34 thoughts on “Buda que os pariu!”

  1. A religião dominante na Índia é o hinduísmo, com aproximadamente 80%, e a seguir vem o islamismo, com 11%. Os budistas, embora os haja, não têm nada a ver, provavelmente, com os energúmenos que justificam o post. A fórmula original “Puta que os pariu!”, sem adaptações, não deixa, porém, de ser adequada.

  2. De forma admito que involuntária, o título do post aponta subliminarmente, ao budismo e ao coitado do Buda, alguma (pelo menos) responsabilidade nas filhas-de-putice referidas, o que, não sendo eu budista, me parece injusto.

  3. Os motivos que há para indignação, são mesmo à porta da tua latrina, João Lismerda. E tens razão, nada acontece, a não ser a tua insana insistência em tentar desviar incautos para borrarem as botas à entrada da porta da tua imunda tasca . Vai à merda, Lisbosta!

  4. Joaquim Camacho, não achas um bocadinho assim para o absurdo estar a considerar o budismo, uma religião que prega um amor universal baseado na meditação, como responsável por crimes que espelham uma estrutura social onde as mulheres são tratadas de forma inumana?

  5. Val, não me parece, tenho a certeza. O que também não me parece, ainda que não tenha a certeza, é que o budismo possa ser considerado uma religião. Não é essa, porém, uma discussão em que eu mergulhe sem me dispor a mastigar, primeiro, muito mais panito do que o que até hoje comi. E a dimensão da lacuna, se me dispusesse a preenchê-la, arriscaria provocar-me uma intolerância ao glúten deveras incómoda, tendo em conta a paixão por quase tudo o que tem a ver com pão que me vem da costela alentejana.

  6. num pais onde tratam melhor as vacas do que as pessoas, o que podemos esperar! nota: quando digo vacas,estou a referir às de quatro patas!

  7. Joaquiam Camacho, podes afirmar sem qualquer receio de ficares malvisto que o budismo é uma religião. Primeiro, porque é uma deriva do hinduísmo, depois, porque tem todas as características que definem o que seja uma religião: racionalização mitológica da realidade e práticas socialmente segregadoras ao serviço de uma hierarquia de poder cujo fundamento remete para a racionalização mitológica da realidade.

  8. “racionalização mitológica da realidade e práticas socialmente segregadoras ao serviço de uma hierarquia de poder cujo fundamento remete para a racionalização mitológica da realidade.”

    OK, mas nesse caso, o que é que não é uma religião ?

    Boas

  9. joão viegas, achas que a política em Estados seculares, a ciência e a vida em geral das pessoas que te rodeiam maioritariamente se rege por alguma coisa que tenha algo a ver com a definição?

    Arranjei a definição na minha cachimónia.

  10. Eheheheh,

    Precisamente. Se por acaso passares novamente pela tua cachimonia, vê se encontras alguma razão solida para não incluir “a política em Estados seculares, a ciência e a vida em geral das pessoas ” na tua definição…

    Boas

  11. Mas repara que o que digo não é critica. De facto, e de forma sintomatica, não é nada facil encontrar uma boa definição de religião. As mais satisfatorias que encontrei andam à volta da dupla re-ligare/re-legere.

    Boas

  12. jpferra,

    Desde que fazem aquilo que destaquei entre aspas no meu primeiro comentario. Que o mesmo é dizer, desde sempre… E repara que a mesma coisa se pode dizer, também, de muitas actividades cientificas, senão mesmo da maior parte delas…

    Isto, dito assim, é um bocadito provocatorio, eu sei. Mas não esta completamente errado, nem assenta apenas no que vai passando pela minha pequena cachimonia (muito menor do que a do Valupi, isto é inquestionavel)…

    Boas

  13. é assim mesmo, oh biegás! as definições têm de dar resto zero e retratar fezadas absolutas, não há cá pentelhos ou excepções que ponham em dúvida a ciência da crença… e já agora, um ganda budamerda para ti e para a conversa.

  14. Nada te obriga a perderes tempo com isso, como é obvio, mas se me encontrares uma so razão de excluir os politicos da tua definição, prometo que largo o vinho !

