CEMISTÉRIO

Aqui se fixam as diferenças
até na morte como mercadoria.

Dinheiro em pedra nos jazigos;
campas pobres só com a terra
– por detrás dos muros, prédios,
vozes, gente que faz barulho
e estende roupa para este sol.

Pode chegar-se aqui de “táxi”
ou também de autocarro.

Nas flores mais secas
se vai perdendo a luz.
Outras memórias, palavras,
São o lixo deste dia.

Um tempo para dizer este tempo
quando o relógio se cansa
e perde os ponteiros do coração,
um tempo para lembrar
as flores tão verdadeiras
num frasco de tofina bem lavado.

Outras facturas, outro dinheiro
se perdem nesta morte a prazo.

Morre-se também na tarde,
perguntando sempre à morte
qual a diferença de luz
entre o mármore e a terra.

7 thoughts on “CEMISTÉRIO”

  1. Morre-se também na tarde,
    perguntando sempre à morte
    qual a diferença de luz
    entre o mármore e a terra.

    Muito bem. Esta que escreveu saíu-lhe sentida. É isso mesmo. Morre-se em qualquer momento, e a luz a que se refere não se diferencia.

  2. Maria, aqui a menina está a ser mazinha. O nome até que está bem «metido» e bem lá no fundo, a coisa é sentida. Não seja má, vá.

  3. «não me apetece dizer o nome». Engano seu. Cemisfério já apareceu noutros posts do jcFrancisco e nem por isso se falava de jazigos e de campas. Ora procure, se faz favor.

  4. Não procure, que não vale a pena. «Raramente me engano», mas dou a mão à palmatória: trata-se de outro post, que apresenta a mesma capa de livro.

  5. Maria, não ponho em causa, eu já percebi o seu estilo, que me agrada, pois «não manda dizer». Diz. O JFK é um pouquinho vaidoso, e isso tira-lhe «brilho», e de quando em vez manda umas «boutades» que não agradam, logo sujeita-se e apanha consigo, comigo (quando o biatu caralhudu me publica) e outros. Acho, porém, que é tudo «na desportiva», o que traz alguma boa disposição a quem passa por aqui de quando em vez e nos faz rir.
    cumpts.

  6. não me apetece dizer o nome, «pouquinho vaidoso» é boa vontade da sua parte, não? Mas concordo: é tudo «na desportiva». Se não fosse assim, era um marasmo ler os comentários. Ou não os ler, quando os posts ficam «em branco»!

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