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Todos os artigos de Valupi
A nova política de Seguro já tem uns aninhos
Nós temos de derrotar a velha política e substituí-la pela nova, que é falar verdade aos portugueses e dizer que só podemos prometer aquilo que temos a certeza de podermos cumprir.
É fundamental falar verdade aos portugueses, porque falando verdade eles têm comportamentos que são consistentes com os objectivos que queremos alcançar. Tendo uma boa informação, cada um comporta-se e tem uma atitude coerente.
Eu acho que aquilo que falta efectivamente é falar verdade às pessoas. Provavelmente, o engenheiro Sócrates, neste momento, não fala verdade nem com ele próprio.
Não faço promessas que não tenciono cumprir.
Merece um filme
A esquerda demasiado grande
O que se está a passar no BE teve a primeira manifestação pública no Verão de 2009, quando Louçã reagiu descontroladamente ao rumor de que o PS tinha convidado Joana Amaral Dias para entrar nas listas de candidatos socialistas às legislativas desse ano. O Napoleão da “esquerda grande” apareceu transtornado frente aos jornalistas a garantir que tinha sido Sócrates – em carne e osso – quem tinha tentado seduzir a miúda para o inferno burguês e capitalista do Rato. Não tinha, foi Paulo Campos quem levou com a tampa. O essencial do episódio, porém, não está na manobra do PS, antes na exibição dos traços megalómanos e paranóides de Louçã. Só não viu quem não quis ver, e a Joana viu.
Entende-se sem esforço o processo que leva Louçã para o cárcere do ressentimento e do rancor. Este homem acreditou piamente que ia chegar lá, aos amanhãs que dançam. No discurso triunfal proporcionado pelos resultados eleitorais de 27 de Setembro de 2009, indiferente às causas circunstanciais de tal fenómeno, foi anunciada uma revolução em curso:
"Começa um novo dia para a Esquerda portuguesa. Retirar a maioria absoluta ao PS é muito importante e é importante que isso faça uma grande diferença na política nacional."
Fonte
Viu-se bem, oh como se viu, a grande diferença que a retirada da maioria absoluta ao PS trouxe para a política nacional. Um ano e meio depois, o novíssimo dia da esquerda portuguesa atingiu o zénite precisamente a 23 de Março de 2011. Foi o dia em que os deputados do BE e PCP viabilizaram a entrega do poder a Passos e Relvas. As diferenças, as disparidades e os desequilíbrios em Portugal não têm parado de aumentar desde essa data, de facto.
Joana Amaral Dias, Rui Tavares, Daniel Oliveira e Ana Drago foram ao longo de vários anos, de diferentes formas, os rostos mediáticos do sucesso de Louçã. Falta só nesse grupo o Miguel Portas, que talvez ninguém saiba o que estaria agora a dizer e a fazer perante a desagregação do Bloco. O que é certo é que eles protagonizaram uma estratégia que convinha à esquerda pura e verdadeira e à direita, a do desgaste do PS nos segmentos jovens e urbanos. Louçã imaginou-se o sultão dos jovens turcos e, depois da manipulação dos professores numa campanha de ódio, já tinha a espada afiada para decapitar o PS e levar a sua cabeça numa travessa ao PCP. Acaba abandonado pelas suas estrelas de outrora e a projectar nelas o que, no fundo, sempre foi neste país de poucos líderes com o seu carisma: um ogre narcísico com mais barriga do que visão.
Vamos lá a saber
Lavoisier sim, Sócrates não
Ainda continuando a vasculhar o debate sobre o estado da Nação do passado dia 2, nele se encontra uma boa intervenção de Alberto Martins, onde lista os efeitos reais das opções do Governo. Mas nesse discurso há um momento caricato que simboliza a aberração em que se encontra o PS – portanto, em que se encontra a oposição. Ocorre quando Alberto Martins se limita a registar uma evidência, a de que o propalado sucesso das exportações na actualidade se funda, principalmente, nos investimentos feitos na governação de Sócrates. Perante esta verdade, a malta da Política de Verdade reage como aprendeu em casa e nos colégios finos: ri à gargalhada. O riso como arma de agressão é quase sempre eficaz, pois está a desqualificar, em simultâneo, a questão e o questionador. Terá Seguro, um homem que se orgulha de ter aplaudido o comício de Cavaco na Assembleia da República onde se pediu a cabeça de um primeiro-ministro socialista através da rua, ido em socorro do seu prestigiado apoiante e líder da sua bancada? Ver para ouvir.
