Todos os artigos de Valupi

A Justiça existe para nos servir

Não confio no Ministério Público. Quero ter as garantias de que se um dia tiver que enfrentar um problema na justiça e se for inocente tenho condições para demonstrar a minha inocência e que o que tem que ser provado é a minha culpabilidade. Não me parece que seja isso que acontece frequentemente em Portugal. E o problema é que só temos essa percepção quando temos proximidade à justiça. Isso o 25 de Abril não resolveu, a democracia não resolveu, a troika não resolveu, e não vejo que no futuro alguém tenha coragem de resolver.


Pedro Adão e Silva

__

Assim termina a corajosa entrevista do Pedro ao Jornal de Negócios. E por aqui poderia começar uma acção política que juntasse cidadãos de todos os quadrantes democráticos, unidos na defesa do Estado de direito. Só falta encontrar quem queira liderar essa reconquista do que é nosso por princípio: a liberdade soberana que nada teme da Justiça.

O que é que os socráticos têm?

Na última Quadratura, talvez já sob a influência de um espírito de chinela de praia, Lobo Xavier insistiu em terminar a sua participação no programa dando um recado a Costa: “Livra-te dos socráticos se queres dividir o bolo connosco.” Costa respondeu com sorrisos cúmplices aos cúmplices sorrisos de Lobo Xavier. O vídeo acima documenta essa situação.

Como é que estas cenas acontecem? O que levará um dos mais notáveis representantes da oligarquia a ir para a televisão exibir-se neste grau de obscenidade? Talvez não haja enigma algum, talvez seja apenas a força do hábito. Mas dá que pensar.

Por exemplo, quem são os socráticos? Aliás, existem socráticos? Que se saiba, nunca ninguém de ninguém defendeu publicamente o regresso de Sócrates; fosse para o PS, fosse para um novo partido, fosse para Presidente da República, fosse para vogal de uma Junta de Freguesia. Quer isso dizer que poderão existir socráticos sem que exista um projecto político ligado à figura? Para a direita, para os pulhas, para os maluquinhos e para os broncos, sim. Esses socráticos identificam-se porque outrora estiveram ligados a Sócrates no Governo e no Parlamento, uns, ou porque não odeiam Sócrates mesmo sem qualquer ligação ao PS, os restantes.

Pois bem, quem serão os socráticos na equipa de Costa que o Lobo Xavier pretende ostracizar? Será o Galamba um deles? Ou melhor, bastará afastar o Galamba? O ideal seria que o Lobo Xavier elaborasse uma lista de nomes e que ela fosse publicada. Poderia chamar-se “Tralha socrática a despejar no lixo”. E até se poderia contratar o Seguro em ordem a organizar uma votação pública para aumentar a lista, assim conseguindo ser também pioneiro da abertura da caça aos socráticos à sociedade. Para participar bastaria que o cidadão assumisse, de cruz, ser primário.

A expressão facial de Costa na reacção ao deboche do Lobo Xavier tanto pode estar a querer dizer “Ó pá, vai chatear os cornos a outro e tem mas é juizinho.” como “Ó pá, o que hei-de fazer? Eles colaram-se! Mas eu trato deles, fica descansado.” Onde não há dúvidas é na lógica do pícaro episódio: muito os socráticos assustam a oligarquia.

As deixas do senhor Seixas

O Zé Manel aproveitou uma eventual violação do segredo de justiça, ou uma pura invenção, para voltar a falar de Sócrates. Juntou uma entrevista de Seguro e estava pronto mais um capítulo da sua paixão funesta: Sócrates, o activo tóxico do PS. E do país. Um pormenor despertou-me a curiosidade, ter usado duas vezes a expressão “animal feroz”. Algo me dizia que havia aqui coisa. Encontrei estes casos:

