Todos os artigos de Valupi

República deste juiz

O Conselho Superior da Magistratura decidiu nesta terça-feira arquivar um inquérito que tinha sido aberto na sequência de declarações proferidas pelo juiz Carlos Alexandre numa entrevista à estação televisiva SIC.

A deliberação dividiu, porém, os membros do conselho, que não são todos juízes: foram sete os membros que se manifestaram contra o arquivamento, tendo apenas oito votado a favor. “Pese embora sendo pouco felizes algumas dessas declarações, não se revestem de relevância disciplinar”, refere uma nota informativa deste órgão que tutela os magistrados judiciais.


Juiz Carlos Alexandre ilibado no caso da entrevista à SIC

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Celebrity chefs have poor food safety practices
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True Lies: People Who Lie via Telling Truth Viewed Harshly, Study Finds
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Businesses Shape International Law Through ‘Astroturf Activism,’ Paper Finds
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Having a Meltdown at Work? Blame It on Your Passion
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Pessimists, you aren’t alone in feeling down
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Hands-free just as distracting as handheld mobile phone use behind the wheel
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When Horses Are in Trouble They Ask Humans for Help
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Exactissimamente

A propósito de falar sem medo e de dizer verdades inconvenientes: ouviu ou leu o que disse esta semana, na Assembleia da República, a deputada socialista Isabel Moreira? Ela subiu ao púlpito e disse de Angola, olhando para Luaty Beirão, o que Maomé não disse do toucinho. Falou de uma ditadura brutal, de um total desrespeito pela liberdade. O caso Luaty tem já mais de um ano, mas foi preciso passar todo este tempo para que ouvíssemos alguém num órgão institucional português dizer tudo isto com as letras certas. Como é que alguém dizia (sobre outra coisa qualquer)? É isso: D-i-t-a-d-u-r-a.

in Duas palavras simples que nunca o são: verdade e justiça

Para que serve o jornalismo político?

Foi há três semanas. Mariana Mortágua e Adolfo Mesquita Nunes apareceram na “Edição da Noite” para 12 minutos de paleio, 6 a cada. É impossível que essa interacção pública tenha qualquer influência – qualquer de qualquer de qualquerzinha – sobre qualquer parte – qualquer de qualquer de qualquerzinha – da nossa política. Mais, é quase certo que nenhum deles ao dia de hoje se lembra do que disse, ainda menos do que ouviu. E, no entanto…

No entanto, estamos perante duas figuras que, assim os deuses lhes dêem saúde e gana, poderão dentro de alguns anos liderar os respectivos partidos onde militam. Não é impossível que algum deles venha a exercer o cargo de primeiro-ministro, ou os dois em tempos diferentes. Coisas muito mais improváveis já aconteceram e continuarão a acontecer. Pelo que o episódio, na sua agoniante banalidade e irrelevância imediata, é igualmente especial e relevante desse outro ponto de vista onde colocamos a atenção sobre os padrões de comportamento e a estrutura relacional que tende a passar despercebida por ser sempre a mesma na sua repetição contínua.

O tema em debate nascia do pagamento antecipado de parte da dívida nacional ao FMI. Ocasião para um confronto entre esquerda e direita, aliados e opositores do Governo. 12 minutos no total. Que fazer com 6 minutos de tempo de antena para gastar com uma mão cheia de milhares de telespectadores? Mais do mesmo, responderam convictos Mariana e Adolfo. O tal mesmo que afasta cidadãos da política e da cidadania. A esquerda apenas conseguiu deturpar o problema da dívida, reduzindo-o à dimensão moral: agiotagem dos credores. A direita apenas conseguiu moralizar o problema da governação: incapacidade e incúria de uns fulanos socialistas que tiveram de chamar a Troika. Nenhum gastou meia vogal com os principais factores na origem do problema das dívidas soberanas: responsabilidade das políticas europeias na resposta à crise de 2008, onde a regra era meter dinheiro para evitar a depressão e sair o mais rapidamente possível da recessão, e responsabilidade das políticas europeias na concepção do papel do BCE, o qual só a partir de Novembro de 2011 se decide a resolver o problema pela mão de um Draghi acabado de chegar ao comando da instituição. Qual a razão para estas duas figuras da política profissional terem apagado algo que não poderiam negar se questionadas directamente a respeito sob pena de perderem a credibilidade intelectual? É que a terem falado com plena objectividade do tema digladiado não poderiam, em concomitância, gastar o tempo disponível no vício decadente da diabolização.

Entre os dois estava Sara Pinto. Jornalista. Que não abriu a boca sobre o que estava em causa quanto à contextualização factual das argumentações de parte a parte. Cujo silêncio tanto pode ser manifestação de ignorância como de alheamento, mas que talvez com maior probabilidade exiba um respeitinho civicamente infantilóide e jornalisticamente abjecto perante os “políticos” – como jornalisticamente abjecto seria o simétrico abuso dos políticos recorrendo à agressividade narcísica, ao enviesamento sectário e à difamação sonsa. Este silêncio perante dois discursos que se limitam a tratar os cidadãos como borregos é parte fulcral da irracionalização que degrada a democracia ao ser cúmplice das diferentes demagogias em compita.

