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O quarto poder não deve adormecer no quarto do poder

"Science is the belief in the ignorance of experts."

Richard Feynman

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A partir de 15 de Setembro, André Macedo deverá ser o novo director do Diário de Notícias, caso nenhuma oposição interna apareça a perturbar ou impedir o processo. Oportunidade para dizer uns disparates acerca do papel cívico da imprensa. Tenho a vantagem, no que ao disparate diz respeito, de não ter qualquer informação a respeito do porquê e do para quê dessa escolha para além daquelas que foram tornadas públicas.

O ciclo do João Marcelino fica marcado pela constante erosão nas vendas e por ter deixado, ou ter querido, que o jornal se transformasse num órgão de apoio político faccioso e chunga. Conseguiu ser quanto ao fanatismo e à baixa política uma versão do Correio da Manhã, donde o próprio tinha vindo, sempre alinhado com os interesses de Passos Coelho ainda no tempo em que este andava a elogiar Sócrates só para indispor a Manela. Colhe esclarecer onde está aqui o problema: não no facto de um órgão de comunicação social ter uma agenda política, qualquer que ela seja desde que a Constituição o permita, mas no facto de essa agenda não ser assumida deontologicamente. Isso gera perversidades várias que se ligam directamente com o papel da imprensa num regime democrático e num país onde a iliteracia e o absentismo cívico são um flagelo que afecta toda a comunidade em todas as suas dimensões estruturantes e dinâmicas. Assim, Marcelino é um director do DN que se vê partir com alívio pois nada do que fez se aproveita civicamente, bem pelo contrário.

André Macedo, sendo uma escolha da casa, suscita toda a espécie de expectativas, sejam positivas ou negativas. Tanto poderá ser uma opção ditada pelo preço ou pelo tempo, indicando uma perspectiva economicista ou uma solução provisória, como poderá ser a intenção de abrir a direcção a uma nova geração para que se renove de cima a baixo o projecto editorial. É nesta última hipótese que aposto, esperando que o André continue a exibir a sua habilidade para explicitar as matérias económicas e que permaneça fiel ao espírito de decência que revela nos seus artigos de opinião. Se o “Dinheiro Vivo” servir de exemplo do que possa ser o futuro do DN, então veremos a promoção de uma outra inteligência no tratamento informativo, uma inteligência sintonizada com a parte mais dinâmica da economia e da sociedade.

Só que não chega. A imprensa escrita está sob ameaça de extinção em todo o Mundo dada a abundância de informação gratuita e ubíqua. Toda a gente antecipa o iminente desaparecimento dos jornais em papel, mas ninguém ainda descobriu como obter lucro com os jornais digitais. A situação poderá mudar à medida que os suportes tecnológicos mudam, e eles mudam incessantemente, mas a questão do financiamento é uma incógnita sem resposta na actualidade. Que fazer? Ir ao encontro das necessidades dos indivíduos, uma receita com milhares, ou milhares de milhões, de anos. Será que esses indivíduos, no que ao caso do DN diz respeito, precisam assim tanto de mais uns bacanos obsessivamente envolvidos numa caça a Sócrates e aos socráticos? Hum… enfim… é discutível. O que não oferece discussão, todavia, é o reconhecimento da necessidade de termos quem faça sínteses da crescente complexidade, e também do selvagem caos, que nos cerca. Para tal, uma nova geração de jornalistas, e de jornalismo, precisa de surgir. Características como a especialização académica, a interdisciplinaridade do trabalho de investigação e uma cultura política de serviço à comunidade farão a diferença no mercado. Ou isso ou o jornalismo desaparece por completo, o que será uma outra forma de resolver o problema.

Como lembra Feynman, a descoberta da verdade é realmente a descoberta da mentira, e chega para o gasto. Vale para a ciência e vale para a imprensa – essa arte de mostrar como nem todos os reis vão nus, alguns passeiam-se com umas ceroulas ridículas.

Revolution through evolution

Daughters Provide as Much Elderly Parent Care as They Can, Sons Do as Little as Possible
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Influenced by Self-Interest, Humans Less Concerned About Inequity to Others, Researchers Find
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Does love make sex better for most women?
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Once a Cheater, Always a Cheater?
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Men viewed more favorably than women when seeking work-life balance
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Middle-Aged Women Missing Passion (and Sex) Seek Affairs, Not Divorce
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Abusive leadership infects entire team

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A banalidade do horror

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Este mapa do pretenso califado criado e a expandir pelo ISIS teve destaque na imprensa internacional sensacionalista nos finais de Junho. Foi supostamente publicado pelo ISIS, ou por algum seu apoiante ou simpatizante. Vem acompanhado pela informação de corresponder a um plano de 5 anos para se realizar. Obviamente, trata-se de uma piada infantilóide, ou burlesca, tal é o grau da alucinação. Mas também poderá ser uma peça de propaganda destinada aos seus presentes e futuros militantes, os quais dependem da alucinação para o projecto suicida, tragicamente burlesco, que lhes dá sentido à vida. Leia-se What is ISIS hoping its abhorrent beheading video will achieve? para uma contextualização da estratégia de comunicação deste grupo na batalha pela notoriedade mediática.