Onde conduz a falta de humildade 10/10/2007

Para baixo todos os santos ajudam? 04/07/2009

Ninguém morreu na arena dos dez debates 13/09/2009

Quem não tem dinheiro não tem vícios. E não pode ter Sócrates 25/03/2011

Não esqueceu nada. Não aprendeu nada 29/03/2013

Os títulos são fixes, mas a repetição do petit nom ao longo dos anos exibe uma sensibilidade agarrada à dimensão animal, à ferocidade, ao sangue e às vísceras, ao suor e ao ranger de dentes – em suma, ao lado selvagem de Sócrates, a besta imunda. Só que não estamos ao abandono. Perante a ameaça que paira sobre a civilização, o Zé Manel assumiu a missão de combater o mal armado apenas com a sua aquilina inteligência, a sua exemplar deontologia e a sua devoção cívica, uma trindade de virtudes apolíneas que já tem lugar reservado na História.

O texto é um festival de insinuações, difamações, calúnias, boatos, deturpações, delírios e pulhices. Termina com uma prece: que finalmente apareça alguém para meter o animal feroz na pildra. Basta que se façam as “revelações” respectivas, algo que antigamente se fazia às pazadas até por analfabrutos no meio do deserto ou na Região Centro. Será desta?

A angústia do Zé Manel em 2014 recorda o desespero do Zé Manel em 2009. Também nessa altura, finais de Setembro, o nosso cavaleiro andante chegou a ameaçar o Presidente da República caso ele não lhe entregasse a cabeça de Sócrates numa bandeja:

"Das duas, uma: ou a seguir a 27 de Setembro fundamenta as suas suspeitas, e age em conformidade, ou se se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como Chefe de Estado, porventura de forma irremediável."

As suspeitas eram aquelas que o Zé Manel, em conluio com Belém, tinha andado a espalhar a 1 mês de umas eleições legislativas. Cavaco não lhe fez a vontade. Em contrapartida, ofereceu ao País o mais patético e degradante espectáculo que alguma vez se viu na Presidência depois do 25 de Abril.

Mas o artigo teve outra imprevista vantagem, a de ter levado a sair da toca esta peça de ourives: Os tablóides e a outra escrita. Francisco Seixas da Costa é uma figura simpática e produtiva, devendo já ter publicado no seu blogue material mais do que suficiente para fazer um delicioso livro só com episódios saborosamente anedóticos do seu passado diplomático. É também um socialista que apoia de muito perto Seguro sem ostensivamente hostilizar António Costa. Estamos perante um grande diplomata, pois claro.

Eis que o nosso embaixador resolveu destacar a porqueira do Zé Manel. Para a louvar. O educadíssimo e elegantíssimo Francisco Seixas da Costa rotula de inteligente e eficaz a manifestação doentia de uma perseguição de ódio. Mais, confessa ter-se divertido à inglesa com o exercício. Ocasião para perguntar: mas haverá alguém que apoie Seguro e que tenha, em simultâneo, uma mínima noção do que é a decência?

Compravas um popó a este melro?

Nuno Melo, o mais pândego dos caceteiros na política nacional, não quer especulações políticas ou ganhos eleitorais à volta do caso BES. Recomenda prudência. Ele.

É por isso que adoro este homem. Porque mostra não haver limites para a hipocrisia, a desonestidade intelectual, a duplicidade moral, o cinismo. E o que há de mais admirável na sua conduta é que ele não gasta uma caloria a tentar disfarçar o que é. O enorme prazer, o supino gozo, que o avacalhamento constante da prática política lhe proporciona até dá gosto de ver. É enternecedor testemunhar o seu ar consolado depois de ter conseguido mostrar que teria igual ou ainda maior sucesso na Feira da Malveira a vender atoalhados.

A política portuguesa permite que um básico deste calibre esteja na linha da frente para suceder a Portas. Pelo menos nesse particular, a política portuguesa faz todo o sentido.

Com bónus

Quando o caso BPN rebenta, a situação financeira e política mundial era de pânico absoluto. Nenhum governante tinha experiência de um problema cuja gravidade, dimensão e complexidade só comparavam nas suas ameaças com a Grande Depressão. Esse contexto de iminente implosão sistémica internacional, e esse clima emocional correspondente, explicam a decisão de nacionalizar rapidamente um BPN que, também para os decisores à época, parecia estar envolvido em perdas muito menores do que aquelas que depois se vieram a apurar. Talvez outras pessoas tivessem tomado outras decisões perante o mesmo problema. Nunca o saberemos. O que sabemos é que houve um consenso generalizado na sociedade quanto à racionalidade da decisão e um subsequente aproveitamento político à medida que se ia descobrindo o valor do prejuízo.

