Cui bono?

Para além de ser quase do campo da mais delirante fantasia imaginar um PSD regido pelos critérios de respeito pelo Estado de direito, pela coesão da comunidade e pela salubridade do espaço público que o Pedro Marques Lopes invariavelmente expressa, o seu caso – tal como o do seu companheiro de programa Daniel Oliveira – é também representativo da mudança de perspectiva sobre Sócrates ocorrida após as eleições de 2011 em todos aqueles cujo destino não é serem cúmplices da pulhice organizada. Até lá, esses prolixos comentadores participaram do frenesim da caça a Sócrates, o monstro. Participaram à sua maneira, bem sei, mas eram parte do coro cuja estratégia não passava de um sistemático assassinato de carácter. A continuação do uso da figura de Sócrates pela oligarquia para ganhos políticos infames levou-os, finalmente, a abrir a pestana. Eles mudaram a ponto tal que passam agora por perigosos socráticos aos olhos dos fanáticos e dos broncos. Ocasião para lembrar que alguns não tiveram de mudar a milionésima parte de um milímetro as suas opiniões a respeito das campanhas contra Sócrates, das acções dissolutas e inconstitucionais de Cavaco, da fraude gigante com que Passos e o dr. Relvas enganaram todo o eleitorado.

Quem tem interesse em viver numa sociedade onde a decência seja uma garantia de civismo que defende e promove a inteligência da participação política sabe que lhe estão a ir ao rabo, sem convite para tal, de cada vez que se faz uma capa do Correio da Manhã a atiçar o povoléu contra o Culpado Disto Tudo. Poderíamos pensar que o pasquim sensacionalista vive da calúnia sem olhar a quem, mas essa sensata hipótese não chega a sobreviver um instante quando nos lembramos que os enormes escândalos ocorridos em Portugal com figuras do PSD e do CDS não geram as perseguições de que Sócrates é alvo, embora não faltasse material abundante para tal. O Correio da Manhã é não só selectivo, é picuinhas. Tem de ser Sócrates, ou alguém que se possa ligar a Sócrates ou, vá lá, que seja do PS.

O Correio da Manhã não é um caso isolado e de 2008 a 2011 um vendaval de pressão mediática com a mesma agenda antiSócrates varreu o espaço mediático profissional. Para aferirmos do que está em jogo no uso de Sócrates como espantalho para eleitorados manipuláveis, veja-se como o seu próprio partido e o respectivo secretário-geral foram recuperar essa estratégia no contexto de uma luta interna. Seguro não tem, como nunca teve, qualquer interesse em reflectir sobre os anos da governação de Sócrates para fazer qualquer tipo de balanço ou tirar ensinamentos úteis para o seu programa ou para o País. Talvez 3 anos já tivessem chegado para tal, nem que fosse só num fim-de-semana, né? Não. Seguro tem interesse é em usar Sócrates exactamente como a direita o usou: deturpando a sua obra e diabolizando a sua pessoa.

Se um dia destes Sócrates for arguido e depois culpado de algum crime, e nós cá estivermos para assistir, não faltarão oportunidades para mostrar-se do que cada um é feito. Até lá, ou até nunca, a pergunta a fazer face à perseguição e cerco a Sócrates, sempre e sempre, é esta: cui bono?

8 thoughts on “Cui bono?”

  1. Ainda ontem ou ante-ontem o canalha do viegas, ex-secretário da cultura de passos, citava outro canalha dito moita de deus(normalmente o escritor e intelectual do negócio de vender livros cita os “intelectuais” directores do cm, escrevinhadores de lixo), para reproduzir a ideia do moita de que a PT se transformara numa miséria de empresa filial de outra pequena empresa do Brasil, rematando que face ao estado actual da PT; “foi bonita a festa, porreiro pá”, insinuando, deste modo que se a PT está como está se deve a Sócrates.
    Os canalhas, sem inteligência logo sem memória, nem se lembram de quem se desfez à borla das “golden Shares” que Sócrates usou sempre (enquanto a Alemanha as tivesse e tem) para proteger as empresas portuguesas de dimensão nacional.
    O canalha do viegas, negociante de livros que, esquece-se que ainda não explicou aos portugueses porque, contra pareceres antigos e os novos pedidos por si, assinou de cruz a exportação ou venda no estrangeiro do “Criveli” que sempre fora considerado, também pelo governo Sócrates, património nacional inexportável.
    Esta trampa de intelectuais só usa conhecimento para tratar da sua vidinha por meio de corrupção; ou vendendo-se como prostitutas ou vendendo património do país à comissão.
    Estes vão muito além do DO e PML, contudo, a ajuda destes na subida ao pote do bando passista, nunca os absolverá.

  2. só sei que quer a impotência quer a cagada, em nome das costas largas de Sócrates, nos prejudica a todos. tudo mudou. e antes, tudo estava melhor.

    (ir ao rabo fica estranho) :-)

  3. Ainda foi apenas há três anos que o cabeçudo PML dizia sábado sim, sábado sim, que sabia de certeza certa que cavaco tinha sido o melhor pm que houvera em Portugal e que passos seria sempre melhor pm que Sócrates.
    Há dois anos, ou mais, que engoliu tal ideia de certeza feita e, certamente, a expeliu pelo buraco próprio da merda dado que se tratava da própria dita, embora produzida no bestunto.
    Mesmo algo obtusos vão lentamente, mas vão lá todos dar. Até o político medíocre, antigo intérprete de cavaco e manela leite, a bojuda figura pachecal, já muitas vezes se vê enredado e atrapalhado para explicar o momento político sem ir ao encontro do que Sócrates disse e fez há anos e diz ainda hoje.
    Faz um esforço tão retórico e trapalhão no uso de outras palavras para fazer passar por pensamento novo aquilo que Sócrates já expusera anos antes que, muitas vezes, até é patético a contradição entre o que defende como pensamento seu mas recusa, porque recusou antes, quando foi de Sócrates.
    Sendo uma lástima como político, o pachecal figurão, possui um pote ou uma pipa de dor de cotovelo de quem é melhor que ele em todos os aspectos.

  4. olinda, tu deves conhecer melhor do que ninguem o alcoólico anónimo,não é verdade? ele na aspirina, muda mais de camisa do que de meias!

  5. é um ou uma qualquer, nuno cm. os tristes só se ralam com a alegria dos outros.

    não devias pedir-me isso, alcoólico anónimo, até porque nem o cabo de uma vassoura tenho disponível para ti.

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