Vinte Linhas 532

José Torres – 1938-2010 – uma certa memória 11 anos depois

Faz hoje (9.9.2010) 44 anos que comecei a trabalhar. Ganhava 900 escudos por mês e descontava 18 escudos para o Fundo de Desemprego, 9 escudos para o Sindicato, 25 tostões para a Caixa de Abono de Família e 25 tostões para o Grupo Desportivo. O curioso é que tinha 15 anos e pagava quotas ao Sindicato mas só podia ser sócio aos 18 anos e se ficasse no desemprego não recebia nada. No mesmo dia recebi a edição do jornal O MIRANTE que reproduz a entrevista que fiz a José Torres em 16-6-1999 na sua casa da Amadora. No essencial, além de recordar a carreira de jogador e de treinador, o bom gigante explica que na Segurança Social só constam os descontos efectuados entre 1953 e 1959 na empresa Claras de Torres Novas. Tudo o resto (Benfica, Setúbal, Estoril Praia. Estrela da Amadora, Varzim, Boavista e Portimonense entre outros) não consta e voou dos talões de ordenado para o vazio. Estes os factos. Daí a frase de José Torres: «Para a Segurança Social eu não existo como jogador de futebol». Filho de Francisco Torres (que jogou no Carcavelinhos) e sobrinho de Carlos Torres (que jogou no Torres Novas e no Benfica) José Torres cumpriu um fado triste que foi jogar no Benfica doze anos e nunca ter tido um ordenado maior do que 4 mil escudos mas mais grave foi os descontos terem desaparecido entre os Clubes e a Caixa – como então se dizia. Este dia 9 de Setembro fica como uma data especial na minha vida. Passaram 44 anos sobre o meu primeiro dia de trabalho e sobre os meus descontos para nada. Passaram 11 anos sobre a entrevista que fiz a José Torres sobre os seus descontos para nada. Moral da história: é por sermos portugueses. Não há remédio.

12 thoughts on “Vinte Linhas 532”

  1. Esta afirmação de que «o MIRANTE reproduz a entrevista que fiz a José Torres», parece-me estranha. Tenho o referido jornal na minha frente com a entrevista e não consta nela qualquer referência ao nome de José do Carmo Francisco. Em trabalhos deste género costuma vir sempre o nome do entrevistador, outras vezes as perguntas são feitas em nome do próprio jornal. Aqui nem uma coisa nem outra: ninguém fica a saber quem faz as perguntas. Estranho, sem dúvida.

  2. Terá sido uma opção editorial no momento mas eu sei que fui eu que fiz a entrevista em Junho de 1999 ao senhor José Torres, tive nas mãos as diversas camisolas de Pelé do seu armário de recordações, estive no pombal e reparei num pormenor: dali vê-se o Estádio da Luz. Isso eu sei.

  3. Ora ainda bem que concordas comigo: «…não há entrevistas sem entrevistador»! Acontece, que nesta entrevista até há. As perguntas estão lá, as respostas também, mas não consta o nome de quem faz a entrevista. Facto que me parece inédito. Se a foto é de tua autoria, também não consta que sejas o fotógrafo. Quero dizer, do teu nome, nem sinal. Só se andares a apregoar que foste o entrevistador é que o leitor toma conhecimento. Mas este blog não é o Mirante. Quem lê a entrevista no jornal não lê os teus comentários no Aspirina. Passas absolutamente incógnito, Dizes que «terá sido opção editorial». Não é costume os jornais ignorarem o nome dos jornalistas, principalmente quando fazem entrevistas. Porquê esta «opção» que foge às regras? Até nem duvido que foste tu o entrevistador do Torres. Estranho é o Mirante optar por não citar o teu nome. Azares da vida, meu! Já agora, «as camisolas do Pelé, o pombal e o facto de avistares, não sei donde, o Estádio da Luz», não vem ao caso. Não é por isso que se faz luz neste mistério todo.

  4. Julgo que percebeste que a minha entrevista é de Junho de 1999 e foi agora reproduzida em 9-9-2010. Longe de mim proclamar o que quer que seja. O que fiz está feito. Simplesmente eu quis juntar os «descontos para nada» do Zé Torres dos anos 60 com os meus «descontos para nada» de 1966. Parece que ninguém percebeu isso ou pelo menos «apanhou» isso. Terei falhado na minha argumentação. Lamento.

  5. Zé,

    Também não podes excluir a hipótese de que tenhas feito essa “entrevista” sob hipnose. Se assim for, tanto tu como o Mário, já para não falarmos do Mirante, têm razão. Consulta um especialista em psicoanálise regressiva e não te admires que ele te informe que a data da entrevista corresponde exactamente ao teu primeiro dia de praia nesse ano. Oxalá que não.

  6. Não sejas tonto – eu fiz a entrevista em 1999 mas o facto de ela tre sido repetida sem o meu nome agora apenas quer dizer que por critérios editoriais quem fechou a página entendeu não colocar o meu nome. Consulta tu um especialista se quiseres…

  7. Consulta tu o Mirante sobre as causas de não ter colocado o teu nome a assinar a entrevista, acho que o devias fazer. Aqui não há «critérios de quem fechou a página», há direitos de autor a defender. Ou terás tu feito das tuas?

  8. Já que sabes tanto julgo que também sabes uma coisa essencial: o jornal paga ao jornalista o direito de publicar a entrevista que é dele nas páginas do periódico mas a propriedade intelectual da mesma é sempre do seu autor. Ainda agora (há meses) publiquei uma colectânea de entrevistas a figuras da sociedade portuguesa feitas entre 1992 e 1996 e obviamente saiu tudo como no momento da publicação numa revista que, por acaso, já não existe. Neste caso não perguntei porque só soube depois de o jornal ter saído e o jornal tem o direito de citar apenas uma parte da entrevista como efeméride. Nada mais.

  9. Meu caro, volto ao mesmo. Eu próprio digo acima que existem direitos de autor. Achas que me deste alguma novidade? Até parece! Fui o primeiro a falar disso, portanto não me venhas com essa do «já que sabes tanto» etc, etc., como é teu costume para fugires ao essencial. Não tapes o Sol com a peneira. É um facto que o jornal tem o direito de publicar apenas uma parte da entrevista, mas mesmo assim é obrigatório citar o nome do entrevistador. «Publica-se parte da entrevista concedida por José Torres a José do Carmo Francisco em 1999». Tanto assim, dizeres que na tal revista «saiu tudo como no momento da publicação». Com isto, estás a dar-me razão. De uma coisa tenho a certeza, se o assunto não te incomodásse, não tinhas vindo dizer que foste o entrevistador e o fotógrafo. Teimas em defender o Mirante mas deves estar mais que chateado. E ponto final. Nas tuas respostas, passas sempre ao lado e metes os pés pelas mãos. Contigo não merece a pena perder tempo.

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