EPHEMERA

Os mecanismos comunicacionais vivem da "novidade". A lógica do seu desenvolvimento depende de haver novas informações todos os dias. Se não for assim, o caso Freeport (como qualquer outro) conhecerá um pico e depois cairá progressivamente no esquecimento, até ao dia em que as mesmas informações já esquecidas aparecerão como nova "novidade", ou quando haja mesmo "novidades". Este mecanismo pouco tem a ver com a substância da questão, quando esta existe fora da sua mediatização, como é o caso Freeport. O seu relançamento não se deveu a qualquer fuga processual para os jornais (como sugeriu falsamente o Primeiro-ministro), mas sim a um dia de buscas da PJ e às informações relevantes (declarações de familiares de José Sócrates) que se lhe seguiram. Agora, manter ou não a questão na agenda dos media, cada vez mais depende da orientação editorial desses mesmos media. O situacionismo ou a independência vão ser mais nítidos agora do que nos dias de brasa destes fins de semana, em que era impossível ocultar que havia um "caso" em curso (e mesmo assim a RTP nalguns noticiários e o Jornal de Notícias procederam assim). O que se sabe, informações, contradições, declarações, são de uma gravidade que não pode ser ignorada nem esquecida. No passado, em relação a muitos outros casos de menor importância, a comunicação social manteve-os como "escândalos", dando-lhe sequência investigativa e persistência editorial, fazendo exigências de clarificação e não deixando que haja esquecimento. Este caso, talvez o que mais gravemente afecta o centro do poder (o único precedente idêntico foi o "caso Emáudio" e houve aí uma deliberada desvalorização para não atingir Mário Soares), não pode ser escondido debaixo de um tapete. Já se sabem coisas a mais para perceber que ele não cabe debaixo de um tapete.

Digo isto porque sou seu adversário político ou o acho mau governante? Não. Digo isto porque desde a história do diploma e dos projectos das casas, não acredito na sua palavra. E já o escrevi antes, não precisei do caso Freeport. Significa isto que o acho culpado, sem apelo, pelo julgamento insidioso das suspeitas? Também não. Digo-o apenas porque, como afirmou um jornalista do Expresso, Filipe Santos Costa, na SICN, não deixo de pensar. Há pessoas cuja palavra me faz deixar de "pensar" de imediato, porque tenho nelas confiança, esse valor intangível muito menos precário do que se pensa. Outras não. Fica pois aqui esta declaração de confiança ou de falta dela.


Pacheco Pereira, Janeiro de 2009

12 thoughts on “EPHEMERA”

  1. nessa altura o éfemerda trabalhava com orientador espiritual da velha leiteira que falava verdade aos portugueses asfixiados pela central de informação do sócras. o pacheco terá toda a credibilidade quando revelar as escutas que disse ter conhecimento, provas irrefutáveis da culpa do sócras.

  2. fiquei a pensar na importância da confiança do ter palavra e no dar a palavra. fora deste contexto, obviamente, de homem sem palavra.

  3. o pacheco tem realmente muito poder. quando toda a comunicação andava ao tiro ao sócrates (o jornal da 6ª da boca guedes dedicava 45 minutos a enlameá-lo), o pacheco conseguiu vender a ideia da asfixia democrática. é obra!

  4. E pensar que o António Costa conviveu e convive muito bem com este exemplar da insinuação e da calúnia. Esterco. António Costa não se dá conta do mau cheiro? Diz-me com quem andas… Por estas e por outras chegamos ao que chegamos. Nestas alturas até nem me importo que o PS se desfaça. É gente que não se sente. Vai com a merda toda. Vive e convive muito bem com ela.

