disse,para vender o livro que só fazia sentido com o fim do ciclo Socrates. palavras dele.) nas entrevistas com jornalistas saiu-se sempre bem.tinha um governo coeso à sua volta, tinha liderança. ninguem saiu do governo a dizer mal.preparava-se para os debates e cimeiras. estava a par de varias pastas ministeriais.assimilava com facilidade o que lhe sopravam ao ouvido, correspondeu aos anseios dos portugueses mais de quatro anos.foi vitima de campanhas vergonhosas vindas dos lados mais insuspeitos possiveis (presidencia da republica inclusivé),aguentou com isso tudo ,não fugiu. foi o melhor ministro do ambiente.teve a inteligência para sair do psd (deixou o pai lá sozinho…) empolgava as massas.Os debates e entrevistas eram vistas por milhares de pessoas,pergunto o que é preciso mais para ser um lider: foi por ser “de trazer por casa” que a esquerda lhe fez a cama, sacrificando por isso os portugueses.Há medios alunos nas faculdades ou politecnicos,que são grandes profissionais na sua carreira.A politica é uma profissaõ e Socrates era um grande profissional e um grande lider.Até a gerir o silencio ele é mestre.Concordo com Gungunhana meireles quando diz que que a simpatia por socrates ultrapassava o campo do ps, (até comunistas digo eu votavam nele) por causa da “formula socrates”.todos conhecem a boa relação de almeida santos com mario soares.Este facto não o impediu em entrevista à tsf e passada a papel no diario de noticias,que socrates foi o melhor PM de Portugal.o resto é luta partidaria e inveja.Nota: mourinho não é maior? foi o melhor aluno? é um intelectual?

  13. Atenção, Nuno da C.M., eu não escrevi «lider de trazer por casa» e sim «ídolo de trazer por casa». Isso não implica uma baixa opinião do dito; apenas se refere ao ponto de vista daqueles que «sabem ter-se tratado de um dos piores meliantes etc.». E é claro que o «sabem» é irónico, com o valor de «sabem lá na sabedoria deles» ou «julgam que sabem».

  14. É “infestaram”, ó Gungunhana. Mas esse é um erro de concordância dado pelos mais eminentes interventores da nossa praça pública (incluindo uma chuma de ignorantes jornalistas).

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