Vinte Linhas 536

De como José Saramago também fala de cebolas

Faço parte de um clube de leitura e hoje (18-9-2010) na Livraria Fábula Urbis em Lisboa discutimos durante duas horas «O ano da morte de Ricardo Reis». Houve uma referência na página 331 da edição de 1984 (com a dedicatória original À Isabel, outro livro, o mesmo sinal) às cebolas que me lembrou uma nota dum «pobre» a propósito do aqui publicado «Fado Feira da Cebola». Escrevi «cabos de cebola» e o «artista» disse que não era cabo mas sim réstia. Pois Saramago escreve «Um rasto de cebola. É verdade, um rasto de cebola». No famoso dicionário de Moraes, página 462 lá temos «rastra – réstia de cebolas ou de alhos». Rasto é outra coisa mas compreende-se a mudança em relação à norma do dicionário.

O livro arranca com «Aqui o mar acaba e a terra principia» em homenagem a Camões: «Aqui onde a terra se acaba / e o mar começa». O autor coloca habilmente em diálogo uma figura de ficção (Ricardo Reis) com um fantasma (Fernando Pessoa) que já não podia dialogar em 1936. No quarto 201 do Hotel Bragança o protagonista tenta escrever poemas a uma mulher sabendo, entre cálculo e ilusão, que «muitas vezes começamos por falar no horizonte porque é o mais curto caminho para chegar ao coração». São Pedro de Alcântara, o Terreiro do Paço, o Cais das Colunas, o Chiado, o Hotel Bragança e o miradouro do Adamastor (entre outros) são lugares e palcos da cidade aqui revisitados por Ricardo Reis, o médico criado por Fernando Pessoa que nasceu em 1867 no Porto e vive no Brasil até 1935, data da morte do poeta dos heterónimos. Um ano antes da revolta dos marinheiros no estuário do Tejo contra Salazar.

22 thoughts on “Vinte Linhas 536”

  1. E lá votamos nós ao «drama« que tanto apoquenta este senhor jcFrancisco sobre a dedicatória do Saramago à Isabel e que Saramago entendeu não repetir nos seus livros. Casado com Pilar, é natural que o não repetisse. Agora este estardalhaço, esta teimosia de velho senil a insistir constantemente no mesmo, é doença sem cura. Das réstias ou cabos, também pouco importa. É preciso dizer a este senhor que os designativos são dados conforme as regiões. Mas nota-se o azedume com que continua a falar do Nobel. Ainda por cima, chama com desdém «pobre» ao comentador que opinou sobre as cebolas. Este é dos que não deve ajudar ninguém. «Pobre», para ele, é sinal de repúdio. Mas não será José do Carmo Francisco um «pobre» de espírito? E não há ninguém que cale a boca a este «delfim» da arrogância, que sempre foi pobre em todos os sentidos?!

  2. Há pessoas que não podem ver alguém a escrever algo que vem logo com críticas e como em tudo quem desdenha quer comprar. Se não gostam dos textos têm um remédio não os lêem assim como não os comentam. Fazem-me lembrar a história da raposa e as uvas: estão verdes!
    Sabe-se que Portugal é rico nas suas adversidades e o que se diz ou chama em Lisboa no Porto pode ter significado diferente. Desde sempre na minha terra se disse “cabo de cebolas” e no S. Bartolomeu em Penafiel, aqui no Douro Litoral, é das maiores feiras de cebola e sempre ouvi dizer a quem as vai comprar dizer cabo de cebolas. Até os lavradores ou quem as cultiva diz “vou encabar as cebolas”.
    Por isso digo JCF força com os seus textos e o penúltimo é de uma qualidade acima da média. Pelos menos para mim é mas esteja preparado para ouvir as marias a insurgirem-se contra o que escreve. Se são tão cultos que escrevam textos para nos deliciar. Senão que deixem as pessoas sossegadas com a sua escrita. Mas somos um povo que quando vemos alguém com uma camisa lavada logo se inveja não tendo a solução de lavar a sua.
    O que é preto talvez não seja obscuro.