O vídeo onde se filma o assassinato de James Foley foi tão eficaz na sua onda de choque emocional que até obrigou o Presidente da única superpotência no Mundo a fazer uma declaração especial. Declaração essa marcada pela mesma perturbação emocional pública a que pretendia responder. Não será arriscado supor que sem o vídeo a registar uma decapitação a mesma morte teria gerado muito menos impacto político. Até podemos supor que um vídeo onde se mostrasse James Foley a ser morto por fuzilamento levaria a prescindir-se do tom que Obama exibiu ontem. Que há numa decapitação que provoca uma reacção mais intensa do que numa outra qualquer forma mais comum de matar alguém? Talvez estes dois aspectos: o de assim se exibir a irreversibilidade da morte, pois não há recuperação possível e a eventual esperança mais desvairada desaparece, e o de se estimular agudamente a nossa empatia, levando-nos a somatizar os golpes observados. É o mesmo mecanismo que explica a popularidade dos filmes de terror, e até de qualquer cena de violência, levando a descargas neuronais de alarme que acabam por originar uma fase de prazer.

Abre-se aqui uma questão em relação à resposta que as sociedades democráticas devem dar ao óbvio interesse da propagação mediática dos efeitos criminosos e destrutivos do terrorismo para os seus agentes e responsáveis últimos. Por exemplo, censurar esses conteúdos parece fazer sentido, nem que seja como retaliação se mais nenhum valor for metido na balança. Ora, essa tentativa depara-se com um singelo facto: é impossível de realizar num ecossistema digital que começa por permitir aos criminosos uma actividade impune e imparável de divulgação. Alguns, ainda assim, alegarão que qualquer forma de mitigação e constrangimento da transmissão dos conteúdos é melhor do que a aplicação dos nossos sacralizados princípios da liberdade de expressão e do direito à informação a quem se está a servir deles para nos atacar. A questão, pela sua profunda complexidade e melindre, leva rapidamente à polarização argumentativa.

Creio que os EUA erraram ao dar aos assassinos o tipo de atenção que eles pediram. A ocasião poderia ter sido utilizada para começar a desmontar a retórica do horror que é o combustível da real violência cometida por estes grupos de alienados, psicopatas e crianças abandonadas. É que não há qualquer diferença quanto à dignidade e à compaixão em causa, quanto à revolta e à fúria que possamos sentir, entre a morte de um jovem jornalista norte-americano e a de um velho pastor, de quem nunca saberemos o nome e a história, deixado a agonizar num desterro qualquer do Iraque por assassinos similares. Isso está a acontecer há semanas ou meses, numa carnificina circense, e todos os líderes mundiais o conhecem com o detalhe que quiserem. Pelo que estamos a precisar de quem nos reoriente o olhar para a fonte do horror. Não é o vídeo, a faca, a cabeça cortada. Esse é o efeito aleatório e secundário do horror. O horror está a nascer noutro lado. Na passividade dos justos.

Confissões de um bandido

Continuando a divagar na entrevista de Seguro ao Público, eis mais um naco a pedir catalogação:

- Como é que se escrutina [a ligação entre a política e os negócios], se não sabemos do que é que o secretário-geral do PS está a falar ou de que pessoas?

Em 2007, quando coordenei a reforma do Parlamento, propus e foi aceite que a declaração de interesses dos deputados estivesse disponível na Internet. Isso permite saber quais os interesses que possam existir por parte dos deputados – que podem ser legítimos e aceitáveis. O que não é aceitável é que existam deputados que, por serem advogados, estejam a coberto do estatuto dos advogados e argumentem que não podem dizer para quem é que trabalham e de quem é que recebem dinheiro. Aqui está um exemplo do estabelecimento de uma fronteira entre os negócios e a política. A responsabilidade de um político é criar níveis de transparência para que os eleitores possam avaliar, a responsabilidade das polícias e da Justiça é investigar quem comete essas ilegalidades.