Sim, é possível a unidade da esquerda
Estes 6 minutos do último debate sobre o estado da Nação são iguais a dezenas, se não forem centenas, de outros ocorridos no Parlamento na presente legislatura. Nele vemos Passos, um tribuno de 4ª categoria, a despachar Seguro como quem vira mais um frango. As imagens mostram que esse achincalhamento é tanto do agrado de Passos como de Seguro, ambos expressando o seu prazer através de genuínos sorrisos de cumplicidade e satisfação. Eles chegaram lá, são comparsas de geração e estilo. E mandam nisto.
Qual o motivo para o gozo mútuo? O estado da Nação. Isto é, o empobrecimento de milhões de portugueses, a emigração de centenas de milhares de jovens portugueses, o desemprego de mais de 1 milhão de portugueses, as incontáveis desgraças que as crises económicas, financeiras e políticas causam em Portugal desde 2008. Perante essa paisagem devastada, Passos e Seguro entretêm-se a preparar o seu futuro imediato enquanto brincam à política.
Uma parte das legislativas de 2015 pode ser já antecipada sem medo de falhar. PSD e CDS vão repetir à exaustão durante a campanha eleitoral exactamente o que Passos nestes 6 minutos diz na cara de Seguro:
– Que o PS levou o País à bancarrota.
– Que foi Sócrates quem chamou a Troika.
– Que os sofrimentos causados pelo resgate são da responsabilidade do PS.
– Que PSD e CDS conseguiram salvar Portugal.
– Que todos os indicadores positivos da economia no presente são da exclusiva responsabilidade do PSD e do CDS.
– Que Seguro concorda com a culpa de Sócrates e do PS pelo que aconteceu, acontece e aconteça de negativo em Portugal.
O facto de esta cassete andar a ser repetida diariamente no Parlamento desde princípios de 2012 – excepção para a adesão entusiasmada de Seguro à tese da culpa socrática, que só depois de recentemente ter saído da gaiola foi verbalizada – diz mais do actual PS do que do Governo e da direita. Porque é o PS que permite a Passos continuar a rir só por meter Seguro no bolso e emporcalhar os socialistas e a sua História sem sofrer consequências. Bastaria que alguém na bancada do secretário-geral lembrasse a Passos, de cada vez que se imagina a bater em mortos, que ele é o maior mentiroso de longe e de sempre na democracia portuguesa, e que foi ele quem traiu o interesse nacional ao esconder que dependia da vinda da Troika para aplicar o seu plano de ataque ao Estado social, para que o traste ambulante começasse a ter de encontrar outra forma de ocupar o seu tempo quando vai ao Parlamento matar saudades do amigo Seguro.
Na verdade, nem teria de ser alguém do PS, poderia ser um valente do PCP, do BE ou mesmo a Heloísa Augusta Baião de Brito Apolónia. Como ninguém o faz, concluí-se que a esquerda está finalmente unida à volta de uma posição comum: o apreço, quiçá respeito, pela cassete da culpa socrática e do heroísmo de Pedro&Paulo.
Arte do engano
«Daquilo que tenho mais ouvido, desde camaradas do PS até cidadãos que me abordam na rua, é dizer que isto [candidatura de António Costa à liderança do partido] não é justo, isto não pode ser aceitável num partido democrático», disse o dirigente socialista.
O dirigente socialista lembrou que só promete aquilo que tem a «certeza absoluta» de poder cumprir porque, disse, «alguns confundem a política com a arte do engano».
«Foi por causa de terem feito no passado promessas que sabiam que não podiam cumprir que hoje há centenas de milhares de portugueses descontentes e que não acreditam na política e nos políticos em Portugal», considerou.
Seguro diz que PS devia estar «exclusivamente» concentrado a combater Governo
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Seguro não pára nem descansa, qual barata tonta. Aqui o temos a dizer que Costa é injusto e não é democrático, como se não houvesse amanhã após as primárias. Aqui o temos a falar de “certezas absolutas” em política, e logo a respeito de promessas a cumprir num futuro indefinido. Aqui o temos a disparar contra alvos não nomeados, os quais acusa de serem mestres do engano.
Pensemos um bocadinho nisto. Que leva Seguro a não nomear a malandragem que (não) denuncia? Não seria melhor, por todas as razões e mais algumas, que o rei da transparência e da ética chamasse os bois pelos nomes?