    Boas

  15. Nada mais facil.

    Olha, para não ir mais longe, o projecto de reger a nossa organização politica por uma constituição, ou o de modificar esta constituição, ou ainda o de atingir os objectivos que la estão definidos, tudo isso são claramente formas de “racionalização mitológica da realidade” (neste caso especifico, baseadas no mito do contrato social) que vêm justificar “práticas socialmente segregadoras ao serviço de uma hierarquia de poder” (basta ler o que diz a dita constituição, tal como grande parte das regras que se enraizam nela) e “cujo fundamento remete para a racionalização mitológica da realidade” (a bem dizer, esta parte da frase é um pouco redundante, mas não fui eu que escrevi a definição…).

    O mesmo podera dizer-se de qualquer programa politico, pois eles normalmente reconduzem-se a uma das modalidades mencionadas.

    Portanto, como vês, cabe imensa coisa na tua definição…

    Boas

  16. ????

    Ainda bem que leio este blogue. Afinal de contas, o contrato social não é um mito, eu é que estava distraido quando o assinei. Podes dizer-me a que cartorio me devo dirigir para ter uma copia autenticada ?

    Boas

  17. O-que-prà-qui-vai!
    Bom, eu bem tentei não entrar nesta discussão, mas aqui vai também:

    Ser o budismo uma religião porque “deriva do hinduísmo” é contestável de várias maneiras.

    1.ª – In “Penguin Dictionary of Religions”, edição e coordenação de John R. Hinnells: “While some of the basic assumptions of Buddhism (…) are held in common with Hinduism and other Indian religions such as Jainism, conceiving of Buddhism as splitting from Hinduism is something of a misunderstanding; what is generally meant by the term ‘Hinduism’ is a later synthesis of Indian religious ideas, one of whose formative influences was Buddhism.”
    Na velha e relha história do ovo e da galinha, e pelo menos de acordo com este autor, a coisa é ao contrário do que afirmas, Val, como podes ver na última frase desta transcrição. Ou seja, algumas das influências que formaram o hinduísmo derivam do budismo e não o contrário.

    2.ª – Adolfo Hitler dizia que o comunismo “derivava” directamente do judaísmo. Ora, sendo o judaísmo sem sombra de dúvida uma religião, não me parece que o comunismo possa como tal ser considerado. Esta minha afirmação não invalida o facto de que muitos que se afirmam (e se consideram) comunistas se comportam de forma semelhante à de adeptos de uma crença religiosa.

    Apesar de muitas e ilustres opiniões diferentes, religião implica, para mim, crença, tributo, obediência a regras alegadamente definidas por um ser (ou seres) superior, que tudo cria ou criou, tudo rege, regeu e regerá.

    Do “Houaiss”, definição de abertura, simplista mas que serve no essencial: “Culto prestado a uma divindade; crença na existência de um ente supremo como causa, fim ou lei universal.”

    Da Porto Editora, igualmente a abrir: “Culto prestado à divindade; conjunto de preceitos e práticas pelas quais se comunica com um ser ou seres superiores.”

    Do “Penguin Dictionary of Religions” atrás citado: “In so far as it does not involve belief in one omnipotent, personal God, the Buddhist understanding of the world is non-theistic: however, belief in ‘divine’ or ‘superhuman’ beings of various kinds is a traditional part of all traditions of Buddhism.”

    Assim, e de acordo com este autor, o budismo é uma religião não teísta. Seja lá isso o que for, é pelo menos uma coisa: uma posição tão respeitável como a tua ou a minha. Como reza o chavão bem-intencionado e politicamente correcto: “Todos diferentes, todos iguais.”

    E como habitualmente reza o João Viegas:

    Boas

    P.S. – Val, a referência à tese do Hitler não tem qualquer intenção ofensiva, é apenas um exemplo caricatural para ilustrar a argumentação. Nada de mal-entendidos.

  18. Ainda que de budista não tenha nada, não sinto pelo budismo a aversão que tenho às religiões em geral, principalmente as monoteístas dominantes, com o seu monstruoso currículo de filhas-de-putice retrógradas e criminosas. Daí o não gostar de meter tudo no mesmo saco.