A “separação” entre a “política” e os “negócios”, a avaliar pela insistência e ênfase, é o grande programa político de Seguro para o País. A temática simboliza, ou sintetiza, as da “transparência” e da “ética” que igualmente invoca copiosamente. Tendo em conta que já agita essa bandeira há vários e bons anos, sendo uma vedeta com pleno acesso à comunicação social para expor o seu pensamento e propostas, é revelador que em 2014, Agosto, os dois jornalistas que o entrevistam não saibam nem do quê nem de quem está o homem a falar. Oportunidade para esclarecer, dada a frontalidade da pergunta e relevância da matéria? Melhor: obrigatoriedade para explicitar e justificar as gravíssimas acusações, posto que Seguro é um ser dotado de uma enorme coerência, o qual pretende dar exemplos morais aos seus pares e à plateia e o qual reclama estar a inaugurar o ciclo histórico da nova forma de fazer política? Népias.

A única certeza que temos a respeito do sentido da campanha negra de Seguro é a de que ela se dirige ao tal “PS associado aos negócios e interesses que é apoiante de António Costa“, os tenebrosos membros do “partido invisível” – portanto, aos socráticos, sejam eles quem forem. Será esta uma opinião popular, quiçá maioritária entre a população, como facilmente se demonstra. Há dias ouvimos Passos Coelho a repetir ipsis verbis o ataque de Seguro. Escusamos de telefonar ao Nuno Melo para descobrir o que o CDS tem a dizer sobre o assunto. O PCP e o BE com entusiasmo se juntam a este coro, aproveitando para voltar a denunciar esse perigoso direitista-imperialista inimigo da classe operária e do povo chamado Sócrates. Ana Gomes por aí anda a amplificar e detalhar o evangelho de Seguro, assim mostrando que os demónios da corrupção socrática já nem no Rato encontram abrigo. E o Marinho e Pinto, provavelmente, acrescentará alguns capítulos aquando do período eleitoral das próximas legislativas. Só está a faltar uma coisinha neste arraial – pensar.

Pensemos. Em 2007 foi dada a Seguro a liderança da equipa que fez a reforma do Parlamento. Anos mais tarde, Seguro reclama os louros por esse trabalho, sublinhando que foi graças a si que se conseguiu introduzir mais transparência na vida política. Ao mesmo tempo, Seguro diz que os mesmos que lhe deram essa e outras oportunidades de influenciar processos vários, os mesmos que lhe deram repetidamente o lugar no Parlamento apesar da sua falta de lealdade, são os mesmos contra os quais combate na pugna pela separação da política e dos negócios. Então, por que razão foram os corruptos oferecer a Seguro um machado para ele lhes cortar as cabeças? É que, como se lê na resposta dada ao Público, agora a declaração de interesses dos deputados está disponível na Internet, permitindo saber quais os interesses que possam existir por parte dos deputados. Aparentemente, portanto, os corruptos querem é mais transparência, não o contrário. Faz isto algum sentido?

Faz. Basta recordar que Seguro aceitou pertencer durante anos a um grupo de deputados que legitimava Governos que ele denuncia na actualidade como sendo os mais perversos e danosos que Portugal teve. Quando se diz que indeterminados ex-governantes e parlamentares são cúmplices, activos ou passivos, da “captura do Estado por interesses particulares” está-se a elaborar uma das mais graves acusações que é possível fazer seja a um político ou a um cidadão. Equivale, literalmente, a dizer que gente morreu, gente adoeceu, gente foi roubada, bens públicos e particulares foram destruídos e danificados, entre um sem-número de outros males, porque alguém num Governo desviou recursos públicos para bolsos privados. É de crimes gigantescos que estamos a falar, ainda mais graves por ocorrerem no topo da hierarquia do Estado. Pelo que o sentido das palavras de Seguro encontra-se nas acções de Seguro. É o próprio que assume a sua colaboração ininterrupta com aqueles que hoje nos diz serem os maiores criminosos de Portugal. E essa é uma confissão que devemos respeitar e tornar consequente – começando por exigir que Seguro se retire da política para todo o sempre.

Pedro, o especialista em portugueses

Na Visão fez-se uma correlação entre o custo do BPN para o Estado e as medidas de austeridade escolhidas pelo actual Governo – BPN: Os sacrifícios que nos podiam ter evitado. O artigo não contextualiza a nacionalização adentro das peripécias internas do banco nem no quadro político e económico ao tempo, tanto nacional como internacional, apenas cita um fragmento de uma declaração de Teixeira dos Santos relativa à bancarrota. A tipologia dos crimes cometidos, e por isso ter sido impossível naquela situação descobrir que os 700 milhões em falta eram apenas uma pequena parte do total, não são igualmente tidos em conta. O sentido do exercício fica assim sugerido: foi um colossal erro, que estamos a pagar com as medidas de austeridade, ter-se nacionalizado o BPN.

