Vinte Linhas 538

López Herrera – da magia do real aos destroços a invencível armada

Até ao dia 24 de Outubro próximo vai estar patente ao público na Rua da Misericórdia nº 30 (Chiado) uma exposição do pintor madrileno López Herrera.

Algumas facetas do chamado «orgulho espanhol» estão evidentes nos protagonistas desta série intitulada «A magia do real».

Dom Quixote num cavalo de brincar e Sancho Pança num bote que sugere os destroços da invencível armada, surgem no quadro «Personajes».

Os moinhos de vento não couberam no quadro mas fazem parte.

Também não aparecem os almocreves agressores a quem Dom Quixote quis convencer da formosura de Dulcineia, a mais bela dama do Mundo. Mas fazem parte.

O quadro sugere o desastre da invencível armada como prenúncio do desastre pessoal do próprio Cervantes quando perde o lugar de comissário real de víveres e fica na prisão entre 1592 e 1605.

Outros são os quadros nos quais o tema da viagem se impõe: «Navigator», «Paisaje habitado», «Marina» ou «El vigia».

Noutros quadros o autor projecta o seu próprio rosto nos contornos dos protagonistas. Por exemplo nas peças «Newton», «Arquitectos» ou «El cazador de ideas».

De qualquer modo a ideia geral é voltar sempre ao motivo inicial do conjunto. Num mundo onde os verdadeiros valores estão ausentes, o ideal é um código de comportamento caído em desuso desde as novelas de cavalaria. Ou também desde o tempo da invencível armada, cujos destroços circulam por aqui nas paredes da galeria.

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