O caso BPN não foi usado pelo PS para fazer baixa política a propósito da cor política dos seus responsáveis e aproveitadores. O mesmo não se pode dizer da direita pulha e da esquerda pura e verdadeira, as quais se abraçaram exultantes de felicidade e partiram juntas para a caça ao Constâncio. Pouco importava que o Banco de Portugal não pudesse ter feito mais por falta de instrumentos de investigação para descobrir uma operação criminosa daquela tipologia. Atacar Constâncio satisfazia a oposição por inteiro porque a violência política ia toda acabar por atingir o PS, o objectivo comum, e porque tal permitia mitigar, ou até esconder, o escândalo associado à dimensão política daquele banco, objectivo da direita.

Agora, temos a direita calada, ou em aplauso, perante a actuação do Governador do Banco de Portugal. Contudo, 6 anos passaram desde o BPN, o homem está lá há 4 e a Troika está cá há 3. Aqueles que perseguiram, e perseguem, Vítor Constâncio como nunca perseguiram, nem perseguirão, os responsáveis pela roubalheira do BPN estão no Governo e dominam o Parlamento. Falta só acrescentar uma peça a este puzzle: Carlos Costa foi escolhido por Sócrates em 2010. Pouco tempo depois, o novel Governador andava a contribuir alegremente para o desgaste do frágil e cercado Governo que lhe tinha dado o lugar. Pedro Silva Pereira*, num grande momento de candura, chegou a contar a história do processo de decisão. Ele e a sua equipa tinham andado a ponderar alguns nomes e, ao sugerirem Carlos Costa a Sócrates, este respondeu: “Era também nele que eu estava a pensar!”. A história pode não ter sido exactamente assim, pois recordo sem fonte, mas não diverge no essencial.

Que misterioso desatino levou esse génio do crime chamado Sócrates, cujo plano passava por dominar televisões, jornais e rádios, para além de meter no bolso os milhões dos construtores para comprar apartamentos de luxo e sapatos, mais os milhões do BES para meter lá fora, bandido com uma actividade criminosa que já vinha do Governo de Guterres, e que terá começado a violar a lei na Covilhã, mas que o mais certo é ter as suas raízes mafiosas no próprio berço de madeira onde planeou os primeiros golpes ou nos genes que deviam ser estudados pela Judiciária, a escolher tão mal um Governador do Banco de Portugal numa altura em que teria dado tanto jeito ter lá uma marioneta para fazer aquelas falsificações nos números que ele fazia sempre que podia como supremo mentiroso que é?

Responder a essa pergunta tem como bónus encontrar a resposta a estoutra: por quanto mais tempo a direita voraz, protegida pela esquerda imbecil, vai encher a pança de riso de tanto tourear os portugueses?

__

* O nosso amigo assis diz que foi Teixeira dos Santos quem contou a historieta. E diz muito bem, como eu também já tinha referido e de tal estava completamente esquecido: Limites do bom senso. De facto, a matéria competia a Teixeira dos Santos e não ao Pedro Silva Pereira.

Revolution through evolution

Albert Einstein was a genius, but he wasn’t the only one – why has his name come to mean something superhuman?
.
Chili peppers for a healthy gut: Spicy chemical may inhibit gut tumors
.
Great moments in science (if Twitter had existed)
.
Wait, Wait ─ Don’t Tell Me the Good News Yet
.
Healthy lifestyle may buffer against stress-related cell aging
.
Pervasive implicit hierarchies for race, religion, age revealed by study
.
Society bloomed with gentler personalities, more feminine faces: Technology boom 50,000 years ago correlated with less testosterone

Continuar a lerRevolution through evolution

We all live in Israel

Estava para publicar o vídeo de uma palestra de Sam Harris, vedeta do novo ateísmo norte-americano, que trata de uma temática fascinante e exibe as suas superiores capacidades oratórias: Sam Harris on “Free Will”. Mas hoje deparei-me com a publicação do Luís Grave Rodrigues onde Sam Harris discorre sobre o conflito entre Israel e o Hamas: Por que não critico Israel. O vídeo está legendado em português (ou algo parecido).

