Um livro por semana 200

«Uma história de amor» de Miguel de Unamuno

Escrita em Salamanca em 1911, esta pequena obra-prima da literatura (segundo Jorge Luís Borges) relata os amores de Ricardo que, junto da grade da casa, dizia para Ludovina: «Não tenho mais nada que fazer, senão olhar para ti». Amores contrariados pelas famílias: «Nem a mãe dela nem o pai dele queriam aceder a dar-lhes o consentimento para se casarem». Os dois fogem de comboio mas regressam passados poucos dias. Ela a uma tia paterna («Não te fazia tão criança!») e ele ao pai («Palerma!»). Ricardo, no convento para onde foge, queima a última resposta dela sem abrir a carta e torna-se um frade complicado: «Procura destacar-se; supõe-se superior aos outros; despreza os companheiros». Ludovina refugia-se num convento de uma vila escondida numa serra agreste: «Ali se enterraria em vida, à espera da morte, da justiça divina e do amor que sacia». Mas é nesse casarão conventual da Província que se resolve esta história circular iniciada junto de um casarão da Cidade perto das muralhas de um convento. Frei Ricardo vem pregar um sermão e reencontra Sóror Ludovina: «Ao estreitarem-se e confundirem-se em um só os soluços de ambos, fundiram-se-lhes os corações e ficou a nu, e descoberto, o amor que, a partir daquela triste fuga, os sustentara pelos caminhos solitários. E a partir desse dia…»

(Editora: Padrões Culturais, Tradução: Alberto Cardoso, Paginação: Mário Andrade)

11 thoughts on “Um livro por semana 200”

  1. Felizmente não se ficou por aí; escreveu este belo conto sobre o amor com uma frase impossível de esquecer: «O amor havia de vir, chega sempre que se quer, quando se ama o amor – e se necessita dele».

  2. Concordo. Tenho ainda muito que ler, mas tenho outra pérola de Unamuno, umas reflexões sobre a solidão de que nunca mais me esqueci e uma bela escrita, límpida, apelativa, estética.

  3. Não por acaso o Jorge Luis Borges lhe chamou pequena obra prima da literatura. Ele não brincava em serviço.

  4. «O amor havia de vir, chega sempre que se quer, quando se ama o amor – e se necessita dele».
    A que amor se refere? Mas pensa que o amor anda aí aos saltos e e só apanhá-lo?
    O amor não se encomenda. Surge quando menos se espera e essa coisa pode deixar marca.

  5. Assim vale a pena trabalhar, ler o livro, organizar a nota de leitura, fotografar a capa, enviar por mail tudo para o Valupi. E basta uma leitora para salvar a causa e justificar o tempo gasto no assunto. Assim sim.

  6. Descarreguei há pouco tempo uma bliblioteca virtual que me permite ter tudo organizado. Dá-me até mais gosto a ler.

  7. Não percebeste e «leste mal» as palavras de Unamuno. A frase é do autor do livro e não minha… Não faças como o Santana Lopes que mandou agradecer um livro de Machado de Assis ao autor. Safa!

  8. Santana estava distraído com as extensões e plásticas da cilha jardim. Deve ter ficado ocm aquilo na mão e saíu asneira, o homem é humano, quero eu dizer de que.

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