Hoje, até a minha vizinha do quarto andar, ou a começar logo por ela, se indigna por terem nacionalizado o BPN em vez de seguirem o heróico exemplo do liberal Pedro, o qual, num contexto que não tem qualquer ponta de comparação com o do BPN, jurou que nem um cêntimo dos contribuintes seria metido no BES (ah, espera… se calhar… hum… quer dizer… bom, fica assim… está dito, está dito!). A sanha anti-Estado fez o seu caminho com a cumplicidade da esquerda pura e verdadeira e seu sectarismo imbecil. Mas mais e mais extraordinário: esta direita decadente conseguiu apagar a sua responsabilidade sociológica, no mínimo, quiçá política, e seguramente ideológica, no escândalo do BPN, através da perseguição a Constâncio e da culpabilização sistemática de Sócrates. Como é que tal foi possível? Como é que um caso que envolve directa ou indirectamente Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Rui Machete, Joaquim Coimbra, Arlindo de Carvalho, Daniel Sanches, Duarte Lima, Amílcar Theias, Tavares Moreira e Cavaco Silva consegue ser abafado no que respeita a fugas ao segredo de justiça (e ainda bem, mas registe-se como sintoma num país onde se aceita que a Justiça forneça material selectivo para queimar na praça pública alvos selectos) e transformar-se ao longo destes anos em mais uma arma de arremesso contra o PS? A resposta tem de incluir inevitavelmente a comunicação social. É a prova provada de termos uma imprensa dependente de agendas políticas diversas mas unidas, por acção ou passividade, num alvo comum. Está para nascer um órgão de comunicação social que faça jornalismo independente.

Este é o charco infecto onde neste momento as lideranças do PS e do PSD chafurdam, atiçando as pulsões justiceiras contra os bodes expiatórios da sua predilecção – não por acaso, os mesmos. Eis o que o primeiro-ministro se permitiu dizer nos Algarves:

"Havia muitos privilégios, para não falar da falta de ética, de muita gente que vivia entre a política e os negócios", declarou o líder social-democrata, adiantando: "Não têm de ser os contribuintes a pagar a falta de ética, de escrúpulos de quem não tinha a ambição de combater os poderes fáticos que existiram no passado."

"Há muita gente na oposição que continua ligada a esse passado e que acredita que umas próximas eleições lhe permitem regressar ao poder, para que tudo volte ao que era dantes. Desiludam-se. Não acontecerá porque os portugueses não vão deixar."

Passos ataca PS e associa-o à falta de ética nos negócios

Não sabemos de que factos está a falar, e suspeitamos que nada seria capaz de provar, sequer identificar. Trata-se apenas do recurso à difamação e à calúnia propositadamente vaga, emporcalhando o espaço público sem culpa nem vergonha. Porquê? Porque resulta. Resulta junto do rei e do cidadão, é uma receita venenosa ancestral. Mas dá-se o caso de sabermos outras coisas. Sabemos que se há em Portugal um partido onde a política e os negócios sempre estiveram, e estão, intrinsecamente ligados, esse partido chama-se PSD. Sabemos que a elite do PSD é a última que poderá reclamar qualquer autoridade para dar lições de ética. Sabemos que a vinda da Troika foi indispensável e instrumental para algumas figuras gradas do PSD fazerem gigantescos negócios. Sabemos que o caso BES envolve conselhos de ministros por email, fugas de informação que deram milhões a ganhar e um Governador do Banco de Portugal muito amigo deste Governo que tem muito para explicar, e sabemos que a carreira de Passos Coelho é paradigmática da mistura indissolúvel entre a política e os negócios, alguns deles onde as temáticas dos “privilégios” e da “falta de ética” são do mais cristalino que se tem visto – tanto no que respeita à técnica como à forma.

Passos Coelho está cheio de confiança. Diz qualquer coisa que lhe passe pela cabeça sabendo que ninguém o irá obrigar a justificar as atoardas nem castigar pela baixa política. Passos Coelho, cuja ascensão na política foi feita de braço dado com o dr. Relvas, conhecido como o “doer” e assumido “facilitador de negócios”, cavalga o tigre populista com a irresponsabilidade dos deslumbrados. Passos Coelho, enfim, parece conhecer os portugueses de ginjeira.

Revolution through evolution

Bigger government makes for more satisfied people
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Want to Kill Creativity of Women in Teams? Fire Up the Competition
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MIT researchers can listen to your conversation by watching your potato chip bag
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Salt Consumption Has a Sweet Spot: Too Little and Too Much Are Both Harmful, Researchers Find
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Scared of crime? Science shows that healthy fear of crime is a good thing
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Sharing Housework Doesn’t Mean Less Sex, Research Finds
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Are Elementary School Start Times Too Early for Young Children?

