Asfixia da honestidade intelectual

Paulo Rangel – o tal supino estadista e insigne patriota que foi para Estrasburgo berrar que Portugal já não era um Estado de direito porque lhe tinha chegado às orelhas a calúnia de que Sócrates tinha feito com que uma crónica doentia do Crespo não fosse publicada no JN, ocorrendo este número chungopatético no país do império Balsemão, da TVI do casal Moniz e do Marcelo, da RTP da Judite e do José Rodrigues dos Santos, do Sol do alucinado, da Renascença da Igreja, do DN do Marcelino e da brigada laranja ao tempo, da TSF do Baldaia, do i do Martim Avillez e da Cofina da indústria da calúnia – resolveu botar faladura sobre o sistema eleitoral norte-americano. Tinha umas lições para dar ao povoléu, confessa, especialmente a uns quantos que manifestam “mau perder”. Se alguém tiver uma pista acerca de quem seja essa gente a que se refere, tenho no bolso 10 euros para entrega como prémio.

Pois este passarão cometeu a proeza de escrever 5 962 caracteres, mais espaços, sem que alguma vez tenha sequer mencionado ao de leve este curiosíssimo facto: nas 5 ocasiões em que nos EUA o voto popular foi superior para o candidato perdedor, perdeu um candidato Democrata (na primeira ocasião, há factores específicos a ter em conta para legitimar essa afirmação, fique a nota). Para o que agora importa, a diferença de votos a favor de Hillary vai nos dois milhões e meio nesta altura do campeonato. Eis o contexto em que o Rangel sentiu um súbito afã para desvalorizar essa diferença. Ora, ter apagado da sua exposição a disfuncionalidade eleitoral que penaliza os candidatos presidenciais do Partido Democrata permite-lhe despejar um caudal de sofismas onde uma solução engendrada no século XVIII passa por monumento à democracia contemporânea. Tudo areia para os olhos do leitor. A lógica federalista invocada mantém o seu pleno sentido para a constituição do Senado, dando-lhe o justo papel de contrabalanço entre o Congresso e a Presidência, mas deixa de fazer sentido quando se usa para defender a falta de proporcionalidade dentro de cada Estado para se constituir o Colégio Eleitoral. É a manutenção do sistema maioritário que está a causar uma perversão eleitoral cuja origem é demográfica. E essa perversão não é democrática nem liberal porra nenhuma. Igualmente não encontramos sequer uma vírgula no texto a respeito das acções Republicanas que visam dificultar o acesso ao voto para diminuir a participação eleitoral das diferentes minorias. É que as coisas estão ligadas.

A chave para mais um exercício falacioso do Rangel inventor da “asfixia democrática” está nesta frase: "[os EUA] Não são, portanto, uma moderníssima democracia iliberal, de tipo jacobino, onde a vontade da maioria se expressa acrítica ou caprichosamente." Que é como quem diz, “Se pudesse, acabava com essa cambada de jacobinos que andam para aí acriticamente e cheios de caprichos a votarem em eleições livres. Fodam-se todos e viva o Trump!”

21 thoughts on “Asfixia da honestidade intelectual”

  1. Exactamente, irra.

    E a parte onde idealiza um sistema daqueles, tal e qual, para a Europa, como se tal fosse proposto com alguém com um cérebro desenvolvido? Como se o sistema dos EUA já não estivesse farto de ser denunciado como anacrónico e arcaico, como se todas as outras federações não tivessem aquele sistema “jacobino” que ele denúncia (Alemanha, Áustria, Índia, Canadá, Austrália, Brasil, etc, etc), como se não existem até coligações nos próprios estados norte-americanas empenhadas em revogar este estratagema (https://t.co/k3e41IoFPY). Enfim, a figurinha de sabichão salsichão de sempre.

  2. “A lógica federalista invocada mantém o seu pleno sentido para a constituição do Senado, dando-lhe o justo papel de contra-balanço entre o Congresso e a Presidência, mas deixa de fazer sentido quando se usa para defender a falta de proporcionalidade dentro de cada Estado para se constituir o Colégio Eleitoral. ”

    E com esta tirada da maior e mais profunda e pervertida ignorância o Dr. Valerico arruma a questão. Sem um único fundamento, sem uma única explicação. “Deixa de fazer sentido” porque sim, porque o Dr. Valerico acha que “deixa de fazer sentido”.

    Se a História e a Ciência Política contam para alguma coisa, é bom ter sempre presentes os pressupostos e o contextoem que os Estados fundaram a sua vontade comum de se federarem. Depois de analisado e estudado isso (o que levará necessariamente muito, mas mesmo muito tempo) será necessário analisar se esses pressupostos se mantêm ou não atuais (havendo uma forte probabilidade de que, apesar do tempo que passou – aliás, 230 anos, é muito? -, tais pressupostos e contexto mantenham em grande medida plena atualidade).