Acontece que há muitas vantagens na retórica difamatória e caluniosa genérica, como qualquer taxista sabe de ginjeira. Uma delas é a de ninguém se poder defender, pois quem o fizesse estaria a enfiar o barrete. Uma outra é a de Seguro nada ter de explicar ou provar, continuando a alimentar o seu culto de personalidade onde pretende ser reverenciado como um santo. Ainda uma outra é a de cavalgar manobras caluniosas recentes na memória pública cuja lógica aviltante fosse igual. Assim, a figura que imediatamente ocorre é Sócrates, sujeito a campanhas de ofensa à honra como nunca se tinham visto em Portugal sob o pretexto de ser corrupto, mentiroso e de não cumprir promessas. Este nexo tem sido explorado por Seguro e os seus, com o aplauso febril dos direitolas, na colagem que fazem entre Costa e Sócrates.
Mas talvez o mais extraordinário da sonsice de Seguro no seu afã de destruir o PS seja o facto de poupar Passos. Alguém que atira em todas as direcções com munição calibre “arte do engano” e não acerta no elefante laranja mesmo à sua frente tem de ser um grande habilidoso. Precisa é de ir mostrar as suas habilidades para o circo e entregar o partido a quem o respeite.
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Seguro tóxico
"Nas sondagens que me dizem diretamente respeito, fico satisfeito em termos pessoais, mas não posso deixar de lamentar a descida do PS. Até esta crise que aconteceu no Partido Socialista por iniciativa do António Costa, o PS esteve sempre a subir nas sondagens e é muito fácil verificar de quem é a responsabilidade", declarou hoje à noite aos jornalistas, em Aveiro.
Seguro responsabiliza Costa por descida nas sondagens
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Não pode ser apenas por aspectos ligados à personalidade. Nem pode ser apenas por razões ligadas à inteligência. Esta insistência de Seguro no ataque de carácter a Costa exibe um sonso particularmente estúpido. Sonso porque segue as tácticas daqueles que tentam emporcalhar a política reduzindo-a a supostas questões de moral, e estúpido porque muito provavelmente não terá qualquer ganho interno com o apelo ao ódio. Mas especialmente sonso e estúpido porque, calhando vencer, o triunfo da sua decadência tornaria o Partido Socialista irreconhecível e destinado à fragmentação ou implosão.
Esta característica de não se querer assumir as suas responsabilidades está presente em muitas dimensões e esferas da vida quotidiana, da vida de todos nós. É inevitável em comportamentos criminosos e patológicos. Consoante o grau e a tipologia, define o nosso carácter e é o critério das relações que queremos, ou não queremos, manter com terceiros. Ao justificar uma descida nas sondagens – cuja causa Seguro não tem possibilidade de explicar sem um estudo que não fez nem irá ser feito; e que pode ter na sua origem os mais diversos factores, a começar pela qualidade da sondagem e a acabar na sua prestação enquanto Secretário-geral – com a iniciativa de Costa, a qual é essencial e bondosamente política, Seguro opta por repetir a estratégia da direita contra o PS ao longo dos últimos 6 anos.
Não sei o que pensarão os militantes e simpatizantes socialistas, grupos a que não pertenço, mas nesta altura já não é possível continuar ao lado de Seguro e não estar a ser contaminado pelas suas pulhices.
Qual destas humilhações é a mais engraçada?
Buda que os pariu!
Democracia anedótica
[...] Cavaco Silva não distingue as suas funções entre chefe de um estado e as do simples cidadão que se ofende com as críticas e deixa de falar a quem o destratou. O Cavaco cidadão tem o direito de virar as costas a todos os portugueses que dizem mal dele (que, a avaliar pelas sondagens, já são mais que muitos). O Cavaco Presidente da República tem uma instituição a servir e o Estado a representar. Ao recusar emitir o tradicional comunicado oficial (repetido cada vez que qualquer português ganha um prémio de relevo), Cavaco Silva demonstra que não é um institucionalista, como não foi institucionalista ao faltar ao funeral de Saramago, como não foi institucionalista ao fazer uma comunicação ao país em horário nobre sobre as anedóticas “escutas de Belém”. [...]
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Qual é a influência de um jornal? Qual é a influência do i? E qual é a influência da opinião da sua directora? Na ausência de qualquer métrica conhecida a respeito, a resposta tende para o zero neste afunilamento. O que Ana Só Lopes escreve terá um poder de influência residual, seja qual for o critério. Ao mesmo tempo, uma mensagem veiculada num jornal, mesmo que seja o i, e mesmo que seja assinada por Ana Sá Lopes, tem alguma e incontornável importância. Nem que seja tão-só a de ser amostra sociológica.
