Já faltou mais, Jerónimo e Bernardino

Um dos ataques de carácter dirigidos a Costa consiste em alegar que a sua decisão de concorrer à liderança do partido resulta de estarmos perto das legislativas, sendo essa proximidade a prova de que apenas o poder pelo poder o motiva. Costa como “oportunista”, repetem raivosos os tenentes e arraia-miúda de Seguro. Este processo de intenções vem acompanhado pelo choradinho de que Seguro se sacrificou ao concorrer em 2011, tendo sido com grande custo que exerceu a função após tão pesada derrota do PS socrático.

Ora, acontece que ninguém se lembra de alguma vaga de fundo em ordem a levar um renitente Seguro a sair da toca para vir tomar conta de um partido desesperadamente carente da sua visão e coragem. Foi precisamente o contrário que se testemunhou, tendo ficado para a história das figuras tristes a sofreguidão descontrolada com que Seguro, na própria noite eleitoral de 5 de Junho, começou a reclamar deter um direito especial a ocupar o lugar vago. Eram 30 anos a colar cartazes, explicou para o caso de alguém não estar a perceber a situação. Mas mesmo que ele tivesse chegado à corrida para secretário-geral a pedido de muitos chefes de família, isso continuava a não lhe dar o estatuto de proprietário do PS. A democracia é o tal regime onde todo o poder pode ser alterado pela mesma razão pela qual foi constituído.

O que há para dizer é outra coisa. Seguro teve 3 anos e um Governo além-Troika para construir uma liderança inquestionável e benéfica para os interesses da classe média e dos pobres. Não o conseguiu fazer e, de caminho, decidiu que vale mais do que PS. Caso venha a ganhar as primárias, irá constituir um grupo parlamentar feito deste material político e humano que reproduz as tácticas caluniosas e de baixa política da actual direita portuguesa. Provavelmente, nas legislativas seguintes o PCP obteria a maioria absoluta.

6 thoughts on “Já faltou mais, Jerónimo e Bernardino”

  1. Não chegaremos lá, penso eu, porque, entretanto, com meses a destruir-se por dentro, o PS vai ficar em frangalhos. Só não compreendo como António Costa aceitou a golpaça das “primárias”, e compreendo ainda menos como o mesmissimo Costa aceitou a derrota estrondosa na última reunião da Comissão Política Nacional, que rejeitou, liminarmente, todas as suas propostas para dar um mínimo de credibilidade às famigeradas primárias. Passivamente, Costa aceitou o pântano em que Seguro meteu o PS e, pior, aceitou jogar no pantanal. Com o Costa assim descredibilizado, o que resta mais ao PS? Seguro coligado com a direita que “destruiu três gerações”. Com o PS a subscrever a política dos três últimos anos e a renegar todo o seu passado recente, os portugueses vão fazer dele o PASOK português.

  2. desculpem lá…. lembrei-me agora: qual o significado, ontem, na AR, do discurso de Alberto Martins ???? Para quem foi dirigido ? Para dentro do PS ? Diretamente para Seguro ? Não é A Martins um apoiante de Seguro ? E deu-me a impressão que era um discurso de notas rabiscadas em que haveria alguma dificuldade para ler…. Será que vamos acordar uma manhã com a noticia de que Seguro tomou juízo e se demitiu ?
    Se calhar estou a ser otimista…

  3. Recordar Seguro a sair do elevador e, logo ali, dizer ao que vinha, é imagem que ficará gravada na rocha do tempo histórico como iconografia da queda (do PS claro). Essa imagem valia já por muitas mil palavras, do que nos caía em sorte: um líder forte nunca se nos apresenta vindo da sombra, mas da luz duma convicção.

  4. Ó Val,

    esta mensagem serve só para te lembra que se o Seguro ganhar as primárias e for o “candidato a 1º ministro” do PS haverá pouco grupo parlamentar para organizar e nem sei se chegará para coligações com o PSD.

    Não me parece que eu esteja sozinho na minha absoluta determinação em não votar PS, enquanto Seguro for o secretário geral. Recuso-me. Será um grupo bem maior do que o molusco invertebrado pensa.

    Não se entenda daqui que eu acho que Costa seja um iluminado ou, sequer, que seja especialmente competente. Parece-me fraquinho e demasiado “enguia” e palavras vagas para o meu gosto. Sendo um seguidor atento das suas conversas nos últimos anos, não me consigo recordar de nenhuma ideia forte e concreta que tenha e esteja disposto a defender.

    No entanto…no entanto, reporia alguma sanidade no PS e, quem sabe, no ambiente politico português. Por oposição aos pulhas do governo actual podia ganhar com larga vantagem e pelo menos contribuiria para tornar o ar mais respirável.
    Atendendo ao que se tem passado desde 2009 (5 anos!!) já não seria pouco.

    miguel

  5. miguel,como eu te conheço! para ideias fortes e inovadoras, temos jeronimo de sousa e a catarina martins!

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