    Com os cumprimentos póstumos do divino marquês, com uma tendência a mijar fora do penico e uma aversão a vergar a mola que o levaram a passar no xilindró 29 dos 74 anos da vida que estreou em 1740, aqui vai, sobre o execrável ser supremo que preside às grandes religiões e não existe no budismo:

    “Assim pudesses tu, ser quimérico e vão, cujo nome bastou para fazer correr mais sangue à superfície do globo do que qualquer guerra política, voltar para o Vazio onde te foi, infelizmente, buscar a louca esperança dos homens e o seu ridículo temor. Não surgiste senão para suplício do género humano. Quantos crimes não se teriam evitado sobre a terra, se se tivesse degolado o primeiro imbecil que se lembrou de falar de ti!
    (…)
    E os homens em paz, deixando de se sentir na obrigação de cuidar da sua felicidade, sentiriam que a moral que a estabelece não necessita de fábulas para a firmar e que, no fundo, é desonrar e difamar todas as virtudes amontoá-las sobre os altares de um Deus ridículo e vão, pulverizado pelo mínimo exame da razão que sobre ele se debruça.
    Desaparece pois, repugnante quimera. Regressa às trevas onde nasceste; não venhas manchar a memória dos homens; que o teu detestado nome não se pronuncie mais senão como blasfémia e que seja lançado ao último suplício o pérfido impostor que tentar reedificar-te sobre a terra!
    (…)
    Execrável aborto, devia deixar-te aqui, abandonado a ti próprio, votar-te ao desprezo que inspiras, e deixar de te combater novamente nos devaneios de Fénelon. Mas prometi levar a cabo a tarefa e cumprirei a minha palavra, feliz se os meus esforços lograrem desenraizar-te do coração dos teus sectários imbecis, se puderem substituir as tuas mentiras por um pouco de razão, acabar por fazer ruir os teus altares e fazê-los desaparecer para sempre nos abismos do Vazio!”

  19. Ola,

    Valupi : Se quiseres saber o que é o mito do contrato social, podes ler, entre outras coisas, o ensaio do Rousseau com este mesmo titulo (“Du contrat social”). Mas enfim, tirando aqueles que não querem perceber, penso que toda a gente sabe muito bem do que eu estou a falar.

    Joaquim Camacho : precisamente o meu ponto. As definições que propões, que sempre são melhores do que a do Valupi, não se aplicam facilmente às “religiões” que não são teismos, por exemplo a à religiões antigas, como a romana. Ora julgo que ninguém nega que elas devam ser incluidas dentro do conceito de “religião”.

    Eu não estou a dizer que a politica é religião, nem nada que se pareça. Estou apenas a dizer que é dificil definir a religião e que a definição proposta pelo Valupi é demasiado extensa para caracterizar o que designamos habitualmente por esta palavra.

    Boas.

  20. Joaquim Camacho, com que então, tens tempo livre para o corta e cola de citações avulsas adentro desse desporto do argumento de autoridade. As tuas citações, portanto, seriam as melhores, porque… hum… deixa cá pensar… serem escolhidas por ti?… Mas vamos lá brincar um bocadinho.

    1- Caso estejas a entender o texto em inglês, então entenderás que ele faz referência a uma concepção comum, a de ser ponto assente que o budismo é uma religião que nasce no contexto do hinduísmo. A intenção do autor é a de criticar de forma erudita essa concepção, não para a anular mas para a corrigir. Assim, o que está em causa no naco de argumentação citada passa a ser o termo “hinduísmo”, o qual na sua historicidade não se deveria aplicar numa qualquer genética do budismo. Podendo essa tese estar correcta (não faço ideia), os factos continuam os mesmos: Gautama, o fundador do budismo, nasce numa sociedade hindu e segue as tradições religiosas locais até ao momento da sua crise espiritual e subsequente revelação mística. É um percurso análogo ao de Jesus, o qual começa por ser um judeu convencional até à crise e revelação da sua missão. Neste caso, o cristianismo deriva do judaísmo. O que não te aconselho a dizer, nem sequer numa tasca, é que o hinduísmo deriva do budismo.

    2- Ai Hitler usava palavras portuguesas? Estamos sempre a aprender. Se foi o teu entusiasmo que levou para a alucinação, então diz aí qual é o termo alemão que está na berlinda só para prolongarmos a curtição.

    Quanto a concepções não teístas, isso apenas indica que a divindade em causa não adquire uma representação personalizada. No entanto, continua a existir uma hierarquia ontológica onde o plano divino antecede e procede a experiência humana.
    __

    joão viegas, concordo muito contigo: toda a gente sabe do que estás a falar. Não te esqueças é de procurar o tal consultório, pela tua saúde (mental).