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É uma longa história

Passos goza de um estado de graça que parece imune a qualquer tormenta. O apocalipse do universo Espírito Santo, envolto no pior que a memória regista a respeito do Banco de Portugal, não lhe foi tão incomodativo como a temperatura da água na Manta Rota. A manta rota do seu conflito com a Constituição deixou de causar surpresa, qualquer dia já nem é notícia. Os valores dos juros e do desemprego descem contra tudo e contra todos. O facto de a economia continuar ligada à máquina quando nos juraram que vinha aí a revolução da gente séria e competente é incapaz de provocar discursos da oposição que entrem nos ouvidos da sociedade. Isto porque a oposição não existe, nem sequer se conseguem arranjar daqueles maluquinhos que antigamente, na ditadura socialista, iam dormir para o Rossio. Por onde andam agora? Em que lugar do mundo continuam a sua soporífera luta? O estado da oposição é este: só se dá por ela se Portas resolver exigir mais uma mordomia. Por enquanto, está satisfeito com a proximidade ao Jardim Zoológico, mas nunca fiando quando se trata do mestre da irrevogabilidade.

Passos, o político que mais mentiu, de longe e de muito longe, numa campanha eleitoral, traindo sem uma hesitação ou remorso a confiança dos eleitores e da comunidade, plana sobre as águas e nem um mísero salpico o atinge. Muita gente na direita, desde sempre, julgava que os ataques ao Estado social, aos funcionários públicos, aos pensionistas, à classe média e à Constituição fossem algo simplesmente impossível de realizar. Ainda mais impossível se acontecessem ao mesmo tempo. E ainda mais impossível se não tivessem legitimidade moral por nascerem de uma burla eleitoralista.

Donde vem a complacência, quiçá cumplicidade, dos portugueses com este homem e quem ele representa? Vem de muito longe.

Seguro, és enorme

Na entrevista de Seguro dada ao Público encontramos este momento que pede batatinhas:

- Outra ideia feita sobre si é a de que esteve seis anos na sexta fila do Parlamento, durante os governos de José Sócrates. E que esteve agora três anos sem se demarcar. Quando arranca a campanha, começa a criticar mais abertamente. Há quem o acuse de cinismo.

- Pauto-me por uma enorme coerência. Sobre a sexta fila: mas a direcção anterior convidou-me para qualquer outra função? Quando me convidou, disse que sim. Convidaram-me para fazer a reforma do Parlamento, penso que o PS saiu prestigiado com essa reforma. Convidaram-me para ser presidente da Comissão da Educação. E considero ter tido um papel muito importante no diálogo com os professores numa altura difícil em que um governo do PS não tratou bem os professores. Fui presidente da Comissão de Economia. Por três vezes fui convidado a aceitei ser cabeça de lista num círculo eleitoral que não era um qualquer: foi em Braga. Digam-me para que é que fui desafiado e tivesse recusado. Eu não enjeito nenhum do passado do PS, mas também não trago nenhum passado de volta. Estive concentrado foi na construção do futuro, de respostas concretas para os problemas dos portugueses. Estou a ser coerente com a responsabilidade de um dirigente do PS.

Começa logo pelo começo. Seguro não apenas se pauta, qual maestro ou virtuoso do seu destino, pela coerência, esse ideal supremo de todos os moralistas e da maior parte dos gramáticos. Isso seria poucochinho, curto, tão-só humano. Nele a coerência é enorme. Ora, nós sabemos que Seguro só promete o que sabe ser capaz de cumprir. Essa característica, por inerência ontológica, estende-se aos seus actos de fala. Se nos diz que algo em si é enorme, então o melhor é que nos apressemos a acreditar na enormidade em causa sob pena de achar que estamos a chamá-lo de mentiroso e depois ficar muito aborrecido. Acontece que as palavras têm uma história, e que essa história é fonte da sua semântica. No caso, o vocábulo “enorme” transmite na sua etimologia a ideia de negação da “norma”. “Enorme”, portanto, é tudo aquilo que viola a norma, a normatividade e a normalidade, tudo aquilo que será imprevisto, incomensurável ou irracional. Logo, o par “enorme coerência” é um oxímoro – e um dos mais hilariantes das últimas décadas por vir de quem vem.

O gosto pelos registos contraditórios, quiçá manifestação de um entrelaçamento sináptico a provocar tilt no córtex frontal, continua a bom ritmo nas frases seguintes. Ficamos a saber que Seguro foi convidado, em simultâneo, para se limitar ao pousio na “sexta fila” e para uma série de actividades da maior importância: reforma do Parlamento, presidente da Comissão de Educação, presidente da Comissão de Economia, três vezes cabeça de lista por Braga. Sim, não lhe deram um ministério, e esse é um dos factores que melhor explicam ter o passaroco saído finalmente da gaiola para o ajuste de contas, mas atente-se no que Seguro tem a dizer de Seguro: prestigiou o PS com a reforma do Parlamento, teve “um papel muito importante no diálogo com os professores”, isto, ó gentes, “numa altura difícil em que um governo do PS não tratou bem os professores”, foi “cabeça de lista num círculo eleitoral que não era um qualquer”. Foda-se, pá. E mais não fez porque não o deixaram. Há que tempos que já podíamos ter limpado as ruas dos sem-abrigo todos, por exemplo – e este é um exemplo em, deixa cá pensar, para aí 80. Desde meados de 2005, pelo menos, que já podíamos ter separado a política dos negócios e estaríamos agora a viver num país higienizado, mas a “direcção anterior” não quis. A filha-da-puta.