  3. Se para o senhor tivesse importancia, gostaria engardir que no galego disse : “uma rastra de cebolas”.

    faz algum tempo o senhor citou num dos seus post a rua do Alecrim, ( não posso recordar o post, nem o topei na caixa de post). Perguntei-lhe se era a mesa rua do Alecrim pela que descia Ricardo Reis depois de sair do Hotel Bragança. Não obtive resposta nem comentario, talvez foi resolto nas duas horas do Clube de leitura.
    O pimenta , Celia , a menina o pai da menina o doutor, os mozos galegos do hotel. Os espanhois do bando franquista que estão no hotel, são coisas que agora depressa recordo.
    um grande livro.

  4. Caro Amigo Reis se se está a referir a mim só posso dizer que não li mas de facto trata-se da mesma rua do Alecrim. A minha amizade com os Galegos é grande – dois dos meus três filhos vivem em casas alugadas a Galegos.

  5. Esta «Maria» é um trambolho que não percebe nada disto. Eu apenas citei o livro de 1984, não ofendi ninguém. Não venha para cá com tretas pois quando um grupo de pessoas numa livraria de Lisboa se ocupa durante duas horas a estudar um livro de um autor (seja ele quem for) não merece nem admite esta conversa da treta. E depois tentar chamar-me velho sem fazer a mínima ideia de quem eu sou. Vá lamber sabão!

  6. O senhor Manuel Pacheco é o único que elogia o senhor jcFrancisco. Uma espécie de lambe-botas. Mas às vezes também é notória uma certa ironia nos comentários que faz. Não preciso conhecer o senhor jcFrancisco, para pensar que é velho e chato. Fico a conhecê-lo perfeitamente não apenas pelos seus posts mas, sobretudo, por aquilo que escreve quando responde aos comentários que lhe fazem. Se o senhor Reis diz que os galegos dizem rastra, vem dar razão a quem afirmou que também se dá o nome de réstias às cebolas. Mas isso não me diz respeito. Outra coisa para o senhor Pacheco: quando se escreve num blog é para os textos serem lidos e comentados livremente. Trambolhos e vá lamber sabão, são frases lindas, muito ao gosto do senhor jcfrancisco. É o seu perfeito retrato como poeta, jornalista, juiz, etc.,etc…

  7. Resta saber se durante essas duas horas a estudar o livro de 1984 do José Saramago, o Zézinho não se referiu à dedicatória. Eu ia apostar que sim…

  8. Observador, reparei no teu comentário. Referes-te a uma comentadora que basta entrar para os comentários dispararem logo. Vê lá, até deixa saudades, pois falas na moçoila.

    vens do Corta – Fitas, só podes, comentei aí durante um tempo e olha que vi comentários da dita muito interessantes. no caso, não tens jeito para radiografias, pois o estilo da Maria não tem nada a ver.

    Já agora, para que não haja dívidas, eu comento como residente num blogue, e desde que a polémica comentadora deixou de comentar, no Corta, aquela coisa perdeu piada. Eu passo por lá, mas aquilo está muita mediocre, os tipos dos posts respondem aos amigos, dialogam, enfim para terem comentários.

  9. Outro observador: não sei se a referência ao «estilo da Maria» é positiva ou não. Mas é assim que comento os posts. Já tenho feito elogios quando os autores merecem…

  10. My name perdeste a aposta. Nunca se falou na dedicatória pois a «leitura» tem a ver com a geografia da cidade. Já lemos o Nuno Bragança (A NOITE E O RISO), Eça de Queirós ( A CAPITAL) e Camilo Castelo Branco (A QUEDA DE UM ANJO). Mas olha que a dedicatória mais falada é aquela dos 16 do Lavre levantados dos chão que depois foram atirados ao chão.

  11. A dedicatória mais falada a não ser por ti, todos sabemos disso. Os 16 do Lavre estão bem e recomendam-se. Estão de bem com a Pilar, estavam de bem com o Saramago e até a Isabel está de bem com a viúva. Só tu é que dás queda atrás de queda e ninguém te levanta do chão. Não mereces.