Não gastemos o rico dinheirinho com os tribunais, a PJ vai acabar com a corrupção em dois ou três anos

“A corrupção em Portugal atingiu não só diversos sectores de actividade económica, mas também os mais variados serviços públicos. Estamos a prender um corrupto de três em três dias. Nos primeiros 11 meses do ano detivemos 119 pessoas suspeitas desse crime.”

Almeida Rodrigues, Director da Polícia Judiciária

Vamos admitir que o jornalista publicou as palavras exactas de Almeida Rodrigues. Se sim, então o Director Nacional da Polícia Judiciária manifesta desconhecer o que seja o Estado de direito. Porque considera que a PJ “prende corruptos” e à média de 1 a cada 3 dias. Que esses “corruptos”, afinal, não passem de “suspeitos” na altura da sua “prisão” é distinção demasiado subtil para um durão da PJ sequer reparar nela. Se estão a ser varridos do mapa, transmite este Almeida, é porque estão cheios de porcaria, são lixo.

No mesmo artigo aparecem umas contas que permitem saborear ainda melhor este naco de cultura policial tão do agrado do zeitgeist e da indústria da calúnia que goza de impunidade total em Portugal ao ponto de nem sequer os seus crimes serem investigados. As contas estão feitas, as ilações ficam para quem as apanhar:

De acordo com o relatório divulgado nesta sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República, nos anos judiciais de 2014/2015 e 2015/2016 foram registados 3360 inquéritos relativos a crimes de corrupção e criminalidade conexa (abuso de poder, administração danosa e branqueamento, por exemplo). No mesmo período temporal foram deduzidas 297 acusações e arquivados 1673 inquéritos, tendo sido aplicado o instituto da suspensão provisória do processo em 129 inquéritos.

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Let Your Kids Lose
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Will Earth Still Exist 5 Billion Years From Now?
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Intimate and Social Relationships Important for Older Adults in Assisted Living, Study Finds

É o novo acordo pornográfico

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Fonte

Não tem importância nenhuma, certo? A Lusa mandou o texto assim, a TSF publica-o e deixa-o estar tal como veio. Administradores, directores, jornalistas, leitores, toda a minha gente se está a marimbar. Depois de atingirmos o estádio da pós-verdade, e por inerência, também chegámos ao pós-jornalismo. E já vamos a acelerar em direcção à pós-gramática.

Só há nisto uma consolação: está ao nível da linguagem chula de Passos. Por aí, até podemos falar numa admirável estilização ao serviço do subtexto.

Será mesmo só estupidez?

Está o cidadão tranquilamente a ler um semipasquim chamado Público quando depara com esta prosa:

Mas em quê, exactamente, terá consistido o alegado populismo de Trump? O populismo paradigmaticamente exemplificado pelo “Syrisa” grego ou pelo “Podemos” espanhol, politicamente correctíssimo, tem a pretensão de possuir um pedigree intelectual e académico que reabilita e promove a mentira na política democrática como meio legítimo de captar votos e o poder. Mas os Trumps de vários pêlos e estilos não mentem: limitam-se a dizer o que o povo pensa mas ninguém diz - pelo motivo de que o establishment vive protegido pelo “politicamente correcto”, uma forma de censura insidiosa mas violenta que impede a livre expressão das “inconveniências” que escandalizam as elites bem-pensantes e os eleitorados educados.

Será mesmo só populismo? – M. FÁTIMA BONIFÁCIO

É o pacote completo: Trump (et alia) não é populista, limita-se a dizer as verdades que as elites armadas em defensoras da democracia querem esconder do bom e puro povo; populistas são as esquerdalhas gregas e espanholas, fingindo-se modernas e cultas só para serem ainda mais mentirosas, esses filhos da puta.

O cidadão, muito distraído, ficou confuso. Quem é esta pessoa? Quem é que a convidou para escrever no semipasquim? E pagam-lhe por estas cagadas ou é ela que tira do seu bolso para conseguir pespegar o nome no jornal? Acima de tudo, que sofrimentos e infelicidades suportou ao longo da vida para ter acabado nisto, no espectáculo da sua miséria intelectual?

Foi então que olhei para o fundo da página, e lá estava a resposta. Óbvia:

m-fatima-bonifacio

Passos e o regabofe

Tribunal de Contas acusa Finanças de "falta de controlo" na CGD entre 2013 e 2015

Num relatório de auditoria sobre o controlo do Setor Empresarial do Estado efetuado pelo Ministério das Finanças entre 2013 e 2015, divulgado hoje, o Tribunal de Contas considera que houve uma "falta de controlo pelo Estado" do banco público nesse período, após a recapitalização de 2012 (no montante de 1.650 milhões de euros).