Não espanta, pois, que o parágrafo acabe no mesmo registo paradoxal com que se iniciou e desenvolveu. E lá veio a passivo-agressiva bandeira do “não enjeito nenhum do passado do PS, mas também não trago nenhum passado de volta“. O notável chefe de família que tinha acabado de trazer o passado de volta para enaltecer a sua pessoa e o famigerado secretário-geral conhecido por não defender nenhuma das políticas da “direcção anterior” deram as mãos e abraçaram-se efusivamente. O passado de Seguro, confessa o próprio para o caso de alguém não ter percebido, consistiu afinal na construção do seu futuro, a procura das “respostas concretas”. Mas esta perspectiva abre uma possibilidade quântica, a de que o futuro de Seguro consista na construção do seu passado, então feito do achamento das “perguntas abstractas” sintomaticamente em falta no seu presente. Tal probabilidade levaria a uma nova formulação do estribilho:

“Não mereço representar o passado do PS, mas também não trago nenhum desse passado comigo. Ah, e tenho uma enorme coerência. Enorme.”

EPHEMERA

Os mecanismos comunicacionais vivem da "novidade". A lógica do seu desenvolvimento depende de haver novas informações todos os dias. Se não for assim, o caso Freeport (como qualquer outro) conhecerá um pico e depois cairá progressivamente no esquecimento, até ao dia em que as mesmas informações já esquecidas aparecerão como nova "novidade", ou quando haja mesmo "novidades". Este mecanismo pouco tem a ver com a substância da questão, quando esta existe fora da sua mediatização, como é o caso Freeport. O seu relançamento não se deveu a qualquer fuga processual para os jornais (como sugeriu falsamente o Primeiro-ministro), mas sim a um dia de buscas da PJ e às informações relevantes (declarações de familiares de José Sócrates) que se lhe seguiram. Agora, manter ou não a questão na agenda dos media, cada vez mais depende da orientação editorial desses mesmos media. O situacionismo ou a independência vão ser mais nítidos agora do que nos dias de brasa destes fins de semana, em que era impossível ocultar que havia um "caso" em curso (e mesmo assim a RTP nalguns noticiários e o Jornal de Notícias procederam assim). O que se sabe, informações, contradições, declarações, são de uma gravidade que não pode ser ignorada nem esquecida. No passado, em relação a muitos outros casos de menor importância, a comunicação social manteve-os como "escândalos", dando-lhe sequência investigativa e persistência editorial, fazendo exigências de clarificação e não deixando que haja esquecimento. Este caso, talvez o que mais gravemente afecta o centro do poder (o único precedente idêntico foi o "caso Emáudio" e houve aí uma deliberada desvalorização para não atingir Mário Soares), não pode ser escondido debaixo de um tapete. Já se sabem coisas a mais para perceber que ele não cabe debaixo de um tapete.

Digo isto porque sou seu adversário político ou o acho mau governante? Não. Digo isto porque desde a história do diploma e dos projectos das casas, não acredito na sua palavra. E já o escrevi antes, não precisei do caso Freeport. Significa isto que o acho culpado, sem apelo, pelo julgamento insidioso das suspeitas? Também não. Digo-o apenas porque, como afirmou um jornalista do Expresso, Filipe Santos Costa, na SICN, não deixo de pensar. Há pessoas cuja palavra me faz deixar de "pensar" de imediato, porque tenho nelas confiança, esse valor intangível muito menos precário do que se pensa. Outras não. Fica pois aqui esta declaração de confiança ou de falta dela.


Pacheco Pereira, Janeiro de 2009

A higienização do PS

A entrevista dada por Seguro ao Público caiu rapidamente no esquecimento por causa da hecatombe da família Espírito Santo e desaparecimento súbito dos seus bens materiais. Porém, todavia, contudo, o que Seguro ali despeja é de uma enormidade equiparável ao poder destruidor do caso BES no que concerne ao futuro do PS.

Comecemos por um rasgado elogio ao actual Secretário-geral. Disse que não quer Costa num seu eventual Governo. Esta declaração compara com a de Costa que disse ver com bons olhos a hipótese de Seguro pertencer à sua lista de deputados. Costa, filho, aqui foste ao tapete. E é bem feita, pois todo o cinismo deve ser castigado e a hipocrisia, ou a sobranceria, merece tolerância zero.

