A esquerda demasiado grande

O que se está a passar no BE teve a primeira manifestação pública no Verão de 2009, quando Louçã reagiu descontroladamente ao rumor de que o PS tinha convidado Joana Amaral Dias para entrar nas listas de candidatos socialistas às legislativas desse ano. O Napoleão da “esquerda grande” apareceu transtornado frente aos jornalistas a garantir que tinha sido Sócrates – em carne e osso – quem tinha tentado seduzir a miúda para o inferno burguês e capitalista do Rato. Não tinha, foi Paulo Campos quem levou com a tampa. O essencial do episódio, porém, não está na manobra do PS, antes na exibição dos traços megalómanos e paranóides de Louçã. Só não viu quem não quis ver, e a Joana viu.

Entende-se sem esforço o processo que leva Louçã para o cárcere do ressentimento e do rancor. Este homem acreditou piamente que ia chegar lá, aos amanhãs que dançam. No discurso triunfal proporcionado pelos resultados eleitorais de 27 de Setembro de 2009, indiferente às causas circunstanciais de tal fenómeno, foi anunciada uma revolução em curso:

"Começa um novo dia para a Esquerda portuguesa. Retirar a maioria absoluta ao PS é muito importante e é importante que isso faça uma grande diferença na política nacional."
Fonte

Viu-se bem, oh como se viu, a grande diferença que a retirada da maioria absoluta ao PS trouxe para a política nacional. Um ano e meio depois, o novíssimo dia da esquerda portuguesa atingiu o zénite precisamente a 23 de Março de 2011. Foi o dia em que os deputados do BE e PCP viabilizaram a entrega do poder a Passos e Relvas. As diferenças, as disparidades e os desequilíbrios em Portugal não têm parado de aumentar desde essa data, de facto.

Joana Amaral Dias, Rui Tavares, Daniel Oliveira e Ana Drago foram ao longo de vários anos, de diferentes formas, os rostos mediáticos do sucesso de Louçã. Falta só nesse grupo o Miguel Portas, que talvez ninguém saiba o que estaria agora a dizer e a fazer perante a desagregação do Bloco. O que é certo é que eles protagonizaram uma estratégia que convinha à esquerda pura e verdadeira e à direita, a do desgaste do PS nos segmentos jovens e urbanos. Louçã imaginou-se o sultão dos jovens turcos e, depois da manipulação dos professores numa campanha de ódio, já tinha a espada afiada para decapitar o PS e levar a sua cabeça numa travessa ao PCP. Acaba abandonado pelas suas estrelas de outrora e a projectar nelas o que, no fundo, sempre foi neste país de poucos líderes com o seu carisma: um ogre narcísico com mais barriga do que visão.

7 thoughts on “A esquerda demasiado grande”

  1. O rosto do Sucesso do Bloco faz-se de muitos homens e mulheres, que dão muito do seu tempo á intervenção civica em nome do partido, e que não aparecem nos jornais nem nas revistas.

    O BE FUNDADO por Francisco Louçã, Fernando Rosas, Luis Fazenda e Miguel Portas já falecido,, continua com os seus 3 FUNDADORES empenhados no projecto.

    Um projecto que tem homens como João Vasconcelos, que é um dos rostos da luta inabalável contra as portagens na Via do Infante, como o António Chora o rosto da Comissão de Trabalhadores, como João Semedo, Helena Pinto , José Manuel Pureza, Marisa Matias, e tantos outros que continuam de pedra e cal no BE.

    Dos nomes que citou o Rui Tavares NUNCA foi militante do BE.

    Os outros 3 contribuiram cada um á sua maneira, para o crescimento deste projecto, mas decidiram procurar outros caminhos, é uma opção que tem de ser aceite, afinal essa situação é comum em todos os partidos.

    Mas de uma coisa o BE se pode orgulhar, NUNCA expulsou ninguém por delito de opinião, o que revela que o PLURALISMO é uma realidade no BE.

    Quando se sabe a quantidade de expulsões de militantes, que já foram feitas no PS, no PSD para não falar do PCP, é caso para dizer, aprendam com o BE.

  2. Com o Miguel Portas estiveram João Semedo, Marisa Matias, José Manuel Pureza, José Guilherme Gusmão ( irmão de Daniel Oliveira) todos continuam de pedra e cal no BE.

  3. Está visto, não há qualquer problema no BE!
    Só que, agora as ondas são outras, cadê os profes?
    Sim, porque esta coisa de “surfar” sobre os problemas
    tem mais que se lhe diga! Puxar de um papel em branco
    da algibeira e acenar na AR já foi um número que hoje
    não resulta! Logo, para fazer agitação pela agitação bastam
    os três ou quatro deputados que o BE consiguirá em próxi-
    mas eleições! Ironia, o grande lider sibilante Louçã foi o res-
    ponsável pelo fim prematuro do projecto … se o houve???

  4. Cara Vanessa! “Business as Usual” como diriam os neo-liberais, ou “Orgulhosamente sós” como disse um grande democrata. O Bloco continua cego em direcção à parede que está à frente, e de acordo com a sua visão só pára depois de partir a cabeça. Faz muito bem! Como lembra Daniel Oliveira o “traidor”, “Ou queres governar ou serás governado”.

  5. oh báinessa! o pluralismo do bloco viu-se na eleição dos novos corpos gerentes, catarina & semedo, por apontamento de sua alteza real xico anacleto. um cagão irresponsável que andou a enganar miúdos à porta das escolas e uns débeis mentais à saída das faculdades que transformou séquito deolindo para abrilhantar a sua presença nas manifs dos outros.

  6. Com o Miguel Portas estiveram João Semedo, Marisa Matias, José Manuel Pureza, José Guilherme Gusmão ( irmão de Daniel Oliveira) todos continuam de pedra e cal no BE.

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