Ana Sá Lopes é de esquerda. Não faço ideia se o rótulo adequado a essa esquerda é “radical”, “extrema”, “verdadeira”, “pura”, “idealista”, “esquerda da esquerda”, “esquerda que acha que o PS é de direita” ou “esquerda que também odeia o Sócrates”. Provavelmente, terá um outro nome que a minha ignorância mantém à distância. Mas lá que é de esquerda, uma esquerda intelectualmente robusta e opinativa, isso é factual. Ora.
Pois. Então, repare-se como a Inventona de Belém é tratada como um episódio anedótico. A 1 mês de umas eleições legislativas, e a 2 de umas eleições autárquicas, é lançada por um jornal de referência a suspeita de que o Governo de Sócrates espiava o Presidente da República e a Casa Civil. Esta notícia surgia na sequência de uma prolongada e furiosa campanha de difamações, calúnias e assassinato de carácter cujos alvos eram Sócrates e qualquer um que tivesse proximidade política ou familiar com ele. Conferindo-lhe toda a credibilidade, na sequência da publicação das suspeitas não é emitido qualquer desmentido por parte da Presidência da República. Pelo contrário, o silêncio de Cavaco leva a máquina das campanhas negras a explorar quanto e como pode a situação. Até uma amiba percebe o que está a acontecer: o resultado das eleições vai reflectir o alarme público gerado, e mantido, pela Casa Civil em conluio com o Zé Manel.
Ana Sá Lopes, ao reduzir a um devaneio estival inconsequente essa parte da nossa História, a qual se liga directamente com a estratégia que levou esta direita putrefacta para o poder, está a expressar um sentimento de completo desprezo pelo Estado de direito e pela democracia liberal. Mas não está sozinha, longe disso. Qualquer elemento ligado ao PCP e BE repetiria com rigor geométrico a sua posição face ao sucedido. Para estes valentes, ver um Presidente da República conivente, se é que não foi mandante, de um plano para deturpar actos eleitorais é do domínio do risível. Coisas lá deles, da direita, a brincarem uns com os outros enquanto não chega a ditadura do proletariado.
A puta da verdade, porém, continua cristalina: muito deve esta direita a esta esquerda – tanto que sem a cumplicidade de uma a outra não estaria agora a demolir a herança de Abril.
A notícia não é o “recebeu”, é “pela primeira vez”
Papa recebeu pela primeira vez vítimas de padres pedófilos
O papa Francisco recebeu hoje, pela primeira vez no Vaticano, seis vítimas de padres pedófilos, anunciou a Santa Sé.
O grupo - dois alemães, dois britânicos e dois irlandeses - foram recebidos pelo papa na Casa de Santa Marta, onde Jorge Mario Bergoglio residiu desde que foi eleito em março de 2013. O encontro foi precedido por uma missa na capela do papa.
Francisco anunciou este encontro, muito privado, no final de maio. As associações de vítimas aguardavam a realização deste encontro e mostraram-se surpreendidas por não ter ainda acontecido, considerando que o Vaticano não tinha feito o suficiente na luta contra a pedofilia.
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Net-zero energy test house exceeds goal; ends year with energy to spare
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Early Life Stress Can Leave Lasting Impacts on the Brain
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Using Geometry, Researchers Coax Human Embryonic Stem Cells to Organize Themselves
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Insect Diet Helped Early Humans Build Bigger Brains, Study Suggests
Cavaco, nem vergonha tens, pois não?
Costa e a verdadeira tralha socrática
Os episódios de Álvaro Beleza e de Isaura Martinho, se outros méritos não tivessem, serão de inclusão obrigatória num futuro estudo da estratégia da direita para chegar ao poder em 2011. Tendo consistido apenas numa campanha de ódio começada em 2008, a que se acrescentou o arsenal clássico do logro eleitoralista para obter os efeitos desejados, reuniu um albergue espanhol de bestas raivosas felizes da vida por terem um osso enorme para roer. Mas que pensava a esquerda pura e verdadeira, a qual alinhou febril com os direitolas, que iria acontecer depois de conseguirem derrubar o homem? Não pensava, é a resposta. E cá estamos no pós-socratismo.
Ao recuperar essa estratégia, Seguro não acrescenta uma caloria ao que conhecemos de Sócrates ou ao que deva ser avaliado. Fica é à prova de estúpidos a evidência de que o único propósito da exploração do fantasma socrático, antes como agora, na direita como na esquerda, consiste na pulsão caluniosa. Assim, Costa aparece como alvo porque alguns dos que o apoiam já apoiaram Sócrates. Não é preciso dizer mais nada. Aliás, é preciso é que nada mais seja dito, não vão os broncos que consomem essa ração começar a fazer contas de cabeça.