Devido ao impacto real e psicológico da guerra e à crescente pressão mediática contra Israel, incluindo a media pessoal, é muito mais importante chamar a atenção para os seus argumentos acerca de um conflito tão irracionalizante e tomado pelas trincheiras ideológicas e dinâmicas consumistas. Aqui deixo a versão sem legendas.

Calma, Helena Matos, calma

Helena,

Tu sabes que ele é um dos maiores criminosos que este país já viu; ou melhor, que ainda não viu. Por causa daquele e do outro e da outra que o protegeram. Tu sabes com a autoridade de quem anda desde dois mil e tal a dizer isso nas televisões, nos jornais, nas rádios, nos blogues, nos cafés e até nalguns baptizados. São muitos anos de tormento. Um teste inumano à tua capacidade de sofrimento.

Mas calma.

Agora com esta do amiguinho Salgado estar entalado, já não tem mais para onde fugir. Vai para onde, ter com quem? Com o Belmiro? Soares dos Santos? Ulrich? Nem tu, apesar de tudo, e vamos pôr mesmo tudo nesse tudo, acreditas nisso. Pelo que agora é só uma questão de tempo. Pensa: Presidente da República, Governo, Maioria, Procuradora-Geral da República, Correio da Manhã e tu. Eis o dream team, como dizem os franceses, que vai caçar a besta. Finalmente. Para nosso descanso e segurança.

Mas calma.

Viste o tipo na RTP, ontem? Aquele ar de… sei lá… nojo? Sim, ar de nojo. E aquela voz de… hum… nojo? Sim, voz de nojo. E aquelas coisas que ele disse… coisas… nojentas? Sim, coisas nojentas. É nojento ver aquele nojo a dizer-se inocente. Como te compreendo, Helena.

Mas calma.

Está quase.

Calma.

Seguro, um caso de psiquiatria

A fuga para a frente que Seguro encetou perante o desafio levantado por Costa foi vista, justamente, como a manifestação de um interesse particular que colidia com os interesses do PS e do País. Contudo, ninguém poderia antecipar o benefício que ela está a trazer. Um benefício que não surpreenderá alguns, mas que pode ser útil a muitos. Trata-se da auto-exposição do caso de psiquiatria em que Seguro se tornou.

Ferreira Fernandes, eufemisticamente, vai hoje por aí nas pontas dos pés – Afetos tirados a ferrinhos – mas não poderá reclamar originalidade. Quando Francisco Assis, no contexto da disputa com Seguro para secretário-geral em 2011, apontou para o “imenso magma de afectividade” que o seu adversário se preparava para despejar na política nacional, estava a dizer tal qual: que Seguro intentava substituir o discurso político por um registo que se encontra nos líderes religiosos, e tão mais presente quão mais frágil for a influência da doutrina. Uma espécie de Síndrome de Jerusalém a descer ex machina no Largo do Rato.

Para medirmos a gravidade da presente situação, basta olhar para o mesmo Francisco Assis, disposto a trocar a sua credibilidade e reputação por um poiso no Parlamento Europeu. O mesmo para Alberto Martins, subitamente tomado pelo odor a santidade que Seguro espalha pelos ares de cada vez que abraça e beija um espécimen da turba-multa. Daí não fazerem apelos à racionalidade no seu argumentário mas ao moralismo. Isto porque racionalmente a posição de Seguro é indefensável. Mas não só a posição, também a conduta e a postura. Nada se salva em Seguro, nada de nadinha de nada. Pelo que resta o apelo à emoção, a farsa da vitimização farsola.