O elogio seguinte é para São José Almeida e Nuno Sá Lourenço. Tendo em conta que dias antes, na entrevista à Visão, Seguro tinha falado da existência de um “partido invisível” que actuava só para fazer negócios corruptos e que apoiava Costa, estes jornalistas tentaram até ao limite das suas possibilidades levar Seguro a passar do plano da insinuação, da difamação e da calúnia para o da explicitação e responsabilidade. Sem qualquer sucesso.

Eis como Seguro, o messias da transparência, justifica lançar no espaço público acusações que não pretende provar:

"A política não é uma sala de audiências de um tribunal. Quando digo isso, é porque considero que há uma mistura entre política e interesses. E não sou obrigado a ser mais claro do que isto. Há milhares de portugueses que me escrevem e que me felicitam pela coragem que tenho tido por insistir nessa separação."


"Se houve dúvidas em relação às minhas declarações, pelas centenas de mensagens que recebi, isso ficou resolvido. Os leitores do PÚBLICO quando lerem esta entrevista,* vão compreender muito bem o que estou a dizer."

[* A puta da vírgula vai ficar ali para vergonha de quem se lembrou de ali a colocar.]

Seguro, o Octávio Machado da “nova forma de fazer política”, anuncia que não responde perante a cidade nem perante a imprensa. Não responde perante a moral republicana nem perante a ética da cidadania. Não responde perante a razão nem perante a decência. Só responde à multidão. Ou melhor, nem à multidão responde. Limita-se a deixar-se ser aclamado por esses “milhares de portugueses que lhe escrevem” e que vêem nele a espada implacável da sua pulsão justiceira. Isto tem um nome. E uma longa história de desgraças no seu currículo.

Chegados a este ponto sem retorno, que terão a dizer Francisco Assis e Alberto Martins, por exemplo, de repente denunciados como operacionais destacados do tal “partido invisível” dos negócios ilícitos que Seguro jurou destruir? Será que já assumiram o seu estatuto de arrependidos e nós ainda não fomos avisados?

Outra via para compreendermos a demência deste discurso encontra-se naqueles que vocalizam abertamente o seu apoio à purga em curso. E talvez não haja melhor espécime do que Ana Gomes:

Aqui a vemos a alimentar o gozo debochado de Nuno Melo e Carlos Abreu Amorim. O seu fanatismo é tal, a sua estupidez é tanta, que valida entusiasmada a ideia de que o PS é um partido corrupto e de corruptos. Os dois excelentes moços nem queriam acreditar no que lhes estava a acontecer, Ana Gomes sozinha mostrava-se capaz de enterrar o PS. E nem quando o Amorim esticou a corda toda e falou em “higienização” a senhora teve um lampejo de módico respeito pelo seu partido, pelos seus camaradas ou por si própria, antes confirmou exaltada que o programa de Seguro consistia precisamente nessa higienização e que mais valia começar tarde do que nunca.

Não interessa perder muito mais tempo com o disparate em figura de gente chamado Ana Gomes apoiante de Seguro, mas há que não deixar passar sem análise as consequências da sua postura e declarações. O aspecto fulcral é este de não se estar a definir em que consiste essa alegada mistura entre política e negócios. Seguro não a explica, Ana Gomes idem. Aliás, a feérica segurista chega a perdoar ao seu herói aquela cena de Cascais, com o tal das farmácias, só por acaso grande amigo da mulher de Seguro. Uma vez não são vezes, afiança esta santa de uma ladeira onde manifestamente ninguém se segura em pé. Até porque os outros é que não prestam, como ela sempre disse mas sem conseguir identificar um único nome para um único caso.

O que há de estupendamente alarmante é ver uma profissional da política com a tarimba de Ana Gomes a entregar-se a um culto irracional. Imaginando que este grupo de taralhoucos chega ao poder, como é que eles iriam separar a “política” dos “negócios”? Onde, em que parte do mundo democrático, é que alguma vez se separou a política dos negócios? E como fazê-lo num sistema capitalista? E já agora, estas luminárias consideram que deixámos de viver num Estado de direito, pelo que passaram a acusar sem provas tudo e todos só para conseguir sacar o voto dos otários e dos velhinhos? É tudo absurdo, e é tudo violento. O que esta demagogia rasteira e soez esconde é uma completa incapacidade para governar de acordo com o interesse da comunidade.

O angelismo celebrado por Seguro e Ana Gomes é uma das mais insidiosas formas de populismo que já se manifestaram em Portugal. Vir esta ameaça do seio do PS diz bem do estado de fragilidade institucional a que chegou um regime espoliado pela direita e bloqueado pela esquerda.