No documento, o Tribunal de Contas enumera situações em que considera que o Ministério das Finanças, que durante a maior parte daquele período foi tutelado por Maria Luís Albuquerque (no anterior governo PSD/CDS-PP), deveria ter exercido um maior controlo sobre o banco público.

"O controlo da CGD carece de transparência, particularmente evidenciada pela não remessa ao acionista dos documentos exigidos pelo regime jurídico do Setor Público Empresarial", afirma a entidade, concluindo que "a aprovação de contas da CGD foi efetuada com lacunas de informação".

Em causa está a "falta de conhecimento" dos instrumentos previsionais de gestão da CGD não só pela Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Setor Público Empresarial (UTAM), mas também pela Direção-Geral de Tesouro e Finanças (DGTF).

Dessa forma, afirma o Tribunal de Contas, esta informação não foi incorporada no processo de apreciação dos documentos de prestação de contas, "o que fez com o que acionista tenha aprovado os mesmos sem a informação completa".


Fonte

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Taking Time-Off Work to Raise Children is Damaging to the Careers of Highly Skilled, High Earning Women
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Wives with a ‘Soul Mate’ View of Marriage Are Less Likely to Volunteer and May Deter Husbands From Doing So, Too
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Narcissistic Individuals Use Social Media to Self-Promote
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Immune System Influenced by Social Status, but Access to Resources Not to Blame
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When judging other people, first impressions last
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This Is Your Brain on God: Spiritual Experiences Activate Brain Reward Circuits
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We Like What Experts Like – and What Is Expensive
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Ataque de tesão genuíno ou planeado?

Já tem quase dois anos, mas só o descobri agora. As duas pessoas visíveis no vídeo abaixo, que talvez alguns dos milhões de leitores deste blogue conheçam de ouvir falar, estão a ter um genuíno ataque de tesão ou planearam a cena? Num dos mais falsos formatos televisivos, onde a realidade está ao serviço do espectáculo, será que a falsidade inerente foi a condição necessária para a verdade aparente?

Asfixia da honestidade intelectual

Paulo Rangel – o tal supino estadista e insigne patriota que foi para Estrasburgo berrar que Portugal já não era um Estado de direito porque lhe tinha chegado às orelhas a calúnia de que Sócrates tinha feito com que uma crónica doentia do Crespo não fosse publicada no JN, ocorrendo este número chungopatético no país do império Balsemão, da TVI do casal Moniz e do Marcelo, da RTP da Judite e do José Rodrigues dos Santos, do Sol do alucinado, da Renascença da Igreja, do DN do Marcelino e da brigada laranja ao tempo, da TSF do Baldaia, do i do Martim Avillez e da Cofina da indústria da calúnia – resolveu botar faladura sobre o sistema eleitoral norte-americano. Tinha umas lições para dar ao povoléu, confessa, especialmente a uns quantos que manifestam “mau perder”. Se alguém tiver uma pista acerca de quem seja essa gente a que se refere, tenho no bolso 10 euros para entrega como prémio.

Pois este passarão cometeu a proeza de escrever 5 962 caracteres, mais espaços, sem que alguma vez tenha sequer mencionado ao de leve este curiosíssimo facto: nas 5 ocasiões em que nos EUA o voto popular foi superior para o candidato perdedor, perdeu um candidato Democrata (na primeira ocasião, há factores específicos a ter em conta para legitimar essa afirmação, fique a nota). Para o que agora importa, a diferença de votos a favor de Hillary vai nos dois milhões e meio nesta altura do campeonato. Eis o contexto em que o Rangel sentiu um súbito afã para desvalorizar essa diferença. Ora, ter apagado da sua exposição a disfuncionalidade eleitoral que penaliza os candidatos presidenciais do Partido Democrata permite-lhe despejar um caudal de sofismas onde uma solução engendrada no século XVIII passa por monumento à democracia contemporânea. Tudo areia para os olhos do leitor. A lógica federalista invocada mantém o seu pleno sentido para a constituição do Senado, dando-lhe o justo papel de contrabalanço entre o Congresso e a Presidência, mas deixa de fazer sentido quando se usa para defender a falta de proporcionalidade dentro de cada Estado para se constituir o Colégio Eleitoral. É a manutenção do sistema maioritário que está a causar uma perversão eleitoral cuja origem é demográfica. E essa perversão não é democrática nem liberal porra nenhuma. Igualmente não encontramos sequer uma vírgula no texto a respeito das acções Republicanas que visam dificultar o acesso ao voto para diminuir a participação eleitoral das diferentes minorias. É que as coisas estão ligadas.

A chave para mais um exercício falacioso do Rangel inventor da “asfixia democrática” está nesta frase: "[os EUA] Não são, portanto, uma moderníssima democracia iliberal, de tipo jacobino, onde a vontade da maioria se expressa acrítica ou caprichosamente." Que é como quem diz, “Se pudesse, acabava com essa cambada de jacobinos que andam para aí acriticamente e cheios de caprichos a votarem em eleições livres. Fodam-se todos e viva o Trump!”