    Como é evidente, o Dr. Valerico não estudou um cú desta merda, manda pró ar infames mentirolas, nojentos argumentos, bizarras teorias e falsidades históricas inimagináveis. Pelo menos, pelo menos, o texto do rangel tem alguma profundidade factual – pelo menos.

  3. aeiou, é um gajo que se farta de escrever mas não me lembro de nada de jeito.

    Tem um blogue 265 fraco como poderia ter herdado uma mercearia em Campo de Ourique e agora era um empreendedor modernaço. Anda o dia inteiro pelo Twitter e no FACEBOOK (tem pouco que fazer, portanto). É pior que o “Valupi”, para perceberes aqui vai: na realidade sempre foi pior mas é igual ao “Valupi”como ele é nestes meses em que esbarrou numa uma fase precocemente decadente.
    Só não sei se já desertou da escola do ex-PM José Sócrates, se é que sobra lá alguém.

    Ao pé do tipo e da vacuidade dos posts do “Valupi” e da outra senhora e do Rui Tavares, o Paulo Rangel às vezes é um ás!

  4. abc, não esbarrou em fase nenhuma. não é um esbarramento, muito menos uma fase.
    é o resultado de ter sido completa e estrondosamente derrotado com as eleições americanas. é o resultado de ter apoiado uma criminosa e de ter estado e ainda estar concluiado com uns media da mais abjeta e asquerosa propaganda política e que arrasaram todos os cânones da sua própria deontologia profissional. é vê-lo acusar os media por um lado quando atacam sócrates e defendê-los, os mesmos media, quando atacam trump, quando não percebe que em ambos os casos a narrativa utilizada é falsa, infame deturpada. sócrates é tão corrupto quão nazi é trump -teem, quando muito, tiques de corruptos e nazis, como se gostar de umas boas férias seja sinal de corrupção ou apreciar lei e ordem ser sinal de campos de concentração.
    um nojo de argumentação, no fundo.
    e quanto a ti abc, és na verdade um monte de merda, que também nunca o deixaste de o ser, seu escroque sem nível, vai mamar no cú do alexandrino.

  5. galuxo, a sorte é que existem sites de “fake news” como este spinnirina em que os comentadores não são avençados da escravidão de bilderberg como o são os comentadores dos media tradicionais (clarinhas ferreiras alves, sousas tavares e escumalhada dessa) e colocam links e divulgam coisas magnificas e grandiosas, como seja o primeiro discurso de trumpo após as eleições:

    https://www.youtube.com/watch?v=Y8i2zzsIxsk&t=1s

  6. a maravilha deste discurso é evidentemente inalcançável para derrotados e conspurcados vencidos como esse dr. valerico da mula russa.

  7. Ó Lucas

    Isso é porque os russos são uns pândegos e gostam de levar umas barrigadas de riso.
    O gajo disse isso na campanha … agora que já foi eleito vai derrubar tudo o que se meta à frente. Pois atão !

  8. Ó Valupi

    O laranja podre está só a ladrar que afinal já gosta muito do governo do Dr Costa que também teve menos votos que o PM no exílio …

  9. ” … Já na Câmara dos Representantes, que congrega o povo americano enquanto tal, rege naturalmente uma lógica proporcional e a mesma Califórnia tem 53 Representantes enquanto que o mesmo Wyoimng tem um único Representante. ”

    Já na insigne Lusitânia, são 230 deputados na Assembleia Nacional ou da República , 47 na Madeira ( mas até 2004 chegaram a ser 68 ) e 57 nos Açores .

    Ou seja, os confrades laranjóides do snr. Rangel, tratam dos assuntos da vidinha deles na
    Assembleia legislativa regional, local, e na Assembleia Nacional Continental, também. Logo, dupla representatividade, e os confrades socialóides do snr. César, para compor o ramalhete fazem o mesmo . Este último, chegou até a afirmar, que a aprovação de uma lei que impedia futuras mexidas no poder local, por parte do poder central, constituia mais um marco importante no passo para a coesão do todo nacional . Está-se mesmo a ver, não é verdade ?
    Só se fôr mais um passo na coesão do todo nacional, a caminho do … separatismo …
    Separatismo parasita, pois claro .
    Cumprimentos para o cão de louça Nelo e para o gato de porcelana Motinha .

  10. Onde é que já se viu um Imperador ser “eleito” indirectamente? E se os “grandes eleitores não seguirem o sentido de voto o ppol?
    E não é só o sistema eleitoral é tambem o financiamento de campanhas e o tudo em volta.

    A Mercedes lamenta a nomeação de Paulo Macedo para a CGD, era a primeira escolha para substituir o Nico Rosberg.

  11. E o que é espantoso é que está a nascer uma nova mitologia explicativa da vitória de Trump com os seus profetas (Rorty etc…) que é tão errada como a que lhe dava a derrota. Ironicamente só Trump conseguiu explicar exemplarmente o sucedido: The sistem is rigged.

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