Imaginando que Seguro vence as primárias, quem dos actuais militantes, sejam celebridades ou desconhecidos, vai querer pertencer a um partido cujas bandeiras são o ataque aos corruptos socialistas que governaram de 2005 a 2011 e o ataque a Lisboa? Que é isto? Que demência é esta? Mesmo no mero plano de uma retórica eleitoral que depois dará origem a abraços de reconciliação e lugares negociados para listas disto e daquilo, o PS irá sobreviver a uma estratégia kamikaze?

A recente declaração de Seguro a propósito do pedido de maioria por António Costa ultrapassa aquele limite a partir do qual passamos a cúmplices quando não a denunciamos. Disse isto:

O líder socialista reagia a declarações de António Costa no encerramento da convenção "Mobilizar Portugal", no sábado, em Aveiro, onde garantiu que "o PS pretende governar com uma maioria absoluta, porque é necessário estabilidade para criar um Governo forte, que permita fazer a mudança que é necessário fazer".

"É curioso, porque, em abril do ano passado, no encerramento do congresso do PS, eu tive a oportunidade de dizer que essa é a ambição do PS", afirmou António José Seguro, durante uma visita à Feira Regional de Oliveira do Hospital (ExpOH).

Por isso, deixou uma sugestão a António Costa: "Que não repita mais aquilo que eu tenho andado a dizer, nem aquilo que são as posições do PS e que diga qualquer coisa de diferente e de novo".

Seguro pede a Costa que deixe de o imitar

Quem se oferece assim em sacrifício público, seja porque se imagina a palrar no meio de alimárias, seja porque já não toca com os pés na terra, perdeu a noção. Se ver Costa a pedir uma maioria absoluta lhe permite invocar a sua pessoa, um dia destes Seguro acusará Costa de o estar a imitar por este se dizer socialista, coisa que ele já terá anunciado um ano antes. Costa que diga algo diferente e de novo; por exemplo, que já não é socialista, que passou a ser antivivisseccionista. E vai terminar com Seguro a declarar que se sente perseguido e copiado por Costa falar em português. Ocasião que Eurico Brilhante Dias irá aproveitar para lançar no Facebook a pergunta fatal: “E se Ricardo Salgado contar tudo o que sabe acerca da relação de Costa com a língua portuguesa?”

Žižek irritado com os comunas portugueses

Já têm 2 anos, pelo menos, mas estes 6 minutos são cristalinos quanto ao erro sistemático da esquerda imbecil: recusar a negociação. Ao recusar a negociação, o prémio é a manutenção da pureza fanática. Mas o preço é a ausência, a nulidade, o falhanço absoluto na defesa daqueles que alegam querer defender.

Slavoj Žižek usa o exemplo de Obama no combate pelo sistema de saúde pública norte-americano como paradigma do que é um pensamento da esquerda inteligente e corajosa. E é de um simples processo intelectual que está a falar, a simplicidade de usar o bom senso. A simplicidade de conseguir escolher entre 1 e 0. Ou mesmo entre 2 e 1.

No caso da esquerda pura e verdadeira portuguesa, e sua delirante convicção de que o “povo” está agradecido pelo sua recusa em partilhar responsabilidades governativas, é ainda mais simples: trata-se de conseguir escolher entre quem se contenta com a cassete e quem tem alma de compositor.

Revolution through evolution

Dog Jealousy: Study Suggests Primordial Origins for the ‘Green-Eyed Monster’
.
The 92 percent clean plate club: You’re not alone in eating everything on your plate
.
‘Moral victories’ might spare you from losing again
.
Smarter than a first-grader? Crows can perform as well as 7- to 10-year-olds on cause-and-effect water displacement tasks
.
Greater odds of adverse childhood experiences in those with military service
.
Background TV can be bad for kids
.
Books, videos and other ‘experiential products’ provide same happiness boost as life experiences

Continuar a lerRevolution through evolution

O erro de Sócrates

Errar é humano, errar muito é sinal de que se exerce ou exerceu o poder. Não precisa de ser um poder político. Os pais erram. Os amantes erram. Os amigos erram. Os gestores erram. Os patrões erram. E os professores, os polícias, os militares, os juízes e os médicos erram à fartazana. Até Einstein errou (e não foi pouco).