Cata-vento, em linguagem de caserna, é um eufemismo

Na prática, a revisão reforçou os poderes do Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas (CEMGFA) sobre os ramos do Exército, Marinha e Força Aérea. O que já tinha sido um dos aspectos centrais das alterações levadas a cabo em 2009.

Foi no processo de preparação dessa lei que tanto o almirante Melo Gomes como o general Pinto Ramalho – na qualidade de chefes da Marinha e Exército – expuseram “a sua oposição a quem de direito”, recordou Melo Gomes. E foi o almirante quem confirmou ao PÚBLICO que “o porta-voz do principal partido da oposição nessa altura” deu a entender que “concordava com a posição dos três chefes”. Esse porta-voz era, recordou, Aguiar-Branco. Contactado também pelo PÚBLICO, o general Pinto Ramalho confirma a posição do actual titular da pasta.

Melo Gomes não deixa de assinalar a mudança em Aguiar-Branco. “Passados cinco anos, as posições inverteram-se e a política mudou”, surpreende-se o ex-chefe da Marinha. E Pinto Ramalho regista ainda que Aguira-Branco, com a sua revisão, “queria ir ainda mais longe” do que a lei acabou por ir no reforço dos poderes do CEMGFA. “Na política acontecem destas coisas. Porventura, na altura, o agora ministro disse aquilo que pensava que gostaríamos de ouvir”, analisa Pinto Ramalho.

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Cui bono?

Para além de ser quase do campo da mais delirante fantasia imaginar um PSD regido pelos critérios de respeito pelo Estado de direito, pela coesão da comunidade e pela salubridade do espaço público que o Pedro Marques Lopes invariavelmente expressa, o seu caso – tal como o do seu companheiro de programa Daniel Oliveira – é também representativo da mudança de perspectiva sobre Sócrates ocorrida após as eleições de 2011 em todos aqueles cujo destino não é serem cúmplices da pulhice organizada. Até lá, esses prolixos comentadores participaram do frenesim da caça a Sócrates, o monstro. Participaram à sua maneira, bem sei, mas eram parte do coro cuja estratégia não passava de um sistemático assassinato de carácter. A continuação do uso da figura de Sócrates pela oligarquia para ganhos políticos infames levou-os, finalmente, a abrir a pestana. Eles mudaram a ponto tal que passam agora por perigosos socráticos aos olhos dos fanáticos e dos broncos. Ocasião para lembrar que alguns não tiveram de mudar a milionésima parte de um milímetro as suas opiniões a respeito das campanhas contra Sócrates, das acções dissolutas e inconstitucionais de Cavaco, da fraude gigante com que Passos e o dr. Relvas enganaram todo o eleitorado.

Quem tem interesse em viver numa sociedade onde a decência seja uma garantia de civismo que defende e promove a inteligência da participação política sabe que lhe estão a ir ao rabo, sem convite para tal, de cada vez que se faz uma capa do Correio da Manhã a atiçar o povoléu contra o Culpado Disto Tudo. Poderíamos pensar que o pasquim sensacionalista vive da calúnia sem olhar a quem, mas essa sensata hipótese não chega a sobreviver um instante quando nos lembramos que os enormes escândalos ocorridos em Portugal com figuras do PSD e do CDS não geram as perseguições de que Sócrates é alvo, embora não faltasse material abundante para tal. O Correio da Manhã é não só selectivo, é picuinhas. Tem de ser Sócrates, ou alguém que se possa ligar a Sócrates ou, vá lá, que seja do PS.

O Correio da Manhã não é um caso isolado e de 2008 a 2011 um vendaval de pressão mediática com a mesma agenda antiSócrates varreu o espaço mediático profissional. Para aferirmos do que está em jogo no uso de Sócrates como espantalho para eleitorados manipuláveis, veja-se como o seu próprio partido e o respectivo secretário-geral foram recuperar essa estratégia no contexto de uma luta interna. Seguro não tem, como nunca teve, qualquer interesse em reflectir sobre os anos da governação de Sócrates para fazer qualquer tipo de balanço ou tirar ensinamentos úteis para o seu programa ou para o País. Talvez 3 anos já tivessem chegado para tal, nem que fosse só num fim-de-semana, né? Não. Seguro tem interesse é em usar Sócrates exactamente como a direita o usou: deturpando a sua obra e diabolizando a sua pessoa.

Se um dia destes Sócrates for arguido e depois culpado de algum crime, e nós cá estivermos para assistir, não faltarão oportunidades para mostrar-se do que cada um é feito. Até lá, ou até nunca, a pergunta a fazer face à perseguição e cerco a Sócrates, sempre e sempre, é esta: cui bono?