
Das aldeias de Xisto aos passarinhos de Alcobaça
Passei um fim-de-semana em cheio numa casa de Xisto nos arredores de Penela (Ferraria de São João) pois fui convidado a apresentar um livro na Festa do Livro de Penela. E foi tão em cheio que até um mal-entendido sobre um restaurante que, afinal, estava fechado, se resolveu, por bem, com uma refeição alternativa no Retiro do IC8 algures entre o Casal de São Simão e o Fato. Carapaus divinais em molho de escabeche, bom pão e óptimo vinho, fizeram as delícias dos viajantes cansados.
Ao lado de Festa do Livro, a feira de Penela com produtos da terra (nozes, cebolas, alhos, arroz carolino, vinho, azeite) e as chamadas quiquilharias: comprei um cinto novo a um feirante marroquino que, quando lhe pedi para pôr o meu cinto velho no caixote do lixo, respondeu: «Este cinto não de deita fora, está só usado mas funciona».
Para quem vive lado a lado com a ideia e a prática do desperdício fácil, esta foi uma lição de sobriedade, de ecologia, de vida enfim. Porque aquele cinto velho mas funcional pode (vai) ser útil a alguém que vive em piores condições do que nós.
Parei em Alcobaça para tomar uma bebida fresca e descansar. Como tinha o carro perto do Tribunal, achei curioso as duas gaiolas que numa das paredes do edifício são a casa de alguns passarinhos. Estes são felizes. Num restaurante do Alandroal («A Maria») as autoridades obrigaram o proprietário a substituir o passarinho vivo por um desses dos chineses. De plástico, claro, talvez por razões higiénicas. Mas os de Alcobaça são mais felizes do que o do Alandroal. A eles ninguém chega, neles ninguém toca. Estão na parede do Tribunal e a ASAE não chega lá. Ainda bem.