Costa seria então o socrático que não só nunca atacou Relvas no auge das polémicas em que esteve envolvido como até o elogiou. Costa seria então o socrático que decidiu ajudar o Correio da Manhã a vender mais do seu belo produto e que aceitou meter ao bolso o dinheiro obtido dessa bela maneira. Costa seria então o socrático que gosta de ver Campos e Cunha ao seu lado na apresentação da candidatura a secretário-geral do PS. Mas que socrático tão sui generis este Costa. Que se seguirá? Costa a convidar a Helena Matos para um jantarinho público? Costa a contratar a Moura Guedes para directora de campanha? Costa a tirar uma selfie com o Crespo?
#LikeAGirl
O João Lopes botou faladura sobre ele – Como publicitar um… penso higiénico? – e por excelentes motivos. Mesmo que se seja contra, por qualquer razão ideológica, saberá muito bem estar do contra perante algo tão brilhantemente pensado, brilhantemente produzido e brilhantemente realizado.
Já faltou mais, Jerónimo e Bernardino
Um dos ataques de carácter dirigidos a Costa consiste em alegar que a sua decisão de concorrer à liderança do partido resulta de estarmos perto das legislativas, sendo essa proximidade a prova de que apenas o poder pelo poder o motiva. Costa como “oportunista”, repetem raivosos os tenentes e arraia-miúda de Seguro. Este processo de intenções vem acompanhado pelo choradinho de que Seguro se sacrificou ao concorrer em 2011, tendo sido com grande custo que exerceu a função após tão pesada derrota do PS socrático.
Ora, acontece que ninguém se lembra de alguma vaga de fundo em ordem a levar um renitente Seguro a sair da toca para vir tomar conta de um partido desesperadamente carente da sua visão e coragem. Foi precisamente o contrário que se testemunhou, tendo ficado para a história das figuras tristes a sofreguidão descontrolada com que Seguro, na própria noite eleitoral de 5 de Junho, começou a reclamar deter um direito especial a ocupar o lugar vago. Eram 30 anos a colar cartazes, explicou para o caso de alguém não estar a perceber a situação. Mas mesmo que ele tivesse chegado à corrida para secretário-geral a pedido de muitos chefes de família, isso continuava a não lhe dar o estatuto de proprietário do PS. A democracia é o tal regime onde todo o poder pode ser alterado pela mesma razão pela qual foi constituído.
O que há para dizer é outra coisa. Seguro teve 3 anos e um Governo além-Troika para construir uma liderança inquestionável e benéfica para os interesses da classe média e dos pobres. Não o conseguiu fazer e, de caminho, decidiu que vale mais do que PS. Caso venha a ganhar as primárias, irá constituir um grupo parlamentar feito deste material político e humano que reproduz as tácticas caluniosas e de baixa política da actual direita portuguesa. Provavelmente, nas legislativas seguintes o PCP obteria a maioria absoluta.
Uma Sicília de emoções
Para além do que o Miguel já apontou – Seguro reconhece que, em três anos, não conseguiu criar uma alternativa ao Governo de direita de Portugal – Celorico da Beira foi palco para mais uma exibição da pulsão populista a que Seguro se entrega por nada mais ter a que se agarrar. Veja-se o primarismo alarve desta oratória de 4ª categoria.
E lá veio, fatalmente, o ataque de carácter e o “imenso magma de afectividade”:
Quando questionado sobre o manifesto de 25 fundadores do PS à candidatura de António Costa, respondeu que valoriza "todas as expressões de manifestação e, neste caso concreto, aqui no distrito da Guarda"
Lembrou que há 19 anos foi cabeça de lista pela Guarda e "ver que estas pessoas continuam aqui lado a lado, significa que as palavras foram sempre honradas, que há uma relação de confiança e hoje é muito importante que entre os eleitores e os políticos exista essa confiança".
O secretário-geral do PS disse que na noite de sábado viveu em Celorico da Beira um "momento de emoção" com "tantos apoios, com tantos amigos e com a afirmação" do seu projeto.
À evidência de estar a ser preterido por aqueles que fundaram e construíram o PS, Seguro dispara contra a honra alheia reclamando ser o único cujas “palavras foram sempre honradas“. Que quer isto dizer? Por um lado, que os seus adversários não são pessoas de palavra, assim discursando para a audiência externa. Por outro, que tudo o que ele prometer a alguém irá ser cumprido, assim discursando para a audiência interna. Sim, aterrámos na Sicília. Mas é uma Sicília de emoções, com tantos amigos.