As gralhas não têm bilhete de identidade
O meu amigo Eugénio Alves é o editor da revista «Tempo Livre» editada pelo INATEL mas pelos vistos não tem tempo para rever (ou mandar rever) os textos que edita nas suas páginas. Num texto da revista deste mês («A telenovela portuguesa nasce na Abrunheira») fala-se de «Vila Faia» e de «Origens», as duas primeiras telenovelas portuguesas. Passamos por cima do «nasce» num texto de memórias.
Primeiro problema: se a telenovela portuguesas nasceu na Abrunheira as gralhas não se sabem onde nascem. Só sabemos onde poisam.
No texto do cabeçalho aparecem dois cinemas que existiam em 1982 com nomes patuscos: Cantil e Atar. Se no caso do primeiro cinema podemos presumir ser o Castil já do segundo se torna mais complicado. Atar, Atar, assim de repente não estou a ver. Será o quê? Outra gralha muito engraçada é no nome do escritor Luís de Sttau Monteiro que surge na página 41 da revista do INATEL como Status Monteiro. De facto uma gralha assim tem outro estatuto.
Mais à frente surge outro problema mas aí já não se trata de gralha «propriamente dita» mas sim de um lapso – faltou a palavra «portuguesas» no fim da frase. Vejamos «Muita água correu sob as pontes mas aqui fica o que foi o principio de tudo em matéria de telenovelas». Se vos disser que ainda há pouco tempo safei em cima da hora uma gralha que colocava «Focinho» em vez de «Pocinho» como terra natal do escritor Francisco José Viegas, percebe-se melhor que elas andam por aí e que elas, as gralhas não têm bilhete de identidade. Só sabemos onde poisam. Não sabemos onde nascem.



