É uma longa história

Passos goza de um estado de graça que parece imune a qualquer tormenta. O apocalipse do universo Espírito Santo, envolto no pior que a memória regista a respeito do Banco de Portugal, não lhe foi tão incomodativo como a temperatura da água na Manta Rota. A manta rota do seu conflito com a Constituição deixou de causar surpresa, qualquer dia já nem é notícia. Os valores dos juros e do desemprego descem contra tudo e contra todos. O facto de a economia continuar ligada à máquina quando nos juraram que vinha aí a revolução da gente séria e competente é incapaz de provocar discursos da oposição que entrem nos ouvidos da sociedade. Isto porque a oposição não existe, nem sequer se conseguem arranjar daqueles maluquinhos que antigamente, na ditadura socialista, iam dormir para o Rossio. Por onde andam agora? Em que lugar do mundo continuam a sua soporífera luta? O estado da oposição é este: só se dá por ela se Portas resolver exigir mais uma mordomia. Por enquanto, está satisfeito com a proximidade ao Jardim Zoológico, mas nunca fiando quando se trata do mestre da irrevogabilidade.

Passos, o político que mais mentiu, de longe e de muito longe, numa campanha eleitoral, traindo sem uma hesitação ou remorso a confiança dos eleitores e da comunidade, plana sobre as águas e nem um mísero salpico o atinge. Muita gente na direita, desde sempre, julgava que os ataques ao Estado social, aos funcionários públicos, aos pensionistas, à classe média e à Constituição fossem algo simplesmente impossível de realizar. Ainda mais impossível se acontecessem ao mesmo tempo. E ainda mais impossível se não tivessem legitimidade moral por nascerem de uma burla eleitoralista.

Donde vem a complacência, quiçá cumplicidade, dos portugueses com este homem e quem ele representa? Vem de muito longe.

20 thoughts on “É uma longa história”

  1. a narrativa da direita,o odio de seguro a socrates e por isso salivava com as criticas ao governo anterior, a opçao do pcp que entre um governo ps e um de direita prefere este, tendo em vista os seus objectivos de longo e penoso prazo para os portugueses.seguro e o povo portugues vão pagar caro esta estrategia miseravel!

  2. Passos goza de um estado de graça porque os donos disto criaram um estado engraçado em que dominam todos os jornais, rádios e tv´s.

  3. Sim, o “estado de graça” de Passos égarantido pelos mesmos que o levaram ao poder, sabendo que sendo ele um “zero à esquerda”, ficavam com o caminho livre para ser donos disto tudo. Metidos o PCP e o BE no bolso da cuecas, dominando em absoluto toda a comunicação social e a máquina judicial, conquistada a presidência da república, ao poder deposto em Abri de 1974 só lhe faltava um Seguro à frente do PS. Conseguiram o pleno. Sem um tiro, quase, como na revolução dos cravos. É tão fácil manipular este povo de brandos costumes! Ou um rebanho de iletrados?

  4. bento,não sei do que falas,mas contra o social-fascismo,todas as forças são poucas,desde que dessa uniao resulte a democracia.pese todas as desgraças que estamos a passar,prefiro este regime ao vigente na russia,china,cuba e coreia do norte!não tenhas vergonha e diz-nos o que defendes.estás num pais livre onde ninguem te prende por defenderes outro regime,mesmo que menos democratico!

  5. val,se viesse a ditadura,ias ver como ficavam felizes e contentes,muitos dos que nos estão a governar!milhares dos seus acolitos entravam em delirio!

  6. Pois não, Olinda, é da iliteracia severa do povo. E como vamos distinguir o povo, da máquina política que escolheu para o dirigir? Tudo em democracia…nascida de um dia para o outro, como que por magia. Quem sabe, Olinda, estejamos a chegar ao ponto em que as gerações nascidas em democracia vão fazer diferente dos seus pais tornados democratas por magia…Quem sabe!

  7. maria abril,. a gente dos partidos que escolheu os seus lideres não veio de marte mas deste chão que pisamos todos os dias. estou consigo. os que nasceram depois da ditadura,são mais cultos, mas nao espero grande coisa deles . o que querem é “putas e vinho verde”!repare na idade dos militantes dos partidos tradicionais,e chegará à mesma conclusao do que eu!