Coincidindo com uma crise que só comparava na sua dimensão e gravidade com algo acontecido 70 anos antes, agravada por uma outra crise nascida da primeira que se apresentava absolutamente original, começou a ser exigido a Sócrates que reconhecesse os erros. Os seus tão grandes erros. Só que o primeiro-ministro de então tinha outra ideia: frustrar o desejo de humilhação que os seus imensos adversários alimentavam em crescente fúria. Terá essa atitude sido um erro?

Quando se acusa um governante ou ex-governante de ter errado, três possibilidades semânticas podem ocorrer:

a) O erro ser técnico. Por exemplo, ter-se enganado nalgum cálculo orçamental que tenha gerado um qualquer prejuízo. Nesse caso, o suposto erro revelaria incompetência.

b) O erro ser aferido a posteriori. Por exemplo, ter feito um investimento num porto e ele mostrar-se ruinoso por não ter conseguido captar mais trânsito de navios e mercadorias. Nesse caso, o suposto erro revelaria incapacidade.

c) O erro ser de tipologia ideológica. Por exemplo, apostar na Educação e na Segurança Social, canalizando para aí parte importante dos recursos. Nesse caso, o suposto erro revelaria uma natureza maligna.

Quem acusa políticos recorrendo à arma dos “erros” está sempre em pelo menos um destes registos, mas o mais provável é que a acusação reúna e misture os três. Quão mais emocional, sectária, fanática, desinformada, analfabeta e estúpida for a cabeça que faça a acusação, mais provável é que não haja qualquer possibilidade de discernir e discutir o que se aponta como “erro”. É deste modo que se formam e mantêm os bodes expiatórios, através da matilha dos broncos. Sócrates foi, e assim permanece, como o mais famoso bode expiatório da democracia portuguesa.

Ninguém pede a Cavaco para assumir erros. Quer isso dizer que a sua governação está isenta deles? E que dizer da sua presidência, esse nobilíssimo exercício da mais alta concepção do Estado e do papel de protector da Constituição? Ninguém pede a Barroso, Santana ou Ferreira Leite para se mandarem ao chão em pranto e rasgarem as vestes por causa dos erros cometidos. E que dizer de Passos? Um ingénuo diria que o actual primeiro-ministro dá azo a alguns pedidos para reconhecer os seus erros. Ou será que Passos não errou quando recusou o PEC IV, quando fez uma campanha eleitoral onde mentiu do princípio ao fim e de alto a baixo, e quando foi além da Troika no empobrecimento dos portugueses só para acabar sem ter atingido os propalados objectivos da regeneração nacional? Tendo em conta que ninguém lhe exige tal coisa, pode ser que o Pedro não tenha errado. Quem estará a errar somos nós, os que ainda não emigrámos.

Como se vê acima, Sócrates admite poder ter errado na forma como lidou com os professores. Admite, sem acrimónia nem ressentimento, que Costa possa ter razão. Noutras ocasiões, já admitiu que errou ao aceitar ir para um Governo minoritário. Na campanha de 2009, disse ter errado ao ter desinvestido na área da Cultura. Ao mesmo tempo, vai repetindo o óbvio: que é impossível governar sem que alguém, seja lá quem, por alguma razão, seja ela qual for, considere que a governação errou aqui e ali. Logo, por que caralho havia ele de ser a excepção? O assunto é absurdo se tomado fora do seu contexto. Ora, o seu contexto não é o de uma investigação regida pela honestidade intelectual dos acusadores. Ninguém de ninguém, incluindo políticos, jornalistas e académicos, se mostrou interessado em reflectir fora das agendas ideológicas o período de 2008-2011 no que respeita à governação e ao papel da oposição e do Presidente da República. Mesmo os economistas que se declaram à esquerda do PS, e que desmontam a retórica da direita quanto às origens da crise, não têm o mínimo interesse em dizer algo que valide a racionalidade das decisões de Sócrates em 2010 e 2011, pois isso seria o equivalente a saltar para a cama do inimigo de estimação. A pressão para Sócrates reconhecer os “erros” não passava da normal luta política para o diminuir na sua liderança e carisma. O óbvio do óbvio.