  12. Desde que tu nos massacras com o assunto, achas que não chega? E porque não leio apenas aquilo que te dá na gana escrever sobre uma questão que só a ti parece incomodar. Tenho lido outras opiniões bem diferentes da tua. A começar pela compreensão da própria família do Lavre perante a omissão da dedicatória nas reedições do livro. Bastou-lhes a dedicatória e o agradecimento de Saramago na primeira edição. Pá, deixa de ser melga!

  13. Esse discurso falso e apaziguador choca frontalmente com a realidade. Durante os anos 80 e 90 fiz parte do Juri do Prémio Caminho Policial e Ficção Científica. Ajudei a descobrir escritores como Ana Teresa Pereira e Bráulio Tavares. Ouvi a D. Esmeralda referir o tempo que se gastava nos armazéns da editora no Cacém à procura de livros originais com dedicatória a pedido de filhos, sobrinhos e sobrinhos-netos das personagens em causa. Não me venham com discursos de «tudo bem». aqui não passam.

  14. Tenho estado a lê-los. E o que é que tem a ver o cu com as calças? O que é que tem a ver teres sido júri desses prémios e que ajudaste a descobrir escritores (???) , com o caso da dedicatória? Foi só para te armares, tá visto. E quanto te pagaram pelo trabalhinho? Sim, que seres júri de qualquer coisa não o fazes por amor à camisola, mas porque os jurados são sempre pagos. E quem é a dona Esmeralda? E o que faz ela nesta história? Qual editora? E porque carga de água é que temos de levar contigo mais com os filhos, sobrinhos e sobrinhos-netos? E o cão e o gato e o periquito, não contas com eles? Vai-te catar!

  15. É espantoso! Vens para aqui com mentiras parvas («está tudo bem») como se fosse possível perdoar uma coisa que não tem perdão. Depois perguntas com o ar mais pachola do Mundo – Quem é a D. Esmeralda?. Ora bolas… A D. Esmeralda foi muitos anos a funcionária que na Administração da Caminho tratava de assuntos tão diversos como o Júri do Prémio Policial e os hotéis do Zé. Queres falar mas não percebes nada disto. Não te metas por aqui, isto é só para quem sabe.

  16. Maria: não é positiva nem negativa, cada um comenta com acha. O que eu achei curioso e foi isso que me chamou a atenção foi o comentário que o Observador fez porque disse que você fez um comentário ao jeito de uma comentadora. Eu li comentários dessa comentadora, muito frontal, com piada, no Corta fitas. Deve ter causado rasto, porque sem querer venho aqui e vejo que até aqui ela é falada e dizem que a mesma se apagou. Portanto, sem querer fazer comparação se a comparam ao jeito daquela, olhe, a minha crítica só pode ser a melhor. lá que ela sabia escrever, criticar e não se poupava nas coisas, era um facto. Agora aquilo pelo Corta fitas está uma pasmaceira, cmentários de alguns muito salamaqueques, fui ver as origens de um comentador residente, e ia-me caindo tudo, pelo vocabulário do mesmo num outro blogue e assinado por ele.

  17. Outro observador: não conheço o Corta-Fitas. Se faço comentários ao jeito de uma outra comentadora, é pura coincidência. Gostavam dela, era directa e tinha humor, mas desapareceu…Não sou mesmo eu, garanto-lhe! Salamaleques, conversa de sala, escrever para fazer um favorzinho, não são o meu género. Os meus comentários podem ser confrontados por quem os lê e lê os posts que comento. Tenho consciência de que sou honesta. O caso de jcFrancisco é mais forte do que eu. O Zézinho tira a paciência a um santo. Ainda não sei datas, mas penso que deva estar para breve um monumento à sua pessoa, a inaugurar lá pelo Príncipe Real. Talvez no espaço que pertenceu aos pobres girassóis… É bem merecido. Basta ler as suas respostas aos comentadores. A última, por exemplo…

  18. Já dizia o Mário Ventura Henriques a propósito da dedicatória desaparecida: «Aquela figura nunca vai parar de nos surpreender…». O Paulo da Costa Domingos no «frenesi» também chama a atenção dos distraídos, o Marceloo Rebelo de Sousa no «Sol» fez o mesmo. Só tu «Maria» ou «Mário» não percebes e, pior ainda, tentas vender gato por lebre, dizendo que está tudo bem. Não enganas ninguém.

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