  8. Não tivesse existido o PS da Alameda e outros lugares e
    o senhor Bento não teria possibilidade de produzir o seu “brilhante”
    Com que então o PS uniu-se ao elp e aos bombistas?
    O senhor é ignorante ou simplesmente não passa de um vulgar sectário?

  9. Egr, eu não digo que o PS se juntou aos bombistas. Digo que o PS colocou uma estátua do cónego Melo (chefe dos bombistas) em Braga. O resultado dessa atitude foi a expressiva derrota eleitoral nas autárquicas, num município de maioria socialista há “uma pipa de anos”.

  10. vamos distinguir pela superioridade moral; vamos distinguir pela crença e na boa fé; vamos distinguir pela ignorância . vamos distinguir entre agressores e vítimas. e vamos apelar para quem exerce a profissão de político – que nem sequer é a tempo inteiro e pode levar uma vida completamente desafogada e feliz – que fique do lado do povo ainda que o povo tenha tomado decisões erradas.
    o povo precisa de ser defendido e abraçado. está na hora de a democracia ser mãe de todos e não apenas amante de alguns que vivem literalmente à custa dela. são os políticos que têm de fazer muito mais e muito melhor, Maria Abril.

  11. Engano, Olinda: quem tem de fazer muito mais e melhor é o povo. Com a democracia, tem a oportunidade de ser mais que rebanho; de sair do marasmo. Lamento dizê-lo. Olinda, mas o nosso povo acomoda-se a tudo. Será o peso de séculos de seguidismo do Deus Omnipotente? Que força tem a religião e os seus sacerdotes! E as gerações dos cinquenta para cima têm a alma formatada por uma catequese de “rebanho de Deus”. “Eu sou o Bom-Pastor”. Diz o patriarca Clemente, os grandes da nação aproveitam a deixa para conduzir o rebanho luso. É assim há séculos. O 25 de Abril parece ter sido um fugaz interregno.

  12. vou particularizar (te), Maria Abril, as pessoas vêem melhor os umbigos. se estiveres a trabalhar em uma empresa que te explora brutalmente a tua responsabilidade não diminui pela decisão que tomaste em fazer parte dessa empresa. mas quem exerce a exploração brutal é a empresa. se és cúmplice? és – cúmplice por seres vítima. se te despedires ficas sem trabalho e se te mantiveres lá alimentas a exploração. se começares a criar ondas sofres de assédio moral e fodes-te até aos ossos.

    sem querer comparar o estado a uma empresa o princípio é o mesmo. a democracia começa na liberdade de cada um tantas vezes condicionada. mas já que fazes parte do povo, como eu, o que pensas fazer em relação a este governo cabrão com a democracia que herdamos do 25 de Abril?

  13. Suportá-lo até acabar a legislatura. Até lá, denunciá-lo de todas as formas que posso e como posso. Nas eleições estarei condenada a votar em quem se apresentar para ser governo alternativo, o que exclui, à partida, o PCP e o BE auto-excluidos da governação numa democracia que não é a deles . Eu sei que isto é uma fatalidade, mas, enquanto não cair de podre como a ditadura, que vamos fazer?

  14. pois. era o que eu estava a dizer. aguentas-te à bronca e quando aparecer melhor, escolhes. mas a tua escolha pode depois revelar-se uma enfermidade… é por isso que são eles, os que fazem da política profissão, que têm de fazer mais e melhor. muito mais e muito melhor.

  15. Nuno cm

    Se preferes nao te queixes. Sabes muito bem do que falo e até usas linguagem do Durao Barroso quando este era do MRPP.
    Confundes regime com sistema e não dizes coisa com coisa. Em 1975 o Soares fez uma opção clara pelo capitalismo e aliou-se a tudo o que era reaccionário e delinquente. Como roma nao paga a traidores e como para a alta burguesia vocês no PS nao passam de uns pied noir ….embrulhem

    Serão sempre uns idiota úteis.

  16. Se, neste momento, se pode falar em “idiotas úteis” é obrigatório pensar em Jerónimo e Louçã, os idiotas utilissimos que entregaram o poder absoluto a Cavaco/Passos/Portas, os quais, por sua vez, não funcionam como entreposto do vosso famoso “grande capital”. Abre o olho, Bento.

  17. Maria

    Estas enganada. O que consta foi que o Ricardo Salgado e os seus camaradas banqueiros reuniram com o idiota útil do Socas e lhes disseram para chamar a troika que não havia mais dinheiro para malucos.

    Abre os olhos Maria. Os dois.

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