Acontece que estamos em 2014 e Sócrates não sai de cena, a causa não estando nos seus minutos na RTP. Mesmo sem essa rubrica, ele continuaria a ser usado como arma de arremesso pela direita, grupo onde se encontra Seguro por adesão voluntária. Há toda a vantagem para este grupo em explorar até aos limites do possível a campanha de ódio contra Sócrates pois ela é, simultaneamente, uma campanha contra o PS que pode vir a ser Governo e um disfarce para o real programa de ataque à herança do 25 de Abril que vem a ser feito por Passos&Portas. Nesta situação, devemos apontar um erro a Sócrates.

Este: achar que se pode limitar aos seus 20 minutos semanais onde faz uma prelecção. Essa presença é um fracasso quanto à captação da opinião pública para a sua versão dos acontecimentos. Pelo que é necessário mudar de táctica e colher a lição do que aconteceu com o José Rodrigues dos Santos. Foi graças à estultícia desse jornalista, achando que ia bater em mortos, que foi possível ter um dos melhores momentos de esclarecimento, e convencimento, da audiência nesse espaço televisivo. É esse o palco que Sócrates deve procurar, o do confronto com os seus acusadores. Quem não gostaria de ver Sócrates a debater com Nuno Melo, Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa, Lobo Xavier, Aguiar-Branco, Carlos Abreu Amorim e sei lá quem mais? Seriam espectáculos imperdíveis.

E eles aceitariam? Eis o erro de Sócrates, não estar a desafiá-los directamente, obrigando-os a entrar no jogo da Verdade ou Consequência.

Vamos lá a saber

Quem é que está convencido da versão (mas que pode bem ser a verdade dos factos) em que 6 jovens universitários são apanhados por uma onda no Meco e morrem afogados sem que estivessem sujeitos a qualquer outro constrangimento?

Declaração de voto

A objectividade é a qualidade da relação com uma qualquer realidade que se mantenha conceptual ou observavelmente idêntica a si própria independentemente da subjectividade dos agentes. Assim, temos um objecto quando o reconhecemos distinto do sujeito gnoseológico, de todos os sujeitos cognoscentes individuais. “1+1=2” é um exemplo iniciático do modelo da objectividade porque se reconhece imediata e universalmente que essa operação aritmética conduz sempre ao mesmo resultado seja qual for a idade, sexo, local de nascimento, cor da pele, estado emocional, adesão ideológica, crença religiosa, escolaridade, orientação sexual, condições financeiras, estatuto social, clube desportivo, estilista favorito ou preferências gastronómicas do sujeito que fizer o cálculo. A ciência é a procura incessante da objectividade, a política não.

Façamos o exercício de procurar a objectividade na relação com o excerto acima, recolhido no programa Quadratura do Círculo de 10 de Julho de 2014. Objectivamente, o que é que ele nos mostra além e aquém de qualquer dúvida, aquém e além de qualquer idiossincrasia do ocasional espectador?

Isto:

– António Costa a discorrer sobre o “alinhamento estratégico” dos Governos com algumas entidades empresariais, o que considera legítimo, e a diferença desta prática face à “promiscuidade de interesses“, que considera inaceitável e gravíssima, apresentando exemplos concretos de ambos os casos.

– Lobo Xavier a desafiar António Costa para falar da “comunicação social“, ficando entendido que já antecipa o que vai ser dito ou, a nada ser dito, que esse silêncio confirmará o que o próprio Lobo Xavier teria a dizer sobre o assunto.

– António Costa a dar como exemplo concreto de uma promiscuidade de interesses a tentativa de um Governo levar um grupo económico a comprar ou vender um órgão de comunicação social só para determinar a sua linha editorial. De seguida, faz equivaler essa situação com a da imprensa económica na mão de grupos económicos que por essa via espalham uma doutrina económica do seu interesse.

