Senhora da Boa Viagem

As mais belas colchas nas janelas

Flutuam como bandeiras dum país

Nas filas da Filarmónica paralelas

Eu sou de novo um menino feliz

Vi o rapaz da Biblioteca no andor

Reconheço um anjinho disfarçado

O vento que nos refresca do calor

Diz que já andou por todo o lado

Perdido entre andores e bandeiras

Entre o pálio e pendões dispersos

Sinto logo saudades verdadeiras

Da poesia sem linhas e sem versos

Um tempo onde tudo era imenso

E a morte na verdade não existia

Na mistura do sol com o incenso

A procissão era o lugar da alegria

7 thoughts on “Senhora da Boa Viagem”

  1. Pois… a procissão foi ontem à tarde, andei com o poema na cabeça toda a noite e hoje nasceu assim, sem forcéps nem ventosas.

  2. Meu Caro José do Carmo:
    Eu por mim só acrescentava: “Viva a música de Custóias” obrigatório nesta festa, como na festa da minha aldeia , entre dois foguetes bem lançados !
    Ainda no Sábado último, Albufeira dos camones e do Allgarve de Pinho, surpreendeu com uma festa deste tipo, quase só para iniciados, sim cheirava a incenso na tarde intensa, sol, pálio, estandartes, andores, música alinhada com seu mestre e sua bandeira, mais mulheres do que homens, por sinal, todos vestidos de cor de vinho, avinhados oxalá. E foguetes não ali mesmo ao pé, bem puxados por um entendido destas coisas mas respeitosamente deitados do largo e esta medo era a única nota dissonante.
    Era a Senhora da Orada que é a mesma da Boa Viagem, ou da Lapa ou da Assunção, tantos nomes para a mesma virgem que de filhos só teve um .
    Um abraço, amigo !
    Jnascimento

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