Vinte Linhas 534

Uma memória do «Record» a propósito do Eduardo

«Morreu o Eduardo!» – esta notícia dolorosa chegou-me através do Cândido, um amigo e vizinho de Santa Catarina. Uma coincidência de datas leva-me a 7-9-1986. Era domingo na minha estreia nas páginas do «Record». Fui convidado pelo Ricardo Tavares mas foi graças ao Eduardo que fui acamaradar com a malta do andebol. Muitas vezes ele organizou idas colectivas dos simpatizantes do Passos Manuel («Passos! Passos!») ao recinto desportivo do CACO – Clube Atlético de Campo de Ourique. Íamos a pé e às vezes víamos vários jogos de enfiada. O Eduardo andava sempre com o «Record» debaixo do braço e a minha colaboração entre 1986 e 1987 só foi interrompida por um processo em Tribunal por abuso de liberdade de imprensa mas um juiz ex-jogador da Académica resolveu o caso em três tempos a meu favor. O queixoso saiu com o rabo entre as pernas. Nunca me disseram mas esse processo acabou por ditar o meu afastamento. Sempre me dei bem com o Ricardo Tavares, com o Alves de Carvalho, com o Rui Cartaxana mas a minha colaboração (paga a 50 escudos a linha) cessou para não mais voltar. Mais tarde no BPA convivi com o António Lopes que jogava no Belém e era amigo da grande equipa «leonina» do treinador Matos Moura. Também se dava com os irmãos Vasconcelos do Benfica. Conheci essa malta toda – o Carlos Silva, o Hernâni, o Franco, o Luzio, o Castanheira, o Bessone, o Anaia. Todos. Em Alvalade, no estádio, muita gente reparava num bombeiro que ouvia o relato num rádio pequenino e dava informações ao «banco» dos sportinguistas sobre a evolução dos resultados dos adversários directos. Há fotografias. Esse bombeiro era o Eduardo.

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