– Pacheco Pereira a declarar que António Costa está a falar de Sócrates quando refere a tentativa de compra ou venda de órgãos de comunicação social só para lhes mudar a linha editorial, o que não é desmentido.

– Lobo Xavier a elogiar enfaticamente a referência à comunicação social feita por António Costa, cujo subtexto confirma que entende o primeiro exemplo como sendo relativo a Sócrates e ao caso “Face Oculta”, e nada dizendo a respeito do segundo exemplo relativo à imprensa económica e sua agenda.

– António Costa a teorizar sobre a diferença entre o tratamento que a direita dá aos seus no meio empresarial e o que reserva para quem venha da área do PS para as empresas. Aqui, Armando Vara é atacado por Lobo Xavier e Pacheco Pereira e António Costa não o defende.

– Lobo Xavier a voltar ao assunto da “promiscuidade de interesses” para o agravar e expandir. Diz que Seguro faz as mesmas acusações que António Costa acabou de fazer, tendo como alvo exclusivo os Governos do PS entre 2005 e 2011. Diz que “boa parte” dos apoiantes de Costa são cúmplices, ou autores, de múltiplas e constantes operações que visavam controlar a banca, a PT e os jornais, pelo menos, no tempo em que Sócrates foi primeiro-ministro. Perante estas acusações, António Costa fica calado.

Programa terminado, dir-se-ia que um furação estava a poucas horas de entrar pela barra do Tejo. António Costa, dito socrático ou testa-de-ferro dos socráticos, tinha confirmado tudo o que a direita havia dito que Sócrates fizera ou mandara fazer a respeito da eventual compra da TVI pela PT – portanto, tinha dado como fundada em factos indesmentíveis a tese do procurador e do juiz de Aveiro, os quais alegaram ter descoberto um atentado ao Estado de direito graças à espionagem feita a Sócrates, Vara e outros. Se até este figurão socialista o admitia, ainda para mais sendo o novo íman dos “socráticos”, então era a prova provada da culpa de Sócrates. Bomba antónia!

Só que, para espanto dos ingénuos, apenas uma levíssima e efémera brisa agitou o espaço público, com o i a ser a única voz da imprensa (que eu saiba) a ter dado atenção ao episódio: António Costa demarca-se de Sócrates, desta vez no Face Oculta. Na entrevista feita pelo Público a Costa, saída neste domingo, não se toca nele. E no regresso de Sócrates à RTP, nele não se tocou. Para a surpresa, já perplexidade, ser ainda maior, o circuito do ranho (Correio da Manhã, Blasfémias, 31 da Armada, Insurgente e tutti quanti) não explorou esta oportunidade de ouro para voltar a crucificar Sócrates e o PS. Nunca se viu no Entroncamento fenómeno parecido. Que se está a passar?

Continuar a lerDeclaração de voto

DN, o “Correio da Manhã” do jornalismo de referência

A tentativa de implementação dessa medida [a avaliação] por Maria de Lurdes Rodrigues, que nem sugestões, relevantes mas moderadas, de alteração ao seu projeto acolheu, acabou por redundar na sua própria fragilização. Seguindo a terceira lei de Newton, a ação da então ministra da Educação provocou a inevitável reação - expressa numa condenação generalizada por parte dos professores e simbolizada em gigantescas manifestações. A ministra acabou por sair.

Editorial do DN, Julho de 2014

*

Em conferência de imprensa, ao lado do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, Maria de Lurdes Rodrigues começou por explicar que «foram ouvidas todas as escolas». «Identificámos três grandes áreas de problemas para as quais propomos medidas», disse.

O primeiro desses problemas apontados, sobre os quais vão incidir as alterações ao actual modelo, foi «a existência de avaliadores de áreas disciplinares diferentes entre avaliadores e avaliados». A segunda é a existência de burocracia excessiva. Finalmente, foi identificada uma sobrecarga de trabalho no processo de avaliação para os professores.

Este conjunto de medidas, segundo a Maria de Lurdes Rodrigues, «visa prosseguir com a avaliação, melhorando em muito as suas condições» e não significa um recuo no actual modelo de avaliação.

Ministra da Educação apresentou versão simplificada