  21. Não inventes, Valupi. O que toda a gente percebeu, até tu, é que a definição de religião que foste buscar “na tua cachimonia” não vale um tostão furado…

    Queres agora reconverter-te na psiquiatria depois de uma infeliz tentativa de diversão das hostes (que apenas serviu para mostrar que também ignoras o que seja um mito). Tudo bem mas, no teu lugar, dedicava-me antes a uma actividade na qual a tua competência é mundialmente reconhecida : servir vinho aos teus fregueses.

    Boas

  22. joão viegas, és mesmo avariado da corneta. Espero que seja alguma coisa que só te dá quando te lembras de vir para aqui exibir o teu estado mental.

  23. Valupi dixit: “religião: racionalização mitológica da realidade e práticas socialmente segregadoras ao serviço de uma hierarquia de poder cujo fundamento remete para a racionalização mitológica da realidade.”
    —————————————————-
    Valupi, lacunas na assiduidade não me permitiram resposta atempada, mas aqui vai na mesma, ainda que com atraso.

    Eu bem tentei ser um pouco mais “suave” do que o João Viegas, mas, como suavidade com suavidade não me pagas, mudo de estilo: não te parece que a mística das claques futebolísticas se enquadra na perfeição na tua definição pescadinha-de-rabo-na-boca de religião (10 de Julho de 2014 às 11:45)?

    Podes chamar-lhe “racionalização mitológica da realidade”, “mitologização irracional” de parte da dita ou outra porra qualquer, mas é incontestável que essa cambada exerce nos estádios e nas ruas uma violência que funciona como poder de facto sobre o outro, que, apenas por outro ser, é considerado (hierarquicamente) inferior. E, como inferior que é, merecedor de práticas socialmente segregadoras e obrigado sujeitar-se à hierarquia de poder da capelinha cuja mística a leva a considerar-se superior a todas as outras. O que se aplica a todas e cada uma delas.

    Quanto às citações que fiz, foram apenas as que tinha mais à mão, nem melhores nem piores que milhentas outras que milhentos Valupis ou Camachos possam usar para as infirmar ou corroborar. Tendo eu afirmado implicitamente, logo no início, que sobre o assunto tinha mais dúvidas do que certezas e não me atrevia a uma sentença definitiva, não percebo sequer a tua pergunta, que pressupõe da minha parte um mijar de cima da burra que de modo nenhum foi ou é a minha onda.

    A tua divagação sobre Buda/Gautama/hinduísmo/budismo/Jesus/judaísmo/cristianismo lembra-me um texto que li há alguns anos que se referia “eruditamente” a Rudyard Kipling como autor “indiano”. Coitado, leu algures que o homem nasceu em Bombaim e saiu-lhe aquela. Somerset Maugham também seria, de acordo com esta ordem de ideias, tão franciú como De Gaulle, apesar de, pelo sim pelo não, o pai ter convencido a mulher a pari-lo não na maternidade francesa mas sim na embaixada do Reino Unido em Paris, que a lei internacional considera território britânico.

    Quanto ao que me aconselhas a não dizer numa tasca, o perigo nunca existiu, podes ficar descansado. Se releres o que escrevi, nem sequer nesta tua/nossa tasca disse que “o hinduísmo deriva do budismo”, bojarda que pões abusivamente na minha boca, mas sim que “algumas influências que formaram o hinduísmo derivam do budismo”. É um bocado diferente, não te parece?

    O facto de a citação estar em inglês deve-se apenas a que seria uma perda de tempo meter-me a traduzi-la, arriscando-me ainda a um qualquer daqueles pecados geralmente arrumados na prateleira “lost in translation”. Nota ainda que o autor citado em inglês inclui o budismo na categoria de religião, o que não me incomoda nada, apesar de diferente do que penso. Quanto ao Hitler, pouco percebo e ainda menos falo da língua desse ilustre filho da puta, pelo que tenho de me limitar a citações lusas em segunda ou terceira mão. Não vejo que daí venha mal ao mundo e vejo ainda pior que não o tenhas imediatamente inferido.

    Finalmente, e voltando ao registo “erudito”, que parte da filosofia budista enquadras tu, e como, nessa laxativa ideia da “hierarquia ontológica onde o plano divino antecede e procede a experiência humana”? Please, please, please, diz-me, diz-me, diz-me, para meu enriquecimento pessoal! Ofereço-te um balde de plástico por tão divina descoberta, desde que, claro, não venha em sânscrito… ou em alemão.

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