  5. Só quem andou e anda distraído ainda consegue ver, na pacheca das vacas loucas e tradutor das bacoucadas de cavaco e manela, alguém em quem se possa confiar politicamente.
    Esta anedota política tem no seu currículo:
    Uma vida política a cheirar o cu de cavaco, barroso, manuela, e agora rio. Como intelectual só tem apoiado gente desconfiada e intelectualmente desonesta e mastunça, prostituindo-se aos néscios para obter lugares de favor de elevada influência.
    Com cavaco foi o chefe de bancada da AdR que defendeu a ocultação ao povo da doença das vacas loucas quando o caso já era um perigoso caso de saúde pública. Tratou a hombridade e honestidade política de António Campos com a mesma mente intelectual podre e prostituta que mais tarde faria com Sócrates.
    Com barroso também viu as armas de destruição maciça e apoiou a invasão do Iraque e, com as mãos encharcadas de sangue foi ainda encharca-las mais na guerra da divisão dos Balcãs com mais milhões de mortos e feridos. Quando Soares desfilou pela Av. da Liberdade contra a invasão do Iraque fez-lhe um ataque de mastim encolarizado, como sempre, embrulhado naquele seu papel de habilidoso contador de histórias comparadas justificativas da argumentação. Tinha ganhado, com tal defesa de barroso sobre o Iraque, um lugar de embaixador na OCDE que só o facto de barroso ser ainda maior e mais fino prostituto que ele, ao trocar e cagar-se no país pela sinecura de Bruxelas enquanto nos deixava entregue a santana, outro incompetente ainda maior, o impediu de tomar posse do cargo.
    Com Sócrates teve outra oportunidade para saciar todo o seu potencial de prostituto político ao serviço da manela, cabeça cara de parva. Tendo aquele dado uma banhada à sua querida manela e, deste modo, coartar-lhe o acesso ao cadeirão dourado de influente do poder, levou o tempo todo a usar as invenções diárias de mercenários e até a inventar outras de sua lavra. Fazendo as suas habilidosas comparações por jogos de palavras insinuou sempre, sem nada provar nunca, que Sócrates era um ser com as competências de omnipotência, omnisciência, imutabilidade e infalibilidade de um deus da maldade tão imutável malvado que apenas e só, e único, era não só o autor de toda a maldade do mundo como era a própria maldade em corpo e imagem.
    A transcrição acima feita diz tudo acerca de Pacheco: perante Sócrates ele nem precisava “pensar”. Ele dispensava o pensamento, a racionalidade, as faculdades cognitiva e intelectiva para tratar racionalmente as insinuações, acusações, invenções, corrupções, mentiras, falsidades e todas as maldades atribuídas: ele atingira o grau do saber absoluto à priori, ele, acima de Platão, sem passar pelo pensamento racional, vira a “Ideia”.
    E ficou, para sempre, com a sua “Ideia”. Que, hoje, o torna patético face à totalidade de maldade que sobreveio no pós Sócrates cometida pelos seus com sua ajuda.

  6. Tudo o que a comunicação social de grande circulação escreve ou dia É MENTIRA (no todo ou em parte). Porque nos tempos que correm a missão da comunicação social não é de informar, é de influenciar “opiniões”.

  7. O Maquiavel da Marmeleira, atingiu o seu zénite na
    famosa Comissão de Inquérito PT/TVI cujo, relator
    foi o próeficiente Semedo! Sim, aquele atentado con-
    tra o Estado de Direito que dizem que somos, onde
    se conseguiu provar, pelas declarações dos silencia-
    dos e seviciados, pelo malévolo Sócrates que tudo
    dominava com mão de ferro, onde foram ouvidas em
    privado as famosas escutas que provavam os fatos!
    Com efeito, eles brilharam na denúncia da situação
    para além do grande estoriador, vimos o saudoso
    crespo com a sua t’shirt, o tal monteiro a mostrar as
    sevícias sofridas por uma chamada telefónica do
    Sócrates a querer que ele não publicasse o não sei
    quê no semanário que dirigia e, etc. etc. !
    É tudo farinha do mesmo saco … como diz o outro!
    Falar neles é dar-lhes uma importância que não merecem!!!

  8. pacheco pereira alem de intriguista é um interesseiro, e por isso apoiou, o trauliteiro rui rio,que garantiu durante uns anos o tacho à sua mulher no fantasporto!não tem autoridade moral.recordo-me de o ver quase todos os dias nos telejornais a debitar merdices em defesa do governo de cavaco silva!

  9. Da leitura da segunda parte da “declaração de confiança” do cabeçudo Pacheco pode deduzir-se, de uma leitura à letra, direta, que em quem confia não precisa “pensar” para acreditar e no caso Sócrates teria de pensar sempre. Contudo a mensagem que subjaz e que verdadeiramente transmite é a contrário, e é; tudo que diz e faz Sócrates é, por princípio pré-concebido, ou mentira ou falsidade ou propaganda logo nem é preciso pensar ou gastar pensamento com tão evidente mentiroso.
    E na realidade é que pacheco, quer intelectualmente quer na sua acção prática anti-Sócrates, hoje ainda se nota melhor que assim foi, nunca usou de pensamento racional e inteligência e até viu males tenebrosos de lesa-pátria onde os mais altos magistrados da nação viram conversa telefónica trivial. Se usa-se de pensamento concluiria rapidamente que conspirações contra o Estado não se tratam diariamente por meio de conversas informais ao telefone, para mais sempre suspeitos de estar sob escuta. E repare-se como, mesmo agora que gasta tanto afã a acusar passos não vê atentados contra o Estado de Direito quando os há quase diariamente.
    Portanto o que na realidade foi e é a prática de pacheco é não pensar quando se trata de Sócrates mas sim uma irreprimível “Ideia” fixa de acusar irracionalmente.
    E quando não se usa de pensamento racional e lógico para ter opinião fundamentada tornamo-nos num ser irracional; num animal abaixo de cão.
    Foi e é o caso de pacheco, cheirador do cu de cavaco, barroso, manela e rio na tentativa de ser seu perceptor e educador influente bem sentado em cadeirão dourado, que face a Sócrates, que o suplantava em todos os domínios da política e honestidade intelectual, o levou a “pensar” sempre à priori que Sócrates era a fonte do mal e, portanto dispensava qualquer pesamento.
    Uma bela pacheca originalidade, tão bem não pensada como tão bem vista foram as armas de destruição maciça no Iraque.

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